Notas iniciais
Mais um capítulo. Espero que gostem.

Esme e Carlisle passeiam no jardim.

- Tem tudo muito bem arranjado. – repara ela sorrido.

- Tenho de agradecer aos meus jardineiros.

- Eles fazem realmente um bom trabalho. – concorda ela parando diante de uma roseira e inclinando-se para cheirar as rosas brancas.

No meio das roseiras brancas há uma vermelha que devia estar do outro lado do caminho onde estão as vermelhas. Mas está ali misturada com as brancas.

- Esta não devia estar aqui. – comenta Esme.

- Realmente não. – concorda Carlisle. – Foi um engano, era para ser plantada ao pé das suas iguais.

Apanha uma rosa vermelha e habilmente, com cuidado para não se picar, tira-lhe os espinhos.

- É como a Esme. – põe-lhe a rosa atrás da orelha. – Vive no mundo com muitas mulheres à sua volta, a passar por si todos os dias, mas é diferente de todas. Não só por fora como por dentro. – murmura pondo-lhe a mão no coração.

Ela olha para ele fixamente.

É tão meigo, extremamente belo e também romântico.

Ouve-se passos atrás deles.

Esme vira-se e vê um homem jovem com ar arrogante a passar com um regador.

- É o Riley, um dos jardineiros. – esclarece Carlisle.

- Não é lá muito simpático pois não? – pergunta Esme pensando em como todos até agora a cumprimentaram amigavelmente à exceção deste homem que nem disse nada e da empregada que serviu o jantar na noite anterior.

- É um pouco antipático, mas eu estava a precisar de mais um jardineiro. Tenho o Seth e o Billy, mas é muito difícil para eles darem conta de todo. O Billy não gosta muito do Riley, mas ele não gosta de ninguém que lhe roube o trabalho. – Esme não pode deixar de sorrir. – Em relação ao Seth é que eu acho estranho, ele dá-se bem com toda a gente exceto este rapaz. – encolhe os ombros. – Mas não o posso despedir, trata bem do jardim, nunca foi mal-educado, não tenho do que me queixar.

- E daquela rapariga que serviu o jantar ontem à noite? Também não me pareceu muito simpática.

Ele pensa por uns momentos.

- Deve estar a referir-se à Victoria. É mulher do Riley e irmã da Isabella. Também a contratei há pouco tempo. Não é de grandes conversas ou sorrisos, mas é bastante eficiente.

- Eu peço desculpa por me estar a meter nos seus assuntos. – pede Esme dando-se conta que está a ser demasiado metediça.

- Não achei que estivesse a meter-se, está apenas a querer saber mais sobre os meus empregados o que não tem qualquer problema.

Ela sorri perante a simpatia dele.

- Fale-me mais de si. – pede Carlisle.

- O que quer saber? – pergunta.

- Por exemplo, onde aprendeu a falar tão bem inglês. Podia passar por inglesa. Tem prenuncia e tudo.

- Acha? – pergunta ela sorrido. Sempre teve jeito para as línguas em particular o inglês.

- Sim, acho.

- Bem, a minha mãe era inglesa. Vivi aqui os meus primeiros quatro anos de vida.

O facto de ela falar no passado significa que a mãe já morreu e por isso Carlisle acha melhor não tocar mais no assunto.

- Peço desculpa. – desculpa-se Carlisle. – Não sabia que ela já tinha falecido.

- Não tem problema. – responde Esme com ligeireza. – Morreu quando tinha quatro anos, por isso mudei-me para Portugal com a minha tia.

- E o seu pai?

- Morreu juntamente com a minha mãe num acidente.

- Lamento muito.

- Não se preocupe, já foi há muito tempo.

- E como é que surgiu essa paixão pela história inglesa?

- Não sei bem. – confessa. – Comecei a ler livros e fui-me interessando cada vez mais, até que quando chegou a altura de tirar um curso optei por história.

- Então é meia inglesa. – comenta ele. – Suponho que seja por isso que se chama Esme.

Ela sorri.

- É.

- Tem um nome muito bonito. – sorri. – Condiz consigo.

Ela baixa os olhos e sente-se corar. Nunca foi muito de corar nem de ficar sem palavras, mas este homem consegue faze-la corar com muita facilidade.

- E gosta de Inglaterra? – pergunta ele.

- Sempre tive uma paixão por este país. – confessa sentindo-se mais à vontade com este assunto.

- Nem sequer o clima a assusta? Ouvi dizer que Portugal é um país cheio de sol.

- É realmente. – concorda. – Mas gosto deste clima. Gosto especialmente de Londres com neve. Tenho algumas lembranças de quando era pequena. Fica linda cheia de neve, em Lisboa nunca neva.

