Amor Esquecido...
7 Na gruta...
Notas iniciais
LUCY POV
– Diz-me que esta não era a única saída… — disse-lhe um pouco chocada.
Ainda estava um pouco confusa, provavelmente por causa da queda. Eu estava na floresta, a cair e agora estou sentada no chão de uma gruta qualquer. O Natsu deve ter-me carregado até aqui… com a perna naquele estado. Estava pior do que antes e a culpa era minha…
Mas o problema agora era que o sítio por onde provavelmente teríamos entrado, estava bloqueado com pedras. Se não houvesse outra saída teríamos de ficar ali até que alguém da guilda nos viesse buscar… E ficar fechada numa gruta com o Natsu não é nada bom para a minha sanidade mental…
Abanei a cabeça para afastar aqueles pensamentos. O Natsu que estava sentado à minha frente, levantou-se e virou-se para a suposta entrada. Eu podia ver que a única maneira segura de abrir caminho seria retirar as pedras uma a uma e isso só era possível do lado de fora. Espero que ele não esteja a pensar em atacar a parede com os punhos… Isso poderia provocar uma derrocada, como a que penso que ouve enquanto eu ainda estava inconsciente, com a diferença que uma nova derrocada poderia deixar-nos subterrados.
– Por aqui não saímos – respirei de alívio por ele não ir fazer nenhuma loucura. Ele olhou para o fundo da gruta, que não se conseguia ver, parecia um túnel rochoso sem fim. – Podemos ir ver se existe outra saída.
Levantei-me depressa antes que o Natsu se lembrasse de rebentar com aquilo. Assim que fico de pé, vejo tudo a andar à roda. Felizmente o Natsu agarrou-me antes de eu cair. Quando dei por mim já estava com os braços dele à volta da minha cintura. Os nossos corpos estavam a milímetros de distância… muito perto. Sem me aperceber agarro os braços dele com força. Não queria que ele me largasse… primeiro porque se ele o fizesse eu iria cair outra vez, mas era também porque eu gostava de o ter assim… perto de mim…
Mas isto não podia durar para sempre por isso, quando senti que já estava bem, larguei-lhe os braços.
– Okay, já estou bem… Obrigado – disse olhando-o nos olhos mesmo tendo a certeza de que estava corada.
Ele largou-me e eu consegui manter-me em pé, já tinha recuperado o equilíbrio. No entanto, ainda me doía a cabeça e os braços por causa da queda… Olhei para a perna dele, aquilo devia de doer muito mais. Antes de ele perceber, agarrei-lhe no braço, passei-o por cima dos meus ombros e passei o meu braço à volta da cintura dele.
– O-o que é que estás a fazer? – Perguntou confuso e… será que o vi corar? Provavelmente não.
– A tua perna está pior e foi por me teres carregado até aqui – respondi desviando o olhar por me sentir culpada. – Agora sou eu a carregar-te – disse voltando a sorrir para ele.
Achei estranho o Natsu não protestar, mas mesmo que o fizesse o resultado seria o mesmo. Reparei que ele não pôs todo o seu peso nos meus ombros, ele era tão teimoso… e querido… Começámos a andar pelo túnel e eu tentei ignorar ao máximo o facto de estarmos tão próximos.
Andámos durante um bocado e o Natsu foi-me contando o que se tinha passado enquanto eu estava inconsciente. Tive que rir quando ele me disse que tinha enganado o monstro com aquele truque de criança, típico do Natsu. Foi então que começámos a ver uma luz ao fundo do túnel. Olhei para o Natsu e ele olhou para mim ao mesmo tempo e sorrimos, finalmente encontrámos a saída!
Começámos a andar mais rápido em direção à luz e quando chegámos ao fim do túnel ficámos espantados ao ver que não era a saída… mas sim, uma espécie de covil…
Olhámos admirados para a sala redonda à nossa frente. As paredes eram feitas de cristais pontiagudos e estavam revestidas por placas de madeira até pouco mais altas que nós, devia de ser para que, a pessoa que vivia aqui não se aleijasse nos cristais. À esquerda, junto à parede, havia uma mesa e encostado a ela havia um móvel alto. À nossa frente, também encostada à parede, tinha uma cama. Tudo era feito em madeira menos os lençóis brancos que cobriam a cama. No centro haviam três pequenos troncos à volta de um círculo chamuscado no chão, devia de ser ali que acendiam a fogueira e se sentavam. Quando olhei para cima vi que o tecto do covil era muito alto e em forma de cone, no ponto mais alto havia um buraco pelo qual entrava a luz da lua, esta luz era reflectida pelos cristais nas paredes fazendo com que todo o covil ficasse iluminado…
– Uau… — disse maravilhada. – Acho que vive aqui alguém…
Olhei para o Natsu e ele continuava a olhar para covil, os olhos dele brilhavam com a luz da lua… não conseguia desviar o olhar, até que ele olhou para mim… Os meus olhos também deviam de estar a brilhar pois ele ficou a olhar para eles fixamente… ele estava a corar e eu também. Estávamos muito perto… aqueles lábios… Sem me aperceber, comecei a encurtar a distância entre nós…
– Seja quem for que viva aqui, esta noite dorme na rua – ele disse, ainda a olhar para mim e a sorrir.
