Amor Eterno

21 Capítulo 21


Carlisle está na sala de espera do hospital a andar de um lado para o outro. Edward está sentado numa das cadeiras com a cabeça apoiada nas mãos.

- A culpa é minha. – murmura Carlisle não conseguindo ficar quieto.

- Não te culpes. – diz Edward. – Tu és dos poucos inocentes no meio disto tudo.

- Eu devia tê-la ouvido. Não devia ter subestimado tanto o James, devia ter-lhe dado ouvidos. Ela queria que eu tomasse cuidado. Ela estava com medo que ele cumprisse a ameaça. Eu desvalorizei o assunto e afinal ela tinha razão.

- Não podias saber.

- Mas podia ter-me prevenido. Podia tê-la levado para Londres. Podia ter insistido para ela voltar para Portugal. Podia ter feito várias coisas e não fiz nada.

- Pára de te culpar, Carlisle. Se é assim eu também me culparei. Ela falou-me da ameaça e eu desvalorizei tanto o assunto como tu.

- Quando isto tudo acabar vou manda-la para Portugal, ou para Londres se ela preferir até a polícia ter provas para prender o James. Tu podes ir com ela, certo?

- Claro que irei, mas duvido que ela te queira deixar mesmo depois disto. – avisa.

- Farei o que poder para a convencer e conto com a tua ajuda.

- Claro que sim.

- Só espero que a polícia encontre alguma coisa depressa. Eles andam a revistar a casa toda e as coisas dos empregados. E ainda temos a Isabella que parece saber alguma coisa, mas recusa-se a dizer segundo o que o meu tio me disse há pouco.

- Eu duvido que ela seja culpada de alguma coisa. – defendi-a Edward.

- Eu já não duvido de nada.

- Carlisle, não podes acreditar que ela tem alguma a ver com o que aconteceu.

- Ela até pode não ter, mas se não falar vai ser acusada.

- Ela parecia tão assustada.

- Pouco me importa se estava assustada ou não. Se ela sabia alguma coisa e não disse será despedida se a polícia não achar melhor ser presa.

- Não sejas tão insensível.

- Edward, a Esme pode morrer percebes? – as lágrimas vêem-lhe aos olhos.

Edward coloca-lhe uma mão no ombro.

- Vamos pensar positivo. Pensar que ela vai ficar bem.

Abraçam-se.

- Espero que tenhas razão. Ela já lá está à cinco horas.

- Ela vai ficar bem, Carlisle. Acredita nisso.

Ele assente.

Um médico aparece.

Viram-se imediatamente para ele.

- Como é que ela está?

- A minha irmã está bem?

Perguntam ao mesmo tempo.

- Acalmem-se. – pede o médico serenamente. – Está fora de perigo.

- Graças a Deus. – murmura Edward.

- E o bebé também está bem. – acrescenta o médico.

Carlisle e Edward olham um para o outro e depois para o médico.

- Bebé? Que bebé? – perguntam em simultâneo.

- É provável que não saibam. – começa o médico. – Nem mesmo ela sabia. Ainda está muito no início. É apenas de três semanas, pouco mais.

- A minha irmã está grávida? – pergunta Edward espantado.

- Sim. – confirma o médico.

Carlisle não diz nada. A notícia é tão inesperada. Ainda há uns momentos pensava que Esme podia morrer, agora dizem-lhe que ela está bem e grávida.

- Eu vou ser pai? – pergunta meio confuso.

Edward ri e dá-lhe uma palmada amigável nas costas.

- Parece que sim, cunhadinho. E eu vou ser tio. – sorri com a ideia. – Parabéns para ti e para mim também.

- Eu não acredito. – murmura.

- Deixa de ser parvo. Vais ser pai. Acorda homem e vai ver a mãe do teu filho. – diz Edward.

- Posso vê-la? – pergunta ao médico.

- Claro que sim. Acompanhe-me.

- Vens? – pergunta ao Edward.

