Notas iniciais
espero que gostem

Esme é a primeira a afastar-se.
- Isto não devia ter acontecido. – murmura afastando o cabelo do rosto.
- Podemos falar sobre o assunto. – pede Carlisle.
- É melhor não, vamos deixar as coisas como estão, fingir que isto nunca aconteceu, é melhor assim.
- Achas? – ele não quer nem por nada fingir que nunca a beijou.
- É melhor para os dois. – afirma com pouca convicção.
- Muito bem. – Carlisle ficou um pouco magoado. – Eu vou deixa-te trabalhar.
Ele sai deixando-a sozinha.
Esme senta-se numa das poltronas e afasta o cabelo do rosto.
Suspira.
“Eu não posso fingir que isto não aconteceu, porque aconteceu e eu gostei. E quero que aconteça outra vez.” Pensa.
De repente num bloco que está poisado na mesinha junto à poltrona aparece uma frase escrita com a caneta que estava ao lado que faz Elizabeth dar um salto.
"Não o percas."
- Não o percas. – murmura Esme olhando para o bloco. Olha em volta, a sala está vazia, pelo menos aparenta estar. – Que raio! – exclama. – Se alguém me está a pregar uma partida não estou a achar piada.
Olha novamente para o livro.
- Não o percas. – murmura pegando no bloco. – Não o vou perder.
Volta a poisar o bloco e sai para o corredor pela porta da biblioteca.
Anda um pouco às voltas pelo andar de cima antes de perceber que não sabe como voltar ao andar de baixo.
Suspira frustrada.
“Tinha a casa de ser tão grande e tão confusa.” Pensa.
Acaba por ir dar à sala dos quadros onde já tinha ido com o Carlisle.
“Devo estar perto das escadas.”
Entra na sala dos quadros lembrando-se de que esta tem duas portas e talvez as escadas sejam do outro lado.
Os olhos dela passam pelos quadros e param no de Elizabeth I.
Parece que a está a fitar tal como da outra vez.
“Já devo estar a imaginar coisas.”
Desvia o olhar do quadro e dá-lhe a impressão de que os olhos mexeram.
Olha novamente.
Os olhos mexem tal como lhe pareceu. Mexem para a esquerda, para a direita e depois fixam-se nela.
Uma gargalhada baixa e assustadora parte do quadro.
"Esta casa é minha, sai daqui. A casa é minha. Ouve-se baixo mas numa voz assustadora de mulher, seguida de outra gargalhada."
Esme está a tremer, sai da sala a correr pela porta contrária à que entrou e vai dar com as escadas, que desce aos tropeções. Continua a descer até ao último andar onde esbarra com o Carlisle.
- Esme! – exclama ele surpreso segurando-a.
Ela abraça-o.
Carlisle sente que ela está a tremer e abraça-a também.
- Que foi? Que se passa? – pergunta preocupado por a ver tão assustada.
Ela esconde a cabeça no peito dele. Só quer sentir aqueles braços à volta dela. Sente-se segura sempre que está perto dele.
- Esme, calma. – Carlisle beija-lhe o topo da cabeça com carinho. – Conta-me o que se passa.
Charlie e Sue aproximam-se.
- Está tudo bem? – pergunta Sue.
- Isso gostava eu de saber. – diz Carlisle. – Diz-me o que se passa minha Esme.
Marcus que estava na sala aproxima-se também.
- Minha querida, o que aconteceu? – pergunta a Esme com carinho.
Isabella e Carmen estão à entrada da sala de jantar onde estavam a pôr a mesa para o almoço. Isabella sabe que a irmã desapareceu há cerca de uma hora, só não sabe é para onde foi. E agora aparece a senhora tão assustada. “Será que Victoria tem alguma coisa a ver com isto?” Pensa Isabella olhando tristemente para Esme que está agarrada ao patrão, ela também gostava de estar assim nos braços dele. "Mas é claro que Carlisle nunca olharia para mim, Esme é muito mais bonita."
- Vamos conversar com calma, Esme. – ele põe um braço em volta da cintura dela e leva-a até à sala, senta-a cuidadosamente no sofá e ajoelha-se aos pés dela. – Conta-me tudo, com calma. – pede agarrando-lhe na mão.
