Amor & Maldição

13 XIII: dever de sangue


Notas iniciais
Ratice: esperteza. Aquém: abaixo de.

Ele fizera o que precisava fazer. Fizera-o para conter Catriona e salvar o reino e os civis inocentes que morriam na Guerra Sanguinária. Para salvar a alma de Catriona, antes que não houvesse alma alguma para ser salva.

Seu irmão, com ratice, garantira-lhe aquilo. Ardan era o único capaz de quebrar a barreira do pacto que Kraus fizera com Catriona, a barreira que lhe conferia juventude e imortalidade — virtudes que Ardan não pudera lhe dar, estava aquém dele.

Ele fizera o que precisava fazer.

Todos os dias dizia isso a si mesmo.

Todos os dias falhava em se convencer.

Notas finais
Oi, gente, tudo bom? Eu disse que o negócio ia escalando e ficando sombrio. Eu devia estar louca, só pode. Mas, é, basicamente, o Ardan precisou matar a Catriona, para salvar o reino (já que ela, como rainha e por influência do Kraus, declarou uma guerra que vinha matando inocentes de ambos os lados) e também para salvar a alma dela. Quando Catriona fez um pacto com o Kraus em troca de imortalidade e juventude, precisou pagar um preço: a alma dela. À medida que o tempo passava, mais a alma dela se corrompia, até chegar um ponto em que não haveria mais alma alguma. Nesse universo, as almas desencarnam, vão pra o Reino dos Mortos e depois podem reencarnar. Mas se não há alma, então ela apenas deixaria de existir. Sobre o Kraus, ele é uma divindade menor, foi mencionado ali no segundo capítulo como o criador dos Infernais. Como divindade menor, ele é irmão do Ardan (todos eles são irmãos entre si). Originalmente, ele seria uma divindade das festas, dos jogos, da diversão. Algo como o Dionísio. Mas, com o tempo, ele foi se cansando daquilo e decidiu que era mais divertido se divertir com os humanos, manipulando, fazendo jogos, vendo-os sofrer. Ele é um sádico, a motivação dele é a pura maldade do coração dele mesmo. Ele não tinha inveja do Ardan, nem nada, ele só viu uma oportunidade ali de vê-lo sofrer mexendo com a Catriona. Quando Ardan era uma divindade, ele não podia ser afetado pelo Kraus, mas, como humano, podia. O Kraus fez questão de deixar a Catriona vulnerável somente ao Ardan, pois ele queria ver se o Ardan seria capaz ou não de fazer o que deveria fazer. Eu imagino que, depois que a Catriona faz um acordo com o Kraus, o Ardan e ela se separam (ele, por senso de justiça, não ia ficar ao lado dela vendo-a ficar cada vez mais sanguinária). Mas não é como se o sentimento tivesse morrido. Então ainda seria ter que matar alguém que se ama. A Catriona, no início, amava o Ardan. Mas o Kraus chegou, com seu plano, e começou a mexer com a cabeça dela, dizendo coisas como: "Olha só, o Ardan podia ter te tornado imortal como ele. Mas ele preferiu apenas desistir da divindade e se tornar um mortal como você. Olha só como ele foi egoísta. Eu posso fazer isso por você... se você fizer determinadas coisas por mim". Só que o Ardan nunca pôde fazer isso, pois o preço desse tipo de magia sombria era alto demais (se paga com a própria alma). Enfim, todas essas coisas ficam apenas subentendidas na drabble. Mas eu gosto de preencher as lacunas nas notas. Estou roubando? Talvez? Beijos e até a próxima :*