Amor E Morte
4 Pesadelos e ressaca
Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo
Samantha se encontrava em uma sala escura e vazia. Tudo o que se podia ver eram quatro paredes cinza, sem porta. Então seis figuras começaram a se materializar, e quando se tornaram reconhecíveis ela sorriu de alegria. Conhecia-os todos. Pedro, Isabella, Bruno, Matheus, Sarah e Alice. Todos inteiros, vivos e respirando com os rostos serenos. Ela os olhava um a um sorrindo e dizendo seus nomes como uma prece.
— Eu senti tanto a falta de vocês. – a voz dela não passava de um sussurro.
Então todas as expressões tranqüilas se transformaram em dor horror e raiva. Ela sentiu mil facas atravessando-a enquanto todas as vozes gritavam juntas:
— MENTIROSA! A CULPA DE TUDO ISSO É SUA! VOCÊ NOS ASSASSINOU! VOCÊ É UM MONSTRO!
Samantha estava de joelhos no chão frio, chorando e pedindo desculpas. As vozes se distorciam de mil maneiras e as palavras ressoavam no fundo de sua mente. Chorava e soluçava. A dor a atingia em cada centímetro de seu ser. Até que as vozes começaram a diminuir gradativamente e enfim silenciaram.
Ela estava no chão, encolhida como uma bola, sem forças. Então as paredes ruiram e começaram a desabar. Ela iria morrer. Não se importava. Fechou os olhos e esperou que uma tonelada de concreto esmagasse o seu corpo e ela sentiu cada um de seus ossos quebrarem e o sangue escorrendo em poças sob o seu corpo. Mas por algum motivo se encontrava incapaz de morrer, o vazio que tanto esperara, a falta de consciência, nada disso veio, ela simplesmente ficou presa lá em toda a sua dor. Incapaz de morrer. Incapaz de viver.
Então ela abriu os olhos e todo o peso sumiu de seu corpo, estava empapada de sangue, mas aquilo não parecia fazer muia diferença. Olhou em volta. A cena era devastadora. Samantha olhava para o que teria sido um belo jardim um dia, ela reconheceu o lugar, era o jardim da casa onde crescera ao lado da irmã e seria o mesmo lugar acolhedor de antes exceto pelo fato que estava inteiramente queimado. As árvores que um dia haviam sido belas não passavam de galhos secos, as flores haviam virado cinzas, a grama não existia mais, no lugar havia apenas uma terra escura coberta de fuligem, o balanço onde sempre brincara com a irmã estava pendendo apenas por uma haste e o ar cheirava a cinzas. Ao lado do balanço quebrado havia uma garotinha que brincava com uma boneca velha de cabeça baixa. Samantha a reconheceu e correu imediatamente até ela.
— Alice! O que aconteceu aqui?
A garota ergueu levemente a cabeça e a encarou.
— Será que você não percebe Samantha? – a voz dela era baixa e cortante. – É tudo culpa sua.
— Não diga isso, por favor. – lágrimas desciam pelo rosto dela.
Alice se limitou apenas a encará-la e balançar a cabeça em desaprovação.
De repente tudo se desfez e Samantha se viu caindo em um lugar totalmente escuro. Não havia nada, apenas a queda e o abismo, ambos sem fim. Mas o que a assustou não foi a queda e o escuro, o que a assustou foi que cada vez que tentava pensar em alguém ou se lembrar de algo isso lhe fugia a mente, ela sentiu todas as memórias esvaindo-se de seu ser. A única coisa que pode fazer foi gritar a última palavra que conseguiu se lembrar:
— Não!
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Ela abriu os olhos assustada e percebeu que tinha o rosto molhado de lágrimas e que suas mãos se agarravam fortemente a camiseta preta de Galadriel. Aos poucos tomou consciência dos braços dele a sua volta e de sua cabeça encostada no peito dele.
— Calma. Tudo bem. – a voz dele era serena.
Samantha enxugou as lágrimas com a as costas das mãos e ficou em silêncio com os olhos abertos.
— Eu estou cansada. – sussurrou ela.
