Notas iniciais
Agora é que a história começa...
– Meu Deus do céu. — disse Carol se ajoelhando ao lado de Davis, Becky também se sentou ali , para tentar acordar Harry, mas nada acontecia. Luca foi no quarto buscar um kit de primeiros socorros, embora achando que poderia não resolver. Já estava feito. Harry estava morto e eu estava de pé bem ao lado do corpo dele. Em choque. Senti vontade de chorar, eu até me senti chorando, mas nenhuma lágrima caía. A tristeza foi substituída fácilmente por ódio. Fechei minhas mãos e eu sabia quem tinha feito isso. Não quem foi exatamente, mas quem foram, com certeza. Eles não poderiam estar muito longe. E eu não tava nem aí se meu destino seria o mesmo que o de Harry, mas decididamente corri para fora da casa. Ouvi meus amigos me gritando, dizendo para não fazer isso. Eu não sabia ao certo o que fazer, mas eu tinha que falar com eles. Eles não podiam simplesmente matar o meu melhor amigo assim. Eu tinha que fazer alguma coisa. Nessas horas você não pensa no que está fazendo, nem nas consequências disso. Você só quer fazer. Assim que saí da casa avistei um pequeno grupo de motoqueiros mais a frente com suas respectivas motos do seu lado. Eles carregavam algumas pistolas na mão. Corri até eles perdendo completamente a noção do perigo que eu estava correndo.
– Ei, vocês ! — gritei. Mas eles não me escutaram. Estavam prestes a subir na moto e então eu gritei de novo.
– Esperem aí seus covardes !
Eles rapidamente viraram para trás. Eram 3 homens. Não tão homens. Jovens. 3 rapazes vestindo as típicas roupas de motoqueiros. Calça jeans escuras, camiseta preta por baixo da jaqueta de couro, etc. Dois deles guardaram rapidamente suas armas. Apenas um ficou com ela na mão. E foi justamente ele que se aproximou de mim.
– O que vocês fizeram com meu amigo ? — gritei.
– Se liga garota: aqui é nossa área. Vocês não deveriam estar aqui. E o seu amiguinho marrento, veio pra cima do meu amigo e acertou a cara dele. Então eu mandei ele pra um lugar que ele vai ficar pensando muito no que fez. — ele disse.
Dei um tapa na cara dele, mas o arrependimento veio na mesma hora que ele segurou meu braço e com a outra mão colocou a arma na minha cabeça.
– Você tá maluca ?! Quer ter o mesmo fim que seu coleguinha ?
Eu tava desesperada. De repente toda aquela coragem que estava dentro de mim, havia me abandonado na hora que eu mais precisava. Olhei bem nos olhos dele, pois é um instinto meu. Sempre quando estou com medo de alguém, eu olho bem nos seus olhos. Harry adorava isso em mim, ele dizia que era uma qualidade, e que demonstrava que você não estava com medo mesmo se você estivesse morrendo de medo. Harry adorava.
Dizem que os olhos são as janelas da alma. Se for, aquele cara não é tão assustador assim. Não sei se são seus olhos cor de mel que dão essa impressão, mas eu realmente não senti tanto medo assim quando olhei nos seus olhos. Mesmo sabendo que tinha uma arma na minha cabeça. Ele me soltou, guardou a arma e me liberou.
– Pode ir. Vai logo, antes que a gente vá até lá pra acabar com todos vocês.
Virei as costas pra ele, e corri até a casa. A gente realmente precisava sair dali. E eu não tive nem tempo de chorar por Harry. Onde eu estava com a cabeça? Enfrentar três rapazes armados. Armados! Eu poderia ter morrido ali mesmo. Meus pensamentos foram interrompidos quando percebi que a mini-van de Davis não estava mais lá. Corri o máximo que pude, mas quando entrei na casa todos haviam sumido. Todos. Não restava mais ninguém na casa, mais nada! Rodei a casa toda, mas todas as nossas coisas haviam sumido. Só ficou a minha mala dentro do quarto. Não me deixaram mais nada. Como eu iria embora ? Eles... me abandonaram. Vai ver levaram Harry pro hospital. Isso. Levaram Harry pro hospital. Só não me levaram por que eu estava nas mãos deles, e não ia dar tempo. Eles vão voltar pra me buscar, eles vão voltar! Ouvi algumas gargalhadas do lado de fora. Saí para ver o que estava acontecendo. Eram os três rapazes que agora estavam perto da casa, na verdade estavam quase na porta. Eles estavam morrendo de rir. E eu morrendo de raiva. O rapaz que me segurou veio pra perto de mim.
