Amor & Pecado
43 Capítulo 43 - Felizes Para Sempre?
Notas iniciais
4 anos depois...
– Merda! – Dou um pulo da cama ao perceber que estou meia hora atrasado.
– O que foi?! – Marcos pergunta assustado e sonolento ao mesmo tempo.
– Perdi a hora e você nem para me avisar! – Digo irritado.
– Como eu iria te avisar se estava dormindo também? – Marcos ri enquanto esfrega os olhos, como se ajudasse o sono ir embora.
Corro para o banheiro, jogo água fria no rosto, escovo os dentes, vou para o closet, troco de roupa em tempo recorde e desço as escadas com minha bolsa e Macbook. Chego à garagem e enquanto o portão automático abre, coloco meus pertences no banco traseiro e me olho no retrovisor do carro.
Logo hoje acordei atrasado! Merda! Merda! Merda!
Dou partida no meu Ford Edge e sigo em direção ao portão.
– Baby! – Ouço Marcos gritar da varanda do nosso quarto. Abaixo o vidro do carro e o encaro. – Boa sorte! Desculpe-me por estar atrasado.
– Tudo bem. – Sorrio, enquanto sinto o remorso em meu peito por trata-lo mal. – Nos vemos a noite, tenha um bom dia.
– Você também! – Marcos sorri. – Eu te amo!
– Eu te amo mais! – Respondo ao acenar e fechar o vidro.
O motivo deu estar tão irritado quanto ao meu atraso? Bem... Digamos que além de eu ter uma importantíssima apresentação no trabalho, a noite é a minha colação de grau. Sim! Sou um formando a ponto de explodir de tanta ansiedade e tensão. Os últimos seis meses foram extremamente desgastantes, chegando ao ponto de eu não me reconhecer mais. Até eu brigar com Marcos aconteceu. O fiz dormir no quarto de hóspedes, apenas por me chamar de “estressadinho” e “nervosinho”, semana passada. Mas há algo acontecendo que ele não quer me contar. Marcos e Deborah estão de muitos segredinhos ultimamente, coisa que anda me irritando profundamente também. Mas tento manter a calma. Marcos sabe que em meu estado normal não sou tão implicante e chato desta maneira, acredito que por isso ele não revida minhas más respostas. Mas toda vez que aqueles olhos cor de mel me fitam, meu coração amolece. Isso é fato consumado! Estou feliz por estar me formando, assim terei mais tempo para ele e relaxar pouco. Preciso de férias no trabalho também. Estou trabalhando há dois anos na rede de serviços Accor, grupo francês com foco em hotelaria e afins. O hotel que estou atuando no momento é o Ibis da Avenida Paulista e eu não poderia estar mais feliz. Finalmente sinto-me independente e a altura de Marcos. Foi difícil fazê-lo aceitar, dois anos atrás, de que eu tinha que trabalhar. Não só pelo seu orgulho, mas pelo ocorrido há quatro anos. Eu fiquei entre a vida e a morte, mas sobrevivi, não é mesmo? Ele não poderia me privar de tudo na vida. Não poderia me colocar em uma redoma de vidro e me deixar lá, sem contato com nada ou ninguém. Na época ele alegava que o medo de me perder foi tão grande que não poderia arriscar me perder novamente. Mas isso já é passado.
Entro no estacionamento subterrâneo do hotel, estaciono em minha vaga habitual e sigo para o elevador.
– Bom dia Sr. Baldo. – Angélica me recebe sorridente no saguão do hotel.
– Bom dia Angélica. – Sorrio de volta. – Por favor, me diga que Roger ainda não chegou, pois estou meia hora atrasado.
– Ele não chegou, tente relaxar. – Ela me lança um sorriso tranquilizante.
Sigo em direção oeste do saguão para aguardar o segundo elevador que me levará até minha sala. Não posso deixar de reparar nos finos ternos dos homens a minha volta. Extremamente bem cortados e elegantes. Modéstia a parte, não fico atrás. Estou usando um legitimo Kiton. Após a minha contratação, Marcos me levou a algumas alfaiatarias para a confecção de ternos sob medida. Fiquei extremamente desconsertado com tamanha sofisticação e custo, mas como era um presente e ele não aceitaria “não” como resposta, apenas aceitei. Quando chegamos em casa ele disse que encomendaria alguns pela internet para ocasiões especiais, como hoje. Balanço levemente a cabeça ao tentar parar de pensar no preço desse terno. Enquanto sei que muitas pessoas passam fome no mundo e não tem onde morar, estou dentro de um terno que custa em torno de R$ 125.000,00. Isso mesmo! Provavelmente eu fiz esta mesma cara de espanto, que você está fazendo agora, quando por acidente, vi a nota fiscal. Para quem não sabe, Kiton é uma marca Italiana. Os ternos são desenhados pelo alfaiate Enzo D’Orsi e são criados com uso dos materiais mais finos obtidos das ovelhas merino, ou seja, algo totalmente fútil, porém é inegável o quanto estou bem vestido. Espero que ele me de sorte hoje.
Faço parte da administração de marketing do hotel e hoje apresentarei ideias para aprimorar o processo de planejar e executar a concepção, o estabelecimento de preços, a promoção e a distribuição de ideias, bens e serviços, criando trocas que satisfaçam metas individuais e organizacionais. Isso tudo sempre visando a satisfação do cliente.
Marcos ficou acordado até tarde comigo me ajudando a finalizar esta apresentação e mesmo assim, consegui ser rude com ele agora pela manhã. Sou um idiota mesmo! Ok. Respire Marcos. Hoje é seu dia, apenas... Mantenha a calma.
Chego a minha sala, coloco meus pertences em cima da grande mesa e sigo para ao toalete. Minhas mãos tremem levemente e meu coração começa a acelerar. Decido ligar para Marcos.
– Al...
– Antes de tudo me desculpe por ser o pior namorado desse mundo! – Digo alterado. – Você me apoia a cada segundo e ainda assim sou rude com você. Desculpe-me.
– Tud...
– Não me interrompa! Estou apreensivo demais, o que faço?! – O silêncio do outro lado da linha é ensurdecedor e agonizante. – Marcos está me ouvindo?!
– Já posso falar? – Marcos pergunta de forma cuidadosa e inocente.
– Claro! – Digo revirando os olhos.
– Ok. Mantenha a calma meu amor, você está extremamente preparado. Suas ideias são incríveis e você, com toda certeza, se superará hoje. Acredito em você e estou aqui com os dedos cruzados torcendo para que de tudo certo. Tente não ficar tão focado no script que fizemos. Deixe as informações fluírem conforme as perguntas forem feitas. Você domina o assunto, não tenha medo. – Marcos finaliza carinhosamente.
– Tudo bem. – Suspiro profundamente. – Obrigado por me aguentar e ser tão bom para mim.
– Obrigado você por existir. – Ouço o som do seu sorriso. – Te amo.
– Também te amo. – Respondo ao finalizar a ligação.
Vamos lá garoto, respire fundo e mostre do que você é capaz.
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Vinicius
Espreguiço-me lentamente enquanto abro os olhos. O quarto está uma bagunça e isso me faz sorrir. Não que ser desorganizado seja algo bom, mas no caso de Bernardo isso o deixa charmoso, não sei explicar.
– Hey seu babão! – Bernardo ri. – Bom dia. – Ele fala do outro lado quarto, sentado em sua costumeira cadeira giratória, com seus óculos na ponta do nariz, enquanto faz suas palavras cruzadas.
– Bom dia. – Digo ao enterrar meu rosto em meio aos travesseiros. – Babão é você.
– Sou sim, babão por você. – Bernardo ao terminar de falar, já está deitado ao meu lado me enchendo de beijos. – É tão bom te ver dormindo, a paz do seu sono é sentida por mim. Você fica tão inocente e puro neste estado.
– Inocente e puro? Eu? – Pergunto em tom zombeteiro.
– Por incrível que pareça sim. – Bernardo sorri.
– Se você está dizendo... – Dou de ombros. – Sinto que o dia será muito bom hoje.
– Sem dúvidas, em plena sexta feira ter uma folga no mesmo dia que você e emendar com o final de semana é bom demais para ser verdade. – Bernardo me fita carinhosamente.
– Você vai querer viajar para algum lugar? Posso ver com a Letícia e levar o Guilherme conosco.
– Hoje não, vamos deixar para amanhã.
– Por que para amanhã? – Pergunto.
– Não iremos à colação de grau do Marcos? – Bernardo pergunta surpreso por eu ter esquecido.
– Você quer ir? – Pergunto ao fazer uma pequena careta.
– Porque não iria? Marcos é nosso amigo Vini.
– Eu sei... É que... – Fico sem jeito. – Pensei que talvez você não quisesse ir. Você sabe o que eu quero dizer.
– Aí! – Bernardo revira os olhos. – Para com isso Vinicius! Não sinto ciúmes de vocês juntos. Já te falei diversas vezes.
– Eu sei é que...
– É que nada! – Bernardo me interrompe. – Vamos e ponto final.
