Amor Proibido
35 Epílogo + Bônus
Notas iniciais
(5 anos depois...)
— Manhê, faz uma trança no meu cabelo? — minha filha diz, já com 7 anos, assim como Eric, afinal são gêmeos. Arthur com 6. Lucas ganhou mais duas estatuetas depois da primeira. Ele está sendo muito contratado. Quando ao meu emprego, eu estou tendo sucesso na profissão.
— Olha, olha. É seu primeiro dia, meu amor! — digo abraçando Luísa. — Senta aqui. — comecei a trançar o cabelo de minha filha, meus dedos percorriam seus cabelos loiros e sedosos, assim como os meus quando eu era da idade dela.
Depois de terminar a trança, eu e Lucas levamos meus três filhos no carro, pois vamos levá-los hoje, mas eu vou dirigir. Cada um na sua cadeirinha. É emocionante ficar ouvindo eles cantarem musiquinhas infantis, eu canto junto às vezes! Eu sou muito madura! Quando se tem filhos, você, automaticamente, vira uma criança. Pode ter certeza. Chegando na escola, Lucas acompanha Arthur enquanto eu acompanho Luísa e Eric. Ouvi o alvoroço da sala do primeiro ano — sala de Arthur — por verem meu marido, devem ter conhecido de algum filme de ficção científica que ele fez. As crianças são muito atraídas pela ciência, pelo menos na minha época, eu era.
Converso com a professora dos gêmeos e me despeço deles. Depois disso, vou para a sala de Arthur, aonde ainda acontece o alvoroço. As crianças estavam sorridentes e as meninas se derretiam a casa sorriso do meu marido. Bati na porta antes de entrar na sala e ouvi tomadas de ar por toda a sala, abracei meu filho e ele se sentou em uma mesa solitária no canto da sala. Suas bochechas estavam rosadas, seus olhos chamavam a atenção e ouvi burburinhos a respeito do meu filho, mas são só crianças comentando sobre coisas que nunca viram na vida.
Nos retiramos da sala e aula e finalmente a aula começa. Entro no carro, ajeitando o cabelo e os óculos, pronta para o trabalho, quando recebi uma ligação de Guilherme — o senhor que me entrevistou para o trabalho e meu atual chefe. -, logo atendi, poderia ser uma emergência do trabalho, algo do tipo.
— Alô? — eu disse.
— Sabrina, — ele sussurrava e dava pra notar o desespero na sua voz. Não só dele, mas de todos que estavam no escritório. — não venha para cá. Pelo amor de Deus.
— O que está acontecendo? — pergunto preocupada enquanto Lucas tomava o caminho do escritório.
— Estamos... — o sussurro dele estava mais baixo que o normal. — sendo... assaltados. Por favor, não venha.
— Vou ligar para a polícia. — digo em frente ao edifício.
— Pode fazer isso por nós todos?
— Pode confiar em mim. — viro-me para Lucas e pego seu celular, discando o número da polícia. Quando atendem, meu celular ainda está na ligação com Guilherme. Passo todas as informações, e eles logo chegam, cercando o prédio e adentrando-o.
Vamos embora para casa e, ao chegar, vou desabotoando a camisa, ficando com uma blusinha que uso por baixo. Sento no sofá e deito minha cabeça em uma almofada, Lucas deita sua cabeça em meu colo, e eu acaricio seu rosto. Ele me olha e eu digo.
— Você é o melhor acontecimento da minha vida, grandão! — ele sorri lindamente e eu beijo sua testa. — Eu te amo.
— Também te amo. Sá, o que você acharia de mais uma menina?
— Você não acha que três já está bom demais? — sorrio e ele toca meu rosto. — As crianças estão bem. E eu estou quase sendo promovida, não é mesmo?
— É que eu tenho saudades de te ver barrigudinha. — ele diz beijando minha barriga e eu rio. Tenho cócegas nessa área.
— Você tem certeza? Se tu quiser, para mim tudo bem. — digo e ele beija a minha mão.
— Nunca tive tanta certeza na minha vida. Vem aqui. — ele diz se levantando e me puxando para o jardim, ele me ajuda a subir na casa da árvore que ele, Martín e Felipe fizeram para as crianças. — Você tem quantos anos, meu anjo?
— Sério mesmo que você já esqueceu?
— Eu não esqueci, mas quero que me responda.
— 27. E você, 28.
— E nossos filhos?
— Luísa e Eric têm 7 e Arthur 6.
