Amor Eterno

17 Capítulo 17


Cerca de meia hora depois de Carlisle sair Esme ouve um carro. Vai até à janela e vê uma carrinha com uns animais desenhados de lado. Presume ser uma carrinha do veterinário.
- Terá acontecido alguma coisa aos cavalos? – pergunta para si mesma e vai até ao andar de baixo.
Encontra Sue a conversar com Isabella.
- Aconteceu alguma coisa? – pergunta.
Sue vira-se.
- Os cavalos. Dois deles estão muito doentes, mal se aguentam de pé, e outros três apresentam alguns sinais de doença. – explica Sue.
- O Carlisle? – pergunta Esme sabendo do amor dele para com os cavalos.
- Está nos estábulos. – informa Sue.
- Obrigada. – murmura Esme e corre até aos estábulos.
Estão lá três veterinários. Um deles a tirar sangue a um cavalo. Outro a falar com Carlisle e uma mulher a colocar soro num cavalo que está deitado no chão embrulhado numa manta.
Esme aproxima-se de Carlisle na altura em que o veterinário se está a afastar para ir ver outro cavalo.
- O que é que eles teem? – pergunta Esme apaixonadamente.
- Ainda não sabem. – Carlisle vira-se para ela com lágrimas nos olhos. – Estão a fazer análises a todos para saber os que estão doentes e os que não estão.
Esme abraça-o.
- Vais ver que ficarão todos bem. – murmura ela.
- Os veterinários já me disseram que para dois deles não há esperança. – murmura ele.
Esme levanta a cabeça para olhar para ele.
- O Eclipse e a Safira estão bem?
- Estão, graças a Deus.
Ela abraça-o com mais força.
- E os outros também vão ficar vais ver. – promete ela mesmo sabendo que não pode prometer uma coisa dessas.

Quando a noite chega já dois cavalos estão mortos e nessa noite morrem outros dois. Os veterinários chegam à conclusão que eles não estão doentes, foram envenenados. E dos cinco que foram apenas um sobrevive.
Nem o Carlisle, nem a Esme dormiram nessa noite. Às seis da manhã estão na sala com Marcus e alguns dos empregados.
- Tenho a certeza que foi o James. – murmura Carlisle.
- Eu também acho que sim, mas sem provas não podemos acusa-lo de nada. – diz Marcus.
Carlisle levanta-se e começa a andar de um lado para o outro.
- A única prova que tenho é este papel. – diz tirando um papel do bolso das calças.
- O que diz? – pergunta Esme.
- Diz: “É um aviso. Por enquanto são só os cavalos.”
- O que é que isso quer dizer? – pergunta Esme a tremer.
- Não sei, mas acho que me estão a ameaçar.
- Quem faria isso, meu amor? – murmura Esme assustada.
- O James. – diz Carlisle parando de andar de um lado para o outro. – Ele quer a casa se eu morrer fica com ela, é o meu herdeiro enquanto não tiver filhos.
Esme corre para ele e abraça-o.
- Vende de a casa, compras outra igual depois, mas não ponhas a tua vida em risco, meu amor. – ela começa a chorar.
Carlisle abraça-a.
- Tem calma. – passa a mão nos cabelos dela. – Ele não tem meios para fazer isso. Isto é só uma ameaça, meu amor. Ele está apenas a tentar assustar-me e não vai conseguir.
- Tenho medo. – murmura apertando-o com mais força.
- Se quiseres podes voltar para Portugal até eu ter isto tudo resolvido. – sugere apesar de lhe ir custar muito ficar longe dela.
- Não tenho medo por mim, Carlisle. Tenho medo por ti.
Ele abraça-a com mais força.
- Não tenhas. O James pode ameaçar, mas não tem meios para o fazer. Acredita em mim, amor. Não me vai acontecer nada.