Seus lábios encontram os meus e me esqueço do que estávamos falando. Os lábios de Bernardo são macios, doces e gentis. Seu cabelo está maior do que o costume, formando uma franja em sua testa. Sua pele branca e suave toca a minha causando arrepios extremamente deliciosos. No segundo seguinte ele está em cima de mim, com um grande sorriso no rosto.
– Eu te amo. – Seus olhos brilham ao se declarar.
– Eu te amo. – Também afirmo, da forma mais doce que consigo.
Nossos lábios se encontram novamente, porém com mais cuidado e carinho. Enquanto sua mão esquerda pousa em meu rosto, a direita percorre o caminho da minha excitação. Ofego quando sua mão toca meu membro. Seus dedos longos e ágeis fazem um trabalho extraordinário ao tirar meu short e cueca. O toque da sua língua em minha glande faz com que eu alucine de tanto prazer. Olho em sua direção e me arrepio com a combinação dos seus olhos claros, cabelos ruivos e pele alva. Os movimentos seguintes são feitos tão rapidamente que peço para que ele pare. Neste momento o beijo, mais uma vez, fervorosamente sentindo meu gosto em sua boca quente. O jogo na cama o despindo completamente e tirando minha camiseta. O desejo faz com que eu seja egoísta o suficiente para não chupa-lo, me importando apenas em estar dentro dele. Nossa! Como ele é delicioso!
Seus lábios soltam pequenos gemidos enquanto o penetro. Bernardo sabe me provocar e por isso não quebra nosso contato visual. Seus olhos estão tão fixos nos meus que chego a pensar que estamos hipnotizados. Seus dentes perfeitos mordem levemente os lábios carnudos. O ritmo é constante e magnífico. Observo-o envolvendo seu membro com uma das mãos, enquanto sente eu o fazendo meu. Seus cabelos, já molhados de suor, estão grudados em sua testa e sua pele arde de calor. Seu cheiro é amendoado e faz uma combinação perfeita com o meu. Bernardo me completa, tenho certeza disso.
Acelero um pouco mais o ritmo e faço com que ele grite de prazer, enquanto goza. Inclino-me ainda mais sob ele, uno nossos lábios e me colocando profundamente dentro dele, gemendo seu nome no pé de seu ouvido, me derramo dentro dele. Adoro essa sensação. É como se eu saísse do meu corpo e voltasse no segundo seguinte. Eu e Bernardo somos duas máquinas de fazer sexo. Acredito que nunca transei tanto na vida como nesses quatro anos. E o que me impressiona é que nunca me canso dele.
– Você é incrível. – Digo recuperando o fôlego.
– Eu sei. – Ele responde rindo.
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Os rostos dos integrantes do conselho estão impassíveis e sem expressão. Permaneço de pé na frente da grande mesa após a minha primeira e maior apresentação. Roger, meu chefe, depositou todas as suas fichas em mim, acreditando que eu poderia apresentar soluções cabíveis aos nossos problemas. Claro que, se eu conseguir convencer os demais com minhas ideias, isso talvez resultará em uma promoção. Mas minha esperança começa a se esvair quando o silêncio começa a ser ensurdecedor e constrangedor. Meu coração acelera e as lágrimas começam a querer se formar. Merda! Esse terno ridículo não me deu sorte.
– Talento. Essa é a palavra que define você Sr. Baldo. – Bernard fala da ponta principal da mesa de reuniões. – Quando Roger me falou do seu talento não imaginei que fosse tão grande.
– O-obrigado. – Gaguejo ao sentir um enorme alivio.
– Este rapaz é um prodígio Bernard. Novo, porém ávido por desafios e competente para encara-los. – Roger sorri.
Após o comentário, Roger tem a iniciativa de bater palmas. E o inesperado acontece. Os demais o segue com o ato me deixando totalmente desconcertado. Sorrio e não acredito que isso esteja acontecendo. Mais elogios foram dirigidos a mim. Discutimos mais algumas questões referente ao que foi proposto por mim, estendendo assim nossa conversa até a hora do almoço.
Bernard fez questão de almoçar comigo e Roger no sofisticado restaurante do hotel. Estou extasiado com a possibilidade de ter agradado o conselho, mas tento manter os pés firmes no chão. Isso ainda não quer dizer que ganhei uma promoção ou algo do tipo. Mas enfim, já fico muito grato com o reconhecimento do meu esforço. O dia passa de forma mais tranquila na parte da tarde, mas não menos maçante. Nem tive tempo de ligar para Marcos para dizer como me sai com a apresentação. Meu ramal toca.
– Baldo. – Digo firme.
– Sr. Accetti na linha. – Angélica solta um pequeno sorriso ao pronunciar o nome do meu namorado. Como ela disfarça mal, penso. Mas a compreendo, Marcos é irresistível.
– Ok. – Digo com um pequeno deboche na voz, do tipo que quer dizer: “Ele é meu baby”.
– Boa tarde meu amor. – Seu tom é doce. – Como foi a apresentação? – Permaneço mudo, minha intenção é deixa-lo aflito. – Marcos?! – Ele pergunta com um tom preocupado.
– Er-r... – Gaguejo propositalmente e volto a ficar mudo.
– Sinto muito meu amor. – A voz de Marcos está embargada. – Você deu o seu melhor, mas tudo ficará bem, ok? Leve essa experiência como aprendizado, pode não ter conseguido a atenção do conselho hoje, mas mais cedo ou mais tarde conseguirá. Você é muito talentoso e focado e...
– Hahaha. – Rio alto ao interrompê-lo.
– Não zombe de mim, isso que estou lhe dizendo é a mais pura verdade. – Seu tom é triste.
– É brincadeira seu bobo. – Rio suavemente. – Bernard disse que tenho muito talento. – Agora é a vez de Marcos ficar mudo. O silêncio é pesado demais do outro lado da linha. – Marcos? Você está chorando? – Pergunto rindo, me recusando a acreditar nessa possibilidade.
– Ah! Marcos! Pensei que não tinha conseguido. – Ele diz ainda com a voz embargada. – Fiquei triste em pensar nisso e ainda você ri de mim. Nesses últimos seis meses me dediquei a você da melhor forma que eu pude, te apoiei, te aconselhei, te aturei nos momentos excessivos de irritação e você ainda faz isso comigo. Se eu não ligo para saber como foi sua apresentação você não me avisaria e quando ligo faz uma coisa dessas.
– M-me desculpe. – Meu peito se aperta. – Me desculpe amor, não foi minha intenção entristecê-lo. – Meu Deus! Como pude ser tão péssimo?! Eu fiz Marcos Accetti chorar! Chorar! – Olha eu sei que eu não tenho sido um bom namorado nesses últimos tempos, sei que talvez eu nem te mereça, mas...
– Hahaha. – Marcos gargalha.
– Aí! Seu... seu... – Me faltam palavras para chama-lo.
– Você não é o único com o poder de persuasão meu amor. – Marcos diz de forma de debochada. – Você conseguirá voltar para casa ou irá para colação direto dai do hotel?
– Irei daqui, trouxe um terno reserva. Usarei um dos quartos para me aprontar. – Digo ainda estarrecido.
– Tudo bem, nos vemos a noite meu formando. – Marcos ri.
– Até mais tarde. – Rio e finalizo a ligação.
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O ambiente é mais sofisticado do que imaginei. Amplo, espaçoso e muito bem iluminado. Cadeiras de madeira maciça com estofamentos claros e confortáveis. Fora o aroma floral maravilhoso. A cerimônia solene já está para começar e pela segunda vez no dia sinto um frio na barriga. Aqui termina um ciclo da minha vida e tenho a sensação de que daqui para frente nada será igual. Até agora estive meio que na “sombra” de Marcos. Deixando com que ele me guiasse. Mas agora percebo que já estou apto para caminhar com meus próprios pés e claro, junto com ele. Procuro não correr meus olhos pelo grande salão, pois não quero ver ninguém da minha família agora. Isso me impossibilitará em manter a calma, tenho certeza que se ver um deles começarei a chorar antes da hora. Pela maioria dos votos eu fui escolhido o juramentista das turmas de Administração, ou seja, irei proferir o juramento e todos deverão me acompanhar. A honra de ser escolhido para tal tarefa é tão grande que faz meu peito querer explodir de emoção.
O Diretor Geral da Instituição declara aberta a Sessão de Colação de Grau e pede aos presentes que fiquem de pé para a execução do Hino Nacional. Ao término do Hino minhas pernas tremem. A entrada dos formandos é anunciada pelo Secretário ADOC. Somos chamados um a um para o recebimento do diploma simbólico. Todos nós estamos com uma beca preta e faixa azul.
– Marcos Baldo. – Meu nome ecoa pelo grande salão e ouço palmas. Dirijo-me sorridente em direção ao Presidente da Mesa, curvando levemente o meu corpo. – Confiro o grau de Administrador a Marcos Baldo. – Coloco o capelo e volto a me sentar em uma das primeiras fileiras. Logo após a finalização da outorga de grau sou chamado novamente ao palco para o juramento.
