Amor Faminto

7 Capítulo 6: Estás errado


Notas iniciais
Aqui vai o segundo da noite ♥

A coisa mais fácil para um vampiro é encontrar a sua presa. É o instinto que atrai o predador através do delicioso cheiro do sangue e do som deste a ser bombeado pelo coração.
Neste caso particular, um coração partido.

Lydia estava sentada no baloiço, com as pernas a balançar para a frente e para trás com o movimento dos braços. Alec revelou-se, e ainda assim ela não levantou os olhos, então este caminhou até estar ao seu lado e sentou-se no outro baloiço, vazio.

“Deixa-me em paz.”

“Paz, hm. Sabes como a paz começa, Lydia Jones?” Alexander olhou-a. “Com um sorriso.”

“Não precisas de deixar-me em paz então, apenas deixa-me.” Ela devolveu.

“As pessoas fazem coisas estúpidas quando estão sozinhas.”

“Sabes, desde que tu chegaste a minha vida ficou de pernas para o ar! E isso não era suficiente, tinhas de me humilhar em frente a todos os meus amigos!” Lydia exaltou-se, e finalmente olhou-o. “Então, desculpa se não quero falar contigo!”

“Amigos?” Alec riu. “Eles não são teus amigos. Não todos eles.”

“Tu fizeste isto só para provar que tens razão, não foi?”

Lydia mordeu o lábio, desviou o olhar e Mathews viu uma lágrima escorrer-lhe pela face.

“Não fui eu.” Ele conseguiu a atenção dela. “Juro-te.”

“Claro,” Jones riu forçadamente e limpou a cara. “Tu querias vingança pelo Ryan e querias provar a tua razão, apenas admite.”

“Lydia,” Alec tocou-lhe na mão. “Não sou assim.”

A ruiva olhou a mão de Mathews sobre a sua e depois olhou-o.

“Então quem foi? Tu eras a única pessoa que sabia.”

“Eu não sei,” Alexander então sorriu-lhe. “mas nós podemos tentar descobrir.”

“Nós?” Ela arqueou-lhe a sobrancelha.

Ele riu. “Eu posso ajudar-te.”

“Eu e tu?” Lydia largou uma risada. “Não sei se vai resultar.”

Alec levantou-se e percebeu que ainda estava a tocar-lhe na mão, então em vez de larga-la, agarrou-a. Forçou Jones a levantar-se do baloiço, e fê-la rodar.

“São precisos dois para dançar.” Ele olhou-a intensamente. “Além disso, quem não gosta de um bom desafio?”

Lydia tombou a cabeça para o lado. “Quem és tu, Alexander?”

“Hm, apenas alguém a aprender a viver.” Confessou.

“Bem, sendo assim, desejo-te uma vida feliz.”

A ruiva levantou as suas mãos unidas como quem brindava e Alec achou aquilo a coisa mais engraçada de sempre, e isso era um bom elogio vindo de um vampiro.

Duas pessoas com séculos a separa-las, mãos unidas e um objetivo em comum: viver.

No dia seguinte, Lydia acordou com um vazio estranho no peito. Octavia não havia respondido às suas mensagens, sentia-se ignorada. E doía.

“Estás pronta, Lydia?!”

A rapariga gritou de volta um vou já. Ela estava vestida, mas faltava calçar-se. E Jones sabia que o seu pequeno-almoço seria apenas uma maçã, porque ela estava realmente atrasada.
Lydia abriu o armário e examinou os pares de sapatos à sua escolha, sem pensar muito agarrou nos ténis prateados que a Elena lhe tinha dado pelo seu aniversário. Então, calçou-se.

“Finalmente.” Amelia suspirou. “Estamos atrasadíssimas, Lydia!”

Jones teve tempo de alcançar a maçã verde no topo da fruteira, e correu com a sua mãe para o carro. A ruiva despediu-se com um beijo rápido na bochecha de Amelia quando esta parou o carro em frente à escola.

“Tem um bom dia, querida.” E arrancou.

Foi então que Lydia tomou consciência.
Este não era um dia como todos os outros, ela não era popular. Jones engoliu em seco, e percebeu que havia voltado a ser ninguém.