Esme não tira a mão. Sente-se melhor assim. Sente-se menos sozinha.
- Eu saí da biblioteca. – começa. – Acabei por me perder na confusão de salas e corredores e fui dar à sala dos quadros, sei que perto da sala à uma escada. Então entrei na sala e o quadro de Elizabeth I parecia que me estava a fitar e de repente mexeu os olhos. Depois deu uma gargalhada assustadora e disse que a casa era dela e que eu não devia estar aqui.
Carlisle olha para Marcus. Os empregados entreolham-se.
- Devem estar todos a achar que eu sou maluca, já percebi. – murmura ela.
- Ninguém está a pensar nada disso. – garante Carlisle. – Vamos lá a cima ver. – decide.
- Não sei se é boa ideia. – murmura Esme.
- Podes ficar se preferires. – diz meigamente passando-lhe a mão na face.
- Não eu vou. – diz Esme muito depressa, não se quer afastar dele.
Continuando a agarrar-lhe na mão, Carlisle guia-a até à sala dos quadros. Marcus, Charlie, Sue e Isabella vão com eles.
Carlisle pára junto ao quadro de Elizabeth I. Está perfeitamente quieta como deve estar e os olhos são iguais aos dos outros quadros.
- Agora é diferente. – murmura Esme. – Há pouco parecia que ela me fitava, agora não tenho essa sensação.
Disfarçadamente Victoria junta-se aos que estão na sala. Isabella olha para ela com um ar de interrogação.
- Bem, parece que está tudo em ordem. – diz Marcus.
- Mas eu vi. – murmura Esme.
- Pode ter imaginado. – sugere Charlie.
Esme olha para ele com uma sobrancelha levantada.
- Eu não sou maluca. – diz convicta.
- Claro que não. – concorda Carlisle.
- O almoço vai ser servido. – anuncia Carmen.
Os empregados começam a sair.
- Vem. – convida Carlisle oferecendo-lhe a mão novamente.
- Eu fico mais um pouco. – murmura olhando para o quadro. – Já vou.
- Mas não sabes o caminho. – lembra ele.
- Agora já sei. Daqui é só sair por essa porta e descer dois lances de escadas.
- Ficas bem? – pergunta.
Ela encolhe os ombros.
- Fico.
Carlisle sai atrás dos outros.
Esme fica a olhar para o quadro. Isabella, que não tinha saído, aproxima-se dela.
- Ninguém pensa que seja maluca, senhora. – garante Isabella.
- Quem os pode culpar se pensarem? – pergunta sem tirar os olhos do quadro. – Eu também não acreditaria que um quadro mexesse os olhos e falasse senão visse com os meus próprios olhos.
Isabella tinha mesmo vontade de dizer que podia não ser o quadro a fazer isso, mas sim uma pessoa por trás do quadro. Não disse nada porque tinha que manter o emprego para poder cuidar da avó. Mas tem verdadeira pena da senhora e tem quase a certeza de que a irmã está por trás disto.
- Vamos descer? – pergunta Esme olhando para a rapariga.
- Sim. Eu acompanho-a.

Esme não come quase nada durante o almoço e também não diz nada. Está tristonha e pensativa.
Carlisle não gosta de a ver assim. Gosta de a ver animada, com um sorriso. Tem que fazer qualquer coisa para a deixar mais feliz.
- Esme? – chama assim que acabam de comer.
- Sim. – ela vira-se para ele.
- O que achas se formos dar uma volta por aí. – sugere sorrindo.
- Por mim. – encolhe os ombros como se não importa-se muito.
- Há um sitio muito bonito que eu gostaria que visses. Mas não podes levar esses sapatos, senão corres o risco de cair. E também aconselho a vestir qualquer coisa de manga comprida está mais frio hoje.
- Não vai chover? – pergunta ela olhando pela janela para as nuvens escuras. – Está tudo tão nublado.
- Se estivermos à espera de um dia de sol nunca saiamos de casa.
Ela sorri.
- Está bem. Vamos então.
Levanta-se.
- Vou mudar de roupa.
- Eu acompanho-a até ao quarto.