Victoria, que estava a ouvir a conversa junto à porta, volta para a cozinha com um sorrisinho.
- Isso é o que ele pensa, o James tem meios para isso e muito mais. – murmura.
- O que é que vais fazer? – pergunta Isabella.
Victoria vira-se. Nem tinha percebido que Isabella a seguira.
- Descobrirás na altura.
Isabella suspira.
- Diz-me o que vais fazer a seguir. Isto já não chega? O Carlisle está tristíssimo, a Esme assustada. Já não chega o que fizeram?
- Só vamos parar quando o James ficar com a casa. – afirma Victoria.
- Porque é que estás a fazer isto? – pergunta Isabella desesperada.
- Porque quero ser rica, ter dinheiro. Sempre vivi na pobreza e agora posso tornar-me uma mulher rica.
- Não vejo como.
- Tu és mesmo tapada, não és? Eu e o James vamos casar assim que ele tiver a casa.
- Mas tu já és casada. – protesta Isabella.
- Eu odeio o Riley! – exclama.
- Já o amas-te, não penses que me esqueço. Eras doida por ele no secundário.
- Isso foi antes. – diz irritada fazendo um esforço para não elevar a voz. – Agora quero o dinheiro que o James me pode dar. Assim que ele tiver a casa divorcio-me do Riley e caso-me com o James.
- Por isso é que estás a fazer isto tudo.
- Exatamente. Não tenho nada contra o Carlisle. Apenas quero o dinheiro que posso ganhar estando com o James. Percebeste?
- Percebi que ainda és pior do que eu pensava. – diz Isabella. – Tu estás a fazer isto só pelo dinheiro. Vais matar um homem bom só pelo dinheiro que podes ganhar com isso. És uma bruxa. Uma mulher horrível. Como é que eu posso ser tua irmã? Tu és a pessoa mais horrível que eu já conheci.
Victoria dá-lhe um estalo.
- Eu não sou tua irmã. Sou só tua meia-irmã. A nossa mãe teve um caso com o pai do Carlisle. Eu nasci desse caso e ele nunca quis saber de mim, percebes? Nunca me quis ver. Não se importou comigo, nunca. Só se importou com a filha irritante e mimada dele e depois com o filho perfeito que ele tanto queria. Eu sou meia-irmã do Carlisle e também tenho direito a esta casa. Só quero o que é meu.
Isabella está com a mão na cara vermelha com a força da pancada.
- Não sabia. – murmura.
- E agora que sabes dá para me intenderes?
- Não, não dá. – murmura Isabella. – O Carlisle não tem culpa de nada. O único culpado é o pai dele, que te renegou. O Carlisle nem sequer sabe da tua existência. Não podias simplesmente falar com ele com calma? Talvez ele te desse dinheiro, uma casa. É boa pessoa. Iria ajudar-te se soubesse a verdade.
- Eu não vou falar com ele. Vou fazer as coisas à minha maneira. Vou mata-lo se for preciso.
- És horrível. – murmura Isabella.
- Então se sou deixa-me em paz e vai fazer a tua vida.
- Juro que não te vou deixar mata-lo.
- Seria de esperar que o odiasses. Afinal ele nem sequer olha para ti. Também quem olharia? – diz maldosa.
- Não me importa de quem ele goste. Esme é uma pessoa espetacular. Ele não podia arranjar melhor. E tu, sua cobra, queres arruinar a vida deles.
- Tal como me arruinaram a minha.
- Nenhum dos dois tem culpa. Juro, Victoria, não vou deixar que lhe faças mal. Juro.

Esme está bastante assustada com a ameaça, apesar de Richard lhe garantir que não é nada, que nada lhe acontecerá. Que a única coisa que James faz é ameaçar.
Eles estão os dois na cama depois de fazerem amor. Passaram a noite acordados e agora estão a tentar dormir. Esme não consegue. Está a pensar em tudo o que aconteceu nas últimas vinte e quatro horas. Pensa que alguém pode tentar matar Carlisle e isso deixa-a mais assustada do que se fizessem mal a ela própria.
Passa a mão no cabelo de Carlisle. Ele está a dormir profundamente.
Sorri.
“É tão bonito” pensa “e é só meu, para todo o sempre.”
O telemóvel português toca.
Estica-se para chegar à mesa-de-cabeceira.
Uma mensagem do irmão, a dizer que chega ao aeroporto às seis e meia da tarde na terça.
Sorri. Por momentos até se tinha esquecido que o irmão vinha.
- Passa-se alguma coisa? – pergunta Carlisle que acordou ao ouvir o som da mensagem.
Esme apercebe-se que ainda não lhe disse nada.
- Era o meu irmão. – diz, poisa o telemóvel e abraça-o debaixo dos lençóis. – Eu convidei-o para vir cá ter e me trazer o resto da roupa que deixei lá. – dá-lhe um beijo no ombro. – Espero que não te importes
- Claro que não. – assegura retribuindo os beijos. – Ele será bem-vindo, afinal é teu irmão.
- Ele chega amanhã às seis e meia da tarde.
- Já? – pergunta sentando-se.
- Desculpa não te ter dito, mas com tudo o que aconteceu ontem à tarde acabei por me esquecer. – desculpa-se.
- Não faz mal. – abraça-a. – Para que aeroporto é que vai?
- Para o de Derbyshire. – encosta a cabeça ao ombro dele.
- Hum. Ainda fica a quase uma hora de distância.
- Preferias que lhe tivesse dito para vir para Londres? – pergunta.
- Não. Se fosse para Londres era melhor irmos andando hoje.
Ela ri.
- Não te importas mesmo que ele venha?
- Não, juro-te.
Ela sorri.
- Ainda bem. Já tenho muitas saudades dele.
- Podes convidar sempre quem quiseres, a casa agora também é tua.
Esme dá-lhe um leve beijo nos lábios.
- Quando é que casamos?
Ele ri.
- Talvez para o ano na primavera.
Ela suspira.
- Que foi? – pergunta ele vendo a cara desanimada dela.
Esme encolhe os ombros.
- É só que ainda falta muito tempo para me tornar oficialmente Senhora Cullen.
Ele ri.
- Já és, meu amor. E eu quero um casamento como deve ser. Temos de ter tempo para preparar tudo.
- Quero casar-me aqui. – diz Esme. – Nesta casa. O salão é tão grande como qualquer sala de casamentos.
- Hum, acho boa ideia. Casamos aqui. De qualquer forma precisamos de tempo para tratar de tudo e convidarmos todos os teus amigos.
- Tens razão. – concorda Esme. – Precisamos de tempo para organizar tudo. – beija-o. – E agora que fazemos?
- Não queres dormir um pouco? – pergunta ele.
- Tu queres?
- Só se tu quiseres.
- Eu preferia fazer outra coisa.
- Trouxeste biquíni? – pergunta Carlisle de repente.
- Trouxe. – responde confusa.
- E se fossemos para a piscina? – sugere.
- Que piscina?
- Eu tenho piscina.
- Tens? Nem dei por isso.
- O salão até tem porta para lá. Queres?
- Vamos. – levanta-se entusiasmada fazendo Carlisle rir.