– Peço aos formandos de Administração que se posicionem em pé e com a mão direita estendida. – Digo junto à tribuna. Leio pausadamente o seguinte juramento, fazendo com que os demais repitam as minhas palavras: “Juro, no exercício da profissão de administrador, planejar, organizar, racionalizar e dirigir, criando estruturas e sistemas que levem as instituições aos seus propósitos tendo em vista a dignidade do homem, a elevação do seu nível de vida, o fortalecimento de sua cultura e a promoção do seu bem estar. Juro utilizar o meu trabalho como uma ferramenta destinada a auxiliar o desenvolvimento do Brasil e a comunidade das Nações”.
Após minhas palavras desço do palco para a continuidade da colação de grau de outros cursos. Antes de me sentar meus olhos encontram os de Marcos fileiras atrás de mim. Ele está orgulhoso, é visível sua felicidade. Percebo que a grande fileira está completa apenas de pessoas importantes. Minha mãe, que chora muito, meu pai, Letícia, meu pequeno Guilherme, Beth, Sr. Lauro, Deborah, Jonas, Mari, Bernardo e por fim Vinicius. Seus olhos verdes exalam felicidade. Seus dedos estão entrelaçados com os de Bernardo, mas seu olhar fixo em mim. Ele diz de forma muda: “Você foi incrível” e eu respondo: “Obrigado”.
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Marcos estoura o champagne de forma estrondosa e elegante. Todos o ovacionam e aguardam para que suas taças sejam cheias.
– Parabéns cunhadinho! – Jonas me abraça de forma bruta, me apertando contra seu corpo e depositando um beijo em meu rosto. Ele gargalha com o modo que passo a mão pelo rosto, tentando tirar o beijo dele dali.
– Você é muito besta Jonas. – Mari diz sorrindo para ele e logo após vira-se para mim. – Parabéns meu querido. – Ela me abraça. – Você sabe o carinho que tenho por você, não é?
– Claro que sei. – Digo sorrindo.
– Você é incrível, me senti tão orgulhosa ao vê-lo fazendo o juramento.
– Obrigado. – Digo envergonhado.
– Eu que tenho que lhe agradecer. – Ela sorri. – Você foi o responsável por fazer com que eu e Jonas nos encontrássemos. Aí Marcos, ele me faz tão feliz. – Ela suspira e olha para ele que está do outro lado da sala brincando com Guilherme. – Ele me propôs em casamento. – Ela diz baixinho.
– O quê?! – Pergunto espantado e me contenho para não gritar.
– Shh... – Ela pede para que eu fale baixo. – Ele pediu minha mão ontem à noite. Ele não quer anunciar para a família hoje porque o foco é sua formatura.
– Aí fala para ele parar de bobagem, nada me deixaria mais feliz do que vocês ficarem noivos numa data tão especial. – Digo emocionado. – Claro que você aceitou né?
– Sim! – Ela confirma em êxtase. – Esses últimos quatro anos tem sido os mais felizes da minha vida ao lado desse bobo alegre. – Sorri. – Ele é tão ingênuo Marcos, mas também muito inteligente e carinhoso.
– Eu sei disso. Jonas tem muita sorte em ter uma garota que não quer apenas se aproveitar da situação e sim que o ama.
– Com certeza, eu o amo. – Ela sorri.
– Posso roubar meu filho por um segundo? – Minha mãe pergunta a Mari.
– Claro Vanessa. – Ela se retira.
– Oh meu amor! – Minha mãe me abraça. – Você me fez a mãe mais feliz do mundo hoje. Você é o filho que eu sempre quis e muito mais.
– Você também mãe. – Digo enquanto uma lágrima escapa dos meus olhos. – Você é uma mãe incrível. Tenho muita sorte em tê-la. – Beijo seu rosto e recebo outro beijo em troca. Abraçamos-nos e nosso momento mãe/filho é interrompido por Marcos.
– Por gentileza, a atenção de todos. – Ele pede educadamente com duas taças de champagne nas mãos. – Marcos você pode vir até aqui? – Sigo em sua direção e os demais formam um grande circulo em nossa volta. Todos que estavam na coloção de grau estão agora aqui na mansão dos Vaccari. – Tenho plena certeza de que hoje é um dos dias mais felizes da minha vida. A alegria de ver a pessoa que amo e me completa progredir é imensurável. Mesmo que eu tenha que aturar ataques de raiva e xingos desnecessários, no final tudo vale a pena. – Todos riem ao estarem cientes do meu comportamento nos últimos meses. Marcos entrega uma das taças a mim e se certifica que os demais também estão com as suas. – Gostaria de aproveitar este momento para propor algo a Marcos.
Meu coração para. Todos se entreolham entendendo o que tais palavras significam e isso me deixa mais tenso ainda. Meus olhos ficam turvos sem saber o que será proposto. As lágrimas começam a escorrer pelos meus olhos fazendo com que minha mãe, Beth, Letícia, Mari e Deborah chorem comigo. Enxugo meu rosto com as mãos. Vejo Vinicius cochichando algo no ouvido de Guilherme e entregando uma pequena caixa de camurça em suas mãos. Meu pequenino de olhos verdes pidonhos, como os do pai, vem em nossa direção arrancado suspiros de todos.
– Titio. – Ele estende a pequena caixa a Marcos e eu admiro a cena.
– Valeu garotão. – Marcos sorri para o pequeno que corre de volta em direção ao pai. O joelho direito de Marcos encosta o chão e suas mãos abrem a caixinha. O lindo par de alianças de ouro, passado por gerações da família da minha mãe parecem novas, de tão bem cuidadas que estão. – Marcos Baldo... – Marcos pausa as palavras para tomar fôlego. Sua voz está embargada e seus olhos cor de mel brilham devido às lágrimas que querem escorrer. – Obrigado por me fazer o homem mais feliz do mundo nesses últimos anos. Passamos por dias de luta e glória, como hoje. Você é meu exemplo de coragem, bravura e ternura. Você sabe ser carinhoso, altruísta e enérgico na medida certa. Você sabe fazer meu coração bater de mil formas diferentes. Você me compreende e me completa. Você sabe fazer cada dia da minha vida um conto feliz. Nesses quatro anos tive a horrível oportunidade de sentir o medo de te perder, mas Deus foi tão bom comigo e com todos aqui, que te trouxe de volta. Você me fez acreditar no impossível. Meu Deus! – Ele suspira. – Só Ele sabe quanto te desejei no dia em que você fez aquele maldito Cappucino para mim. – Ele sorri e as lágrimas caem. – Portando Sr. Baldo, você aceita se casar comigo?
Neste momento vou ao céu e volto. E uma retrospectiva passa pelos meus olhos. O dia em que conheci Marcos. O momento em que nos encontramos no parque, enquanto eu chorava pelas atitudes de Vinicius. Quando descobri que ele era o meu patrão. Nosso primeiro beijo em seu escritório. Nosso segundo beijo quando Letícia nos flagrou. O inicio do nosso namoro no topo do prédio. Nossa primeira vez. Eu sendo expulso de casa. A briga dele com Vinicius na chuva. Sua feição de alivio ao me ver acordar no hospital após o meu sequestro. Seu olhar orgulhoso ao me ver formado e agora seu olhar desesperado por minha resposta.
– Sim. – Eu sussurro. A emoção é grande demais para que eu consiga me expressar normalmente. Neste momento minha mãe e Beth se juntam a nós. Beth coloca em meu dedo anular da mão direita a aliança de ouro puro, enquanto minha mãe faz o mesmo com Marcos. Beth deposita um carinhoso beijo em minha face e minha mãe também beija Marcos.
– Viva os noivos! – Jonas grita.
– VIVA! – Todos retribuem o gesto erguendo as taças. Eu ergo a minha com a mão tremendo de emoção e Marcos também. Selamos nosso compromisso com um beijo rápido e em seguida todos nos parabenizam.
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Após a comemoração da minha formatura e noivado (Sim! Noivado, nem acredito!) eu e Marcos decidimos ir para o nosso quarto. O mesmo está iluminado à luz de pequenas velas. Elas cobrem a maioria dos móveis, dentro de pequenos recipientes de vidro. Pétalas de flores brancas forram o chão e a cama. O cenário é digno de filme. Ao lado da cama, em cima da conhecida mesa de vidro está um balde térmico com gelo e champagne. As taças de cristal brilhantes estão a nossa espera.
– Que lindo! – Sussurro impressionado.
Marcos me abraça por trás e deposita beijos em meu pescoço. Seus lábios são delicados, porém sedentos. Neste momento percebo há quanto tempo não transamos. Faço uma rápida conta mentalmente e me envergonho com o resultado. Trinta e quatro dias sem transar com meu namorado. Ruborizo imediatamente e percebo o quanto a reta final da faculdade me consumiu. Seu toque faz com que minha pele arda de desejo e que eu fique excitado imediatamente.
– Quero você meu amor. – Marcos suplica fervorosamente com os olhos fechados. Suas mãos descem pelo meu corpo, tirando a minha camisa de dentro da calça. Suas mãos encontram o meu cinto e o abre. Tomo a iniciativa de abrir os botões da minha camisa, porém sou repreendido. – Eu quero abri-la. – Marcos diz autoritário.
