Amor Eterno

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Espero que gostem.

Na manhã seguinte Esme acorda nos braços de Carlisle mais uma vez. Não há dúvida que a relação deles está a ficar mesmo muito séria. Esme não se devia envolver tanto sem saber no que vai dar. Mexe-se e sente uns braços a aperta-la.
- Querias fugir de mim. – brinca ele.
Esme vira-se para ele.
- Pensei que ainda estavas a dormir. – desculpa-se.
- E por isso ias escapulir-te silenciosamente. – põe-se em cima dela.
- Claro que não, amor.
Carlisle sorri. Ela chama-o tão poucas vezes de amor que às vezes pensa que ela não sente o mesmo.
- Diz outra vez. – pede beijando-lhe o pescoço.
- Digo o quê?
- Aquilo que disseste ainda agora.
- Claro que não, amor. – repete confusa.
- Só a última parte. – pede mordiscando-lhe a orelha.
Ela ri.
- Não faças isso.
- Faço.
- Carlisle, pára, por favor.
- Só se disseres que me amas.
- Amo-te, meu amor.
Ele olha para ela.
- Diz outra vez.
- Meu amor, minha vida, meu homem, meu príncipe, meu rei, meu cavaleiro.
Ele ri e poe-a por cima dele.
- Amo-te minha Esme, meu coração.
- Coração? – pergunta ela pondo a cabeça de lado.
- É um termo carinhoso para dizer que és o meu amor. Não gostas?
- Gosto muito. Nunca ninguém me tinha chamado assim.
- Eu chamar-te-ei todos os nomes bonitos que existirem em todas as línguas porque és a minha vida Esme.
Ela limita-se a sorrir. Ele também é a vida dela. Mas a relação deles é tão confusa. Ambos sabem que ela vive em Portugal e que voltará para lá no final do mês, mas não falam nisso. Nenhum dos dois consegue iniciar essa conversa e então preferem ficar calados. Aproveitarem os dias que teem juntos. Esme só se pergunta o que irá acontecer depois. Ele irá deixa-la ir? Ela terá coragem de o deixar?
- Gostava muito de saber em que tanto pensas, meu amor. – murmura Carlisle passando a mão no rosto dela.
Ela sorri tentando mostrar-se descontraída.
- Estou a pensar que gostava de ir a Wingfield e a Tutbury. – diz a primeira coisa que lhe vem à cabeça, que acaba por ser verdade. Para o seu livro dava-lhe jeito ir tanto a Wingfield como a Tutbury.
- Podemos ir lá esta tarde se quiseres.
- Se tiveres outra coisa para fazer eu posso ir com o motorista.
- Não tenho nada para fazer e a única coisa que quero é estar contigo.

