Amor & Pecado

19 Capítulo 19 - Comemoração


– Ciumento. – Digo ao virarmos a esquina do quarteirão onde fica a cafeteria.

– Sou mesmo. – Vinicius responde sem tirar os olhos da direção, enquanto fecha as mãos com muita força no volante.

Olho para o banco de passageiros e vejo minhas roupas.

– Você é inacreditável. – Rio.

– Por quê?

– Passou na minha casa, pegou minhas roupas, estamos indo para a sua e de lá iremos para o culto, correto?

– Exatamente. Meu pai me ligou hoje à tarde, disse que quer conversar novamente e como ele anda meio bravo comigo, nos últimos dias, resolvi levar você comigo. Caso eu tenha que levar bronca, será mais suave com você por perto.

– Ok. – Não falo mais nada até chegarmos, já percebi que Vinicius ficou encabulado com Marcos e não está para conversa. Não tiro a razão dele, acabei fazendo algo que eu morro de medo que ele faça com Letícia. Meu coração da uma leve pontada de arrependimento. Onde eu estava com a cabeça em retribuir aquele beijo? IDIOTA. Eu sou um IDIOTA.

X

– Senhor, obrigado por mais este dia. Obrigado pela luz, pela água, pelo trabalho e por este momento. Abençoe senhor, o nosso alimento, os nossos familiares e os nossos amigos. Abençoe, desde já, nosso amanhã. Obrigado Senhor!

– Amém. – Falamos em uníssono ao abrir os olhos e sentar-se a mesa, após a oração feita pelo Pastor André. Estou entre meus pais do lado esquerdo, enquanto os anfitriões, Pastor André e Diane, encontra-se em lugares opostos, um em cada ponta da grande mesa de jantar e Vinicius permanece sozinho do lado direto.

– Foi uma surpresa encontra-los aqui. – Falo rapidamente a minha mãe.

– Logo após Vinicius sair de casa com suas roupas, Diane nos convidou para o jantar e viemos, quando você chegou fazia pouco tempo que tínhamos chegado.

– É um imenso prazer recebê-los em minha casa. – Pastor André refere-se a meus pais e eu. – Queridos irmãos e amigos.

– O prazer é nosso. – Meu pai responde.

– Gostaria de dizer o quanto estou orgulhoso do meu filho. – Agora Pastor André refere-se a Vinicius, que sorri timidamente. – A partir da semana que vem irá começar a trabalhar com uma de nossas irmãs.

Por tudo que é mais sagrado! Qual é a necessidade de preparar um jantar, só porque o filho irá começar a trabalhar? Ter um emprego é a coisa mais normal do mundo, é uma obrigação, até porque ninguém é sustentado pelos pais à vida toda. A culpa de Vinicius ser tão mimado é inteiramente de seus pais. Meus pais se entreolham e pela fisionomia de ambos, tenho certeza que estão pensando o mesmo que eu.

– Isso é muito bom, o trabalho edifica o homem. – Meu pai diz.

– Sim, irmão Claudio. Pretendo me empenhar nessa nova fase da minha vida e me reaproximar de Deus, já que tenho me afastado gradativamente Dele nos últimos meses. – Vinicius usa o seu melhor semblante inocente, confesso que ele tem talento. Até eu cairia nessa se não o conhecesse.

– Estou muito orgulhosa de você também, meu filho. – Diane fala emocionada.

– Obrigado, mãe.

– Podemos nos servir? – Pergunto, cortando o momento “familiar e emocionante”. – Eu trabalhei o dia inteiro e estou com fome. – Meus pais me cutucam levemente, como se quisessem dizer “tenha modos” e deram uma risadinha sem graça aos anfitriões que retribuíram e nos autorizou a comer. Não sei para que tanta formalidade, estamos entre amigos.

Após o jantar nossos pais se acomodam na sala de estar, enquanto eu e Vinicius subimos para nos arrumar para o culto.

– Quando você perguntou “Podemos nos servir?”, contive o riso. – Vinicius fala.

– Estava com fome e seu pai não calava a boca, precisei tomar medidas drásticas. – Falo rindo.

Vinicius certifica se a porta está trancada e vem em minha direção.

– Fala para aquele “tal” de Marcos que eu estou de olho nele. – Vinicius me abraça e deposita beijinhos em meu pescoço.

– Ele é meu patrão Vinicius. – Levo mais uma pontada no peito.

– Foda-se que ele é seu patrão, eu sou teu namorado. – Vinicius cola sua testa na minha. – Percebi o jeito que ele te olhou hoje e o modo como ele também te olhou do lado de fora da cafeteria no dia em que fui te buscar e Letícia apareceu. Ele foi à última pessoa que você atendeu antes deu chegar.

– É mesmo? Por isso que ele disse que estava frequentando a cafeteria, como cliente, anteriormente para nos avaliar. — Merda! Não acredito que Vinicius viu Marcos naquela noite, quer dizer, pelo jeito todo mundo viu, menos eu.

– Pelo visto você foi quem ele avaliou mais, por isso peça para manter distância. – O cenho de Vinicius está franzido novamente e seus lábios fechados em uma linha fina.

– Isso é coisa da sua cabeça Vini, relaxa. – Lhe dou um selinho e viro-me para pegar minha bolsa.

– A propósito, duvido que aquele babaca tenha minha pegada. – Vinicius me puxa bruscamente pelo braço, sem me machucar, gruda nossos corpos e num passe de mágica, coloca suas mãos em minhas coxas, fazendo com que minhas pernas fiquem envoltas em sua cintura e minhas mãos apoiadas em seu pescoço. O beijo é com certeza o melhor de todos até agora. O gosto é de posse, do tipo “Você é meu, porra. Ninguém vai te tirar de mim!”. Ele me joga na cama, abrindo meus braços e entrelaçando seus dedos nos meus, de forma que eu não consigo desvencilhar. – Eu te amo! – Vinicius mordisca suavemente meu pescoço.

– Eu também! – Ofego, a onda de desejo é enorme, meu couro cabeludo formiga, meu coração martela, os pelos do meu corpo se eriçam e Vinicius me solta.

– Levanta, vai se arrumar, senão chegaremos atrasados no culto. – Ao se levantar percebo rapidamente o volume em sua calça jeans, nunca tinha visto Vinicius tão excitado e para minha surpresa, também estou. E muito! Levanto-me.

– Ainda iremos terminar o que começamos hoje. – Sussurro em seu ouvido e passo a mão de leve, pelo volume da sua calça. Sinto seu corpo grande tremer.

– Com toda certeza. – Responde mordendo os lábios vermelhos.