“Bom dia!” Wes passou a correr pela ruiva. “Ei, ténis giros!”

Lydia sorriu-lhe.
E numa fração de segundos, a sua cara tornou-se séria. Ela tinha saído dos seus saltos altos e naquele momento, no meio do corredor, Lydia sentira-se pequena e frágil.

A sua pequena mão abriu o cacifo, e Jones enfiou os livros rapidamente, deixou na mala apenas os que iria precisar para a próxima aula. E foi quando fechou o cacifo, que teve a clara visão do grupo que virava a esquina. Os Mathews.

Lydia distinguiu Alexander entre os irmãos. Um sorriso abriu-se na sua face, e ela percebeu que ele lhe sorria de volta. Um sorriso tímido e discreto, mas era um sorriso bonito.

“Ei.”

A voz de Octavia despertou Lydia.

“O, eu-.”

“Aqui tens.” A morena lançou-lhe um monte de roupa.

A ruiva olhou para o que tinha em mãos e percebeu que se tratava do equipamento de volley. Jones pensou que fosse para ela o levar e lavar em casa, afinal elas tinham jogo este fim-de-semana, mas Octavia explicou-se.

“Nós tivemos uma reunião.” O deu um sorriso. “E tu estás fora da equipa.”

“O quê?!” Lydia indignou-se. “Só porque eu tenho sentimentos e não sou assim tão implacável e fria como todos pensavam?!”

“Não, Lydia.” A morena olhou-a nos olhos. “Porque és uma mentirosa. Uma farsa.”

Ambas aguentaram o olhar, até Lydia desviar os seus olhos verdes para ao equipamento de volley novamente. Quando voltou a levantar a cabeça, Octavia já não estava lá.

As coisas estavam más. Alexander percebeu isso na aula de Biologia Aplicada. A aula não estava a correr bem, nada bem. O Sr. Styles estava a começar a ficar chateado, Alec conseguia perceber. A turma estava toda mais preocupada em murmurar entre si do que em passar à disciplina.

“Ok! Chega! Sobre o que é todo o murmurar?!”

Alexander sabia, e bastou-lhe um olhar na direção de Lydia para perceber que ela também. Era sobre ela.

“Nada, Sr. Styles.” Amber respondeu, com uma risada.

O professor fingiu acreditar e continuou a aula. O murmúrio acalmou, e Alec olhou mais uma vez para a Jones. Ela estava a bater com a perna, nervosamente. Uma tempestade estava a corroê-la por dentro. E ele sentiu pena. Sim, Alexander queria despi-la, desfazer-lhe a mascara, mas não sabia que a máscara estava assim tão presa que a faria sangrar.

Alec não tinha percebido que a máscara não era para se engradecer, era para se proteger.

Na hora de almoço, Jones pegou no tabuleiro e voltou costas à cozinheira que lhe tinha sorrido logo a seguir a lhe ter estendido o prato. Os seus olhos verdes procuraram desesperados um lugar para se sentar. A mesa dos seus amigos tinha um lugar livre, mas quando Octavia viu a ruiva a olhar na sua direção, colocou a mala na cadeira vazia.

Jones suspirou. A mesa ao lado estava completamente vazia, exceto por um lugar. Então, Lydia decidiu fazer companhia ao rapaz solitário.

“Posso?” Ela deu um sorriso fraco.

“Ah,” Alec parecia surpreso. “Claro.”

Só o barulho dos talheres abafava o silêncio constrangedor. Quando já ia a metade do prato, Lydia decidiu quebrar o gelo.

“Ah, tu não costumas… comer em público?” Ela olhou-o.

“É beber.” Alec sorriu. “E eu já bebi o meu almoço, sim.”

O silêncio voltou e desta vez mais tenso do que antes. Lydia conseguia perceber que Mathews lhe queria dizer algo, o que tornava tudo muito mais desconfortável e incómodo.

Lydia clareou a garganta, tentava chamar a atenção de Alec. Ele olhou-a confuso.

“Não me queres dizer nada?” A ruiva arqueou a sobrancelha. “Não há comentários idiotas? Um avisei-te? Nada?”

“Hm, não.” Ele encolheu os ombros.

Jones não disse mais nada, apenas voltou a enfiar uma garfada de massa na boca.

