Amor Faminto

10 Capítulo 9: Sempre Te Encontrarei


Notas iniciais
Desculpem pela demora!! Voltei!

ALEXANDER

"É aqui."

Alec parou o carro delicadamente e desligou-o. Ele não desviou o olhar da estrada, esperou que Lydia abrisse a porta e corresse a chorar para o colo da sua mãe. Aquela noite não tinha sido fácil para ninguém, especialmente não para ela.

Alec saiu do carro e deu-lhe a volta. Suspirou longamente antes de abrir a porta do pendura. A ruiva olhou-o confusa.

"Não vais ficar no carro para sempre vais?" Ele disse-lhe.

Lydia revirou os olhos e saiu do carro. Alec bateu com a porta quando ela se afastou.

"Ouve," Mathews aproximou-se. "Eu sei que nós não somos amigos, mas-."

"Tu salvaste-me." A ruiva murmurou.

"Não, Lydia." Ele balançou a cabeça. "Eu não te salvei."

"Alexander," Lydia tocou-lhe no peito como fizera na noite passada. "Tu podias ter-me feito esquecer, certo? Mas tu confiaste em mim. Porquê?"

"Porque assim posso proteger-te melhor." Alec explicou-lhe. "Se eu te fizesse esquecer, tu ias ser teimosa e continuar a meter o nariz em assuntos perigosos."

"Obrigada." Ela olhou-o nos olhos.

"Hm," Mathews acariciou-lhe a bochecha rosada. "Só não me assustes mais daquela maneira."

Lydia sorriu-lhe. A mão pequena dela subiu-lhe pelas costas e aproximou-os. O corpo de Alec estremeceu e ele puxou a face da ruiva para mais perto. Ele inclinou-se, os seus narizes tocaram-se.

"Lydia," Alec avisou-a.

"Vais beijar-me?"

Oh e se ele queria. Ele viveria o resto da eternidade infeliz se em troca pudesse beijar a Lydia uma única vez. Os seus dedos traçaram-lhe os lábios entreabertos e ela fechou os olhos.
No entanto, Alec rasgou a proximidade entre ambos e afastou-se.

"Devias entrar. A tua mãe deve estar preocupada." Ele disse-lhe.

"Sim."

Jones sorriu-lhe como se nada tivesse acontecido. Ela subiu as pequenas escadas e abriu a porta. Antes de entrar, olhou para trás uma última vez.

"Até amanhã," Lydia despediu-se. "amigo."

"Adeus, Lydia Jones."

E então ela desapareceu por detrás da porta branca.

Claro que Alec queria tê-la agarrado e beijado como se não houvesse amanhã, mas havia. E ele tinha de pôr a segurança dela primeiro. Envolver-se com um vampiro era muito mais complicado do que as séries e os livros do Twilight mostravam, era muito mais difícil do que as campanhas incentivadoras, das relações entre humanos e vampiros, faziam parecer.

Alexander poderia apaixonar-se por ela e sofrer por ela. E ele fazê-lo-ia de boa vontade. Mas nunca ele deixaria Lydia Jones passar por esse tipo de agonia.

LYDIA

Lydia estava na biblioteca. O livro de Português estava aberto, em cima da longa e estreita mesa, e o seu lápis marcava um ritmo agradável conforme revia o seu texto argumentativo.

"Lydia?"

Ela afastou os cabelos vermelhos da face e levantou os olhos. Era Octavia, estava sentada na cadeira do outro lado da mesa, os seus olhos estavam vermelhos. Não parecia ela.

"Desculpa." A morena fungou. "Eu sei que desculpa não é suficiente. E não sei como posso pedir para me perdoares quando eu não me consigo perdoar."

Lydia suspirou, desviou os seus olhos verdes de Octavia.

"Eu não te posso perder, Lyds. Não há mais ninguém neste mundo que me compreenda. Ninguém me ouve. É como se eu fosse... invisível." Ela soluçou. "Eu adoro-te. Eu-."

"Eu sei." Lydia olhou-a, com lágrimas nos olhos.

Octavia aproximou-se e agarrou-lhe a mão. "Desculpa."

"Tudo bem." A ruiva limpou uma lágrima que lhe escorreu pelo rosto. "Não faz mal."

Octavia levantou-se e puxou Lydia consigo.
Quando Jones percebeu estavam a abraçar-se. Ela estava a chorar, parecia que tinha guardado todas as lágrimas para aquele pequeno momento, talvez tivesse. Ela foi atacada por um vampiro e tudo o que ela queria era ter abraçado Octavia e chorado, mais e mais e mais.