Ele me vira, fazendo com que fiquemos de frente um para o outro. Seus dedos encontram os botões da minha camisa e a abre deliciosamente devagar. Minha camisa cai no chão. Marcos sorri satisfeito e desce minha calça. Ele se ajoelha para tirar meus sapatos, meias e calça. Logo após ele passa suas mãos pelo meu volume e tira minha cueca. Sinto um arrepio pela minha coluna e fico a espera de sua boca em mim, o que infelizmente não acontece. Marcos me joga na cama, enquanto ele se afasta.
Ele caminha até a mesa vidro, onde o champagne e as taças estão, mas não pega nenhuma delas. O pequeno controle remoto em sua mão faz o som ambiente soar em nossos ouvidos.
Marcos segue para frente da cama e mexe os quadris no ritmo lento e sedutor da música. Arregalo os olhos ao vê-lo tirar a camisa de forma sexy e sedutora enquanto morde os lábios. Seu tórax e abdômen são tão definidos e braços tão fortes que eu não sei como fiquei um mês sem vê-los. Suas mãos passam pelo próprio corpo no som da bateria que ressoa alto. PUTA QUE PARIU! Ele está dançando Lana Del Rey?! West Coast?! Nossa! Eu morri e fui para o céu, com certeza. Agora é a vez dos seus dedos hábeis abrirem seu cinto enquanto seu quadril não para de mexer. Sua mão direita entra por dentro da sua calça fazendo movimentos sugestivos em seu membro já duro. Eu não aguento e começo a me masturbar ao observa-lo.
– Não se masturbe. – Ele me repreende pela segunda vez. Seu olhar é tão sério e intimidador que o obedeço.
Marcos se agacha para tirar os sapatos e meias. Ele deixa sua calça cair de forma automática aos seus pés e em seguida se livra da cueca. CARALHO! PUTA MERDA! Como ele pode ser tão gostoso? COMO?! Seus olhos cor de mel sugerem mil e uma formas dele me foder incansavelmente. Seus cabelos agora estão bagunçados. O quarto está quente, fazendo assim brotar gotas de suor pelos seus ombros largos, tórax e abdômen livre de pelos. Já as suas coxas e pernas são cobertas com uma leve camada de pelos castanhos. Seus braços, mãos, pernas, pés... Marcos por inteiro me deixa excitado como nunca antes. Acredito que a aliança de ouro em sua mão direita tenha um efeito até então desconhecido em meu corpo.
Ele vem em direção à cama e se deita em cima de mim. Seus lábios encontram os meus. Sua língua é exigente e pede passagem sem piedade. Ele me devora, como se quisesse também minha alma. Nossas ereções se encontram fazendo com que façamos pequenos movimentos prazerosos com nossos corpos. Marcos me vira de costas, me massageando. Minha pele arde com o toque de suas mãos. Seus dedos seguem em direção ao meu ponto de prazer fazendo com que eu suspire. Suas mãos separam minhas nádegas e sua língua sedenta lambe cada centímetro da minha bunda. Ela é ágil e quente. Marcos é tomado pelo egoísmo e mais uma vez não deixa eu me tocar. Ele me provoca profundamente, fazendo meu corpo se contorcer. Após sua língua são seus dedos que abrem caminho. Ele introduz um ou dois, fazendo movimentos repetitivos e lentos. Os minutos são intermináveis e eu não aguento mais.
– Acabe logo com isso, por favor. – Choramingo.
– Acabar com o que?! – Ele pergunta com um sorriso na voz.
– Com essa provocação toda. – Digo impaciente. – Me fode.
Meu pedido desperta Marcos de uma forma nunca vista antes. De forma bruta ele me vira de barriga para cima e mesmo sem camisinha me penetra sem receio algum.
– AH! – Eu grito ao fechar meus olhos com força.
Não grito pela dor e sim pela sensação de o sentir dentro de mim. Ele nem se da ao trabalho de começar a meter de forma carinhosa. Ele quer foder, não fazer amor. Entendo sua necessidade e retribuo da melhor forma. Seu membro dentro de mim, sem nenhum tipo de proteção, é fascinante. Pele com pele. Corpo a corpo.
Marcos me beija puxando o meu lábio inferior com força. Não satisfeito ele morde meu pescoço me causando arrepios. Ele se afasta um pouco, prendendo meus punhos apenas com uma das mãos.
– EU vou te fazer gozar. – Ele rosna.
O ritmo dos seus quadris aumenta e suas estocadas são mais profundas a cada segundo. Sua glande consegue massagear perfeitamente minha próstata. O tremor começa lentamente tomar conta do meu corpo.
– SIM! AAH! – Eu grito pouco me fodendo pra quem vai ouvir. Enquanto Marcos me faz gozar da forma mais intensa em toda a minha vida.
– CARALHO! – É a vez dele de gritar e se despejar dentro de mim.
West Cost ainda toca e não consigo saber se essa foi a foda mais rápida e mais prazerosa da minha vida ou se a música está apenas repetindo.
Marcos me olha nos olhos e acaricia meus lábios com o polegar. De forma indecente e suja chupo seu dedo e o mordo levemente.
– Quero mais! Eu quero foder com você a noite toda. – Digo ofegante.
– Seu desejo é uma ordem. – Ele sorri e seguimos para o segundo round.
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Acordo em um rompante. Pulo da cama e Marcos se assusta.
– O que foi? – Pergunta sonolento.
– Estou atrasado. – Digo.
– Hoje é sábado meu amor. – Ele sorri estendendo a mão esquerda em minha direção, fazendo menção para que eu volte para a cama.
Minha ficha cai quando vejo a aliança em sua mão. Olho também para a minha.
Noivo.
Rio mediante ao meu desespero sem motivo e volto para a cama. Marcos me aconchega em seu peito nu e voltamos a dormir.
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Acordo pela segunda vez e sinto meu corpo dolorido. Sigo para o banheiro e vejo meu reflexo no espelho. Dolorido mas feliz. Muito feliz, diga-se de passagem. Encho a banheira com água quente e logo após eu entrar Marcos aparece.
– Bom dia. – Ele diz sorrindo ao se despir e me acompanhar no banho.
– Bom dia. – Respondo satisfeito por sua companhia.
– Como você está? – Ele se encosta ao meu lado, me abraçando com um dos braços, enquanto a água cobre nossos corpos.
– Estou bem. Apenas me recuperando dos acontecimentos de ontem.
– O dia de ontem nos reservou muitas surpresas. – Ele sorri encantadoramente. – Teve sua fantástica apresentação no trabalho, sua formatura, nosso noivado, nossa incrível transa pós-noivado. – Ele ri.
– Acredito que a última foi inesquecível. – Digo ficando ruborizado.
– Tudo com você é inesquecível meu amor. – Ele me beija com ternura. – Fiquei com receio de você não ter gostado da forma que te tratei ontem.
– Como assim? – Pergunto confuso.
– Não deixando você se tocar ou sendo rápido demais. – Ele diz cauteloso.
– Ah! Isso? – Pergunto dando de ombros. – Adoro quando você se transforma em uma máquina louca de sexo. – Rio. – Aliás, há muito tempo não praticávamos, não é mesmo?
– Isso é verdade. – Marcos concorda com uma feição muito engraçada. – Mas quero que saiba que seu amor por mim é mais importante que sexo.
– Mas sexo é bom, não é? – Pergunto de forma inocente, enquanto sento em suas pernas dentro da banheira.
– Sim, é muito bom. – Marcos entende o que estou tentando sugerir.
Minutos depois estamos nos entregando completamente um ao outro.
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É sábado e sol está escaldante. Mas quando se está em casa, com um enorme jardim, piscina e churrasco em família, não é tão ruim. Estou em uma das espreguiçadeiras, apenas de sunga e óculos de sol. O calor penetra meus poros e eu amo isso. Após a comemoração da minha formatura e noivado, ninguém foi embora. Beth e Sr. Lauro convidaram a todos para ficar na mansão. Sr. Lauro comanda a churrasqueira com Jonas. Vinicius e Bernardo estão discutindo sobre algo do outro lado da piscina. Bernardo aparenta estar muito bravo. Meu pai e minha mãe estão abraçados, observando as árvores do jardim. Beth, Deborah e Mari estão concentradas em uma conversa divertida em uma das mesas a beira da piscina e Marcos está correndo pelo gramado atrás de Guilherme e Letícia.
Observo toda essa cena e os últimos anos parecem milênios atrás. Meus pais se reconciliaram após a minha recuperação do sequestro. Fico tão feliz que estejam juntos e mais fortes do que nunca. Admiro muito a minha mãe. Ela perdoou meu pai em nome do amor, acredito que eu não seria capaz.
– Titio, titio! – Guilherme corre em minha direção, subindo de forma abrupta em cima de mim e da espreguiçadeira. – “Titio M1” quer me pegar. – Ele diz me abraçando e sorrindo.
– Sai daqui “M1”. – Digo quando Marcos se aproxima.
– Te peguei Gui. – Marcos pega o pequeno no colo e o gira no ar.
– Esses dois não tem controle. – Letícia se senta ao meu lado, jogando os cabelos loiros trás dos ombros. – Marcos seria um ótimo pai. – Ela sorri de lado para mim.
– O que você quer dizer? – Pergunto espantado.
– Nada. – Ela da de ombros. – Só que ele está na idade e você já é bem maduro para tal responsabilidade.