- Também gosto de ver a cidade cheia de neve e gosto muito do meu país.

- É inglês. – sorri. – Os ingleses sempre tiveram orgulho no seu país, isso já vem de há muito tempo.

Ele ri concordando.

- É verdade. Não há país melhor que Inglaterra.

Ela ri com ele.

- Nunca voltou cá depois de ter ido para Portugal? – pergunta ele.

- Vim. Mas era sempre no verão, por isso nunca mais vi a neve.

Ficam em silêncio por momentos apenas caminhando e apreciando as flores.

- E você? – pergunta ela virando-se para ele. – Fale-me de si.

- Não há muito que dizer. Cresci nesta casa. – olha para a casa apaixonadamente. – A minha mãe morrer quando tinha dois anos logo a seguir à minha irmã e fui criado essencialmente pelo meu tio. O meu pai nunca me ligou muito, não tinha tempo, andava sempre ocupado com os negócios. Senão fosse o meu tio sentir-me-ia sempre muito sozinho. Depois cresci. Fiz uma viagem pela Europa quando acabei o curso com alguns dos meus colegas e amigos e depois assentei aqui. O meu pai morreu quando tinha vinte e cinco, dois anos depois de me formar. Eu comprei um apartamento em Londres para poder estar mais perto das empresas, mas venho aqui todos os verões. E pronto é basicamente isto.

Esme sorri para ele. Percebe-se que não foi propriamente uma criança feliz e que não faz aquilo de que gosta. Ele preferia viver nesta casa permanentemente e ter estudado história como ela.

- Disse que a sua irmã morreu antes da sua mãe?

- Sim. – concorda. – Morreu ainda não tinha nascido.

- Tinha quantos anos?

- Vinte.

Ele sorri perante o ar espantado dela.

- A minha mãe já tinha quarenta e seis anos quando me teve. Ninguém estava à espera.

Passearam mais um pouco em silêncio.

Assim que entram em casa ouvem vozes vindas da sala.

Dirigem-se para lá.

Um homem com cerca de quarenta e tal anos com cabelo louro está a discutir com o Charlie e com o Marcus.

- James Cullen. – diz Carlisle assim que entram na sala.

O homem vira-se.

- Oh, meu querido primo. – cumprimenta estendendo a mão. – Ainda bem que te encontro. Vê bem que o nosso querido tio me queria pôr na rua. – diz com um sorriso. Um sorriso falso, repara Esme.

- E porque será, James? – pergunta Carlisle com ironia.

- Não me trates assim, primo. Vim apenas ter uma conversinha contigo, mais nada.

- Posso imaginar que conversa queres ter.

Esme percebe que Carlisle não está nada contente com a visita.

O olhar de James desvia o olhar de Carlisle para o incidir em Esme.

- Oh, mas que rapariga tão bonita. – aproxima-se.

Esme olha para ele com ar de quem não tem paciência para brincadeiras.

- Esme Platt, historiadora. Muito prazer. – estende a mão.

Ele faz um sorriso cínico analisando-a de cima a baixo.

- James Cullen, empresário e bancário. O prazer é meu. – aperta-lhe a mão.

Vira-se para Carlisle.

- O que faz uma historiadora em tua casa, primo? Pensei que me tinhas dito que não a irias vender a ninguém.

Esme franze uma sobrancelha.

- Sou historiadora, não avaliadora de casas.

- Oh, peço desculpa a confusão. De qualquer forma o que é que ela faz aqui?

- Isso não é da tua conta, James, e se não te importas gostaria que saísses da minha casa, agora. – diz Carlisle com voz calma, mas firme.

- Isso não são maneiras de tratar o teu primo, Carlisle. O teu primo mais chegado visto só teres um.

- James, sai da minha casa.

- Só depois de termos uma conversa em particular.

- Não tenho nada para conversar contigo. Sai.

- Primo, é só uma propostazinha.

- Eu sei muito bem o que me vais propor e não estou interessado, sai James.

- Calma, calma. – levanta as mãos. – Se já sabes que eu quero a tua casa porque não te limitas a vender-ma.

- Porque nunca a venderei a ninguém.

- Carlisle estou a fazer-te uma excelente proposta.

- Eu não a venderei por dinheiro nenhum, James.

- Esta é a última proposta que te farei, Carlisle. – diz com ar ameaçador.

- Ainda bem. Quer dizer que me livro de ti de vez?

- Nunca te livrareis de mim e ainda às de lamentar o dia em que te recusas-te a aceitar a minha proposta.

- Duvido. Sai daqui. – ordena Carlisle.

- Vais arrepender-te. O teu património à de ser todo meu e não será pelas melhores razões, pelas melhores razões para ti pelo menos.

Sai da sala, ouve-se a porta da rua a abrir e a fechar com estrondo.