Amor & Maldição

10 X: dom e injustiça


Notas iniciais
Crestar: queimar.

— Existe uma escola para isso — lembrou Ardan, entredentes. — Gratuita.

— É, eu sei, mas... manter-se em Clarance ainda é caro. Mamãe diz que não temos esse privilégio. Não desde que papai morreu.

— Não existem bolsas para isso?

— Desde que o rei Dominic assumiu o trono, não.

Ardan grunhiu. Quando desistiu de sua divindade e compartilhou o seu dom com os humanos, ele próprio criou a Academia. Para todos que demonstrassem talento. Não lhe agradava a ideia de que pessoas estivessem sendo excluídas por falta de oportunidades.

Por favor? — pediu a mulher.

Ardan sentiu o laço em seu pulso crestar e amaldiçoou-o, baixinho.

Notas finais
Oi, gente, tudo bom? Finalmente consegui encaixar nesse capítulo um pouquinho do passado do Ardan. Ele era uma divindade (de cura) que quis se tornar humano, mas antes disso compartilhou o seu dom com os humanos para que eles pudessem ser autônomos e não ficassem desamparados quando ele morresse e o seu dom morresse com ele. Ele também criou a Academia para ensiná-los e esteve a frente dela nos primeiros anos. O rei Dominic é aquele tipo de governante que faz cortes de gastos tirando da educação, mas dos próprios privilégios? Nem pensar. E a mãe da Aurora diz que não tem dinheiro para mantê-la estudando na capital provavelmente por pura mesquinhez. Aposto. Pois tenho certeza que o pai deixou dinheiro guardado para a educação da filha. No fim, o tiro quase saiu pela culatra, pois o irmão dela quase morreu justamente por Aurora não ter recebido o ensino adequado. Beijos e até a próxima :*