Amor Platônico

9 Eu preciso de você


Notas iniciais
Estou aqui!

Sugestão de música

Meu aniversário. Meu… Só meu.

Eu vi uma patricinha se jogando pra cima de Bryan enquanto ele papeava com um grupo qualquer de garotos. Esse foi o único pensamento que eu pude ter logo depois de saído do meu esconderijo com os lábios efervescendo do beijo dele.

Se era o meu dia, se eu gosto daquele garoto… Eu não queria nenhuma atiradinha na sua cola.

Nem é meia-noite ainda.

– Com licença, meninas – pedi a minhas amigas, indo até a mesa em que ele estava.

Já tinha um grupo enorme de garotas em volta daquela mesa. A maioria – pra não dizer todas – estava de olho nele.

– Bryan? – chamei-o um pouco exaltada. Tá, Henrique havia me dado aquelas bebidas coloridas com gosto de cereja, que por acaso eu não sabia o nome. Estava feliz demais pra isso.

Todos me olharam.

Meninos desconhecidos começaram a me desejar felicidades e todas aquelas tolices de “você agora tem 18 anos”. Percebi que Vanessa e algumas de suas discípulas estavam lá.

Bufei.

– Oi Agatha? – Bryan estava com a testa franzida e muito encabulado. Devia ser porque o meu rosto comum de menininha ingênua fora chutado pelo de garota corajosa. O que uma bebida não faz até com uma estranha como eu? Dois garotos altos com o cabelo e olhos castanhos me fitaram, com um olhar pervertido. Eu ignorei. Antes, aposto que me olhavam com pena. Karen – membro do grupo das atiradas – começou a por suas patas nos braços de Bryan, prestes a falar alguma coisa insana pra ele. Eu sei, ela estava doida pra me provocar.

– Vem aqui. – Eu mandei, definitivamente com a voz embargada de ódio.

As idiotas lançaram um olhar mortífero para mim. Eu devolvi mil vezes pior.

Desgraçadas.

Eu sabia que iria me arrepender disso assim que levantasse da minha cama amanhã, mas… Estava sendo muito bom ser uma garota decidida e cheia de atitude. Eu merecia isso pelo menos em um dia da minha vida.

É sério, Bryan parecia estar com medo de mim. E eu nunca tinha visto aquela expressão amedrontada no seu lindo rosto. Nunca. Ele meio que murmurou um “volto depois” para todos e veio até a minha pessoa.

– Diga.

Eu o puxei a uma área afastada de todos os convidados, da pista de dança… Enfim. Estávamos bem afastados, mesmo.

– Linda, será que você pode me explicar o motivo de ter interrompido a minha conversa –

– Quero outro beijo – soltei.

Meio segundo depois pus minha mão contra minha boca, querendo matar o álcool que havia falado por mim.

Droga!

Ele começou a rir.

Rir mesmo, como se tivesse escutado a melhor piada do ano, vinda da pessoa mais ridícula. Eu.

– Não acredito que… o Henrique conseguiu aprontar… com você também – disse, em meio a gargalhadas.

Demorou muito para eu conseguir entender sobre o que ele estava falando. Henri era realmente um tipo de garoto que te influenciava a beber até cair. Nesse assunto, era mais convincente do que a própria Melissa. Pelo menos Bryan não demonstrava estar assustado comigo. E… minhas bochechas pegaram um leve ardor, como sempre.

– Ah, não precisa ficar com o rosto desse jeito, Tha. – Formou mais um daqueles sorrisos tortos que costumava dar. – Ele já enganou a todos nós.

Oi? Ele me chamou pelo meu apelido?

Mesmo assim, me senti nervosa não por estar estranhamente bêbada, e sim por minhas palavras. Porque aquilo era praticamente uma confissão, um reflexo do que eu queria de sua parte. Logicamente, eu tinha medo de que meus sentimentos ficassem muito evidentes. Por que… Era difícil explicar.

O amor – platonicamente falando – é como alguém escondido na janela que teme ser descoberto, que a pessoa que ama descubra que ele está ali. Descubra que ele está observando, admirando, adorando… aquela pessoa. Mas, esse alguém tem outro medo. De que seu amor nunca saiba que ele está observando, admirando, adorando… aquela pessoa. E, no fundo é o que o estranho quer. Ser descoberto. Só isso.

– Desculpe – pedi. – Estou perdendo a lucidez por causa da bebida. – Tentei abrir um largo sorriso. Não foi nada verdadeiro, não pra quem estava cheia de vergonha e receio.

Seus olhos se estreitaram, desconfiados.

– Tem certeza? – Pude ver que ele não estava completamente sóbrio. Devia ter bebido até mais do que eu, tirando o fato de que era acostumado com isso. Eu não.

Fiz uma cara de confusão horrenda.

– De que?

Seu humor alegre pareceu se dissipar, dando lugar a uma leve irritação.

– Sabe, você disse que queria outro beijo – suspirou. – Depois tentou de todas as maneiras negar o que você disse. A questão é: você quer um beijo ou não?

Dessa vez eu fiquei tão vermelha, que o meu rosto deveria estar irreconhecível. Eu ansiava por um beijo dele desde que me entendo por… adolescente. Que pergunta absurda era aquela?

Era absurdo, pra mim. Porque Bryan não tinha ideia do que eu sentia por ele. E eu não podia ficar escondendo isso por muito tempo. Um dia, ele teria uma namorada e depois uma família e eu não suportaria ver isso de perto. Aposto que no dia em que eu soubesse que uma alma gêmea apareceu em sua vida, eu finalmente iria chorar. De verdade e em grande quantidade. E se fosse preciso, eu preferiria passar a vida seca de lágrimas do que sem vida.

– Vou deixar essa escolha em suas mãos. Você pode me beijar ou… ir embora.

Eu abaixei meu rosto, esperando que ele voltasse para Vanessa e suas discípulas. Sinceramente, nunca fiquei nutrindo esperanças de nada. Eu odiava a decepção.

Passaram-se um minuto e vinte e sete segundos.

Senti uma pontada de dor em meus cabelos – não exatamente uma dor indesejável – e outra em minha cintura. Meus lábios foram abertos com sofreguidão e por um momento achei que não iria conseguir acompanhar os movimentos habilidosos de Bryan em minha boca. E, por mais que esse beijo fosse tão agressivo… Eu estava feliz. Praticamente irradiando felicidade.

Deixei todo o ar que estava preso sair depois que seus lábios abandonaram os meus. Eu fiz contato com seus olhos por um bom tempo, aproveitando o motivo de estar bêbada. Eu optei por achar que estava cheia de coragem e não cheia de embriaguez.

– Eu gosto da primeira opção – disse ele, concentrado em alguma parte de mim. Não havia nada de interessante no meu rosto.

A última lembrança que eu tive da noite – porque eu sei que logo depois eu bebi mais ainda – foi do meu amado me carregando em seus braços, subindo as escadas e me pondo como um bebê na cama. Eu gostei muito disso.

Notas finais
Gostaram??? Devo estar tomando banho de praia, de rio, curtindo a vida, mas não abandonei vocês. Fala sério, adoro o fato de ter vocês comigo! Isso é tudo, pessoal!