Notas iniciais
espero que gostem e comentem.

Meia hora depois Carlisle bate à porta do quarto de Esme. Esteve a fazer tempo para ela se arranjar, mas já não aguentava esperar mais.

Ela abre a porta. Está maravilhosa. Tem umas calças de ganga escura muito justas, uma camisola verde simples de manda comprida e uns ténis pretos. Está neste momento a apertar um casaco preto de desporto.

- Ia agora mesmo chamar-te. – diz sorrindo.

- É bom ver que estás mais sorridente.

Ela encolhe os ombros, não podia deixar de sorrir só de olhar para ele. Está com a mesma roupa que tinha de manhã, só acrescentou uma camisola castanha por cima da camisa.

- Vamos?

Ela assente e caminham juntos até ao jardim.

- Onde vamos? – pergunta ela não conseguindo conter mais a sua curiosidade quando vê que se estão a ir na direção dos estábulos, a zona onde já não há jardim e começa a aparecer uma floresta.

- Surpresa.

Ela ri.

- Diz lá. – pede fazendo beicinho.

Ele desvia o olhar.

- Não vou ceder. Só irás saber quando chegares.

Caminham calados ao lado um do outro.

Esme pensa em tudo o que tem acontecido. Nas frases estranhas e no casal medieval. As frases eram frases convidativas a ficar nesta casa, dava a intender que quem quer que as escreve-se queria que ela continua-se ali. Mas depois a cena do quadro. Parecia precisamente o contrário. Queria que ela se fosse embora.

Por sua vez Carlisle entretinha-se a observa-la.

- Estás tão pensativa. – comenta ocasionalmente quando começam a entrar na floresta.

Ela encolhe os ombros e olha em volta.

- É por aqui?

- Sim, porquê?

- Nunca andei assim numa floresta. – confessa. – Parece coisa de livros.

Ele ri.

- Só temos de seguir este trilho. – explica apontando para o chão, onde no meio das ervas se vê um trilho de terra.

- É tua? – pergunta curiosa.

- Faz parte do terreno da casa. Logo é minha propriedade.

- Mas é enorme.

Ele encolhe os ombros.

- Já me habituei. – pega-lhe na mão.

Ela olha para as mãos unidas e depois para ele.

- É para não te perderes. – desculpa-se fazendo-a rir. – Agora podes dizer-me em que pensavas?

Ela abana a cabeça.

- Não é nada.

- Conta-me, por favor.

- Vais achar que sou ainda mais maluca do que o que achas.

- Não acho que sejas maluca, nem vou achar. – jura ele.

Esme respira fundo e decide arriscar.

- Desde que cheguei que tenho presenciado coisas estranhas. – começa.

- Que tipo de coisas?

- Tipo, fantasmas.

Olha para o rosto dele para lhe tentar avaliar a expressão. Tem uma expressão curiosa, nada mais.

- Fantasmas? – repete ele. Mas não num tom de gozo e sim num tom de curiosidade o que deixa Esme mais a vontade.

- Sim. Na primeira noite depois do jantar olhei-me ao espelho e não vi o meu reflexo e sim uma mulher com olhos azuis e cabelo louro, vestida com roupas medievais. No dia seguinte de manhã vi a mesma mulher a ser penteada por um homem muito parecido contigo e apareceu misteriosamente uma frase no ecrã do meu computador, dizia assim: tem cuidado, esta é a tua casa, tens de a proteger. Depois mais tarde quando estava na varanda vi o mesmo casal a passear no jardim, ele apanhou uma flor e prendeu-a no cabelo dela, depois apareceu a Melissa para me chamar para o almoço e distrai-me, quando voltei a olhar eles não estavam lá, mas estava uma rosa no chão, que não estava antes. Hoje de manhã estava na biblioteca depois de saíres e apareceu uma frase escrita num bloco que estava poisado na mesa. Dizia assim: não o percas. – baixa os olhos. – Foi por isso que tentei ir atrás de ti, mas a cabei por me perder e aconteceu aquilo com o quadro e o resto já sabes.

Olha de lado para Carlisle. Ele não a olha com a cara de quem não acredita, mas sim com um ar de compreensão.

- Talvez sejam antepassados da minha família. – acaba por dizer.

- E porque me apareceriam a mim? – pergunta Esme.

“Talvez porque querem que fiques aqui comigo”, pensa.

- Não sei. – diz em voz alta.

- Mas no início parecia que eles me queriam lá em casa, mas depois aquilo do quadro parecia precisamente o contrário. – continua Esme. – Será que eles mudaram de ideias? E porque é que me avisaram para ter cuidado e para proteger a casa? E depois para não te perder? – completa corando.

- Não sei. – é realmente tudo muito estranho. Mas ela está a dizer a verdade, ele sabe que está. – Temos muito tempo para pensar nisso. – declara sorrindo. – Agora vamos aproveitar.

