Notas iniciais
Mais um capítulo...

Depois de a deixar no quarto Carlisle volta para a sala.
- Ainda estás aqui? – pergunta sentando-se no sofá junto de Marcus.
- Não tenho muito sono. A hóspede é muito bonita, não achas? – pergunta piscando o olho para Charlie que lhe está a servir um licor. – E fala muito bem inglês, parece uma verdadeira inglesa.
- É, fala muito bem. – concorda Carlisle pensando na voz melodiosa dela.
- E é bonita. – insiste Marcus.
Carlisle olha para ele com ar de gozo.
- Não sei onde é que queres chegar, tio.
Ele ri.
- Tens vinte e nove anos…
- Ainda sou um jovem. – interrompe Carlisle a rir.
Marcus ri.
- E ela é uma miúda interessante.
- Ah, estás armado em casamenteiro. – goza Carlisle.
- Estou só a dizer que era bom se gostasses dela e ela de ti. Ficavam bem um para o outro. E ela é muito simpática, sorridente e interessa-se pela história como tu. Fazem um belo casal.
- Pronto, já percebi, está mesmo armado em casamenteiro.

Esme acorda às sete.
Espreguiça-se e sorri.
“Estou numa casa maravilhosa, com um homem maravilhoso.”
Levanta-se e vai tomar um duche.
Veste umas calças de ganga justas, uma t-shirt roxa e preta e uns ténis pretos. Põe uns brincos pretos em forma de rosa e umas pulseiras roxas e pretas.
Quando está pronta vai até à cozinha.
- Bom dia! – cumprimenta.
Sue, Alfred e Carmen viram-se para ela.
- Bom dia, senhora. – cumprimenta Carmen.
- Bom dia. Levantou-se cedo. – comenta Alfred.
- Bom dia. Necessita de alguma coisa? – pergunta Sue.
- Vinha só buscar um copo de leite. – diz sorrindo.
- Eu trato disso já. – oferece-se Sue. – Quer uns scones quentinhos acabados de sair do forno.
- Bem… Pode ser. E não precisava de estar com esse trabalho, eu posso preparar o leite não me custa nada.
- Nós estamos aqui para isso. – diz Alfred.
- Vá andando para cima que eu já lhe levo o pequeno-almoço ao quarto. – diz Sue.
- Não ponha muitos scones, senão vai-me engordar. – diz Esme sorrindo.
- A menina está ótima, vá andando que eu já lhe levo.
Que remédio tinha ela senão obedecer. Volta para o quarto e enquanto espera liga o computador.
Pouco depois batem à porta.
- Entre. – diz.
Carmen entra com um tabuleiro poisa-o em cima da mesinha junto ao sofá. O tabuleiro tem um prato de scones, um copo de leite, um frasquinho com manteiga e outros três com doce e ainda dois pratos com qualidades diferentes de bolachas.
- Isto chega para alimentar um exército! – exclama Esme levantando-se.
Carmen encolhe os ombros.
- A Sue é mesmo assim.
- E eu que só queria um copo de leite. – sorri para Carmen. – Obrigada, podes comer uma. – oferece-lhe uma bolacha.
- Deixe estar, eu tenho lá em baixo se quiser.
- Aceita, eu não vou comer nem metade disto.
Carmen pega na bolacha.
- Obrigada. Estou lá em baixo se precisar.
Sorri e sai.
Esme senta-se no sofá.
- Até já perdi a fome. – diz para si própria.
Pega num scone e começa a mordisca-lo.
Vira-se para o espelho alto junto ao armário e dá um salto de susto. Em frente ao espelho não está ninguém, mas no espelho como se estivesse alguém em frente a este está uma rapariga, a mesma da noite anterior, com um vestido azul os cabelos soltos, um homem de cabelo louro e olhos azuis, extremamente parecido com Carlisle está a pentear-lhe os longos cabelos louros e a rapariga está a sorrir.
No segundo seguinte já não está lá nada.
Esme aproxima-se do espelho e vê apenas o seu reflexo. Desde os cabelos arruivados aos ténis pretos.
- Devo estar a ficar maluca. – pensa em voz alta.
De repente ouve as teclas do computador, vira-se para a secretária e está a aparecer uma frase no ecrã como se alguém estive-se a escrever. “Tem cuidado. Esta é a tua casa. Tens de a proteger.”
Esme caminha até ao portátil poisado na secretária.
- Eu não estou maluca, está uma frase aqui escrita. – arrepia-se. – É impossível. Não pode ser. – murmura.
Apaga a frase e volta a sentar-se no sofá.
- Tem cuidado. Esta é a tua casa. Tens de a proteger. – repete a frase que leu. – O que quererá isso dizer?
Come mais um scone, três bolachas e bebe o leite. Chega a conclusão que é melhor não dizer nada a ninguém. “Carlisle iria achar que sou maluca” pensa. “Não vou dizer nada”.

