Notas iniciais
Perdoem possíveis erros. Boa leitura!

Sempre fui uma garota muito inteligente sabe, daquelas de dar orgulho. Porém, meus talentos não iam além da caixinha. Meu pai queria que eu assumisse o negócio da família. E qual era o negócio da família? Bom, primeiramente você tem que conhecer minha família. Eu morava numa casa grande, grande o suficiente para quatro pessoas. Meu pai, Hiashi, era quem nos sustentava, juntamente com o meu primo, Neji. Os dois abriram há alguns anos um negócio próprio, e tinham conseguido muito dinheiro com isso. Eles eram corretores de imóveis, e apesar de serem muito rígidos em relação a mim – principalmente – e a minha irmã mais nova, Hanabi, eram muito convincentes quando tentavam convencer alguém a comprar alguma coisa. E é isso que um corretor de imóveis faz. O problema – sempre tem um problema... – é que meu pai queria que eu seguisse os passos deles dois. E eu, obviamente, não queria. E não era por rebeldia adolescente, ou algo do tipo, eu até queria agradar, mas nunca fui do tipo de lida bem com as pessoas. Sabe com o que eu lido bem? Com quadros em branco e tinta. É com isso que eu lido bem, é essa a minha praia. Oras, como eu ia convencer uma pessoa do belo investimento que ela faria numa casa com quintal gigante e uma bela varanda se eu mal conseguia dizer “Olá!”? Estou mentindo, eu consigo dizer olá, mas nada além disso. Nada, aliás, que me tire da zona de conforto. E gente desconhecida se baseando na minha opinião para comprar algo, é desconfortável. E foi por isso que, semana passada, ao completar dezoito anos, eu tomei uma decisão.

- Pai, vou fazer um intercâmbio. – eu disse, certa de que ele não daria atenção da primeira vez que eu falasse, pois seu jornal estava mais interessante.

- Boa noite — disse Neji entrando em casa, ótima hora! Neji sempre me escuta.

- Boa noite Neji, eu vou me mudar. – disse confiante.

- Se mudar? – sorriu Neji, pendurando sua blusa e indo para a cozinha – Não seja boba Hinata, para onde se mudaria.

- A escola me ofereceu um bom curso de qualquer matéria, por conta da casa, porque só venho tirando notas máximas.

Meu pai pareceu prestar um pouco mais te atenção, e riu, comentando:

- No meu tempo, notas máximas não eram mais do que a obrigação.

“O bom é que eu não perguntei nada...” – pensei, me culpando depois por ter pensamentos grosseiros, afinal, era o meu pai.

- No meu tempo, pai, os alunos são recompensados pelos seus esforços – respondi, da forma mais educada que consegui no momento.

- Que seja – deu de ombros. – A casa que vai ficar é muito longe daqui? Você sabe que os almoços de domingo são preciosos.

Neji agora nos olhava com cara de poucos amigos, enquanto Hanabi, com apenas sete anos, estendia os braços para o nosso primo, afim de um carinho. Neji cedeu e pegou minha irmã no colo, esperando que eu respondesse a pergunta de meu pai.

- É... um pouco longe sim. – respondi.

- Um pouco quanto, Hinata? — perguntou Neji, estreitando os olhos. Eu odiava que ele me conhecesse tão bem.

- Europa.

- Europa?! – ouvi um sobressalto do meu pai e de meu primo, que acabou assustando Hanabi.

- A Hina vai embora? – perguntou minha irmã, olhando freneticamente para Neji e para mim, que nos encarávamos sem saber o que dizer.

Ele estava furioso! Conseguia ver nos seus olhos o quanto estava magoado por não ter contado aquilo antes. Éramos amigos desde que eu me entendia por gente, e eu entendia o que ele sentia. Ele estava se sentindo traído. Mais até do que o meu próprio pai.

- E quanto tempo isso vai durar, Hinata? – Perguntou meu pai, se aproximando.

- Tempo nenhum, porque ela não vai! – respondeu Neji.

- A Hina não vai? – perguntou Hanabi, com um sorriso.

- Vou sim! – respondi, feroz. Como ele podia responder por mim? Era da minha vida que ele estava falando, minha!

- Hina... – disse Hanabi, em um muxoxo.

- Pai, se não for pedir muito, gostaria de falar com Neji a sós. Poderia levar Hanabi? – meu pedido foi tão repentino, que meu pai só se apressou em tirar minha irmã das mãos de Neji, antes que ele a esmagasse de raiva.

Quando nos encontramos sozinhos, Neji sentou no sofá e massageou as têmporas, bufando em seguida. Me sentei ao seu lado com cuidado, olhando-o fixamente.

- Europa hem... – sussurrou, ainda de olhos fechados.

- Me perdoe Neji. Mas você e meu pai tem um futuro aqui, mas e eu? Essa cidade é pequena demais, familiar demais. E você sabe que eu gosto de pintar, eu quero mostrar meus quadros ao mundo. E essa cidade não me leva a lugar algum, você sabe.

- A lugar algum, exceto Europa, certo? – respondeu com um sorriso tristonho, olhando para mim.

