Amor Faminto

3 Capítulo 2: Dora A Exploradora


Notas iniciais
Olá olá! Espero que tenham gostado do primeiro capítulo! Aqui vai o segundo.

Capítulo 2

Uma semana depois e Alexander tinha a plena consciência de que as coisas estavam pior do que nunca.

O seu irmão Ryan havia começado a curtir com a Octavia em todos os cantos da escola. Ele e Wes entraram para a equipa de Lacrosse. E até o Mark começou a sair com a Malia, uma das amigas da mal-educada. E assim, de um momento para o outro, Wes tinha ganho o desafio: eles sentavam-se todos os dias com os populares. Porra, quem é que Alec estava a tentar enganar ... Eles eram populares. Agora eles partilhavam a mesa com a rapariguinha irritante e com as suas amiguinhas superficiais.

Urgh.

"Sr. Mathews." Alec olhou para o professor. "Tome atenção."

E assim, ele estava de volta à aula de biologia aplicada.

Faltavam exatamente 2 minutos para tocar, e Alec até conseguia ouvir com a sua audição aguçada os segundos a contar no relógio de parede, logo acima da cabeça do professor.

"E agora os vossos testes." Sr. Styles anunciou.

Alec fechou os olhos quando o professor se aproximou da sua mesa e lhe estendeu o teste. Ele agarrou no papel e quando os seus olhos focaram na tinta vermelha, ele arregalou-os.
C. Alec teve a porra de um C. Talvez as coisas não estivessem a correr assim tão mal, afinal. E ele a pensar que já ia ficar sem a refeição do lanche, hein.

Lydia também recebeu o seu teste, mas ao contrário do que todos os seus amigos estavam a fazer, ela não o exibiu, apenas dobrou a pequena folha em quatro e enfiou-a dentro da mala castanha, com cuidado. Com sorte, Alec conseguiu ver a marca vermelha no cabeçalho do seu teste. A+. A rapariga rude e burra dos cabelos vermelhos teve um A+ a biologia aplicada.

"Qual foi a tua nota, Lyds?" Octavia perguntou.

"C." Ela mentiu.

Quem diria que Lydia Jones, a rapariga mais popular da escola, era apenas uma grande mentirosa.

No fim de semana, Lydia estava sempre ocupada. Era a sua vida, trabalhar para os outros e esperar que o mundo lhe agradecesse. Na verdade, o sorriso das pessoas era suficiente para si, pelo menos conseguia fazer alguém feliz. Tinha um propósito.

"De nada." Lydia sorriu calorosamente outra vez e voltou para trás do balcão.

Elena foi até ela. "Muito obrigada por poderes vir este fim de semana, Lydia."

"Podes sempre contar comigo. Sabes o quanto adoro ajudar as pessoas." A ruiva lembrou-lhe.

"A tua mãe deve estar muito orgulhosa."

"Espero que sim." Foi sincera.

Lydia voltou ao trabalho. Pegou na colher de pau e mexeu a grande panela de sopa, passou rapidamente para a preparação das sandes, juntamente com Jason, o outro voluntário. E em menos de 2 minutos outra refeição caridosa estava pronta.

Assim como Lydia, também os fins-de-semana de Alexander eram extremamente ocupados, ou assim os seus pais gostavam. Sair de casa num fim de semana era um privilégio. Os pais de Alec adoram passá-los todos juntos, onde podem caçar animais, como uma grande família feliz e normal. O que quer que normal significasse, Alec não acreditava que existissem famílias normais.

"Ouviste falar do ataque do leão da montanha?"

Alec apanhou numa conversa.

Todos estavam a falar sobre isso e não demoraria muito tempo a chegar aos ouvidos do Conselho Azul, e então iriam comunicar o Conselho Vermelho e estes por sua vez iriam ordenar que os seus pais averiguassem a situação. Eles, então, iriam investigar se havia sido de facto um leão da montanha que matou os campistas no fim de semana anterior.

Alec sentou-se no banco do jardim, concentrado em mais detalhes na conversa dos dois idosos que pareciam demasiado vagabundos para estarem sentados num restaurante.

E foi então que Alec reparou na pequena figura que se aproximou do casal, cabelo preso num coque mal feito, vestia umas jeans e uma sweater, mas sim era ela. Lydia Jones. O seu cabelo sujo de vermelho não enganava. Na sua mão estava uma bandeja, onde vinham duas refeições. Ela pousou-as na mesa e a senhora sorriu-lhe calorosamente.

Alec então decidiu ouvir a conversa.

"Muito obrigada minha querida."

"De nada, Mary. Espero que gostem."

Era mesmo um sorriso sincero na cara da ruivinha.

