Amor Platônico
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Todos os dias, ele treinava até à exaustão, superando limites, quebrando resistências externas e internas. Seu capitão, não o notava e se o fazia, era discreto a ponto de não demonstrar. Não foi à toa que, só quando o enfrentou, para impedí-lo de salvar Rukia, ele soube de seu feito, havia alcançado o nível de Bankai!
Ainda guardava o cachecol que ele atirara sobre o seu corpo dilacerado e vencido, numa demonstração dolorida de reconhecimento. Paciência, continuaria a seu lado, mesmo que a sua indiferença o ferisse mais do que as mil lâminas da sua zanpakutou! Iria superá-lo, mesmo que no fundo, sua admiração e sentimento o fizessem venerá-lo mais que os deuses!
Renji, apronte-se! Vamos treinar! — disse Byakuya, tirando-o das suas divagações.
Sim, Capitão!
Treinaram juntos até o anoitecer, quando as estrelas despontaram no céu da Soul Society e Byakuya achou que já tinham feito o suficiente. Renji adiantou-se, ofegante e suado, pedindo mais, desejando retê-lo junto de si, mesmo sentindo o corpo reclamar. Desejava, um pouco mais daquela presença que o alimentava, profundamente, mesmo que o outro não soubesse!
Sempre fanfarrão, Abarai! Vejo que seu corpo não aguenta mais uma luta, sequer! — comentou Byakuya em tom de desprezo.
Há! vê-se que não me conhece, capitão! Ainda posso derrotá-lo! — gritou mais para si mesmo do que para o shinigami.
Pois, bem! Vou enfrentá-lo somente na forma *Asauchi, veremos se consegue me tocar...
Excitado pela atenção de seu capitão, Renji ataca, buscando forças nas lembranças duras de seu tempo em Rukongai. Não era nobre, não conhecia belas palavras, mas seu coração ardia de amor e era esse amor que fortalecia, agora, o seu braço cansado. Byakuya esquivava, parecendo fazê-lo sem nenhum esforço, até olhar daquele modo que Renji já conhecia...
Vai usar o shunpo!- pensou, preparando-se para bloqueá-lo. Acertou em cheio, defendendo o movimento e sorrindo para seu capitão. Consigo acompanhá-lo, agora! Não sou mais o tenente que você derrotou! Murmurou próximo ao ouvido de Byakuya.
Sem demonstrar surpresa, o shinigami embainhou sua espada e deu as costas ao seu tenente. Sem virar-se, comentou, calmamente:
Se você, ainda fosse o mesmo, não seria o homem que escolhi para acompanhar-me! Mas, não fique convencido, ainda tem muito o que aprender comigo, Abarai Renji.
Renji sorriu, pronunciando um, Sim, meu capitão! e apreciando seu amado que caminhava imponente, com os longos cabelos balançando ao vento. Era uma das visões mais sagradas que seu olhos presenciavam, além do rosto sereno que ele mostrava em combate.
Embalado por esta visão inspiradora, continuaria sua árdua tarefa de superá-lo, treinaria até seus dedos sangrarem e seu corpo arder em dor. Só assim, no dia em que fosse mais forte do que ele, poderia ter a ousadia e o direito de confessar o seu amor e quem sabe, ao invés de aprender, poderia ensinar seu capitão, muitas coisas sobre o “amor”!
Fim
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