— Luísa precisa de uma irmãzinha. Arthur e Eric vivem brincando e a Lulu fica lá, mexendo no meu celular, brincando com as amigas. Vamos tentar, por favor!
— Tudo bem. Já estou há cinco anos na mesma empresa, então eu posso. — digo e meu marido sorri mais uma vez, me abraçando. — Eles e ela cresceram muito rápido. Há alguns dias eu estava com eles no meu colo, pulando em cima de mim, fazendo eles dormirem, e hoje, eles já estão na escola. Ai, como o tempo passou rápido!
— Passou voando. O que eu mais me orgulho é que, eles estão mais parecidos conosco a cada dia. — eu me aconchego em seu peito e ele acaricia meu cabelo e eu vou ficando sonolenta. Até que dormimos encostados na casa da árvore mesmo.
...
Eu acordo mais tarde, ainda não deu a hora de buscar as crianças na escola. Lembro-me de ligar para Guilherme. Ligo e ele diz que os pertences foram recuperados e está tudo bem. Sento no sofá, pelo visto Lucas foi fazer testes para a série.
Refletindo, então, fiz vários flashbacks. Tudo foi uma caixinha de surpresa para mim. Cada limite foi um novo começo, infinitas chances iriam surgir se eu permitisse. Eu dizia até onde eu ia. O tapa que eu levei da minha própria vida, nada mais era que um aviso, eu sei. Nada de bom viria dessa loucura que estava lá, ao pensar que nesse mundo era só, é mais ninguém. Tantos padrões e posições afastam de encontrar nossa própria essência.
Minha vida era um mar de rótulos. Nada era certo, mas parecia tão normal; eu havia me acostumado com a incerteza ideal. Nos faz querer o tudo, o pouco não é opção. Eu parei e pensei "Será surreal ter o mundo em minhas mãos?" Eu tinha ao meu lado quem soubesse me ajudar e acreditei no que iria me tornar — uma pessoa diferente, completamente perfeita, mas não -. O pouco era simples, o tudo foi a opção; será ideal ter o mundo em minhas mãos? Longe, alto. Cabe a cada um de nós dizer. Onde, quando. Cabe a cada um de nós saber.
A felicidade acordamos só para ter e compartilhar com aqueles que nos fazem sentir que estamos perto, saber que o longe é opção. "Será irreal ter o mundo em minhas mãos?"
Essa é uma das coisa que eu mais aprendi. Meu legado, que havia sido manchado, foi reformulado. Se eu pudesse voltaria atrás e não faria novamente o que eu fiz. O conselho que eu deixo é que seja qual for o final, faça ser algo ideal. Seja qual for o final faça ser algo surreal.
FIM *-*
BÔNUS #1:
Não pensou que iria acabar nesse oco, não é mesmo?
(Mais 3 anos depois...)
No meu aniversário de 30 anos, apesar de não ter tido o quarto filho, fomos os cinco fazer uma coisa que não faço desde o aniversário de um ano de Arthur — só que dessa vez faremos todos juntos -. Saltar de paraquedas. Meus filhos já têm 10 e 9 anos e estão de férias, ou seja, vamos todos pular. As crianças estão ansiosas e estamos cantando Sugar da Maroon 5. Quando chegamos, recebemos os equipamentos de segurança e Lucas fala algo para Luísa, então vou para lá.
— Meu amor, você quer que eu peça para um instrutor saltar contigo? — ele diz para a menina de cachos loiros, que assente com a cabeça. Luísa está com medo. — Tá bom, querida. Eu vou chamar pra você.
— O que houve, amor? — pergunto sabendo o motivo, mas queria saber os detalhes.
— Luísa tem medo de altura e está com medo de saltar. — Lucas diz chateado. — Tenho que chamar um instrutor pra saltar com ela. Eu vou com Arthur e você com Eric, tá bom?
— Tudo bem.
Lucas fala com o instrutor, e então entramos naquele avião. Me agarro a Eric depois de beijar Luísa e dizer que ficaria tudo bem.
Hora de pular. Estamos muito alto. Martín está lá embaixo com a filha dele, Paola. A queda é longa pelo jeito. Meu marido está preso à Arthur, chamo-o e beijo-o.
— Eu te amo. — digo.
— Te amo mais. — ele diz e então pulamos.
Foi uma sensação de liberdade. Abracei meu filho e senti seu sorriso. Os paraquedas funcionaram muito bem. Quando chegamos no chão, comemoramos em família. Coisas que sempre fazemos quando conseguimos algo juntos. Somos imbatíveis juntos! Somos uma família; somos um.
FIM *-*
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