Amor & Pecado
28 Capítulo 28 - Inesperado: Narrado por Vinicius
– O que aconteceu? – Pergunto a Leticia. – Passou o culto inteiro calada e permanece até agora. Após o término, nem quis se exibir mais um pouco. Já mandou que eu pegasse o carro e te levasse para casa.
– Cala a boca e dirige, Vinicius.
– Escute aqui Letícia, estou tentando ser civilizado e manter a calma, mas não pense que ela durará para sempre! Estou aceitando as suas condições, comprei a aliança, tornei nosso “namoro” público e você continua me tratando como um saco de pancadas. — Estou nervoso. Para minha surpresa Letícia permanece quieta e não retruca. Estaciono o carro em frente sua casa.
– Entre comigo. – Diz.
– Não mesmo! Estou cansado e quero dormir, vou para minha casa.
– Estou mandando você entrar, Vinicius! – Letícia semicerra os olhos. Suspiro e desço do carro.
– Minha avó sempre chega tarde, após os cultos. O irmão Valdo sempre a trás para casa, após passarem em uma padaria perto da Igreja e conversarem horas e horas, sobre coisas inúteis. Dois velhos babões, pensando que são jovens, como nós e ficam de “namorico” por ai. – Diz ao entrarmos na sala da casa.
– Mais respeito garota. – Digo sério. – Ela é sua avó e lhe criou, não é culpa dela que você se tornou uma péssima pessoa, mas tenho certeza de que ela se empenhou.
– Você não sabe de nada, Vinicius. – Letícia diz de cabeça baixa. – Só Deus sabe o que sofri nas mãos dessa velha! Só Ele sabe quantas tardes passei ajoelhada em milhos, pagando castigos que nem eu mesma sabia o porquê de estar pagando.
– Como assim? – Pergunto confuso.
– Isso não vem ao caso agora. Venha! – Letícia pega minha mão e me guia até seu quarto, no andar de cima. O quarto é pequeno comparado ao meu, porém a cama de casal é enorme. – Me beije. – Letícia pede ao fechar a porta. Fico relutante, mas a beijo. Seu gosto não me agrada e seu toque em meu peito, me da uma péssima sensação, mas mantenho-me firme. – Pedi que me beijasse, Vinicius!
– E é exatamente o que estou fazendo!
– Você está sendo frio demais, quero algo verdadeiro.
– Isso já é querer demais, sabe que não gosto de você. Como meu beijo será verdadeiro?
– Coloque vontade na porra dos seus beijos ou aquele viadinho de merda e você estarão fudidos, amanhã mesmo! – Seus olhos ardem.
A beijo e desta vez, tento me empenhar um pouco mais. Ela não reclama, a deixo conduzir o beijo e decido fazer o que ela quiser. Estou em modo automático, como se eu soubesse o que tivesse que fazer, mas sem nenhum desejo, sem nenhum tesão. Quando fiz o acordo com ela, eu sentia um certo desejo, a situação me excitava, mas agora só sinto repugna da pessoa baixa que ela é e de certa forma, sinto um certo nojo de mim mesmo, por ter me deixado levar.
Letícia coloca suas mãos em meu paletó, desabotoando os três botões, o tiro e o coloco em uma cadeira de balanço, ao lado da cama. Suas mãos não param e desafrouxam o nó da minha gravata, a tirando, juntamente com a minha camisa, que foi totalmente desabotoada em seguida.
– Que corpo, maravilhoso! Aquele viadinho do Marcos era bem servido, sorte que agora isso tudo é meu. – Letícia sorri e volta a me beijar ao passar suas mãos pelo meu tórax e abdômen. Sinto um arrepio e me seguro para não afastar suas mãos de mim. Falar de Marcos agora, só deixou a situação mais broxante do que já estava.