- Eu dou-vos uns momentos a sós. Já vou lá ter. E depois digam que eu não sou amigo.

Carlisle entra no quarto que o médico indica.

Esme está na cama, olha para o teto. Quando ouve a porta a abrir levanta ligeiramente a cabeça e vê o seu Carlisle. Sorri-lhe.

- Meu amor. – murmura meigamente. – Pensei que nunca mais chegavas.

Ele aproxima-se da cama dela. Pega-lhe na mão e beija-a suavemente.

- Sentes-te bem? Não te dói nada? – pergunta preocupado.

- Estou bem. – assegura. – E agora estou muito melhor por estares aqui.

- É verdade que estás grávida, meu amor? Vamos ter um filho? – pergunta ansioso.

- É. Estás feliz?

- Muito.

Esme sorri. Teve medo de que ele acha-se que era demasiado cedo para ter filhos ou mesmo que ele não quisesse.

- Que foi? – pergunta ele vendo o ar pensativo dela.

- Tive medo que não quisesses o nosso bebé. Pensei que ias dizer que é demasiado cedo. Afinal mudei-me para tua casa há tão pouco tempo. E também não sabia se querias ter filhos.

- Quero. Quero muito. – dá-lhe um leve beijo nos lábios. – Quero muito ter um filho contigo, meu amor. Não um, muitos, muitos filhos.

Ela sorri.

- Também eu.

Batem à porta. Edward entra com um enorme sorriso.

- Parabéns, maninha. – aproxima-se pelo outro lado da cama e beija-lhe a testa. – Vou ser tio, já viste? Que bom!

- É bom saber que estás contente. – diz ela sorrindo.

- Deve haver um muito nessa frase. Eu não estou contente, estou muito contente. Até porque vou ser o padrinho.

- És a única pessoa que eu posso pôr como padrinho. – concorda ela. – Se o Carlisle não tiver nada contra. – vira-se para o Carlisle.

- Podes escolher quem tu quiseres, minha linda. – promete.

- Mais uma notícia boa, maninha. Amanhã já podes ir para casa.

- Isso também é ótimo. – concorda.

- E agora vais portar-te bem. Tens que descansar por causa do bebé. – lembra Carlisle.

- Não é muito cansativo escrever ao computador. – diz com um sorriso.

- De qualquer forma não deves trabalhar demais.

- Faz o que o Carlisle diz. – aconselha Edward.

- Já vi que vocês vão ser uns chatos. Eu vou portar-me bem. – promete. – Mas também não esperem que passe o dia todo no sofá.

- Eu vou tomar conta de ti. – diz Carlisle.

- Eu também. Estou a pensar arranjar um emprego aqui em Inglaterra. Talvez em Londres e mudar-me para cá. Ainda por cima agora vou ser tio. – sorri. – Arranjo um apartamento em Londres e passo a vir aqui várias vezes para vos visitar.

- Isso seria maravilhoso, mano. – Esme agarra-lhe a mão. – Gosto que fiques aqui junto de mim.

- Podes ficar com o meu apartamento. – oferece Carlisle. – É bastante grande e está bem localizado.

- Obrigado. – agradece. – Tenho um excelente cunhado.

Eles riem.

- Aproveita que não é todos os dias. – brinca Carlisle.

- Então se eu pedir um helicóptero tu arranjas-me?

- Acho que agora abusaste.

- Estava só a testar. – dá um beijo na testa de Esme. – Vou para casa avisar que está tudo bem. Volto amanhã de manhã.

- Leva o meu carro. – diz Carlisle.

- Não é boa ideia, não me ajeito muito bem com o volante à direita. Prefiro o táxi. Não quero espetar-me pelo caminho nalguma encosta que haja por aí, ainda por cima no escuro.

- Vai de táxi então.

- Até amanhã. – despede-se antes de fechar a porta.

- Até amanhã. – respondem.

- Agora dorme, meu amor. – Carlisle passa a mão nos cabelos dela. – Descansa. Quando acordares estarei aqui junto de ti.