"Oh, Lydia?" O senhor que acompanhava a Mary chamou-a.

"Sim, Peter?" Ela colocou uma mecha vermelha atrás da orelha.

"Não te queres sentar aqui um bocadinho e contar-nos como vai a escola?"

"Claro!" Lydia puxou a cadeira e sentou-se.

A conversa animada continuou. Lydia falou-lhes de todos os A+ que recebera ao longo daquele mês e do quão cansada ela estava por causa dos treinos de volley. Também mencionou a sua mãe, e a verdade é que Alec teve de olhar para ela umas quantas vezes, porque às vezes esquecia-se que era a rapariguinha rude da sua aula de biologia e de álgebra e de-

E então os olhos de Alec encontraram a placa acima do restaurante.

SOPA DOS POBRES.

E ali estava o pior. Ou o melhor. Ela era uma voluntária, a fazer refeições para os pobres.
Era Lydia Jones uma boa pessoa?

Apesar de cansada, a cair para o exausta, Lydia Jones arranjou maneira de se arrastar para a escola na segunda-feira. E isso era ago merecedor de aplausos.

"Por favor. Um encontro." Ela não conseguiu evitar rolar os olhos. "Vá lá Lydia. Resiste-me."

"Wes. Tu és resistível." A rapariga dos cabelos vermelhos bateu-lhe no ombro. "Tenta outra pessoa."

"Hey! Vais desejar teres dito que sim!" Wesley piscou-lhe.

Lydia lançou o seu cabelo para trás do ombro e sorriu-lhe antes de continuar a caminhar pelo corredor da escola.
Urgh. Quão persistente pode ele ser, pensou.
Era a quarta vês que Wes a convidava para um encontro, e todas as vezes ela o havia empurrado para a Amber, uma das suas amigas. Mas ele parecia não estar a entender a mensagem, ou então era simplesmente um lutador. Afinal o que ele tinha a perder? Ele tinha a eternidade.

Lydia abriu o seu cacifo, tirou os livros que lá tinha deixado. As suas costas estavam a queimar, um olhar fumegante em direção a ela que estava a ser, no mínimo, irritante. A rapariga fechou o cacifo, com força, e voltou-se. Era Alexander Mathews. Que novidade. Na última semana ele só tinha deitado olhares desconfiados e acusadores a Lydia. Se ele não gostava dela porque não deixava apenas de olhar?

"Qual é o teu problema, hein?" Lydia aproximou-se dele.

"Meu?" Alexander colocou a mão no seu peito, nunca saindo da sua posição.

"Sim teu. Porque continuas a olhar para mim?" Ela perguntou.

"Nada. Só gosto de avaliar as tuas ações." Respondeu como se fosse nada.

"Porquê? Num dos teus séculos formaste-te em Psicologia?" A rapariga dos cabelos vermelhos devolveu.

"Hm, não sabia que eras sarcástica." Alec olhou para o seu telemóvel. "Há outras personalidades de que eu deva estar ciente?"

"O que estás a insinuar, Alexander?" Lydia ficou confusa.

"Oh, tu sabes o nome do falhado, hm."

Lydia engoliu em seco. Era como se ele a estivesse a provocar, a trazer o seu verdadeiro eu ao de cima. Parecia que a queria desmontar, desfiar cada traço.

"Ouve, eu não sei o que-"

"Maninho! Lydia!" Ryan colocou um braço por cima dos ombros do Alexander, "Não sabia que se conheciam."

"Como é que vocês são irmãos..." Lydia revirou os olhos.

"É, aqui o Alexander é a ovelha negra da família."

"Ou então eu sou a única branca." Alec afastou-se do aperto do irmão.

"Sim, sim. São amigos?" Ryan apontou entre a rapariga e Alec.

"Não." Lydia retomou a sua pose, "Como eu ia dizer, não me dou com falhados."

E saiu a desfilar.

Alexander odiava-a, para dizer a verdade. Mas infelizmente, ela havia recebido outro A+. Ele já não podia chamá-la burra, embora todos os seus supostos amigos a continuassem a achar isso. Nunca, em tantos anos de existência, ele se tinha cruzado com alguém tão falso, superficial e ao mesmo tempo tão interessante. E Alec sabia que ela precisava de ser quebrada, ela estava a pedir por isso. E seria um prazer tirar-lhe a mascara.

Alec estava encostado ao carro cinzento, com os braços cruzados e os fones nos ouvidos. Foi quando o cheiro doce e delicioso despertou a sua parte nada humana. Nossa, seria possível ele nunca ter percebido o quão bem ela cheirava. E do nada deu por si a imaginar o quão bem saberia o seu sangue e-

"Que porra é esta?!" Lydia Jones tinha arrancado os seus fones. "Tu andas a perseguir-me ou quê?!"