“Não tens mais amigos?” Alec perguntou curioso.

“Tu próprio o disseste.” Lydia mordeu o lábio. “Todos eles me abandonaram quando eu saí dos saltos altos. Não… Não tenho ninguém.”

“Hm, tu não estás a almoçar sozinha, estás?” Ele estreitou os olhos.

Lydia sorriu-lhe agradecida.

“Bem,” Ela mudou de assunto. “O que é isso?”

Alec seguiu o olhar da Jones, e percebeu que ela se referia ao seu termo.

“Oh, isto? Sangue.” Ele respondeu-lhe o óbvio.

“Sim,” Ela largou uma pequena risada. “mas que, sabes, tipo de sangue?”

“Alce.”

“Uh, parece delicioso.” Lydia brincou. “Não te via como um apreciador de… enfim, sangue de Alce.”

“Bem, eu não te via como uma rapariga que se esconde atrás de uns saltos altos com medo dos perigos da via.” Alec desviou o assunto. “Na verdade, não te via como alguém tão frágil.”

“Eu sabia.” Jones revirou os olhos. “Não conseguias não dizer nada, não é mesmo Alexander?”

“O que eu quero dizer é,” Ele aproximou a sua face da dela. “Ás vezes tu achas que conheces as pessoas, mas não. Todos usamos máscaras, Lydia. Não és a única. E muitas vezes o que está por baixo da máscara não é bonito e não há mal nenhum com isso.”

“Então porquê eu?” Lydia olhou-o nos olhos.

“O quê?” Alec ficou confuso.

Ela humedeceu os lábios. “Porquê que decidiste espreitar por baixo da minha máscara? Porquê a minha?”

Alexander afastou-se e ajeitou-se na cadeira de plástico. Colocou as duas mãos em cima da mesa, e só depois respondeu.

“Porque parecias precisar de ser salva.” Mathews suspirou. “E eu apenas te dei um empurrãozinho.”

“Não, eu estava bem!” Lydia olhou-o desesperada. “Eu estava bem.”

“Não, olha para ti.” Alec voltou a aproximar-se. “Tu estás longe de estar bem, Lydia Jones.”

“Agora. Porque o teu empurrãozinho me fez cair de cara!” Ela exaltou-se. “Mas eu estava a lidar com os meus problemas muito bem!”

“Não, tu estavas a empurra-los para debaixo do tapete.” Alexander desviou o olhar. “Muitos fazemos isso até que somos obrigados a enfrenta-los.”

“O que tu sabes sobre isso?!” Lydia devolveu.

“Mais do que tu pensas.”

O olhar de Alec parecia longínquo, como se ele estivesse bem longe. Talvez no passado. Lydia então percebeu que ele poderia também estar preso por detrás de uma máscara, e por um momento ela jurou que ouviu as suas súplicas.

Talvez Alexander Mathews também precisasse de ser salvo.

Alexander agradeceu com as aulas acabaram e Lily o levou para casa, aquele dia tinha sido horrível. Os professores eram horríveis, para dizer a verdade e tudo o que ele precisava era de uma noite em família para esquecer tudo aquilo.

O grito alertou todos dentro de casa. A grande família apressou-se a ir para o alpendre, apenas para encontrar Andrea aterrorizada, com as mãos cobrindo a boca.

“É uma rapariga.” O seu pai agachou-se perto do corpo. “Está morta.”

Lily aproximou-se de Alec, e engoliu em seco.

“Nós devíamos ter contado aos pais.” Ela murmurou com a voz fraca. “Podíamos ter evitado isto.”

“Pai, isto é um ataque à nossa família!” Mark exaltou-se.

“Alec, Lily.” Andrea olhou os seus filhos. “O que aconteceu?”

Alexander fechou os olhos por uns segundos, antes de os voltar a abrir e responder à pergunta.

“Uma rapariga da escola, Octavia. Foi atacada.” Ele olhou o Ryan de relance. “Achava que tinha sido o Ryan, mas ele jurou que não.”

“Isto é um ataque.” O seu pai levantou-se. “Isto é guerra.”

Não outra vez, suplicou Alec.