– Acho que não Letícia. – Digo apreensivo. – Quero viver muita coisa com Marcos antes de pensar em algo do tipo.
Guilherme e Marcos agora estão longe novamente. Eles estão rolando pela grama. A risada de Guilherme é estridente, porém linda. A feição de Marcos quando está com ele se ilumina de uma forma totalmente diferente.
– Entendo... – Letícia faz um pequeno beicinho ao me observar. – Como está se sentindo? Você está noivo! – Ela sorri.
– É muita felicidade para um coração só. – Sorrio.
– Você merece meu querido. – Letícia se aproxima e me abraça. Ela mudou muito com o decorrer dos anos. Na verdade, Letícia sempre foi incompreendida. Agora que encontrou uma família que a apoia e a ama, não tem mais porque ser uma vadia desclassificada. – A propósito que história é essa de “Titio M1” e “Titio M2”? – Ela pergunta rindo.
– Essa é mais uma das palhaçadas que Marcos tem com o Guilherme. – Rio. – “Titio M1” é ele e “Titio M2” sou eu.
– E porque você é o “M2”? – Letícia gargalha. – Você que é o tio de verdade.
– Marcos disse ao Guilherme que ele deveria ser o “M1”, porque é maior, mais forte, mais velho e mais bonito. – Reviro os olhos. – Mas por incrível que pareça Guilherme me defendeu na última comparação, dizendo que o mais bonito sou eu, não o Marcos. – Rio.
– Esse menino é demais. – Letícia diz ao balançar a cabeça.
– E como está sua avó? – Pergunto curioso.
– Ela não é minha avó. – Letícia responde amargurada. – A chame de Márcia apenas.
– Tudo bem, me desculpe.
– Então... – Letícia suspira. – Ela está do mesmo jeito de sempre. Deitada em uma cama, sem poder andar ou falar. Chega ser triste, mesmo se tratando dela.
– E quem está com ela agora?
– Contratei uma enfermeira para os finais de semana. Preciso respirar às vezes. – Letícia diz tristonha. – O mal que fazemos as pessoas, volta contra nós em vida Marcos. Não acredito em inferno ou algo do tipo. Veja o exemplo da Márcia, ela sempre me tratou tão mal e hoje depende de mim para tudo.
– Concordo com você. – Digo pensativo. – Há quanto tempo ela teve o AVC?
– Três anos. – Letícia suspira ainda mais. – Três anos sendo prisioneira dela. Tendo que desperdiçar meu tempo e juventude com alguém como ela.
– Calma Letícia. – Digo apoiando minha mão em um dos seus ombros. – Ainda tudo vai se resolver. Você ainda vai encontrar um cara super gostoso que te amará. – Rio.
– Bobo. – Letícia mostra a língua para mim.
– Marcos. – Vinicius se aproxima. – Posso falar com você?
– Ok. Já entendi. – Letícia se levanta e se retira.
– Dramática... – Digo ao observar Letícia se afastando.
– Sim, muito. – Vinicius se senta onde Letícia estava. – Queria dizer que estou muito feliz por você. – Seu sorriso é encantador e seus olhos verdes brilham.
– Obrigado. – Sorrio de volta. – Fico feliz por você também. Bernardo é um cara fantástico.
– E complicado. – Vinicius complementa rindo.
– Isso faz parte. Nada é 100% sempre.
– Você e Marcos são. – Vinicius afirma. – Nunca vi vocês brigarem.
– Você nunca viu, porque nunca brigamos em público.
– Queria ser igual a você.
– Igual a mim? – Pergunto.
– Sim. Maduro. Isso que eu quis dizer.
– Mas quem disse que você não é maduro Vini? Você tem um filho lindo. Nunca falta nada para ele porque você não deixa. Não só na parte material, mas no emocional também. Há quatro anos namora um cara super bacana, que te ama. Gente madura não consegue fazer esse tipo de coisa.
– Você sempre faz com que eu me sinta melhor. – Ele sorri.
– Sim. Sempre. – Sorrio de volta e pego sua mão.
– Obrigado por sempre fazer parte da minha vida. – Vinicius me olha com os olhos marejados.
– De nada. – Solto nossas mãos. – Cadê sua mãe? Pensei que ela viria ontem ou hoje.
– Ela está namorando. – Vinicius diz de cara feia.
– Hmm... – Digo de forma maliciosa. – Diane merece namorar muito e desmanche essa cara feia. – Rio. – Maturidade Vinicius. – O repreendo. – Ela tem o direito de ser feliz novamente.
– Sei... sei... – Vinicius apoia o queixo em uma das mãos e revira os olhos.
Olho para a churrasqueira e vejo que Jonas está chamando todos para o almoço. Levanto-me, coloco meu short, camiseta e sigo, com Vinicius, para a grande mesa do espaço gourmet externo da mansão. A mesa está cheia, tanto de pessoas, quanto de comida. A felicidade reina no local e isso me deixa realizado. Meus pais, noivo e família reunidos em paz e harmonia.
– Tenho algo para compartilhar. – Jonas chama a atenção de todos. – Ontem foi o dia feliz do meu irmão e Marcos, porém hoje é o meu. – Jonas parece emocionado. – Quero dizer que há dois dias a minha incrível e amada namorada Mariana aceitou se casar comigo.
Beth quase cai para trás de felicidade e é a primeira a abraçar o filho e a nora. Mari está eufórica, recebe os parabéns de todos com um sorriso largo e olhar emocionado. Jonas logo tira do bolso um lindo par de alianças e ambos colocam um no dedo do outro.
O almoço segue tranquilo e feliz assim como todo o nosso final de semana.
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Um mês depois...
– A imprensa está toda aí! – Deborah diz eufórica.
– Pare de me deixar mais nervoso do que estou. – Digo bravo.
– Relaxa. – Ela pousa suas mãos em meus ombros e admira meu reflexo no grande espelho. – Você está perfeito.
Espanto-me ao me ver. Estou tão... Diferente. Meus cabelos negros estão em um topete alto e lustroso, muito bem feito. Minha pele está lisa e sem nenhum tipo de imperfeição. Claro que a leve maquiagem contribuiu para tal efeito, mas está tudo muito natural. Meu terno é bege, muito bem cortado, com botões e cinto preto. Minha camisa é branca, igual à gravata e sapatos. Uma pequena flor amarela se destaca no lado esquerdo do meu peito, dando um destaque muito charmoso.
Marcos e eu decidimos nos casar ao ar livre. É Janeiro, verão e tudo não poderia estar melhor. Estamos em uma chácara no interior de São Paulo com uma área verde encantadora e um grande lago. O sol está se pondo dando um ar romântico ao evento. Meu coração martela em meus ouvidos e meu estômago se revira de ansiedade. Estou sem ver Marcos desde as dez da manhã e já são cinco da tarde. A sensação de saber que a próxima vez que o verei será no altar é inexplicável.
Minha mãe entra no grande quarto da casa de campo e cobre a boca com as mãos. Seus olhos enchem de lágrimas no instante que me vê.
– Nada de choro Vanessa, pelo amor de Deus! – Deborah corre em sua direção tentando acalma-la. – Engole esse choro mulher! Deixa pra chorar depois.
Acabo rindo da forma que Deborah fala.
– Como estou mãe? – Pergunto sorrindo e apreensivo.
– Lindo meu amor. Simplesmente lindo. – Ela diz ao me abraçar e se conter. – Será um prazer leva-lo até ao altar.
– Está na hora meus amores. – Deborah diz animada. – Estou indo na frente e mantenham a calma, ok?
– Ok. – Eu e minha mãe respondemos em uníssono.
Caminhamos até a grande porta dos fundos da casa, onde saímos no grande jardim e lago. De longe vejo a grande tenda de panos brancos e estrutura de madeira. A mesa onde o juiz está é grande e coberta com uma linda toalha de renda, também branca. O caminho até ao altar é ladrilhado de tijolinhos marrons claros. De ambos os lados os bancos de madeira estão cheios de convidados já sentados. Nas laterais do caminho ladrilhado tem enormes canteiros com pequenas flores amarelas, combinando assim, com a que está em meu terno. Eu e minha mãe seremos os últimos a entrar.
– Sr. Baldo, por gentileza, fique dentro da sala de estar. – Lucia a organizadora do evento pede com educação. – Srta. Deborah fez recomendações extremas para que o Sr. não veja seu noivo antes da hora. – Lucia sorri docemente.
– Tudo bem. – Concordo aflito.
– Assim que chegar a sua hora lhe aviso. – Ela tenta me tranquilizar. – A propósito o Sr. está lindo.
– Obrigado. – Agradeço.
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Marcos A.
– Você está um gentleman. – Mamãe beija o meu rosto.
– Obrigado. – Sorrio.
– Me orgulho tanto de você meu amor. Tenho certeza que seu pai, aonde quer que ele esteja também se orgulha. – Seus olhos brilham e suas mãos pousam de cada lado do meu rosto.
– Também tenho certeza disso mãe. – Pego uma de suas mãos e a beijo.
– Agora vamos querido. Seu noivo não pode esperar. Tenho certeza que ele deve estar mais nervoso que todos nós.