MAS O QUE É QUE EU IA FAZER? Senti a minha cara a arder, desviei rapidamente o olhar e afastei-me um pouco. Okay Lucy, concentra-te! O Natsu está ferido, tenho de o sentar em algum lado e ver se a pessoa que vive aqui tem alguma caixa de primeiros socorros ou assim…
Caminhei com ele até um dos troncos e ajudei-o a sentar-se. Sem olhar para ele caminhei até à mesa, em cima desta tinha um jarro cheio de água. Eu tinha sede e provavelmente o Natsu também tinha, por isso fui procurar copos no armário. Encontrei-os em cima de dois pratos na segunda prateleira ao lado da caixa de primeiros socorros, que sorte! Agarrei em dois copos e na caixa e coloquei-os em cima da mesa.
Enchi os dois copos com a água do jarro e voltei para ao pé do Natsu, decidi permanecer em pé, era melhor não me aproximar muito. Entreguei-lhe o copo e ele sorriu para mim em forma de agradecimento. Ambos bebemos e… senti logo a diferença… As dores desapareceram! Já não me doíam os braços nem a cabeça, toquei na testa e senti que o arranhão ainda lá estava. Olhei para o Natsu e ele também estava espantado a olhar para a perna dele.
– Já não me doí! Ainda tenho a perna ferida mas já não me doí – disse incrédulo. Ele cheirou a água do copo. – Tem um cheiro parecido com o da fonte da aldeia. Esta água é mágica!
Olhei para o meu copo. Então esta água veio da fonte? Isso significa que quem vive aqui é um cidadão da aldeia… mas porque estaria um aldeão a viver aqui, ainda para mais, com um monstro à solta? Isto era muito estranho… Olhei para a perna do Natsu, podia já não lhe doer mas ainda estava com mau aspecto.
Agarrei no copo dele e dirigi-me novamente à mesa. Talvez se lhe molhasse a perna com esta água ela ficasse curada. Fui procurar no armário alguma espécie de toalha ou pano para poder limpar a ferida com mais cuidado. Encontrei uma toalha na prateleira acima de onde estavam os copos. Olhei para baixo e vi na última prateleira um pequeno balde cheio de água, podia ser que esta água também fosse mágica. Agarrei na toalha e no balde, felizmente não era muito pesado.
Pousei tudo ao pé do Natsu e ajoelhei-me ao pé da perna dele. Ele olhou-me um pouco confuso mas não perguntou nada. Molhei a toalha na água do balde e entreguei-a ao Natsu.
– Podes ver se esta água também é mágica? – Ele cheirou a toalha e acenou afirmativamente com a cabeça.
Voltou a estregar-me a toalha molhada e eu gentilmente passei com ela pela ferida na perna dele. Incrível! Conseguia ver a ferida a começar a desaparecer. Passei com a toalha mais umas vezes e a ferida desapareceu, a perna estava que nem nova. Olhei para os braços dele e vi os arranhões, podiam não ser grandes mas também tinham de ser tratados. Voltei a molhar a toalha e agarrei-lhe no braço, só precisava de uma passagem da toalha e os arranhões desapareciam.
Ia passar para o outro braço quando me apercebi que ele estava muito calado. Olhei para o rosto do Natsu e apanhei-o a olhar para mim intensamente, mas assim que percebeu que tinha sido apanhado, sorriu.
– Desde quando é que és enfermeira? – Ele perguntou dando-me o outro braço para eu tratar.
– Desde que tu precisas de uma – respondi automaticamente, felizmente já tinha acabado e podia esconder a minha cara corada.
Levantei-me para ir arrumar as coisas mas o Natsu agarra-me no pulso obrigando-me a olhar para ele.
– Espera, ainda falta a tua testa.- Dizendo isto ele puxa-me fazendo-me sentar no tronco ao lado dele.
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa ele agarrou na toalha e molhou outra vez na água do balde. Olhou para mim com cara séria.
– Não te mexas, okay? – Eu acenei com a cabeça concordando.
O Natsu respirou fundo e concentrou-se na minha testa. Senti a toalha fria e molhada, sabia bem. Conseguia ver nos seus olhos que ele estava a esforçar-se para não me magoar… ele era tão querido. O meu arranhão na testa já devia ter desaparecido mas ele voltou a molhar a toalha e a passa-la na minha testa.
Ele olhou para mim e a expressão dele mudou, parecia hipnotizado… Sem desviar o olhar dele do meu, Natsu começou a passar a toalha gentilmente pelo meu nariz… pelos meus lábios… a descer pelo pescoço… eu não me conseguia mover, estava presa naquele olhar… começou a descer pelo meu decote… sentia as gotas a escorrerem-me pelo peito e o desejo a incendiar-me o corpo… prendi a respiração.
Ele continuou a passar a toalha, mas desta vez para cima… pelo pescoço… dei por mim a inclinar ligeiramente a cabeça para lhe dar melhor acesso… voltou a descer com a toalha, mas agora pelo braço… foi então que reparei que não estava a respirar! Quando senti a toalha a passar-me pela mão agarrei-a e tirei-a das mãos do Natsu.
– Parece que já estou bem – disse conseguindo, finalmente desviar o meu olhar do dele.
Levantei-me rapidamente, agarrei no balde e dirigi-me para a mesa. Pousei o balde no chão, agarrei-me à mesa e respirei fundo… fiquei feliz por saber que os meus pulmões ainda funcionavam…
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