Ela repara que estão ao pé de um rio. Um barco está encostado a uma árvore e tem os remos.

- Também é teu? – pergunta ela aproximando-se do barco.

- É. – diz sorrindo. – O meu pai e os meus tios quando eram novos vinham muitas vezes pescar para aqui.

- Vamos nele? – pergunta ela um pouco a medo.

- Vamos. Já é um barco velho, mas está em perfeitas condições e foi pintado há pouco tempo. – aproxima-se dela e passa-lhe a mão no rosto. – Tens medo?

Ela faz um pequeno sorriso.

- Um pouco. Nunca andei num barco a remos.

Ele sorri.

- Estarás segura comigo. Prometo.

Ela assente.

Carlisle põe o barco na água, entra e oferece a mão a Esme para a ajudar a entrar.

Ela acomoda-se no centro do barco e ele começa a remar.

O barquinho anda devagar pelo rio, deslizando suavemente.

“É romântico.” Pensa Esme olhando para as águas do rio.

Em menos de dez minutos estão do outro lado.

Carlisle oferece-lhe a mão para a ajudar a sair. Depois puxa o barco para terra.

Caminham de mãos dadas pelo meio da floresta não se afastando do trilho.

Ao chegar ao topo do monte, Esme depara-se com um parque infantil feito numa clareira. Como estão no cimo de um monte a vista é maravilhosa. Também sopra bastante vento que faz com que o cabelo de Elizabeth rodopie. O parque infantil é constituído por um escorrega, dois baloiços, uma roda e um balancé.

- Meu Deus! Nunca vi nada assim.

Ele sorri vendo o deslumbre dela.

- O meu pai mandou faze-lo para mim.

- Mas que sorte a tua. Qualquer criança gostaria de ter um parque só para si.

- Não tive assim tanta sorte. – ela vira-se para ele e vê os seus olhos tristes. – O meu pai mandou faze-lo para compensar o pouco tempo que passava comigo. Tal como me deu uma enorme quantidade de brinquedos. Claro que não compensava. – encolhe os ombros. – Eu brincava sempre sozinho.

Esme olha para o parque. Imagina-o a brincar sozinho ali. Sem mais nenhuma criança, sem nenhum amigo, sem ninguém a observa-lo e a sorrir para ele por o ver brincar.

Caminha até ele.

- Brinca comigo. – pede.

- O quê? – pergunta surpreso.

- Vamos brincar os dois. Há anos que não ando de baloiço. – pega-lhe na mão e puxa-o para os baloiços.

Senta-se num e começa a baloiçar as pernas para dar balanço ao baloiço.

- Anda, vamos ver quem vai mais alto. – incentiva ela.

Carlisle sorri, senta-se no outro baloiço e começa a dar balanço.

- Estou a ganhar. – grita Esme sorrindo.

Carlisle abranda o baloiço até parar.

- Desisto. – anuncia rindo.

- Vou saltar. – grita Esme. – Apanhas-me?

Ele põe-se à frente do baloiço a uma certa distância.

- Apanho. – garante.

- Apanhas mesmo? – procura confirmar Esme.

- Claro que sim. Salta.

O baloiço vai para trás e quando vem para a frente ela solta-se e salta com os olhos fechados. Quando dá conta sente uns braços fortes à volta dela.

- Apanhei-te. – diz ele sorrindo. Dá-lhe um beijo leve nos lábios.

Ela abre os olhos quando ele os afasta.

- Apanhaste-me. – “e beijaste-me” pensa.

- Seria incapaz de te deixar cair. – poisa-a no chão devagarinho.

Ficam assim abraçados a olhar um para o outro durante uns momentos. Devagar como se quisesse ter a certeza de que ela não vai fugir, ele volta a encostar os lábios aos dela. Sem conseguir resistir àqueles lábios suaves, doces e carinhosos Esme corresponde ao beijo. Carlisle aperta-a mais contra ele e intensifica o beijo.

Acabam por separar os lábios por falta de ar, mas não afastam os corpos um milímetro que seja.

- Se calhar não devia… – murmura Carlisle sem se afastar.

- O culpado não foste tu. Não me obrigas-te a beijar-te.

Ele sorri.

- Estou perdoado?

- Só se me deres outro. – diz Esme com um sorrisinho provocador.

Carlisle sorri com a resposta dela e beija-a intensamente voltando a deixa-la sem ar.

Ouve-se um trovão ao fundo.

- Vem aí trovoada. – diz Carlisle olhando para o céu. – Temos de ir para casa.

- Estava a gostar tanto de estar aqui. – faz beicinho.

- Podemos voltar sempre que quiseres. – promete ele. – Agora vamos, não quero que apanhes chuva.