- Neji, você me ama? – perguntei, me sentindo péssima pela chantagem emocional que faria a seguir.

- Você sabe que sim – respondeu Neji, se aproximando de mim e selando seus lábios nos meus.

Ok... Pode parecer estranho, mas nós tínhamos esse relacionamento desde criança. Não era bem amor, mas sei que em momentos de tristeza, ou de extrema alegria, selávamos nossos lábios com um beijo. Era algo muito amigável, não se engane. Algo que queria simbolizar alguma coisa tipo “estou com você” ou “vou te proteger”. Nesse momento, eu senti algo como: “estou com você, e vou te proteger onde quer que esteja”. Nos separamos e eu sorri para ele.

- Então me deixe ir. Eu prometo que ligo todos os dias e venho visitar quando puder.

- Quanto tempo, Hinata?

- Um ano e meio.

Vi meu primo fazer uma careta contrariada, depois revirar os olhos. Ele sabia que não tinha como me fazer mudar de ideia.

É hoje que eu embarco para um lugar totalmente diferente, mas cheia de sonhos na cabeça. Meu pai e Hanabi me abraçaram fortemente, e eu deixei um colar – o meu preferido – para a minha irmã. Mesmo que não fosse para sempre, minha irmãzinha iria sentir minha falta tanto quanto eu iria sentir a dela. Ela, por sua vez, me presenteou com uma pedra esverdeada, quase transparente que achou na nossa ultima ida à praia. Meu pai ficou tagarelando sobre o quanto queria que eu assumisse os negócios da família, mas que estava contende por eu ter conseguido o que queria. Quem menos falou foi Neji, que apenas me abraçou e, mais uma vez, selou seus lábios nos meus, dizendo que sentiria minha falta logo em seguida.

- Tchau pessoal. Hanabi, cuide desse bobalhão para mim. – eu disse, apontando para Neji. — e se ele te importunar, fale que vou vir voando só para puxar a orelha.

- Neji – chamou Hanabi, sorridente.

- O que?

- Hinata vai arrancar sua orelha se você brigar comigo – disse a caçula, exagerando um pouco.

- Ai Hina – disse Neji, colocando a mão na orelha e piscando para mim.

E foi assim que eu fui para a Europa.

NH-NH-NH

Dois anos se passaram e não, eu não voltei a morar com meus familiares. Claro que já havia os visitado, mas depois do meu curso, eu havia arranjado um bom emprego num galeria de arte.

- Alô? Ah, oi Neji. – sorri ao atender o telefone.

- Você viu se consegue pegar férias, Hina? – perguntou, suspirando. – Já faz mais de três meses que você não vem. Hanabi ficou chateada porque não estava aqui no aniversário dela.

Senti um grande aperto no coração, mas sorri, por ter conseguido as férias.

- Duas semanas foi o que eu consegui, embarco amanhã ok? Você pode me pegar no Aeroporto?

- Claro, fica bem! Até amanhã.

- Um beijo, Neji.

- Hina... – me chamou, antes que eu desligasse, sorte dele que eu sou lerda. – Eu te amo.

- Eu te amo também, querido. Até amanhã.

Desliguei e fui me deitar. Neijo estava impaciente há algum tempo porque eu não conseguia ir para lá. Pra falar a verdade, minha vida esteve muito corrida desde que eu cheguei aqui. Hanabi agora estava com nove anos, eu estava com vinte e Neji com vinte e três. O tempo passa muito rápido para acompanharmos!

NH-NH-NH

- Ah, Hina! – Neji exclamou quando me viu, me dando um abraço esmagador!

- Nossa, assim parece que ficou uma vida sem me ver – sorri para ele, enquanto ele me apertava.

- Quase isso.

Eu estava preparada para o nosso selinho habitual, mas não foi isso que aconteceu. Neji me apertou mais carinhosamente e abriu seus lábios, enroscando sua língua na minha, que estava parada, processando a ideia. Quando dei por mim, Neji me agarrava de forma nada... amigável, estava mais para amorosa.

- Ne... Neji – chemei, quando ele me deu um espaço para respirar.

- Não finja que não quis isso tanto quanto eu, Hinata. Pare com isso. Vamos ficar selando nossos lábios para sempre?

- Eu... Não sei o que pensar.

- Não estou te pedindo para pensar – retrucou, me levando para um canto mais vazio e me beijando de novo.

- Podia... Esperar... Chegar... Casa... – eu tentei dizer enquanto ele me beijava várias vezes.

- Hanabi... Hiashi... – sussurrou da mesma forma que eu, enroscando sua mão e meus cabelos e me puxando para mais perto (como se fosse possível!).

- Eu te amo, Neji. – Era a primeira vez que eu tomava a iniciativa, ele sempre foi mais seguro. Mas também sempre foi o mais sensato, e não estava sendo agora.

Ele sorriu, e carinhosamente selou os meus lábios, agora querendo dizer: “Eu te amo, estou com você, e vou te proteger para sempre”.

Notas finais
Palmas, pedras?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!