– Disso eu também tenho certeza. – Rio ao imaginar a forma como Marcos deve estar balançando as pernas, impacientemente, esperando a sua entrada.
Fazemos um caminho diferente até o jardim da casa, já que Marcos e Vanessa esperam sua entrada na sala de estar. Ao chegarmos ao gramado, a fila de padrinhos já está formada.
Os acordes do violão tomam conta do espaço aberto em grandes caixas de som, camufladas entre os arbustos. O sol está se pondo e o céu toma uma cor alaranjada e azul ao mesmo tempo. Os primeiros a entrar são Jonas e Deborah, como meus padrinhos. Logo em seguida entra Letícia e Vinicius, como padrinhos de Marcos. Esse momento chega a ser surreal demais para mim. Quem diria que Letícia e Vinicius seriam padrinhos no meu casamento?! Realmente o mundo da voltas. Ao me posicionar no caminho ladrilhado até ao altar os convidados ficam de pé. Eu e minha mãe seguimos tranquilamente. Estou suando frio.
– Calma meu amor. – Diz minha mãe de forma discreta ao pararmos para uma foto.
– E-estou calmo. – Gaguejo.
Ela sorri de forma muda e me deixa no altar após dar um carinhoso beijo em minha testa. Então o momento único de felicidade extrema acontece. Vejo meu amado vestido igual a mim, porém com uma feição mais confiante.
Ele é tão perfeito e o amo tanto.
Vanessa está muito elegante. Nunca vi mãe e filho tão belos e espontâneos. Meus olhos encontram os de Marcos e suas pupilas se dilatam instantaneamente. Estou a dois metros da minha felicidade. Apenas dois metros do homem da minha vida. Desço o pequeno degrau do altar e após Vanessa beijar delicadamente o rosto do filho, com uma lágrima caindo, estendo minha mão. Seu toque é macio e me transmite tranquilidade. Entrelaço nossos dedos e ficamos diante da mesa onde se encontra o juiz. Neste momento a música termina com batidas rítmicas perfeitas e emocionantes. A brisa faz meu cabelo seco balançar, enquanto o de Marcos permanece imóvel devido ao gel. Seus olhos castanhos decoram o sorriso em meu rosto e eu faço o mesmo.
– Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundos, mas com tamanha intensidade, que se petrifica e nenhuma força jamais o resgata. Que a coragem deles nos sirva de exemplo. Creio que assim poderemos ser felizes mais facilmente. Esta é uma história de descobertas, uma história de paixão, uma história de amor e depois vontade de viver uma vida juntos, de seguir juntos por uma jornada nesta vida. Assim é a história de Accetti e Baldo. Que movidos pela força desse enorme e mais sincero sentimento chamado amor, celebram sua união. – O juiz entoa as palavras de forma emocionante, arrancando lágrimas dos meus olhos. Percebo que Marcos também está chorando e com isso meu coração amolece.
Neste momento um grande suspiro em uníssono é dado. O pequeno Guilherme, juntamente com Heloísa, filha do irmão bastardo de Vinicius, entram genuinamente em direção ao altar. Guilherme é uma cópia fiel e linda da combinação de Vinicius e Letícia. Seus olhinhos verdes brilham de alegria por estar trazendo novamente as alianças até nós. Já Heloísa é tímida, porém graciosa e linda. Ela não puxou os olhos verdes do pai, porém o tom amendoado lhe caí muito bem. Ela sorri largamente para Marcos que pisca para ela. Pego a caixinha das pequenas mãozinhas de ambos e agradeço. Os dois seguem em direção à primeira fileira, onde minha mãe, Vanessa e Diane estão sentadas.
– Por gentileza, façam os seus votos e coloquem, um na mão do outro, a aliança no dedo anular esquerdo.
Eu pego o microfone em cima da grande mesa e me preparo para os meus votos.
– Meu amor, me perdoe se não tenho nada pronto, se deixei tudo assim... Tão... De repente. Mas nosso amor começou assim, de forma repentina, não é mesmo? – Meus olhos enchem d’água. – Não tenho muito que dizer, até porque palavras não explicam o que sinto por você. Só quero que saiba que a partir deste momento você será minha vida, minha voz, minha razão de viver. Meu coração está ansiando pelo momento de você ser definitivamente meu há anos. Eu te amo Marcos e nem o poder do universo poderá mudar este sentimento. Portanto aceite esta aliança como símbolo do meu amor e admiração por você. Meu atual e eterno amigo, namorado e agora marido. – Coloco delicadamente a aliança do dedo de Marcos que controla o choro e sorri incansavelmente.
Marcos antes de pegar minha mão, enxuga as lágrimas que escapam dos seus olhos.
– Marcos. – Meu pequeno respira fundo ao procurar as palavras e olha para mim. – Você é o mais generoso, carinhoso e melhor companheiro que alguém pode ter. Você apareceu em minha vida para ser meu alicerce. Para me segurar nos momentos de queda e me exaltar nos momentos de felicidade. Você me mostrou a possibilidade do amor verdadeiro e da plena alegria. Hoje nos tornamos um só e eu não poderia estar mais feliz. Então aceite também esta aliança como símbolo do meu amor, respeito e honra de ser seu. Você me completa de uma forma inexplicável. Eu te amo mais que a mim mesmo. – Marcos coloca a aliança em meu dedo e sorrio largamente.
– E assim, com o poder dado a mim eu os uno em matrimônio. – O juiz pede para que assinemos os papéis.
Meu nome permanece como Marcos Accetti, porém Marcos não abriu mão de ter o meu sobrenome.
– Você não poderia me deixar mais feliz Sr. Marcos Baldo Accetti. – Sussurro em seu ouvido enquanto ele termina de assinar o seu novo nome. Deposito um beijo carinhoso em sua testa e os convidados aplaudem. O céu azul começa a se despedir, dando espaço para a escuridão da noite. As luzes do jardim são acesas deixando o ambiente a céu aberto mais bonito e decorado.
– Eu te amo. – Marcos diz ao olhar novamente em meus olhos.
– Eu te amo. – Também afirmo e sinto nossos corações baterem em um só ritmo.
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Como todo casamento, o meu também tem valsa. Porém eu quis algo diferente, com violão, um pouco de violino e leves batidas eletrônicas. É apenas uma melodia lenta de uma das minhas músicas preferidas. Começo a dançar lentamente com Marcos no meio do grande salão dentro da casa. Após alguns segundos Vinicius e Letícia, Deborah e Jonas se juntam como casais em nossa volta. Marcos me gira na segunda parte da música e vou de encontro a Letícia, enquanto Marcos dança com Vinicius.
– Quero que você seja muito feliz, meu irmãzinho. – Letícia deseja sorridente.
– Eu já sou. – Afirmo com toda certeza do mundo.
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Vinicius
– Dançar com você não é algo que eu tinha em mente Accetti. – Faço cara de desgosto para Marcos.
– Nem eu Vinicius. – Marcos responde revirando os olhos.
– Faça o Marcos feliz seu idiota. – Digo rindo.
– Eu já o faço feliz há muito tempo imbecil. – Marcos pisca para mim de forma vitoriosa. – Hora de trocar de par Vinicius, não chore, por favor. Sei que sou irresistível.
– Nem morto. – Gargalho.
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Trocamos os pares novamente e penso comigo mesmo como deve ter sido a dança de Marcos e Vinicius. Agora Letícia volta para Vinicius e ambos se retiram da pista. Meu par agora é Jonas e Deborah o de Marcos.
– Por favor, não se aproveite do seu cunhado gostoso. Seu marido está logo ali. – Jonas sorri sarcasticamente.
– Cale a boca. – Rio.
– Agora é sério cunhadinho. Te desejo toda a felicidade deste mundo para você e meu irmão.
– Obrigado Jonas. – O abraço.
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Marcos A.
– Eu nem acredito que meu irmão do meio, o veado mais lindo e gostoso desse mundo está se casando. – Deborah gargalha.
– Deborah. – A repreendo pela forma que me chamou de “veado”.
– Pare de ser careta Marcos, foi apenas uma brincadeira. – Ela argumenta. – Desmanche essa cara de sério. Coloque um sorriso nesse rosto. Afinal de contas, você conseguiu o garoto.
– Sim eu consegui. – Olho para Marcos dançando com Jonas.
– Hora de trocar. Beijos maninha. – Me despeço de Deborah.
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Com um giro perfeito Jonas faz com que eu caia nos braços de Marcos novamente. Seus olhos são ardentes nos meus. Enquanto Jonas e Deborah deixam a pista para que terminemos a música em grande estilo, Marcos não resiste e me beija fervorosamente. O alvoroço é grande e todos aplaudem. Mesmo de olhos fechados sinto os fleshes em nós.
Após nossa dança, a pista de dança é liberada para os demais. Sigo Marcos e nós começamos a cumprimentar os convidados. Marcos me apresenta a familiares e amigos que não tivesse a oportunidade de conhecer nesses quatro anos. Já outros, como amigos de faculdade e negócios, que conheço, tenho mais liberdade e fico menos tímido.
– Marcos! – Samantha e Érika, amigas de Deborah e que eu e Marcos conhecemos em uma viagem à praia nos gritam.