Depois do almoço, Carlisle e Esme vão até Wingfield no carro dele, um Mercedes preto com vidros fumados.
- Que chique. – murmura ela ao ver o carro. – E que cavalheiro. – comenta quando ele lhe abre a porta.
Ele dá a volta e num instante já está sentado em frente ao volante.
- Conduzes? – pergunta-lhe.
- Não. – sorri. – Nunca tive coragem de ir aprender. Acho que nunca conseguiria guiar.
Ele sorri.
- É bastante fácil. – diz olhando para ela. Está tão linda. Tem umas calças pretas muito justas, um top rosa igualmente justo, um casaco de manga curta preta e uns sapatos de salto pretos.
- Olha para frente, Carlisle, senão vou começar a achar que é perigoso andar contigo.
Ele ri e arranca com o carro.
- És um perigo, Esme.
- Eu? Tu é que ias guiar a olhar para mim.
- A culpa é tua por seres tão bonita.
Em quinze minutos estão em Wingfield.
Carlisle fala com o guia, que já o conhece, e arranja uma visita guiada pelas ruinas, só com ela.
Esme nunca tinha estado ali. Podem ser só umas ruínas, mas para ela teem bastante significado. O guia explica tudo, desde donde era o salão, até onde ficava o quarto de Mary Stuart.
Carlisle não tira os olhos de Esme. Ela tira fotos a todos os recantos. Vê-se que é uma apaixonada por aquilo e que está absolutamente feliz por estar ali.
Quando acaba a visita eles seguem para Tutbury. Carlisle consegue outra visita guiada e vão novamente só os dois com o guia.
No final vão lanchar num café que há mesmo ao pé das ruinas do castelo.
- Gostaste? – pergunta ele mesmo sendo desnecessário, é evidente o contentamento no rosto de Esme.
- Adorei. Obrigada por me teres trazido. – põe a mão sobre a dele. – Obrigada por me teres deixado ficar na tua casa e por me estares a mostrar tudo isto. Obrigada por seres tão simpático e por me compreenderes e teres paciência para as minhas paixões.
Ele sorri.
- Esme, eu… eu…
- Sim? – incentiva.
- Vem viver comigo.
Aquele pedido apanhou-a de surpresa. Tira a mão da dele e fica a olha-lo com espanto.
- O quê?
- Estou a dizer-te que adorava que viesses viver comigo. – respira fundo. – Esme eu amo-te como nunca amei ninguém. Já não consigo viver sem ti. És a minha vida. Não consigo imaginar a minha casa sem ti. Não consigo imaginar a minha vida sem te ter aqui comigo. Esme, eu nunca senti isto por ninguém. Namorei com muitas, mas com nenhuma o sentimento foi tão forte. Tão intenso. Amo-te. Quero que vivas aqui comigo. Quero ver-te todos os dias a descer a escadaria da minha sala. Quero ver-te a ler todos os livros da minha biblioteca. Quero ver-te a ver os filmes todos que eu tenho. Quero que andes a cavalo comigo. Quero que brinques comigo naquele parque que é só nosso. Quero casar contigo. Quero ter filhos contigo. Quero amar-te, Esme, quero amar-te para sempre, eternamente.
Ela fica a olhar para ele, boquiaberta.
- Carlisle, apanhaste-me de surpresa. – murmura.
Ele sorri.
- Aceitas, meu amor?
- Desculpa, mas é demasiado cedo. – diz séria. – Conhecemo-nos na segunda. Eu não posso aceitar um pedido desses. É muito cedo, Carlisle.
O sorriso desaparece do rosto dele. Carlisle pensara que ela iria aceitar.
- Quer dizer que não sentes por mim o que sinto por ti. – diz desanimadamente.
- Não é isso. – jura. – Eu amo-te muito.
- Então porque dizes que não?
- Porque é cedo demais.
- Se me amasses tanto como te amo não dizias isso.
- Carlisle eu amo-te. Como podes duvidar do meu amor por ti?
- Não me amas senão aceitavas viver aqui comigo.
- Carlisle é muito cedo…
- Para mim não é porque sei que és a mulher da minha vida, Esme. Mas pelos vistos estava enganado em relação a ti.
- Carlisle, eu…
- Deixa, esquece. É só que eu pensei que tínhamos qualquer coisa séria. Afinal dormimos juntos várias vezes. Não costumo ir para a cama com uma mulher dias depois de a conhecer. Fiz isso contigo porque percebi que o que sinto por ti é diferente. Pensei que sentias o mesmo, mas afinal eu sou só uma diversão, não é? Passas aqui uns dias e aproveitas para te divertires um bocado.
- Como podes dizer isso? – Esme tem lágrimas nos olhos.
- Eu o que eu vejo. Esquece-me. – sai da mesa e caminha até ao carro.
Esme está praticamente a chorar. Faz um esforço para conter as lágrimas.
Durante o caminho para casa vão os dois num silêncio desconfortável.
Assim que chegam Esme vai para o quarto sem dizer nada.
- O que aconteceu? – pergunta Marcus ao sobrinho vendo Esme passar por ele em passos rápidos.
- Discutimos. – responde simplesmente Carlisle.
- Posso perguntar porquê?
- Eu convidei-a para vir viver comigo e ela respondeu que era demasiado cedo.
- E?
- E eu chego à conclusão de que ela não me ama. Eu sou apenas uma brincadeira para ela se divertir um bocadinho enquanto está aqui. – responde Carlisle irritado.
- Ela não faria isso…
- Como é que sabes? Ela é uma desconhecida para todos nós. É realmente demasiado cedo tê-la convidado para vir viver comigo. Mal a conheço.
- E agora? – pergunta Marcus vendo que o sobrinho está decidido.
- Agora vou para o meu escritório tratar da papelada dos negócios e amanhã vou voltar para Londres. – decide, “se ela não quer ficar comigo então é melhor eu afastar-me o mais possível dela para não sofrer mais” pensa.
- E a Esme?
- Ela pode ficar o tempo que quiser. Agora vou para o escritório e não quero ser incomodado.
Sobe as escadas em passos rápidos.
“Vocês ainda vão fazer as passes até amanhã” pensa Marcus mostrando-se confiante.

Esme está no quarto a arrumar as roupas na mala. Não quer ficar naquela casa com um ambiente assim. Como é que ele alguma vez pôde pensar que ela estava apenas a brincar com os sentimentos dele? “Eu amo-o. Só acho que é demasiado cedo. Como é que ele pode ter pensando que eu nunca o amei?” Pensa sem se preocupar com a maneira como está a arrumar a roupa.
Ouve uma pancada na porta.
- Entre. – murmura irritada.
Marcus entra lentamente no quarto.
Ela pára de atirar as peças de roupa para a mala e volta-se para ele.
Marcus avalia calmamente a roupa espalhada sobre a cama e a mala em cima do sofá.
- Vai-se embora? – pergunta sabendo a resposta.
- Vou. – responde ela decididamente.
“Não a posso deixar ir” pensa Marcus “Ambos se irão arrepender do que estão a fazer.”
- Então e o seu livro?
- Posso escreve-lo em Portugal.
- Esme, eu sei que está chateada. – senta-se numa das poltronas. – O meu sobrinho ama-a, tal como você o ama. Ele interpretou mal a sua recusa, falem com mais calma. Quando estiverem ambos mais calmos e vai ver que tudo se resolve.
Ela senta-se no sofá.
- Ele não acredita que o amo.
- Ele ficou magoado.
- Também eu.
- Esme. – Marcus pega-lhe na mão. – Se você se for embora agora vai-se arrepender, tal como ele se a deixar ir. Fale com ele com calma e tudo se resolverá. Não deixe que um amor tão bonito acabe desta maneira. Se se for embora, ele não a encontrará e por orgulho você também não voltará e tudo acabará assim. Mais uma história de amor que acaba mal nesta família. Carlisle casará com uma qualquer que apareça por aí e que só estará interessada no dinheiro dele e nunca será feliz. Você talvez acabe também por casar com um homem simpático que se apaixone por si, mas nunca nenhum dos dois será verdadeiramente feliz. – levanta-se. – Pense bem no que lhe disse.