E finalmente podia.

ALEXANDER

Alexander tinha trabalhado no texto argumentativo toda a noite e, mesmo assim, tinha a consciência de que não estava perfeito. Pelo menos não tão perfeito quanto o de Lydia.
A campainha tocou.

"Não se esqueçam de deixar os textos em cima da minha secretária."

Alec aproximou-se da mesa no centro da sala, ele olhou para a sua folha mais uma vez com hesitação. Quando se preparava para a guardar dentro da mala e inventar uma desculpa para a professora, a folha desapareceu-lhe da mão.
Ele olhou imediatamente para a figura pequena ao seu lado.

"Devolve-me, Jones." Ele ordena.

"Hm," Lydia examinou a folha. "Nah."

"Não estou a brincar." Alec avisou e olhou-a intensamente.

A ruiva encolheu os ombros e colocou a folha entre as outras. Alexander suspirou, seguiu-a para fora da sala de Português.

"Lydia!"

Ela parou abruptamente e voltou-se.

"Aquilo era uma escolha minha! O meu texto!" Alexander exaltou-se.

"E tu ias guarda-lo!" Jones devolveu irritada.

"E depois? Nem toda a gente pode ser perfeito como tu, ok?!"

"Bem," Ela mordeu o lábio. "Eu estava a tentar ajudar. Lamento."

Lydia deu-lhe um pequeno sorriso e depois voltou-lhe costas. Alec imediatamente sentiu o coração apertar no seu peito. Agarrou-lhe o pulso, ela embateu no seu peito e, então, olhou-o com os seus olhos verdes arregalados.

"Desculpa." Ele pediu-lhe.

Jones afastou-se. "Tudo bem. Tenho a certeza que vais ter uma boa nota."

"Ai sim? Bem, eu duvido." Alexander revirou os olhos.

"Ei!" Lydia esmurrou-lhe o peito. "Se tu não confiares em ti, quem irá?"

Mathews sorriu-lhe largamente. "Tu."

Ela devolveu-lhe o sorriso e então continuou o seu caminho. Alec acompanhou-a, encurtou as suas passadas para que ela o pudesse acompanhar.

Ele inclinou-se para lhe sussurrar algo.

"Quem diria que Lydia Jones seria amiga de um vampiro, hein?"

Lydia levantou os olhos, e encarou-o, parecia irritada.

"Não somos amigos?" Alec perguntou.

"Acho que somos." Ela, então, riu.

"Bem, toda a escola anda a falar sobre ti outra vez." Ele comentou.

"O quê?" Lydia devolveu confusa.

"Sobre ti e a Octavia." Mathews olhou-a de relance. "Estão bem como antes?"

"Hm, estamos a trabalhar nisso." Ela baixou a cabeça. "Mas espero que sim."

Finalmente, ambos atravessaram as portas da saída.

"Trouxeste carro?" Alec perguntou-lhe.

"Não, a minha mãe levou-o." Lydia encolheu os ombros. "Vou a pé a maior parte das vezes."

"O quê?!"

A súbita exclamação assustou-a, ele conseguiu perceber pelo pequeno salto que ela deu. A ruiva olhou-o extremamente confusa.

"Tu não vais sozinha para casa."

"Desculpa?" Lydia arqueou as sobrancelhas.

"Há um vampiro que, neste momento," Alec então hesitou. "conhecesse o teu cheiro como a palma da sua mão."

"Não me vai atacar no caminho para casa, muita gente vai por ali a pé." Ela explicou.

"Não."

Foi tudo o que Alexander disse antes de envolver os ombros da pequena com o seu braço direito. Ela tentou soltar-se, mas obviamente ele era mais forte.

"Para onde me estás a levar?" Lydia olhou-o.

"Estás a ver aquele carro vermelho? É a Lily." Alec disse-lhe. "Vamos levar-te a casa."

A ruiva revirou os olhos.

Alexander nunca deixaria Lydia sozinha. Não agora, com um vampiro estúpido qualquer à solta que ataca raparigas por diversão. Sim, a probabilidade de ele atacar a mesma era ínfima, mas ainda assim ele não queria arriscar.

"Oh olá, Lydia." Lily saudou pela pequena janela.

"Olá." Jones devolveu com um sorriso.