— Eu sei. – respondeu ele com um suspiro.
Então ela deixou-se levar pela dor de cabeça e pelo cansaço e caiu no sono, dessa vez sem pesadelos.
Samantha acordou com a cabeça latejando e o corte na mão ardendo. Foi direto para o banho. Colocou uma roupa qualquer e deixou ferida limpa, mas aberta. Sentou-se na cadeira e apoiou a cabeça na escrivaninha.
— Bom dia. – Galadriel apareceu sem a fantasia de cadáver, sorrindo e falando extremamente alto.
— Cale a boca. Minha cabeça está latejando e minha mão ardendo.
— Dorme até as quatro da tarde e ainda acorda de mau humor? – como ele adorava irritá-la… – Tudo bem docinho, eu vou ajudar a melhorar o seu dia como sempre.
Ele andou até ela e a puxou da cadeira tocando a mão machucada. Ela sentiu uma dor queimada e quando olhou para a mão o corte havia desaparecido.
— Você poderia ter feito isso desde ontem? – a voz dela não conseguia expressar toda a sua fúria.
— Hum… Poderia. – respondeu ele calmamente.
— Então por que não fez?
— Porque eu não quis.
— Você sempre foi tão controlador?
— Ouvi dizer que as mulheres gostam de um homem decidido. — disse ele chegando mais perto, quase encostando os labios nos dela, quse…
Mas quando ela começou a fechar os olhos ele se afastou bruscamente.
Ela olhou pra ele zangada e ele se limitou a rir.
— O que foi querida?
Ela se limitou a jogar um travesseiro nele.
— Ui, doeu. – disse ele rindo. – Vou buscar alguma coisa pra você comer. Talvez melhore essa sua cara feia.
Samantha se limitou apenas a resmungar enquanto ele saía pela porta. Enquanto ele buscava comida ela arrumou a cama e jogou água fria no rosto na esperança de melhorar um pouco o ânimo.
Quando ela saiu do banheiro um prato com batata frita, arroz e bife acebolado a sua espera, tudo quentinho, assim como um copo duplo de suco de laranja gelado.
— Um banquete todo pra você amore. – disse ele sorrindo.
— Já disse que odeio esse apelido. – ela ainda estava de mau humor.
Sentou-se e comeu em silêncio enquanto ele a observava. Terminou, escovou os dentes e se jogou na cama novamente.
— Você acabou de acordar! – a voz dele soava indignada.
— Dane-se. Eu não quero fazer nada, então vou dormir até amanhã.
— Mas não vai mesmo!
Ele a empurrou para o lado da cama e deitou-se ao lado dela, fazendo-a ficar virada de frente pra ele. Eles ficaram se encarando por um longo tempo até que finalmente Samantha rompeu o silêncio:
— Qual o seu problema?
— Você.
— Eu? Foi você quem fez uma bagunça na minha vida se lembra?
— Será que você não faz a mínima idéia do efeito que causa nas pessoas?
— Achei que você não fosse uma pessoa.
— É impossível conversar com você! Me admira que tivesse tantos amigos.
— Você é insuportável!
— Sou mesmo? – dessa vez o sorriso dele era malicioso e ela se deu conta do quão próximos eles estavam.
Ela sorriu maliciosa e se aproximou devagar, beijando-o nos lábios de leve, com delicadeza. Quando ele começou a ansiar por mais ela traçou uma linha de beijos até a sua orelha e sussurrou:
— Quer mais?
— Sim. – a voz dele era ainda mais baixa.
Samantha virou-se para olhá-lo nos olhos e dizer sorrindo:
— Você sabe que nunca terá.- Vingança, pensou ela.
Ele levantou-se e foi para a porta, mas antes de sair virou-se para ela e disse:
— Você sabe que terei.
Notas finais
-Só pra deixar vocês morrendo de curiosidade:
*No próximo capítulo vai entrar um personagem novo e vai falar sobre a morte da irmã da Samantha, a Alice.
Não perca! kkkk
-Leiam também: Liberdade Morta
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