Amor Impossível. [HIATUS]
5 Algo que devo proteger.
Notas iniciais
– Amana-san, vamos, o comandante Yamamoto está chamando.
– Já vai, já vai.
Respondi a Unohana, aparentemente, minha melhor amiga.
Eu estava me acostumando novamente a minha vida no Gotei 13, eu realmente amava esse lugar, e eu realmente amava ser o que sou aqui.
Atualmente sou Capitã do 9º esquadrão. As pessoas daqui estão me ajudando muito a me recuperar de algumas dores do passado. Aquele passado, que todas as noites me atormentava em pesadelos.
Não posso negar que mudei muito nesses últimos meses, meus pensamentos eram completamente diferentes dos pensamentos do passado. Mas afinal, eu não podia afirmar que os meus “pensamentos” do passado eram realmente meus. Aizen estava sob total controle de mim nessa época.
Aizen... Aizen... Eu nunca mais soube dele, desde o dia em que eu e-
...
– AAAAAAAMANA-CHAAAN ♪
Pude ouvir de longe Rangiku cantarolar meu nome.
– Não sabia que essa reunião envolvia tenentes também. Disse.
– Eeeeeh... Os tenentes também são muito importantes para o Gotei 13 sabia?
Rangiku falava por entre bicos.
– Ah... Sim.
Sorri.
Eu acho que de todas as garotas do Gotei 13, eu poderia me considerar a mais quieta e segura de minhas ideias. Eu nunca opinava por lados convencidos, sempre me mantinha em um lugar onde eu estivesse segura de minha opinião. Um lugar chamado coração... Que cá entre nós, era o único lugar em que eu conseguia me apoiar depois de certas coisas.
Certas coisas...
*flashback on*
E lá estava eu... sentada sobre meus pés, em um imenso gramado, fitando os pedaços de máscara arrankar, que se despedaçavam de minha cabeça. Eu ainda segurava a minha zanpakutou que tremia sobre comando de minhas mãos.
– Tudo faz sentido agora... Eu... Lembro de... tudo...-
– Que bom! Você se lembrou não é?
No meu estado, era evidente aos olhos de Ichigo que minhas memórias haviam voltado.
– I-Ichigo...
Ichigo me fitava com seus olhos castanhos e brilhantes, eu não os enxergava na hora... Mas eu lembrava do brilho deles.
Me levantei cambaleando, eu precisava pelo menos sair de meu estado de choque, se eu quisesse realmente proteger uma pessoa.
Quando finalmente em pé, levantei a minha cabeça e encarei aquele rosto familiar, que me olhava com um grande sorriso.
– Ichigo... Minhas memórias voltaram...
Ichigo apenas aguçou ainda mais o seu sorriso.
– Eu lembro de você agora, lembro também da Rukia, da Orihime e do Ishida.
Ao dizer isso, olhei levemente para onde os três se encontravam, eles também estavam com um sorriso no rosto.
– Mas... Eu não posso te perdoar.
O sorriso de Ichigo se desfez tão rápido quanto um barquinho de papel na água.
– Você tirou um dos meus motivos para eu me manter em pé aqui e agora.
Minhas mãos tremiam, junto com a minha zanpakutou. Eu apertava o punho de minha zanpakutou tão forte, que pude sentir alguns pingos de sangue escorrer da minha mão e se dilatar na grama fina.
– Eu simplesmente...
Ichigo apenas tocou no punho de sua zanpakutou, ainda sem retirá-la do suporte em suas costas.
– NÃO VOU TE PERDOAR!
Sem pensar duas vezes, comecei a atacá-lo, ele se defendia com a sua zanpakutou, que havia sido retirada provavelmente enquanto eu me direcionava até ele.
Mesmo se eu mandasse, meu corpo não iria parar naquele instante. Eu não conseguiria controlar a minha fúria.
Ichigo não dizia uma palavra sequer, apenas repelia todos os meus ataques, e segurava a bainha de minha zanpakutou com a sua espada, quando próxima a ele.
Seguimos nesse ritmo por um longo tempo, ambos sem dizer nada, apenas em ataque e defesa. Em fúria e arrependimento. Se é que ele se arrependia.
Ichigo finalmente abriu uma brecha, apunhalei minha zanpakutou com força e num impulso, eu poderia acabar com tudo.
– Desculpe por isso Ichigo. Mas foi uma promessa. E eu...
Aprontei-me para o ataque e chegando perto de cortar seu peito terminei:
– ...cumpro as minhas promessas.
~~
– Você se tornou tão insana assim nesses últimos tempos?
Antes mesmo de minha zanpakutou perfurar Ichigo, a figura de um homem apareceu na minha frente, e sem meras dúvidas, eu reconheci aquela voz.
– Heim? Amana...
– By...Bya-kun.
– Pelo jeito você se lembra de mim, continua me chamando por esse apelido... hunf.
Aquele homem, a minha frente... Era ninguém menos e ninguém mais do que Kuchiki Byakuya. Um homem rico de uma das 4 famílias nobres de Seireitei.
Eu segurava a minha zanpakutou tão levemente, que bastava um toque para eu deixa-lá cair.
Byakuya se aproximou e roubou a espada de minhas mãos, derrubando-a no chão logo após. E em uma fração de segundos, pude senti-lo junto a mim. Aquele abraço caloroso, não importava qual a situação, sempre me acalmava, um abraço que podia acalmar a mais berrenta criança, um abraço que poderia incendiar um prédio coberto de gelo, um abraço em que onde a água vencer do fogo fosse impossível, se tornava então fogo x fogo. Um abraço que nem com um milhão de palavras poderia ser descrito. O abraço de uma pessoa que para mim, era um irmão... Um irmão mais velho.