"Olá para ti também, irmãzinha." Alec disse sarcástico.

A loiro rolou os olhos. Alec ignorou-a. Abriu a porta da frente, e finalmente largou a pequena. Ela entrou no lugar de pendura e, então, ele fechou-lhe a porta. Mathews entrou e sentou-se no banco de trás.

"Temos de deixa-la em casa." Alec achou melhor avisar.

"Oh, pensei que finalmente fosses dormir quentinho." Lily devolveu com uma risada.

Alexander rolou os olhos. Então olhou Lydia pelo espelho e viu as bochechas rosadas tomarem um diferente tom de vermelho, era adorável na verdade.

"Sabes," Lily olhou a ruiva de relance. "o Alec queixa-se porque tem frio durante a noite. Eu acho que é porque a cama é pequena. Pelo menos já percebemos o porquê de ele acordar com os pés de fora, uma vez ou outra."

Alec suspirou. Ele esperou que Lydia fosse ignorar o comentário infantil de Lily, e ele agradeceria. Mas, para sua surpresa, a ruiva largou uma gargalhada.

"Isso realmente explica muita coisa!"

"Ei!" Alec intrometeu-se. "Pensava que eramos amigos!"

Lydia sorriu-lhe pelo espelho.

"Amigos, hein?" A loira olhou-os. "Isso é bom."

"Sabes o que fiz pelo teu irmão hoje?" Jones inclinou-se um pouco. "O texto argumentativo de português, ele-."

Alexander relaxou, o seu corpo moldou-se ao banco de couro preto. Um sorriso rasgou-lhe a face e ele não sabia bem porquê. Lily parecia feliz, Lydia também. E isso, de alguma maneira, chegava-lhe.

LYDIA

"Bem, obrigada pela boleia." Lydia olhou para Alec então. "Ainda que forçada."

"Não tens de quê!" Ele gritou-lhe.

A ruiva bateu com a porta e acenou-lhes. Esperou que arrancassem, mas isso nunca aconteceu.

"O que foi?" Jones aproximou-se.

"Quero ver-te a entrar." Alec explicou. "Vai."

"Meu, tu pareces o pai dela." Lily repreendeu. "Bem, Lydia conseguiste um papá novo e chato. Mas não te preocupes, é isso que os pais fazem certo?"

Lydia engoliu em seco, e encolheu os ombros.

"Eu não saberia." Ela sorriu-lhe triste. "Bem, até amanhã."

Então, voltou-lhes as costas. Ainda conseguiu ouvir o rapaz repreender a irmã, mas não se importou. Abriu a porta e entrou, sem olhar para trás. Quando deixou cair a mala, ouviu o carro arrancar.

E Lydia suspirou.

ALEXANDER

"Eu não sabia." Lily desculpou-se. "O que aconteceu com o pai dela?"

"Eu não sei." Alec baixou a cabeça.

"O que foi?" Ela olhou-o de relance.

"Sim, nós somos vampiros. Nós já matamos, todos nós. Já causamos tanto sofrimento em pessoas inocentes. Ainda assim nós ainda temos uma família, uma mãe e um pai," O rapaz engoliu em seco. "e ela não? Como é que isso é justo?"

"Alec, a vida não é justa." A loira sorriu triste.

Ele sabia. Mas isso não fazia tudo menos doloroso.

"Há alguma coisa aí?" Lily atreveu-se. "Tu e a Lydia."

"O que estás a perguntar exatamente?"

Alec olhou-a desafiante. Ele já sabia o que vinha a seguir, mas queria ganhar tempo para inventar uma treta qualquer que desviasse o assunto.

"Estás a apaixonar-te por ela, Alexander?" Ela esclareceu.

"Sabes quando a mãe e o pai vão ao conselho outra vez?" O rapaz desviou o olhar.

"Alec."

"O quê?"

Ele seguiu o trilho arvores, evitou olhar para os olhos da sua irmã.

"Não há qualquer tipo de vergonha no amor, Alec. O amor é o maior sentimento que podemos experienciar. Trás felicidade, faz-nos sentir completos."

Amor. Amor não era para Alec.

"E se o teu problema é não mereceres, esquece. O Ryan vai voltar a amar, tu vais voltar a amar. A Evelyn nunca te amou e?" Lily argumentou. "Isso não significa que a Lydia não vai."

"Para." Alexander pediu.

"Não." A loira recusou-se.

