Amor Imortal
25 Capítulo
Notas iniciais
POV Ever
Pude sentir o cheiro antes de abrir os olhos. O odor fraco de terra queimada, fruta seca e chuva. Eu sabia onde estava. Estava em uma floresta. Abri os olhos para a penumbra e me levantei. Meu corpo estava bom. Bom e forte. Não estava como antes. Eu não sentia sede, e nem fome. Não estava com calor, não sentia frio e estava pronta para correr uma maratona.
Olhei para as árvores altas pensando em como vim parar aqui, quando eu ouvi. Passos se aproximavam. Alguém corria e gritava alguma coisa. Comecei a correr, como se a minha vida dependesse disso, e talvez dependia.
Meus passos ficavam velozes a cada metro e eu me sentia pronta para enfrentar o perigo. Olhei para trás e não vi sombra alguma, mas os gritos persistiam. Corri mais rápido e pude sentir o sol nascendo nas minhas costas. Olhei para trás de novo e vi uma sombra alta me perseguindo. Aproveitei que o estranho não me vira, e corri em direção ao som da água.
Quando já tinha corrido cerca de cinco quilômetros, percebi que aquilo era um sonho. O que denunciou foi o fato de eu acabar em uma campina, e não em um riacho. Eu conhecia aquele lugar. Era a campina em que conheci Jude pela primeira vez. A floresta ainda estava negra atrás de mim, mas não ouvia mais passos.
Eu estava ofegante.
O suor escorria nas minhas têmporas e eu finalmente senti alguma coisa. Sentia medo e calor. Calor e medo. A visão começou a embaçar, mas não por causa de um desmaio, eu estava acordando.
Sentei na grama rodeada de tulipas e esperei. A voz surgiu de novo, e dessa vez eu pude ouvir o que ela gritava. Ela gritava o meu nome. Levantei rapidamente e a tontura me atingiu em cheio. Eu conhecia o dono daquela voz. Damen.
Abri os olhos e Jude estava na beira da floresta. Ele parecia preocupado e furioso. Eu dei a ele um olhar questionador e ele apenas me olhou mais intensamente. Abaixei meu olhar e exclamei de surpresa. As minhas roupas boas haviam sumido e no lugar delas, eu estava vestindo roupas velhas, como um pijama muito gasto. Eu estava coberta de hematomas e acho que meu nariz estava sangrando. Eu estava magra e tremendo. A fome me atingiu em cheio e o frio me fez cair no chão. Jude correu a meu encontro e uma sombra parou a seu lado. Damen.
Damen me segurava para eu não cair e Jude nos olhava atento, como se precisasse medir suas ações.
– O que está acontecendo – perguntei com a voz rouca. O som saiu parecido como se eu estivesse falando debaixo d`agua.
– Nós invadimos o seu sonho. – Jude sussurrou como se ele fizesse isso todos os dias.
– Eu percebi – retruquei – mas para que.
– Ever, nós precisamos saber onde você está – Damen deixou sua voz sem emoção.
– Eu não sei onde estou.
– Ever, nos diga qualquer coisa que possa nos ajudar a encontra-la. – Jude soou desesperado.
– Eu estou em uma espécie de porão. É pequeno e embaixo de uma casa – olhei de Jude para Damen. – Eu estou com tanto medo.
– Eu sei, nós vamos encontra-la. – Damen beijou a minha testa e olhou para o céu.
– Ela me amarrou na cama e me da remédios para dormir, e quando eu acordo, eu estou sangrando e coberta de hematomas. Por favor, me ajudem – eu chorava como se nunca mais fosse ve –los.
Damen me abraçou forte e repetia que ia ficar tudo bem. Por um momento, me deixei chorar em seu colo e acreditar no que ele dizia. Por um momento tudo ia ficar bem.
– Nós achamos a cura. – Jude sussurrou.
– Sério – me levantei e os encarei.
– Totalmente. Vai ficar tudo bem, Bloom. Nós vamos te achar e vamos te encher pelo resto da eternidade.
– Muito engraçado, Jude.
– Sério. Nós vamos te achar. – ele me olhava com tanta intensidade, que eu só pude concordar.
Damen me olhou e segurou meu rosto. Ele estava prestes a dizer alguma coisa, quando o mundo tremeu. Jude e Damen estavam gritando e se distanciando, a medida que eu acordava. Corri para alcança-los, mas já era tarde demais.
Abri os olhos para minha torturadora e me encolhi enquanto ela dava aquele sorriso cruel e assassino.
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