Amor Esquecido...
12 Na manhã seguinte...
Notas iniciais
NATSU POV
Acordei a sentir o braço direito dormente. Abri os olhos lentamente para me habituar à luz que entrava pelo buraco no topo da gruta. Já era de manhã… Olhei para a direita e logo percebi porque é que sentia um formigueiro a percorrer-me o braço, a Lucy estava a dormir com a cabeça em cima dele.
Foi então que todas as imagens de ontem à noite me vieram à cabeça. Eu não acredito que disse aquilo! Mas se eu soubesse o que ia acontecer depois, já me tinha confessado há mais tempo. Ainda parecia tudo um sonho… mas não podia ser, afinal ela estava ali, deitada ao meu lado, com apenas um fino lençol branco a cobrir-lhe o corpo… Tenho de me acalmar. É melhor levantar-me e começar a pensar numa maneira de sairmos daqui.
Com muito cuidado, para não a acordar, retirei o braço de debaixo da cabeça dela. Ia para me levantar mas senti os braços da Lucy a abraçar-me e a fazerem-me deitar novamente.
– Onde é que tu vais? – Perguntou ela, deitando a cabeça no meu peito e entrelaçando a perna na minha.
– Agora já não vou a lado nenhum – sem me dar conta, comecei a mexer no cabelo dela. Ela bocejou e eu senti o corpo dela a relaxar, como se quisesse voltar a dormir.
– Então? Estás cansada? – Eu já sabia que sim, mas perguntei na mesma para a provocar.
– Estou… — Ela voltou a cara para mim e olhou-me nos olhos. – E de quem será a culpa?
Eu sabia muito bem de quem era a culpa… Comecei a rir-me da situação. A Lucy corou e ia desviar o olhar, mas antes que ela o fizesse, eu capturei os lábios dela com os meus. Chupei-lhe o lábio inferior e afastei-me um pouco para ver se ela estava chateada.
Lucy olhou para mim com os olhos a brilhar e beijou-me de volta. No entanto, o beijo dela foi feroz, exigente… Oh eu amo esta garota. Enquanto saboreava o sabor da boca dela, voltei a deita-la e pus-me em cima dela. Ela percorreu o meu cabelo com os dedos e envolveu a minha cintura com as pernas.
– Afinal não estás assim tão cansada – disse divertido.
– Baka… — respondeu ela, corando.
Ia voltar a beijá-la mas comecei a sentir um cheiro estranho no ar. Concentrei-me a tentar saber mais daquele cheiro… não pode ser. Agucei a minha audição para ouvir melhor e confirmar…
– O que é que se passa? – Lucy perguntou quando viu que eu estava a agir estranho.
– Pessoas… — Ouvi passos a vir da entrada da gruta. – Vem aí alguém!
Saí rapidamente de cima da Lucy e levantei-me. Olhei para a entrada do covil e vi um homem a entrar. Ele era mais ou menos da minha altura, não parecia ser muito forte, tinha o cabelo castanho e só tinha umas calças vestidas, estava melhor que eu, visto que eu nem isso tinha.
Ficámos a olhar um para o outro alguns minutos. Depois ele desviou o olhar para o que estava atrás de mim. Virei-me para ver o que era e vi a Lucy. Ela estava ajoelhada na cama encostada à parede, com o lençol a cobrir-lhe o corpo. Tinha uma expressão assustada…
Voltei a olhar para o estranho… começou a crescer dentro de mim uma raiva enorme, uma grande energia percorreu-me… o meu corpo estava a preparar-se para lutar mas de uma forma mais intensa, descontrolada…a minha visão ficou turva, focando-se no homem…
Inimigo
Os meus sentidos ficaram ainda mais apurados. A minha mente esvaziou-se ficando apenas um pensamento
Proteger a Lucy
E assim, deixando-me dominar pelos meus instintos, comecei correr contra o estranho já com o punho preparado para lhe dar um soco. O homem ficou assustado e cruzou os braços em frente da cara para se proteger, mas isso não ia adiantar de muito. Estava quase a acertar-lhe na cara, quando oiço um grito.
– Ahhhh!! – O som estridente ecoou por toda a gruta.
Com o susto do grito, tropecei nos meus próprios pés e cai no chão. Com a queda, o meu corpo voltou ao normal e a minha mente voltou a pensar claramente. Mas o que é que se passou comigo? Nunca tinha sentido isto antes…
Voltei a olhar para o estranho e ao lado dele estava uma mulher. Fora ela que gritara, não sei se foi por eu estar prestes a espancar o companheiro dela ou por eu estar nu. O facto de ela estar ligeiramente corada e ter as mãos a tapar os olhos diz-me que a segunda opção é a mais provável…
– Mas o que é que te aconteceu? – Lucy correu na minha direção, tocou no meu braço mas rapidamente tirou a mão. – Estás a arder! E a deitar fumo…
– Eu estou bem – tentei tranquiliza-la, mas nem eu sabia o que tinha acontecido.
O homem aclarou a garganta para chamar a nossa atenção.
– Não quero estar a interromper nada mas… posso saber o que é que estão a fazer aqui?
Eu e a Lucy ficámos os dois com cara de parvos a olhar para o homem. Então isto é dele…
Como percebeu que nenhum de nós ia responder, o homem suspirou em forma de rendição.
– Bem… deixemos as explicações para depois. Por agora podias tapar-te com alguma coisa? Estás a deixar a minha senhora constrangida* – a mulher atrás dele continuava a tapar os olhos com as mãos.
Okay, ele era o dono desta gruta/covil e visto que ele provavelmente teve de dormir lá fora por nossa causa, mais valia fazer o que ele queria. Levantei-me e fui buscar as minhas roupas… mas o que é que aconteceu aqui? As minhas roupas e as da Lucy estavam espalhadas por todo o lado… Ohh, já me lembrei.
– Você é a senhora que veio falar comigo ontem, não é? – A Luce perguntou enquanto eu me vestia. E ela? Será que tinha intenção de ficar de lençol todo o dia?
A mulher tirou, finalmente, as mãos dos olhos e olhou para a loirinha. Pela expressão que fez, ela também a reconheceu.
– Sim fui eu. O meu nome é Mari e este é o meu marido, Hiro – ela apontou para o marido e este acenou com a cabeça.
– Eu sou a Lucy e este é o Natsu – ela também apontou para mim e eu acenei, como o Hiro fez.
De repente a Mari saiu de trás do marido e reparei que ela tinha um grande cesto na mão. Ela começou a apanhar a roupa de Lucy do chão.
– Oh pois… É melhor eu me vestir – ela disse corando e aproximou-se da mulher mas esta fez um sinal para ela parar.
– Acho que devias tomar banho primeiro. Vem comigo, há um rio aqui perto – Mari apanhou toda a roupa da Lucy, umas toalhas que estavam no armário e o lençol que estava na cama, deixando apenas o colchão.
A Luce acenou com a cabeça e ia seguir a mulher mas eu agarrei-lhe no pulso impedindo-a.
– Ela não vai a lado nenhum.
– Hey Natsu! – Olhou para mim com olhar reprovador. – O que é que se passa?
– Calma rapaz. Nós não queremos fazer-vos mal – Hiro disse tentando acalmar-me.
– Não? Então explica-me… porque é que tens o mesmo cheiro do monstro que enfrentamos ontem?
Era só uma suspeita, mas esta foi confirmada pela expressão na cara deles.
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