"Quão educada, hein. Pensava que os populares não perdiam as estribeiras." Alec manteve os braços cruzados.

"Apenas sai da minha frente e deixa-me entrar no meu carro." Lydia tentou passar. Ele não deixou. "Ok. Vou chamar a PIP."

A PIP não era nada mais nada menos do que uma Polícia de Intervenção Pacífica. Havia uma em todas as cidades, era composta por vampiros e humanos, para assegurar que a vivência era pacífica entre ambas as espécies. Embora só houvesse uma família vampira por cidade, muitos conflitos podiam surgir.

Alec riu, "Que queixa vais fazer, hein? Um vampiro não me deixa entrar no carro?! Por favor."

A rapariga de cabelos vermelhos agarrou o telemóvel. Ele num rápido movimento sobrenatural arrancou-o da mão dela.

"Ouve, eu tenho um compromisso." Lydia tentou alcançar o seu telemóvel.

"Deixa-me adivinhar: Sopa dos pobres?"

Lydia Jones ficou parada, ela não se moveu, não argumentou.

"Queres denunciar-me em frente a toda a escola? Força. Mas eu preciso de ir para casa."

A voz dela era calma e estável. Ela apenas parecia que estava muito cansada, e foi quando Alec percebeu que a rapariga à sua frente poderia ser um pouco da mesma que ele tinha visto no restaurante. A mesma rapariga que é superinteligente e obviamente muito sarcástica quando está chateada.

"Eu não quero denunciar-te em frente a toda a escola, Lydia. Eu quero denunciar-te para ti mesma." Alec confessou.

"Eu não entendo. E a verdade é que também não quero saber." Lydia tirou as chaves do carro da mala.

"Tu és a rainha dos saltos e das malas aqui. Mas lá fora tu és Dora A Exploradora. E eu sei que algures dentro desse exterior frio e rude, está realmente uma alma bondosa." A ruivinha manteve o seu olhar preso no de Alec. "E também tenho a certeza que sou o único que sabe o quão inteligente tu és. E que quando acabares de te fazer passar por uma rapariga estúpida e burra, vais graduar-te e escrever um teorema matemático maluco e ganhar um prémio com o nome mais estranho à face da terra."

"Tu-"

"Mas até lá vais apenas ser uma grande farsa. É essa verdade, tu és uma grande farsa que tem amigos falsos que te irão abandonar assim que saíres dos saltos altos. Mas tu não te importas com isso, só te importas com o teu grande ego." E assim Alec terminou.

"Tu não sabes nada sobre mim." A voz dela estava trêmula.

"Não. Tu não sabes nada sobre ti, Lydia."

E então Alec colocou o telemóvel na mão da ruiva, deixando-a depois sozinha no parque de estacionamento.

Uma semana. E Lydia continuava a odiá-lo. Desde olhares acusadores, a comentários desnecessários, Alexander estava, sem dúvida, a exceder-se. Os amigos da rapariga de cabelos vermelhos, principalmente Octavia, começaram a questioná-la sobre o vampiro jeitoso que não tirava os olhos dela. Obviamente, eles pensavam que Alec estava interessado nela, mas Lydia sabia melhor do que isso. Ela sabia que ele a estava a despi-la, e não era no bom sentido.

"Ups."

Lydia não se atreveu a levantar a cabeça. Baixou-se e pegou nos seus livros, e conseguiu ver que ele fez o mesmo. Ela levantou-se rapidamente, fechou o seu cacifo, com força, e puxou os restantes livros das mãos enormes de Alexander.

"Não vais reclamar?" Alec não desistiu.

Lydia finalmente olhou-o, "Não argumento com falhados."

Mathews olhou-a de baixo a cima, um cabelo rebelde cobria-lhe um pouco o azulado dos olhos. A rapariga sentiu-se revoltada, ela gostava de admirar os seus olhos. Mas ficou com raiva de si mesma quando percebeu que a razão porque estava revoltada era porque não conseguia ver as duas pérolas azuis de Alec.

"Parece-me a mim que eu estou a ganhar o jogo."

A sua voz enviou um arrepio pela espinha de Lydia. Quando Alec continuou o seu caminho, os olhos verdes dela ainda permaneceram presos ao chão e foi então que ela percebeu o que ele queria dizer. Lydia estava a vestir calças pela primeira vez em anos.

Isso deixou Alexander entusiasmado, saber que estava a chegar à verdadeira Lydia, não sabia bem porquê. No entanto, não o ajudava com as questões de Biologia Aplicada.

"Quem me sabe dizer quem é o Pai da Genética?"

