Amor Proibido
11 Violência e Surpresa
Notas iniciais
Quando cheguei ao colégio, e vi Natália, eu a joguei contra a parede e, com meu braço direito, apertei seu pescoço.
– Que merda foi aquela Natália? Como você me deixa sozinha com Lucas? Com o Lucas! Sua idiota!
– Vai me dizer que você não gostou? Eu estava lá o tempo todo, tá?- eu tirei meu braço do pescoço dela aos poucos
– Então como você me deixou lá?
– Meu plano desde que você e o Lucas terminaram é tentar juntar os dois novamente. Eu vejo que os dois ainda se amam, tirei minhas conclusões na festa da Mariana. Amiga, depois que vi vocês dois na praça de alimentação, imaginei que vocês poderiam ter voltado, mas eu vejo que não.
– Eu ainda te acho uma idiota!
– Também te amo amiga!
Fui ao jardim e me sentei no banco. Comecei a ler meu livro, Jogos Vorazes, quieta. De repente, sinto braços envolverem meus ombros e ouço um sussurro:
– Princesinha de gelo...
Era a voz de Martín, como eu explicaria para ele sobre eu e Lucas no shopping Interlagos. Tudo o que rolou... Eu não queria mais a presença de Martín.
– Saia daqui Martín.
– Não me quer mais aqui?
– Não, Martín, eu não te quero.
– Sério? O que aconteceu, minha princesa?
– Martín eu não sou sua princesa.
– Enquanto eu quiser que você seja, você será!- ele disse apertando meu pulso com força.
– Me solte, Martín! Socorro!- eu estava me debatendo e Martín apertava ainda mais.- Lucas! Ahhhh!- ele estava me arrastando para algum lugar.- Ei, para onde você está me levando?
De repente, a luz daquele domingo transformou-se em um breu e não senti mais nada, só conseguia ouvir meus gritos desesperados. Fui violentada por Martín. Minha voz havia ido embora de tanto que eu pedi socorro. Foi quando vi a luz do dia, porém, a grama permanecia em meu olhar.
Vi a silhueta de Martín sumindo no corredor e comecei a chorar. Não era pelo fato da dor, era pelo fato de eu ter desonrado minha família e manchado minha história por ter sido violentada. Meu desejo era estar morta. Minha vida agora estava em risco. Se eu ficasse grávida? Eu tinha apenas 17 para 18 anos! Eu estava prestes a me formar no Ensino Médio! Eu iria estragar a minha vida.
Por sorte, alguma pessoa apareceu no jardim e me viu naquele estado.
– Sá?- eu reconhecia aquela voz, era a voz de Lucas. – O que aconteceu com você?
– Eu... Martín... Dói... — eu não estava conseguindo falar, era muito grande a dor que eu sentia.
– Peraí, Sabrina. Você tem que se levantar. Vou pedir ajuda. — vejo ele se virar e gritar o nome de alguns amigos. – Nicolas, venha cá e chame o Pedro, preciso da ajuda dos dois. – ele se virou para mim e acariciou meu rosto delicadamente. – Vai ficar tudo bem, eu prometo. – senti minha vista escurecer e minha audição sumir aos poucos, estava começando a desmaiar, porém, consegui ouvir Lucas chamar meu nome desesperadamente. – Sabrina? Acorda! Acorda! Você tem que ficar aqui comigo, acorde, por favor!
***Narrativa- Lucas***
Nicolas e Pedro chegam e eu, desesperado, peço para eles me ajudarem a levar Sabrina para o quarto dela e de Natália. Seu rosto pálido parecia o de um anjo. Ela estava muito derrubada, muito frágil, ela precisava ser acolhida. Me lembro de que ela mencionou o nome de meu irmão mais velho, Martín, o que será que aconteceu com ela?
Seus cabelos loiros estavam bagunçados, seus pulsos e braços estavam marcados com a forma de uma mão. Não foi querendo desrespeitá-la, mas, subi um pouco sua blusa, seu abdômen estava marcado e seu quadril avermelhado. Ela estava tão vulnerável que à medida que eu acariciava sua cabeça, ela estava se achegando mais à mim, como se estivesse pedindo para que eu fizesse mais daquilo.