No dia seguinte, toda a cidade estava de luto.
Não havia uma palavra certa. Na verdade, talvez houvesse uma: morte. O Conselho Azul tinha anunciado luto na cidade e as aulas estavam suspensas. Ninguém se tinha ido embora da escola, no entanto, porque por mais ignorância que pudesse haver nas pessoas, ninguém consegue ignorar a morte.

“Alexia possuía uma belíssima alma e o rasto que deixou neste espaço foram igualmente lindas memórias. A sua vida terminou, mas não deixaremos a sua presença ser esquecida. Nunca.”

Um bonito discurso por parte do diretor, Lydia tinha de admitir. Mas quem se importava mesmo com a Alexia? Metade das pessoas não deveriam nem saber o seu nome antes desde aparecer num obituário. Provavelmente, muitos até se sentiam feliz por tragédia ser uma razão para não ter aulas.

“É horrível.” Alec encostou-se ao seu lado. “Ela mal devia ter 18 anos.”

“Não tinha.” Jones engoliu em seco. “Ela sentava-se a hora de almoço inteira na biblioteca. Ela era tão inteligente que assustava as pessoas, mas-.”

“-mas não a ti.” Ele deu-lhe um sorriso triste. “Eram amigas?”

“Hm, não.” Lydia encolheu os ombros. “Eu gostava dela, mas não eramos amigas.”

Alexander começou a falar outra vez, mas a ruiva tinha captado uma conversa interessante. E então a sua atenção foi rapidamente desviada do rapaz ao seu lado.

“Sabes como é que ela morreu?”

“Não. A polícia só disse que acharam o corpo ao pé do parque de campismo, e pelo que percebi disseram que foi movido.”

“Bem, eu sei que ela tinha uma mordida no lado direito do pescoço.” A rapariga aproximou-se da outra e murmurou. “Sabes, acho que foram os Mathews, Os Vampiros.”

Lydia largou uma risada, sem saber bem porquê.
Percebeu que Alec a olhava como se ela fosse a pessoa mais inconveniente à face da terra. E então, ela entendeu. Rapidamente cobriu a boca com a sua pequena mão e encolheu-se.

“O que teve tanta piada, Lydia Jones?” Ele sussurrou-lhe.

“Por favor, para de me chamar pelo nome todo, Alexander.” Jones implorou.

Alec sorriu-lhe com os dentes todos. “Só se me passares a chamar Alec.”

“Hm, não.” Lydia olhou-o. “Eu gosto de Alexander.”

“Bem, então, Lydia Jones,” Mathews inclinou a cabeça na direção da dela. “O que te fez rir a meio de um luto?”

“Ah, eu estava a ouvir uma conversa.” Ela aproximou-se para lhe murmurar. “Acham que foi a tua família que a matou e eles referem-se a vocês como Mathews, Os Vampiros.”

Quando Jones se afastou, a sua vontade era de rir outra vez. Aquela designação soava-lhe a um filme, talvez The Vampire Diaries, quem sabe. Então, notou a expressão séria de Alec.

“Oh, não.” Lydia engoliu em seco. “Não, não me digas que foram mesmo vocês.”

Ele ajeitou o cabelo preto no topo da sua cabeça. Então, olhou-a.

“Achas?! Porque raio é que acham isso?” Alexander mostrou-se indignado. “Nós não matamos pessoas.”

“Bem, eles só juntaram dois mais dois, e-.”

A face de Lydia tornou-se séria com a lembrança.

“O quê?” Ele preocupou-se. “Está tudo bem?”

“Ah, eu tenho de ir.” A rapariga dos cabelos vermelhos ajeitou a mala. “Até amanhã.”

“Espera, Lydia!” Alec agarrou-lhe o braço. “O que foi? O que se passa?”

A Jones olhou o aperto no seu braço e os seus olhos pareciam ter sido tomados por chamas. Então, ela percebeu que algo estava errado. Ela odiava aquele rapaz.

“Eu não sei se interpretaste isto como amizade,” Lydia olhou os olhos azuis dele. “, mas estás errado. Não somos amigos.”

O olhar de Alec caiu, e ele largou-a.
Lydia, então, ajeitou a sua mala mais uma vez e apressou-se a sair da escola.

Notas finais
Aqui está!! Gostaram??