– Olá! – Abro os braços e abraço as duas de uma só vez. – Que saudades.
– Nós também estávamos. – Samantha diz eufórica com seu vestido preto curto e cabelos vermelhos.
– Viemos dançar horrores com os noivos mais lindos “ever”. – Érika também sorri animadíssima.
– Mas é claro que sim. – Concordo. – Irei terminar de cumprimentar os demais, depois irei tirar algumas fotos cortando o bolo e aos arredores do jardim com Marcos, mas nos esperem que com certeza vamos dançar.
– Ótimo. Te esperamos seu lindo. – Samantha sorri enquanto me afasto.
Após muitas fotos e formalidades eu e Marcos estamos liberados para curtir a festa. A noite é uma criança e como prometido me junto a Samantha e Érika assim que possível. Dançamos loucamente noite adentro. Deborah não resiste a uma farra e se junta a nós com Jonas e Mari. O dia mais feliz da minha vida é mais do que imaginei. E ter Marcos como marido, oficialmente falando, é inexplicável.
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Já amanheceu e Marcos não está ao meu lado na cama. Levanto-me, sigo para o banheiro desconhecido e também não o encontro. Decido tomar um banho rápido e me troco. Desço as escadas da grande casa que apenas os mais próximos pernoitaram aqui.
– Bom dia! – Sou recepcionado de forma ensurdecedora. – Parabéns pra você, nessa data querida...
O parabéns interminável envolta da grande mesa de café da manhã é hilário. Jonas me abraça, me aperta e Marcos também. Fico preso entre os dois enquanto os demais gargalham. Em meio aos preparativos do casamento e toda a ansiedade do momento, me esqueci do meu aniversário.
– Hey! Hey! Hey! Porque vocês não agarram ou espremem o Vinicius também? Não sou o único aniversariante aqui. – Digo enquanto tento me livrar dos apertos.
– Boa ideia cunhadinho. – Jonas sorri. – Vem aqui Vini. – Jonas abre os braços e corre atrás de Vinicius.
– Não, nem vem. – Vinicius tenta escapar, mas não consegue.
A manhã de domingo na chácara passa depressa. O Buffet já está desmontado, juntamente com a decoração. Marcos, eu, Letícia, Guilherme, meu pai e minha mãe voltamos no mesmo carro. Vinicius, Bernardo, Heloísa e Diane em outro. Beth, Sr. Lauro, Jonas, Deborah e Mari decidem ficar mais um dia no campo.
Na estrada o silêncio no carro é absoluto já que Guilherme está dormindo. Meu pai no banco detrás me observa pelo retrovisor de forma cômica.
– Muito apertado aí pai? – Pergunto rindo. – Se quiser pode vir aqui na frente com Marcos.
– Eu aceito meu filho. – Ele sorri e trocamos de lugar na parada mais próxima.
Chegamos finalmente em São Paulo, na casa dos meus pais, no inicio da tarde. Enquanto Letícia leva Guilherme para o meu antigo quarto ela recebe uma ligação. Marcos termina de levar o garoto, enquanto ela permanece pálida com o celular nas mãos. Eu, minha mãe e meu pai ficamos apreensivos, a espera, do que ela acabou de ouvir.
– O que foi minha querida? – Meu pai pergunta preocupado.
– É a Márcia... – Ela diz com os olhos lacrimejantes. – Ela morreu.
Confesso que não gostei nem um pouco de receber uma noticia dessas um dia após o meu casamento e no dia do meu aniversário. Porém Márcia estava esperando apenas sua hora chegar. Ela com certeza já terminou de pagar seus pecados na Terra. Consolamos Letícia e meu pai a acompanha até a casa em que ela voltou a morar com Márcia após o AVC. Quem ligou para avisar o ocorrido foi a enfermeira que Letícia contratou para os finais de semana. Mesmo com tal noticia decido não me abalar muito.
– Precisamos ir meu amor. – Marcos me abraça.
Nos despedimos de minha mãe e entro no carro de Marcos.
– Para onde iremos? – Pergunto curioso já que a feição de Marcos é de um garoto travesso.
– É surpresa. – Ele sorri encantadoramente.
O trânsito flui bem para um domingo à tarde em São Paulo. O caminho é tão rápido que quando me dou conta já estamos na Avenida Paulista. Paramos em frente a um prédio de esquina e Marcos abre automaticamente o portão. Fico me perguntando como ele tem acesso ao prédio, mas decido não perguntar. Pegamos o elevador e descemos no último andar. Marcos tira um molho de chaves do bolso e abre a porta do apartamento.
O espaço é amplo e muito arejado. Está sem mobília alguma e as paredes precisam de uma boa pintura. A sala de estar tem grandes portas de vidro que dão para uma varanda em L, com várias samambaias na sacada. O apartamento tem dois quartos, com suíte, sala de estar, sala de jantar e uma cozinha razoavelmente grande.
– Gostou? – Marcos pergunta enquanto estou na varanda da sala de estar.
– É lindo. – Digo admirando a vista da avenida mais conhecida da cidade. Daqui consigo ver o MASP perfeitamente e logo à lembrança do nosso inicio de namoro vem em minha mente. O vento chicoteia nossos rostos e esvoaçando nossos cabelos.
– É nosso meu amor. – Marcos sorri antes de me beijar.
– Espere aí. – Digo sem palavras. – Quer dizer que somos donos da cobertura do Saint Honoré na Avenida Paulista?
– Sim. – Marcos ri da minha cara de surpreso.
– E-eu não acredito nisso. – Digo incrédulo.
– Pode acreditar meu amor.
Marcos me pega pela cintura e me guia até a sala de estar vazia. Ele me vira de costas e me coloca contra a parede. Suas mãos abrem os botões da minha calça jeans e a abaixa até o meio das minhas pernas, juntamente com a cueca. Seus lábios lambem a minha orelha enquanto seu membro grande e duro me possui. Transar já é maravilhoso e sem preservativo, melhor ainda. Não incentivo à prática, porém somos oficialmente casados e confio no Marcos com toda minha alma. Ele me estimula de forma avassaladora e contínua, levando-me às nuvens. Ontem após nossa festa acabamos não tendo a nossa perfeita lua de mel, regada a sexo e champagne, porém transar com ele em um apartamento vazio, no bairro mais caro da cidade, logo após descobrir aqui será o meu novo lar, não tem preço. Gozo de forma enlouquecedora e acabo sujando a parede. Marcos sai de dentro de mim e goza no chão, enquanto sua boca solta urros de prazer e seu corpo grande estremece.
– Adoro te comer de forma rápida. – Marcos diz levantando as calças.
– E eu adoro ser seu, independente da maneira. – Digo e logo após o beijo. – Sujamos nossa sala de estar.
– Não tem problema, somos nós que iremos pinta-la mesmo. – Ele da de ombros.
– Realmente, já a pintamos. – Rio da situação.
– Nossa! – Ele parece surpreso. – Desde quando você é tão malicioso assim?
– Desde que você pegou a mania de querer trepar comigo em todos os cantos de todos os lugares possíveis. – Rio cada vez mais. – Você já foi mais romântico Sr. Accetti.
– E você mais inocente Sr. Baldo Accetti. – Ele me beija e morde meu lábio inferior.
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Seis meses depois...
Fuscaldo – Itália
A cidade de ruas estreitas e construções antigas com tetos de telhas avermelhadas é muito mais bonita pessoalmente do que nas fotos. Algumas ruas são de paralelepípedo dando um ar de filmes românticos.
– Si prega di due caffè espresso. – Marcos diz com um sotaque Italiano perfeito.
– Qui è il Signore. – Uma moça loira de olhos verdes nos entregam dois cafés expressos.
– Nem acredito que estamos aqui. – Digo fascinado.
– Um dia eu disse que seria obrigado a lhe trazer aqui, recorda-se? – Marcos pergunta com uma das sobrancelhas erguidas.
– Como assim? O mais puro sangue Italiano corre em suas veias e você não conhece a Itália? – Marcos pega minha mão, discretamente, entre as taças de cristal do restaurante. – Será que vou ser obrigado a te levar?
– Quem sabe um dia. – Ruborizo, seu toque me da um leve choque me deixando em êxtase.
[Capítulo 13 – O Jantar]
– Sim eu me lembro. – Sorrio antes de experimentar o café.
Terminamos nosso café da tarde em uma das cafeterias próximas a casa da família de Marcos. Sua avó de parte de pai ainda é viva e se chama Pietra Accetti. Nunca conheci senhora tão formosa e educada, aos noventa e cinco anos. Conheci também duas tias de Marcos, irmãs do seu pai, chamadas Bibiana e Annina. A casa onde moram é muito luxuosa e compreendo que a fortuna de Marcos é realmente de família. Porém o dinheiro não aparenta ser tudo para eles aqui, apesar de ricos, são simples e extremamente acolhedores. Elas tem um carinho imensurável pelo meu marido.
– Hai fatto gli occhi di miele. Proprio come suo padre. – Dona Pietra disse ontem, para Marcos, emocionada.
– Você tem os olhos feitos de mel. Assim como o seu pai. – Ela quis dizer.