Sua cabeça estava se mexendo aos poucos e suas pálpebras indicavam que ela queria acordar, então segurei sua mão delicadamente. Ela estava se mexendo, ela iria acordar a qualquer momento, eu estava na expectativa de seu despertar.
Ela abriu os olhos azuis e sorriu, conseguindo falar.
– Lucas? Você que me trouxe para cá?
– Sim, como você está?
– Bem melhor...
–É bom que esteja. Agora me explique o que aconteceu?
– Okay. Eu estava no jardim lendo meu livro quando senti braços envolverem meus ombros, me virei e vi que era o Martín. Tivemos uma pequena discussão, quando ele me levou para um quarto escuro. Lá, percebi que... eu... e-eu...
– Você o que, Sá?
– Eu... fui violentada por teu irmão.
Me levantei na hora, com a raiva percorrendo em meu corpo. Como o Martín pode ter feito isso? Ela apenas queria ler o livro dela em paz! Ela não tem culpa.
– Sabrina, mas você está se sentindo melhor?
– Eu ainda estou um pouco tonta, e minha voz está se recuperando aos poucos.
– Ótimo, depois vamos à delegacia.
– Como assim?
– Não vou deixar que Martín fique solto depois de ter feito uma coisa dessas com você!
– Mas... não precisa... – sinto a preocupação em sua voz.
– Precisa sim!
– Por quê você se preocupa tanto comigo?
No momento em que ela disse isso, me aproximei dela, e, delicadamente, pousei um beijo sobre sua testa. Meu desejo eram seus lábios, porém, não queria prejudicá-la mais ainda.
– Por quê não foi a onde queria?- ela me perguntou, abrindo os olhos.
– Eu não queria te machucar, ou te prejudicar, por mais que você esteja assim. Sabe, eu tenho medo de ferir seus sentimentos mais uma vez.
– Okay. Vamos conversar um pouco sobre você.
– Como assim, sobre mim?- Olhei confuso, porém, entendi o intuito daquela conversa, ela queria se entregar a mim, porém, ela tinha medo de amar novamente, de se entregar a alguém. Quero passar essa confiança, quero ela de volta, mas não posso me aproveitar de vulnerabilidade dela para fazer um pedido de reconciliação. Seria muito escroto. – Vamos lá, ontem de noite terminei com Jéssica...
– De novo?- ela me interrompeu rindo.- Isso não é uma novidade, né amigo?
– Tivemos uma pequena discussão, porquê antes tinha visto ela com outro cara da equipe de natação. Discutimos e terminamos o namoro.
– Não entendo como você ainda insiste que ama ela... Ela é idiota.
– Eu estou começando a desacreditar no amor...
– Não desacredite ainda, saiba que eu te amo, tá?- ela me disse sorrindo de um modo fofo.
– Também te amo, minha princesinha rebelde.
Entre conversas e risadas, Sabrina decide levantar-se da cama. Ela demora para manter o equilíbrio quando se lembra de que precisamos ir à delegacia, ela queria tomar um banho, mas, como a minha irmã mais nova, Carolina, me ensinou, em situações como esta, a vítima não pode tomar banho. Ela vai para o carro resmungando e dizendo que não suporta ficar suja e eu só ria do lado dela.
Quando chegamos até a porta da delegacia, ela decide, batendo, literalmente, os pés no chão do carro, que ela precisava ir ao hospital. Muitas horas discutindo e vamos ao hospital.
Fomos até a recepção do hospital e aguardamos chamarem Sabrina. Ela fez alguns exames, pela cara que ela voltou para onde estávamos, uma cara de choque, vi a preocupação em seus olhos marejados.
– O que foi Sá?
– Lucas, seu irmão acabou com a minha vida! Eu deveria ter saído de lá, deveria ter fugido!- ela disse chorando
– Calma, o que aconteceu?
– Eu estou grávida, Lucas!
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