Ela pega minhas mãos e me ensinam o caminho para tirar seu vestido. Desço o zíper, localizado em suas costas e vejo o vestido deslizar, sob sua pele, até o chão. Volto a beijar e enquanto isso, desabotoo seu sutiã, o fazendo cair no chão na mesma velocidade do vestido. Já entendi o recado e quero que isso acabe o mais rápido possível. Envolvo seu mamilo esquerdo com meus lábios e arranco gemidos baixos de sua boca. Muitos caras dariam tudo para estar no meu lugar. Letícia é extremamente linda, mas suas atitudes a tornaram feia para mim, não consigo deseja-la.
Minha mão esquerda desde pela sua barriga, até entrar em sua calcinha. Sinto seu sexo e introduzo um dedo, percebo que já está lubrificada, ou seja, seu desejo por mim é grande. Agacho-me, tiro sua calcinha, seu salto e a deito na cama. Eu mesmo abro meu cinto, tiro a calça e cueca. Não me preocupo, nem um pouco, com as preliminares e já penetro meu pênis nela. Apoiando suas pernas em meus ombros e sem querer agrada-la, faço movimentos rápidos para que a ejaculação chegue rápido e eu possa voltar para casa. Toda essa situação está me dando nojo. Estou fazendo sexo obrigado, nunca aconteceu isso comigo. Letícia está de olhos fechados, e uma das mãos está estimulando o clitóris, seu corpo estremece e vejo que ela já chegou ao seu clímax. Esforço-me para alcançar a ejaculação, tiro meu pênis de dentro dela e gozo fora.
– Onde tem um banheiro? Preciso me limpar. – Pergunto.
– Abra a porta, lado esquerdo, segunda porta. – Responde séria. – Não precisa sair correndo, minha avó volta daqui uma hora, mais ou menos.
Pego minhas roupas do chão, abro a porta e corro para o banheiro. Procuro no armário uma toalha de rosto, a umedeço e passo pelo corpo. Sinto-me usado, sujo e baixo. Nunca pensei que um simples acordo teria consequências tão graves. Visto-me e volto ao quarto, Letícia ainda está na cama, nua.
– Essa foi a pior transa da minha vida. – Ela me encara.
– Saiba que foi a minha também. – Digo frio.
Letícia se levanta e usa o próprio lençol para se limpar e pega seu vestido. Ao dar-me as costas, vejo cicatrizes, arranhões finos e grandes, bem claros, porém perceptíveis. Caminho em sua direção e passo meus dedos em uma das cicatrizes.
– O que foi isso? – Pergunto espantado.
– Essa cicatriz foi de um dia em que derrubei um prato de sopa no sofá. Acho que tinha uns oito anos.
– Meu Deus! Sua avó fez isso? – Pergunto horrorizado.
– Vá embora Vinicius. – Letícia diz em voz baixa.
– Você ficará bem? – Pergunto e pela primeira vez, sinto compaixão por essa garota.
– Sempre fico, até amanhã.
– Até.
Ao chegar à rua e abrir a porta do meu carro, irmão Valdo encosta o carro atrás do meu e irmã Márcia desce.
– Graça e Paz irmã! Boa noite. – Digo.
– Boa noite, querido! Letícia está lá dentro?
– Sim, a trouxe e já estou indo para casa.
– Então quer dizer que os dois estão namorando? – Irmão Valdo pergunta à irmã Márcia que concorda com a cabeça.
– E faço muito gosto desse namoro. Logo, logo teremos casamento! – Irmã Márcia, sorri.
– Tenho que ir, boa noite a vocês. – Digo depressa. Casamento?! Nem morto. Parece que desde sexta feira, estou em um pesadelo, do qual nunca acordo.
– Boa noite! – Ambos respondem.
Entro no carro e vou para casa, ao chegar tomo um banho quente, para relaxar. Nem procuro o que comer, pois a fome passou longe. Ao fechar a porta do meu quarto, olho para o mural de fotos que tenho na parede e vejo uma foto minha com Marcos. Que saudade, do meu pequeno! As lágrimas escorrem, tiro a foto do mural, apago a luz do quarto, ascendo o abajur ao lado da minha cama e apoio a foto nele. Deito-me e adormeço olhando para ela.
Fale com o autor