Alec afundou-se mais na cadeira. Ele não sabia a resposta e parecia que não era o único, e então de uma pequena cadeira no fundo da sala um braço tímido chamou a atenção do professor.

"Sim, Senhorita Jones?"

"Gregor Mendel." Ela mordeu o lábio com tanta força que Alec podia jurar que cheirava o sangue, "Eu acho."

"E acha muito bem!" O Sr. Styles elogiou. "Se vocês não sabem responder a uma pergunta tão fácil como esta como esperam passar à disciplina?"

"Extras?" Liam, capitão da equipa de Lacrosse, falou.

"E acha que isso é suficiente?"

"Eu esperava que sim." Ele admitiu.

Lydia estava sentada ao lado do rapaz, e forçou uma gargalhada. E Alec percebeu que, apesar de ela ter tido a coragem de mostrar que sabia a resposta, a única coisa que ela tinha mudado na última semana tinha sido a saia por um par de calças e isso, de algum modo, desiludiu-o.

"Bem, lamento desiludi-lo, Sr. Andrews." O professor devolveu com um sorriso cínico, "Vamos ao que interessa. Lei de Mendel, alguém sabe o que isso é ao menos?"

Alec olhou discretamente para a rapariga dos cabelos vermelhos, sabia perfeitamente que ela conseguia responder sem grande esforço. No entanto, deparou-se com a cena mais hilariante de sempre. Lydia estava a sussurrar ao ouvido da sua melhor amiga e a próxima coisa que Alec viu foi Octavia a colocar o braço no ar, com um sorriso triunfante.

"Senhorita Cooper?"

"Lei da Segregação independente, pois as características são independentes, ou seja, uma não depende da outra." Ela debitou.

"Muito bem!" O Sr. Styles exclamo, "Isto é o que vamos trabalhar o resto da semana, então preparem-se em casa para não fazerem figura de idiotas aqui."

A campainha tocou.

"Estão dispensados."

Quando o professor disse essas duas palavras metade da turma já se tinha levantado.
Alec era sempre o último a sair, assim como os populares que faziam da sala de aula um espaço de convívio. O Sr. Styles mandou-os sair, enquanto Alec tirava o seu termo da mala, ansioso para beber o que lá estava dentro, ele estava realmente esfomeado. O seu pequeno almoço tinha sido sangue de coelho e Alec odiava, mas os seus pais insistiam.

"Não você, Senhorita Jones." O professor chamou a ruiva.

"Sim, Sr. Styles?"

Alec demorou-se mais a fechar a sua mochila, e focou-se na conversa a acontecer a poucos metros de si. Não era preciso ser-se um vampiro para ouvir o sermão.

"Eu entendo que esteja a tentar ajudar a sua amiga, mas dizer-lhe a resposta não é ajuda-la, entende?" O Sr. Styles explicou. "A Lydia está a privá-la de aprender. Tente antes umas explicações."

"A Octavia é... complicada, ok? Ela sabia a resposta, eu só a lembrei. Ela é distraída e-." Jones tentou justificar-se.

"Ouça, Senhorita Jones, Octavia precisa de trabalho e estudo e eu duvido que ela faça alguma dessas duas coisas." O professor sorriu calorosamente, "Ela é sua amiga e eu entendo que queira protegê-la, mas é mesmo essa a solução?"

"Eu-."

"Pense sobre isso e da próxima vez se souber a resposta não hesite, Lydia."

A rapariga ficou no mesmo sítio, olhou o Sr. Styles sair da sala. Ela respirou fundo e agarrou os seus livros com mais força contra o peito.

"Problemas em manter a máscara?" Alec não se conteve.

Lydia voltou-se. "Urgh, tu outra vez."

"O professor está certo e tu sabes. Ao continuar com isto tu não estás a ajudar ninguém."

"Sim, eu já sei o que tu pensas." Ela rolou os olhos, "Mas estás errado, ok? Eu sei que tu pensas que eu estou presa por detrás desta máscara, nesta fantasia tão típica da nossa espécie, mas é mais do que isso. É sobre ser alguém."

Alexander continuou a olha-la mesmo quando ela desviou os olhos verdes para outra parte da sala. Ele humedeceu os lábios, então.

"Nem todos nós somos imortais. A vida é um desperdício se tu tentas ser tudo menos aquilo que és, Jones."

"Eu sou assim." Lydia olhou-o uma última vez.

Alec balançou a cabeça quando ela saiu da sala.
Sim, aquela era quem ela era: honesta, inteligente, prestável, bondosa. Ali, naquela sala de aula, por apenas cinco minutos Alexander viu quem Lydia realmente era.

Notas finais
Comentem para eu saber o que estão a achar! Podem deixar sugestões e críticas também! xd