– Foi abandonada, gracinha ? — ele disse.
– Não fui abandonada seus idiotas. Eles vão voltar pra me buscar. — respondi.
– É claro que vão. Olha, não se preocupa. Eu também já fui abandonado uma vez. Mas isso é bem pior. — ele disse provocando mais gargalhadas.
– Calem a boca. Eles vão voltar, só não me levaram com eles porque precisavam levar meu namorado pro hospital, e se me esperassem ele ia perder tempo. — Foi a primeira vez que eu chamei Harry de namorado pra mim mesma.
– Ele já perdeu o tempo dele, aceite. Ele está morto. E eu o matei.
– Não me faça dar outro tapa na sua cara.
– Não me faça colocar minha arma na sua cabeça outra vez.
Entrei na casa e fechei a porta na cara deles. A risada parou. Eles ficaram em silêncio. E então o mesmo rapaz que falou comigo apareceu atrás de mim na janela, fazendo eu dar um grito.
– Calma menina! — ele disse.
– O que você quer ?
– Olha. Seria muito engraçado a gente te deixar aí nessa casinha abandonada sozinha. Mas como eu já disse, a área é nossa então você vai ter que sair.
– O que ?? Tá brincando né ? Qual é!
– Não, não tô brincando. Bora, vaza.
– Olha, só. Foi mal pelo tapa, mas me deixa ficar aqui. Que diferença vai fazer pra vocês?
– E o que te faz pensar que eu vou abrir uma excessão pra você? A área é nossa, e você não vai ficar aqui. Se não sair por bem vai sair por mal.
Fui até o quarto e peguei minha mala. A arrastei até fora da casa.
– Pronto. Satisfeito ? Tô aqui fora. E agora ? Pra onde eu vou ? Quer que eu fique por aí andando sem rumo ?
– Você pode vir com a gente. — sugeriu um dos outros rapazes, um loirinho.
– Cala a boca, Bernardo ! — disse o rapaz.
– Olha, Bernando não é? Obrigada pelo convite irrecusável ! Mas, não. Eu prefiro ficar andando por aí.
– Não, espera. — disse Bernardo. — Olha, talvez isso seja fora da sua realidade, mas vamos aceitar os fatos, você está sozinha. A gente pode te ajudar. E além do mais, tem algumas garotas com a gente. Você vai gostar.
– Bernardo , o que você tá fazendo ? Era pra gente zoar com a cara dela, e não ajudar.
– Obrigada, Bernardo. Mas eu não vou com vocês. — respondi.
Saí andando em direção a pista que estava deserta. Ela sempre é deserta, nunca vejo carros passando por aqui. Então vai ser difícil voltar pra casa. Oh não! Não sei como chegar em casa. Ah, mas não interessa. Preciso ficar longe desses vândalos. Desses assassinos.
– Ei, espera! — gritou o mesmo rapaz de olhos cor de mel. Virei para ele. — Tem certeza que não quer considerar a proposta do Bernardo ?
– Nem morta. — respondi.
– Olha. Você não tem nada a perder. Você tá sozinha, e a cidade fica muito longe daqui.
– Vocês vão me levar pra casa?
– Talvez. Quero dizer, sim. Por que não ?
– Por que vocês fariam isso ?
– Olha, eu não queria te dizer, mas o Bernardo te achou uma gata.
– Tenho namorado.
– O morto ?
– Qual é! Olha, não vou ficar andando com caras como vocês.
– Ok. Então vou tentar te convencer por outro jeito : Nós não somos assassinos nem nada, na verdade, queira nos perdoar pelo seu namorado, mas ele veio pra cima da gente e não tinhamos nada o que fazer. Se você vier conosco, prometemos não fazer nada contra você. Você pode ficar na nossa casa, e como ele disse tem algumas meninas lá. Você vai gostar delas. Amanhã a gente te leva pra casa, agora já vai anoitecer. Você vem ?
– Amanhã, a primeira coisa que vocês vão fazer será me levar pra casa. Me entendeu ?
Notas finais
Bjinhos,
Rafa M.
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