Nossa vida no Brasil não poderia estar melhor. Há cinco meses estamos morando em nosso apartamento. Um cozinhando para o outro e fazendo de tudo para continuarmos felizes. Ainda trabalho no Hotel, agora ao de casa, e já faço parte do conselho. Jonas e Mari já estão de casamento marcado para o final do ano. Obviamente eu e Marcos seremos os padrinhos. Após a morte da avó, Letícia voltou para a casa dos meus pais. Por incrível que pareça a velha louca da Márcia deixou todos os bens dela para Letícia. Ela agora está procurando alguma casa ou apartamento para ir morar com Guilherme. Também está trabalhando e namorando. Fico muito feliz por ela. Vinicius e Bernardo estão morando juntos e felizes. Diane está com a guarda definitiva de Heloísa e está criando a neta. Ah! Ela se casou e arrisco dizer que foi mais pelo amor à conta bancaria do cara do que por amor a ele. O que leva uma mulher de quarenta e cinco anos casar com um homem de oitenta? Amor?! Dúvido.
E não venha me recriminar. O meu caso é totalmente diferente, oras bolas. Marcos é mais velho do que eu, porém não aparenta a idade que tem e aliás, ele é lindo de morrer e me ama na mesma intensidade que o amo. Portanto, eu só tive a sorte de unir o útil ao agradável.
Deborah aparentemente está enrolada com um amigo do Jonas. Ele é tão fofo. Os dois combinam perfeitamente. Beth e Sr. Lauro estão para vender a mansão em São Paulo e se mudarem definitivamente para o Rio de Janeiro. E meus pais estão bem. Felizes e se amando.
Antigamente quando as coisas começavam a ficar bem, para mim, era sinônimo de que algo ruim iria acontecer, pois nada é perfeito. Porém de uns anos para cá eu comecei a observar que as dificuldades servem para nos fortalecer, para mostrar nosso valor. E pode ter certeza que mais cedo ou mais tarde, a felicidade irá chegar a sua porta em um rompante e nunca mais irá embora, assim como aconteceu comigo. Passei por tantas dificuldades e hoje estou aqui, com o homem da minha vida em um dos lugares mais bonitos do mundo.
Fuscaldo é uma cidade litorânea e eu e Marcos estamos agora em uma das praias. Tiramos os sapatos para sentir a areia em nossos pés. A água clara os molham, porém está gelada.
– No que está pensando? – Marcos pergunta.
– Em tudo. – Sorrio. – É muita coisa meu amor.
– Entendo. – Ele me encara ao fazer um beicinho. – E você está feliz?
– Você não faz ideia do quanto. Sem dúvida alguma, você não faz ideia. – Digo sorrindo e deixando uma lágrima escapar dos meus olhos.
Seus lábios encontram os meus adocicando minha boca. O sol está se pondo e a brisa do inicio de noite refresca nossos corpos quentes.
– Marcos... – Interrompo nosso beijo.
– Sim meu amor. – Ele me observa carinhosamente.
– Eu estava pensando... Você tem vontade de ser pai? – Pergunto timidamente.
– Pai? – Ele pergunta sorridente e pensa por dois segundos antes de responder. – Sim, eu tenho.
– O que acha de começarmos a planejar essa nova etapa de nossa vida? Sermos pais? – Pergunto com a voz embargada. – Tipo... Eu sei que sou novo, mas tenho responsabilidade, certo? Tenho um bom emprego, você também e ... – Sou interrompido por outro beijo de Marcos. Ele me pega pela cintura e me gira em seu colo.
– Você é incrível meu amor! Absolutamente incrível e surpreendente! – Os olhos de Marcos brilham e ficam mais claros conforme sua emoção se aflora. Segundos depois as lágrimas escorrem do seu rosto e eu não consigo conter as minhas.
– Isso é um sim? – Pergunto enxugando as lágrimas e sorrindo.
– Sim meu amor! Um grande e expressivo sim. – Ele sorri.
Lembro-me de Letícia e imagino o quanto ela vai vibrar com essa notícia. Ela me sugeriu tal ideia um mês antes do meu casamento com Marcos e eu aleguei que queria fazer muitas coisas com ele antes de pensar em algo do tipo. Mas o que eu não poderia fazer com ele caso tivermos um filho? Somos maiores de idade, casados, honestos e responsáveis. Isso com certeza dará muito certo, afinal, tenho vinte e três anos e Marcos trinta e seis.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!– Eu quero uma menina. – Digo.
– E eu um menino. – Ele revida prontamente.
– Guilherme não irá gostar de dividir o “Titio M1” dele. – Rio.
– Aqui tem espaço para muitos. – Ele diz apontando para o próprio peito, onde seu coração fica.
– Eu te amo Marcos. – Digo o abraçando.
– Eu te amo com todas as minhas forças meu amor. – Ele responde.
Ficamos imóveis apenas sentindo o calor do corpo um do outro. Marcos começa a chorar de emoção com o momento, fazendo-o soluçar. Eu me entrego à emoção que estamos sentindo e choro junto com ele. Começamos assim planejar mais uma fase do nosso “felizes para sempre”.
FIM
AGRADECIMENTOS
Bom, eu não poderia terminar a minha primeira fic sem agradecer quem sempre esteve ao meu lado nessa jornada.
Primeiramente quero falar de onde veio à inspiração para escrever. Tudo começou com a música “Moments” do One Direction. Ela é uma das minhas preferidas em toda a vida. Ela conta um romance entre duas pessoas que se conhecem desde a infância e que por algum motivo não coseguem mais esconder o sentimento entre elas. Porém fica subentendido que os demais não podem saber desse envolvimento, portando sempre ficam juntos com portas trancadas e luzes apagadas. Foi exatamente aí que o romance proibido entre dois garotos se formou em minha mente. E o que mais os impediria? Então escolhi o medo de serem rejeitados pelos pais e a religião dos mesmos.
Pessoal, pelo amor de Deus, aqui é uma obra ficcional. Não quero que ninguém termine de ler minha fic e pense que em qualquer Igreja o Pastor seja corrupto e esteja roubando os fieis. Claro que isso acontece, pois os jornais denunciam tais crimes noite e dia, mas não podemos generalizar, ok?
Acredito que Deus mora dentro de cada um. Não é porque a bíblia condena os atos homossexuais que vou sair por aí tratando mal os religiosos ou sendo opositor. Outra coisa, a bíblia não condena só isso. Ela condena a falta de caráter, os que abusam do álcool, os que não controlam sua raiva e até os que comem demais (Olha aí querido, Deus ta vendo você comendo na ceia de Natal e Ano Novo como se não houvesse amanhã).
Mas enfim... Saindo dessa parada de bíblia e religião, foi então que eu quis explorar o relacionamento de dois garotos apaixonados, porém um mais imaturo que o outro. A minha intenção foi fazer este final com Marcos e Vinicius, mas desculpe sociedade, eu fui capaz de criar um personagem perfeito, gostoso, delicioso, carinhoso, rico e capaz de proporcionar transas fodásticas. O nome dele? Marcos Accetti. Aplausos, por favor, ele merece.
Vamos dizer que Marcos Baldo é o meu segundo eu. Ele tem muito de mim e Marcos Accetti é o homem que eu estou pacientemente esperando entrar na minha vida. É difícil, mas não é impossível.
Enfim, também tive a capacidade de transformar a rainha das biscates em santa (Letícia) e usar meus anos a fio de novelas mexicanas como: A Usurpadora e Maria do Bairro nas histórias do passado e segredos do Pastor André.
Abordei também a necessidade do perdão, como ele faz bem a alma e como é importante acreditar em Deus, ou se preferirem, “uma força maior”, para os incrédulos ou algo do tipo.
Resumindo: No final tudo se tratou de sentimentos, de amor. Como classificar um sentimento como pecado se ele te faz bem e te completa plenamente?
Espero que tenham gostado e aqui fica o meu muito, muito, muito obrigado. Meus leitores, você são fantásticos! Independente de serem leitores assíduos nos comentários ou leitores fantasmas, vocês são fodas e desejo a todos um Marcos Accetti ou um Vinicius Carminatti, como preferirem.
Um grande beijo no coração de vocês. Espero nos vermos em breve e quem sabe uma segunda temporada? Quem sabe meu povo... Quem sabe...
Ah! Estava me esquecendo... Vocês não ficaram curiosos em saber um pouco mais da vida de Noah, irmão gêmeo de Vinicius? Como dois garotos são separados no nascimento, crescem na mesma cidade e não se esbarram? Pensei em escrever uma fic, porém curta, com um resumo da vida de Noah. Quem apoia levanta a mão. o/ Hahaha.
E por último um agradecimento mais que especial para minha amiga e companheira Heloísa da Silva Ferreira. Ela não faz parte da comunidade Nyah Fanfiction ou Spirit, porém foi a primeira a apoiar os meus devaneios e ser a primeira pessoa a ler os dez primeiros capítulos da fic, antes mesmo deu começar a postar. Helô minha paixão! Tudo isso foi para você também!
Agora chega de falar... Até mais meus amores e mais uma vez eu digo: VOCÊS SÃO FODAS! ♥
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