Finalmente, Lily parou o carro atrás do de Mark. Pelo barulho, já estavam todos em casa.

"Eu não quero," Alec começou.

"O quê, maninho?" Ela olhou-o confusa.

"Que ela me ame."

Lily ajeitou-se para poder agarrar a mão fria do seu irmão.

"Se é por ela ser humana, os conselhos vão adorar, eles-."

A loira continuou, mas Alec não estava a ouvir. Oh, ele sabia que o Conselho Vermelho, especialmente, adoraria receber uma humana na comunidade. Casamentos entre vampiros e humanos são incentivados, porque eles beneficiam disso. Isto porque os vampiros-puros são filhos biológicos de vampiros e, depois, existem os semi-vampiros, híbridos das duas espécies, altamente estimados pelos Conselhos pois são inofensivos, a sua mordida não produz qualquer efeito na vítima. Menos mortífero, o que é bom para a comunidade pacífica que conseguiram criar.

Mas tudo o que beneficiava os Conselhos, Alec evitava. No fundo, não era essa a razão. Alexander apenas não queria sujeitar Lydia a uma vida daquelas. Não era boa, era cheia de escuridão. E ela merecia mais do que isso.

LYDIA

Lydia não se lembrava de estar tão apressada para chegar à escola, exceto quando andou a sair com o Cole. Embora essa fosse uma situação feliz, esta não era.

As portas abriram-se e Lydia procurou por uma face conhecida. Na verdade, qualquer um dos Mathews poderia auxilia-la, no entanto ela preferia que fosse o Alec a encontra-la.

"Lydia? Estás bem?"

Jones ignorou Amber, que lhe tinha ligado na noite anterior a pedir desculpa por ter tomado o lado da Octavia, e rompeu pelo refeitório. Os Mathews estavam todos juntos, não era normal, mas era exatamente o que Lydia precisava naquele momento.

"Lydia?" Alec foi o primeiro a alertar-se. "O que é isso?"

Ela estava apavorada e sabia que todos tinham percebido. Lançou a minúscula caixa para cima da mesa, mas não se atreveu a abri-la.

"O que é isto, ruivinha?" Wes inclinou-se.

"Abram." Lydia desviou o olhar da caixa.

Todos se olharam e Alec olhava-a. Ryan foi o mais corajoso e levantou a pequena tampa, colocou-a de lado. Então, Mark agarrou na pequena fita e balançou-a à frente dos olhos.

"O que é esta coisa?" Wes apontou.

"É meu. Estava no meu quarto," Lydia começou. "esta manhã estava dentro da caixa à porta da minha casa."

Ninguém disse nada.

Lydia olhou Alexander e tentou perceber o que ele estaria a pensar. Era um trabalho muito mais difícil do que parecia, lê-lo. Ele espreitou para dentro da caixa e agarrou a ultima lembrança. Um pequeno papel branco. Jones sabia o que dizia, mas não se atreveria a dizer em voz alta e sabia que ele também não.

"O que diz?" Ryan perguntou ao seu irmão.

Eu sempre te encontrarei, querida.

Alexander levantou-se e amarrotou o papel no seu punho. Sem dizer nada, passou por Lydia e saiu do refeitório, sem olhar para trás.

ALEXANDER

Muitos séculos a ser um vampiro, muito sofrimento, anos de controle. E ainda assim, Alec teve de se refugiar na floresta perto da escola para deixar toda a raiva sair, teve de se transformar.

O seu pé embateu na árvore e essa tombou.

"Alec?"

"Vai-te embora." Ele rosnou.

"Não." Jones insistiu.

Alexander pôde sentir a aproximação da ruiva, então voltou-se. Olhos no máximo azul possível, estavam a brilhar, e as suas presas davam-lhe um ar mortífero. Assustador.

"VAI-TE EMBORA!!"

Lydia recuou e, com a sua terrível sorte, acabou por cair na terra húmida.
Alec então viu Lydia a olha-lo. A sua boca estava entreaberta, os seus olhos arregalados. O seu rosto estava pálido, sem as suas bochechas rosadas. Ela parecia absolutamente horrorizada. Um olhar de puro terror brilhava nos seus olhos verdes. Ela parecia estar com medo. Ela parecia estar com medo dele. Não era a primeira vez que Lydia o via assim, mas ainda assim era a primeira vez que o encontrava naquela situação.

Sem controle, sem humanidade.

Notas finais
Kisses!