A meio da manhã Carlisle vai até ao quarto de Esme. Não a quis incomodar antes, afinal ela disse que passaria a manhã toda a escrever.
Bate à porta e entra, ela está na secretária a escrever no computador. Vira-se assim que o ouve entrar.
Ele não pode deixar de reparar em como ela está bonita, em como a camisola se ajusta perfeitamente ao corpo dela.
Esme sorri. Ele está lindo com uma camisa verde arregaçada até ao cotovelo e umas calças de ganga escura.
- Bom dia, espero não a ter interrompido. – começa.
- Oh, não. – é a única coisa que consegue dizer, porque ele está a olhar para ela e fá-lo com desejo.
- Não estou mesmo? – procura ele confirmar.
O cabelo dela está apanhado num carrapito dando-lhe um ar mais profissional.
- Claro que não. – levanta-se. – Precisa de alguma coisa?
- Vim apenas ver como está. Não tomou o pequeno-almoço connosco.
- Acordei cedo. – sorri. – Muito cedo e como estava inspirada comecei logo a escrever.
- Não comeu? – pergunta ele preocupado.
- Comi. – ri-se. – A sua governanta trouxe-me um pequeno-almoço que chegaria para um exército e era capaz de ainda sobrar.
Ele ri.
- A Sue é mesmo assim.
Ela ri.
Ficam a olhar um para o outro durante uns momentos em silêncio.
Ela acaba por se afastar sentando-se no braço do sofá.
- E então queria dizer-me alguma coisa? – pergunta tentando quebrar o silêncio desconfortável.
- Só a queria convidar para dar um passeio no jardim. – diz ele. – Quer vir?
Esme pensa em dizer que sim. “Porque não um passeio com este homem bonito?” Pensa. “Mas tenho um livro para escrever. E de qualquer forma este homem é demasiado atraente. Não vou ter nada com um inglês, especialmente porque não vivo aqui. Estou aqui em trabalho. Apenas em trabalho.”
- Agora não me dá muito jeito… – desculpa-se.
Uma réstia de desilusão passa pelo rosto dele fazendo Esme arrepender-se do que disse.
- Muito bem. – diz ele. – Só pensei que gostasse de ver os jardins. Ontem já não tivemos tempo e…
- Talvez mais tarde. – acaba ela por dizer.
“Vai” ouve uma voz melodiosa de mulher dizer atrás dela e sente um sopro perto do pescoço. Dá um salto levantando-se.
- Está tudo bem? – pergunta Carlisle assustado com a reação dela.
Ela olha para o sofá. Não está lá ninguém.
- Eu… eu… – começa mas depois interrompe-se. “Ele vai achar que sou maluca” pensa. – Nada, esqueça. Gostaria muito que me mostrasse o jardim logo à tarde.
“Vai, vai agora” ouve a mesma voz atrás de si. Dá outro salto e olha para trás, mas não vê ninguém.
- Por favor diga-me o que se passa. – pede Carlisle preocupado.
- Pareceu-me ouvir qualquer coisa. – acaba por admitir Esme.
- O quê? – pergunta ele.
- Não sei bem. Pareceu-me ouvir uma mulher. – explica.
- Uma mulher? – pergunta ele.
- Não sei. Esqueça. – pede Esme. – Deve achar que sou maluca ou coisa assim para andar a ouvir coisas.
Carlisle podia ter achado isso, mas o rosto dela é tão verdadeiro, tão honesto. Ela ouviu qualquer coisa, disso ele tem a certeza. Mas o que poderá ter sido?
- Não penso nada disso. – assegura ele. – Talvez esteja apenas cansada. Talvez precise de descansar.
“Isso pensei eu ontem à noite” pensa Esme.
- Leve-me a passear no jardim. – pede.
- Agora? – pergunta ele espantado com a mudança de resposta.
- Talvez precise mesmo de descansar. – sorri para ele tentando esquecer o que aconteceu minutos antes. – Mostre-me o jardim. Gostaria imenso de o ver. E talvez tenha mais ideias para o meu livro.