Amor Eterno
5 Capítulo 5
Notas iniciais
- Peço desculpa, senhor. – desculpa-se Charlie. – Eu tentei impedi-lo de entrar.
- Não tem problema. – diz Carlisle sério. – A culpa não é sua nem de nenhum de vocês. Voltem ao vosso trabalho. – diz para os empregados que se acumularam na sala.
Eles retiram-se lentamente até não restar ninguém a não ser o Charlie, o Marcus, o Carlisle e a Esme.
- Volto a pedir desculpa, senhor. – volta a desculpar-se Charlie.
- Sem problemas. – diz Carlisle.
Marcus senta-se pesadamente no sofá.
- Peço desculpa por ter assistido a isto. – Carlisle vira-se para Esme.
- Não tem problema. – responde ela. – Eu não tenho nada de me meter. Mas está tudo bem? Há alguma coisa em que eu possa ajudar?
Marcus sorri para ela.
- Não. – diz Carlisle. – Não se preocupe com isso.
- Mas está tudo bem? – procura confirmar.
- A sério não se preocupe. – insiste Carlisle. – Já não é a primeira vez que ele aparece aqui com uma proposta para comprar a casa.
- Porque é que ele quer a casa? – pergunta Esme.
- Sente-se aqui. – pede Marcus fazendo sinal para o sofá.
Ela senta-se.
- James é meu sobrinho tal como o Carlisle. Carlisle é filho do meu irmão mais velho, por isso herdou tudo, e James é filho do irmão do meio, também meu irmão mais velho.
- Não sabia que tinha mais um irmão. – comenta Esme.
- Tinha. Éramos três. James sempre ambicionou ficar com todas as propriedades da família e então tem proposto por diversas vezes a compra desta casa.
- Ah. – Esme olha para Carlisle. – Então ele é o seu herdeiro.
- Digamos que sim. – diz Carlisle com um encolher de ombros.
- E ambiciona o que é seu. – pensa alto Esme. Ao mesmo tempo vem-lhe à ideia a frase que apareceu misteriosamente no ecrã do seu computador, dizia para ter cuidado que a casa também era dela e que a tinha de proteger. “Será por acaso James tão ambicioso que seria capaz de tentar matar o primo para ficar com tudo o que lhe pertence?” Pensa.
- O mal da nossa família foi sempre ambicionar aquilo que não lhe pertence. – comenta Marcus com desagrado. – Na biblioteca temos livros que contam a história dos nossos antepassados, talvez lhe interesse lê-los.
- Obrigada, Marcus. Talvez dê uma vista de olhos. – levanta-se. – Agora se me dão licença vou subir para continuar o meu livro.
- Claro. – diz Marcus sorrindo.
- Preciso de um guia. – lembra meia envergonhada.
- Eu faço de guia. – diz Marcus levantando-se também. – Vou para o meu quarto descansar e deixo-a no seu.
- Obrigada.
Marcus deixa-a junto da porta do quarto. Assim que entra Esme senta-se no sofá a pensar no que ouviu.
- Que história será essa? – pergunta sem se aperceber que falou em voz alta.
Levanta-se e vai até à varanda cuja porta é junto à cama. Deixa-se ficar encostada às grades a pensar.
Olha para o jardim e vê um casal a passear.
Primeiro pensa tratar-se de dois empregados que talvez namorem ou sejam casados, depois percebe que é impossível. O casal está vestido com roupas da época medieval. Esme percebe que é a mulher que viu no espelho e ele é o homem que a estava a pentear. Passeiam calmamente pelo jardim, ele apanha uma flor e prendia no cabelo dela.
- Senhora? – Esme ouve a voz de Carmen vinda de dentro do quarto. Vira-se.
- Estou aqui.
Carmen aparece à porta da varanda.
- Desculpe incomoda-la, senhora. Até pensei que nem estava aqui, chamei tantas vezes e não me respondeu.
- Estava distraída. – e é verdade Esme estava absorta a observar o casal.
- Era só para avisar que o almoço vai ser servido. – informa Carmen.
- Então, vamos.
Carmen sorri e vira-se para sair. Esme olha para trás antes de a seguir. O casal já não está lá. Mas a rosa que o homem apanhou e prendeu no cabelo da mulher está caída no chão.
Nessa noite depois do jantar Carlisle e Marcus ficam a conversar na sala. Esme deitou-se cedo como na noite anterior deixando-os a sós.
- Carlisle, vou-te ser sincero. – começa Marcus. – Fiquei preocupado com a ameaça do James.
Carlisle encolhe os ombros desvalorizando o assunto.
- A sério, Carlisle. Eu não sei o que o James é capaz de fazer para atingir os seus objetivos. – continua Marcus.
- O que é que ele pode fazer? – pergunta Carlisle sem dar importância ao assunto.
- Não sei. Mas nunca se sabe.
- Não te preocupes, tio.
- Claro que me preocupo. Tu és como se fosses meu filho, criei-te quase como tal.
- Eu sei, tio. Mas não vejo nenhuma razão para te preocupares.
- Espero que tenhas razão. – diz Marcus receoso.
Ficam calados durante alguns minutos apenas pensando. Marcus pensa em James e na ameaça que fez a Carlisle. Por sua vez, Carlisle pensa na Esme, nos seus olhos verdes, nos seus cabelos arruivados, no seu sorriso, no tom carinhoso da sua voz, no seu ar deslumbrado e no seu ar envergonhado.
- Em que tanto pensas? – pergunta Marcus.
- Em nada de especial. – diz com um encolher de ombros.
- Alguma coisa é. Achas que não te conheço?
- Conheces, mas não é nada de mais.
- Conta lá.
- Não é nada.
- Eu acho que esse nada se chama Esme. – diz Marcus com um sorrizinho.
Carlisle sorri.
- Logo vi. – diz Marcus rindo.
- Tens que concordar que é difícil pensar noutra coisa com ela aqui a passear-se em minha casa.
- É uma mulher bonita. – concorda Marcus. – Simpática. Acho que é boa para ti.
- Pronto, lá estás tu.
- Tu é que acabas-te de dizer que ela é bonita, eu só concordei.
- E depois tentaste arranjar-me casamento.
- Tu estás a começar a gostar dela. – levanta uma mão quando o sobrinho o ia interromper. – E não digas que não que eu já percebi.
Carlisle levanta-se.
- Eu vou mas é para a cama.
Marcus ri.
- Vai, vai. Foge à conversa que já não te está a agradar.
- Pará com isso, tio. Vens ou ficas?
- Eu vou, eu vou. Pode ser que ainda confesses pelo caminho.
- Mas confessar o quê? Não há nada para confessar.
- Não, não há. Vou fingir que acredito.
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