Aconcheguei minha cabeça em seu peito, e pude ouvir o seu coração. De repente era como se tudo tivesse mudado de rumo, como se tudo o que eu sentia tivesse cessado.
Byakuya era sem dúvidas o homem mais importante da minha vida. Eu o amava, incondicionalmente. Eu amava Grimmjow também, mas não do mesmo jeito que eu amava Byakuya. Eu sentia atração por Grimmjow. E eu sentia afeto por Byakuya.
Eu devia a minha vida a ele. É por ele que eu estou viva hoje. É ele que cuidou de mim, desde o dia em que meus pais me abandonaram.
Desde então, Byakuya me trata como sua irmã mais nova.
Acordei de meus pensamentos quando pude sentir a brisa fria congelar meus braços novamente.
Percebi que ainda restavam vestígios de raiva que oscilavam em mim, devido ao que Ichigo fez com Grimmjow. Mas a dor e a raiva já não eram mais tão intensas, eu tinha controle sobre meus sentimentos agora.
– Vamos voltar para a Soul Society, não temos mais nada a fazer por aqui. Rukia, você vem também.
Ordenou Byakuya.
Rukia deu alguns passos a frente e logo já se encontrava ao lado de Byakuya.
Ishida e Orihime apenas foram embora, aparentemente impressionados com a situação.
Pensei em impedir Ichigo de ir embora, mas Byakuya com certeza não deixaria eu ir atrás.
Sendo assim, todos se foram e o caminho para a Soul Society se abriu no céu.
– Vamos.
– Ér... Bya-kun, você e Rukia podem ir na frente, eu alcanço vocês depois, eu preciso fazer algo antes de voltar para a Soul Society.
– Faça como quiser.
Respondeu Byakuya com sua voz seca, como sempre.
Eu já não avistava mais eles, agora eu estava sozinha naquele imenso gramado... Bom, não exatamete sozinha.
Me aproximei do corpo de Grimmjow e como eu havia pensado, ele ainda estava vivo, sua respiração estava um pouco lenta, mas ele apenas se encontrava inconsciente.
– Não se preocupe Grimmjow. Eu conheço alguém que vai cuidar muito bem de você.
*flashback off*
Devido aos meus pensamentos, eu acabei ficando para trás. Eu já não avistava mais Rangiku, aliás, já não via mais nenhum tenente ou capitão por perto.
– DROGA! Resmunguei para mim mesma e sai correndo em direção a sala de reuniões.
Como eu havia pensado, eu era a única que chegara atrasada.
Byakuya olhou de relance para mim e logo após fechou seus olhos, como de costume.
Mas eu pude entender aquele olhar... Eu já o tinha visto várias vezes. Era algo como:
“Você nunca cumpre com os seus horários, aprenda a ser mais responsável”.
A reunião se prolongou por longas horas.
Ao fim da mesma, saí de lá sem pressa alguma para chegar em meu cômodo, senti o perfume de Byakuya cruzar comigo pelo corredor.
– Hunf, porque ele tem tanta pressa? Faz tempo que eu não o vejo caminhar normalmente –
Pensava.
– Amana-san? Ouvi a doce voz de Unohana me chamar
– Ah... Unohana?
– Posso falar com você rapidinho?
– Claro.
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– Então é isso? Grimmjow está passando bem? É muito bom saber disso.
Não pude esconder meu sorriso.
– Ele já está totalmente curado e vai acordar por volta de 16:00h. Você poderá visitá-lo se quiser.
– Ér... Claro... Eu ia adorar. Obrigada Unohana, eu realmente não sei o que eu faria se não fosse você.
– Mas eu te devo tantas. Eu apenas estou pagando uma de minhas dívidas.
Unohana sorriu gentilmente.
– Mas lembre-se de que apenas você eu e Isane sabemos que Grimmjow está aqui. Se alguém descobrir, não posso te garantir que ele sairá vivo.
O que Unohana disse era verdade, se mais alguém descobrisse que Grimmjow, um inimigo, estava sendo tratado por Unohana em um quarto subterrâneo, seria o fim de Grimmjow. E provavelmente Unohana seria expulsa do Gotei 13. Ela realmente fazia muito por mim.
Eu apenas assenti com a cabeça.
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Eram 15:46h da tarde e Unohana me levou até o quarto onde Grimmjow se encontrava.
Me deixando em frente a porta, ela subiu novamente para a sala do 4 esquadrão.
Abri a porta levemente e me deparei com um quarto escuro, lá havia apenas uma cama, e Grimmjow estava nela.
Me aproximei e vi a figura do homem tal qual eu amava dormindo. Era realmente lindo. Me culpei por pensar isso, mas de alguma forma, ele ficava mais lindo ainda quando um pouco ferido.
Grimmjow ainda estava dormindo. Entrelacei suas mãos nas minhas e várias lágrimas começaram a invadir meu rosto.
– Grimmjow... Desculpa por não ter sido forte o suficiente para te proteger.
Continuei falando entre lágrimas:
– Eu disse que iria te proteger e falhei, eu só queria que você me desculpasse. Eu nunca pensei que poderia me apaixonar tanto assim por alguém. Você faz parte da minha vida agora, e eu nunca vou deixar você partir... nunca.
Minhas ultimas palavras foram praticamente inaudíveis, pois eu já não conseguia mais falar, perante tantas lágrimas e soluços.
– I...Idiota.
– Grimmjow...?
– Essas palavras... Eram para ser minhas.
Esbocei um largo sorriso ao ouvir a sua voz. Como era bom ouvi-la novamente, depois de 3 meses...
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