Amor E Guerra.

4 Me presenteiam com um robô do mau.


- E ai! O que vamos fazer agora?- Perguntei colocando minha nova espada no chão.

- Para o acampamento é obvio! Seus irmãos não lhe falaram isso? – Perguntou Ferdinando, meu novo amigo.

- Sim falaram mas... Eu não entendo. Como esses deuses ainda existem?

- Eles sempre existiram e sempre existirão. A poucos casos de algum deles morrer como... – Ele olhou para Belinha, sua nova amiga barata e chorou. Eu não imaginava da onde ele tirara aquele nome, porem ele me disse que ela havia dito.

- O que foi? Porque você esta chorando? – Perguntei sem entusiasmo, a luta tinha sido cansativa e eu queria muito era dormir.

- É que um desses deuses que morreu, morreu na frente de meu pai. Pã, deus da natureza. Agora que ele morreu o mundo virou esse lixo que é hoje, e Belinha, bem ela é um dos animais exóticos por ele criado, acreditava-se que a sua espécie estava extinta, e pelo que vejo nos matamos as que ainda estavam vivas. Temos que levar você e ela para o acampamento. Tanto você e ela poderão um dia salvar o mundo, mas temos que ir logo, ela não vai durar muito. – Disse ele rapidamente.

- Ahn! Você sempre fala tanto assim?!? O que você quer dizer com que nos duas podemos salvar o mundo? E porque ela não vai durar tanto tempo?

- Minha senhora das latas e enchiladas. Eu posso ate falar bastante, mas você também me enche de perguntas. Primeiro, vocês eram ate agora desconhecidas, você pode ser uma grande deusa e ela pode provar que o mundo ainda pode ter chances de ser um mundo mesmo. Agora chega de conversa. Vamos!- Disse ele pulando das costas de Belinha.

- Vamos? Como? – Perguntei sem entender nada.

- Minha queridinha. Não esta vendo? – Disse ele apontando para Belinha. Eu realmente não queria que fossassem voando, mas não tive chances.

Ferdinando me ajudou a subir nas costas dela e eu não sabia onde ficar, já que as asas ocupavam todo o corpo.

- A cabeça. – Disse ele subindo atrás de mim.

Sem discutir fui para lá e posicionei minhas pernas uma de cada lado de uma das antenas gigantes de Belinha. Ferdinando fez o mesmo e disse para que me segurasse se eu não quisesse cair do céu. Ele pegou sua flauta e começou a tocar uma música até um ponto divertida, porém um pouco depois percebi que parecia mais uma musica de velório.

- Para que isso? Você também vai precisar de suas mãos.

- É uma musica da pressa, vai fazer ela ficar mais rápida, porém vai cansar mais rápido. Ainda bem que o acampamento é perto daqui, fica em Long Island.

- Perto? Estamos Em Boston, daqui até lá leva um bom tempo!

- Boston? Você esta sonhando? Estamos em Manhattan, você caminho até aqui.

Aquilo me pegou de surpresa, eu pouco havia caminhado, pouco havia cansado e tinha caminhado tudo isso. Bem que aquilo que tinha acontecido com as minhas pernas era totalmente descomunal, mas tinha me parecido tudo tão devagar.

- Que dia é hoje Ferdinando? – Pedi imediatamente.

- Ue , dia três. – Disse ele como se isso fosse óbvio. Eu havia então caminhado por dois dias sem perceber, era por isso que eu estava tão cansada. – Dia três de... Julho – Completou ele.

- Julho? O que? Estamos em Junho, mês que vem é meu... Pera aí. Hoje é meu aniversario. – Disse eu me tocando. Eu havia caminhado realmente muito para apenas ir até Manhattan. Eu não fazia a mínima idéia sobre o que eu tinha feito no resto do tempo.

- Parabéns para a Xeiga, filha da guerra e da beleza, ela adooooora fazer perguntas e um dia será uma deusa. Parabéns...

- Chega Ferdinando, você já esta me enchendo o saco. – Berrei. Ferdinando apenas me olhou como se já soubesse que era isso que eu faria.

- Agora vem as desculpas quer ver. – Sussurou ele.

- Me desculpe, eu, eu não tive a intenção, eu...

- Você foi igualzinha ao seu pai e a sua mãe.

- Ahn, é?

- Mais idêntica impossível.

Ajeitamos-nos um pouco mais sobre a cabeça de Belinha. Ferdinando tocou a música da pressa por mais um tempo e quando botou a flauta em seu cinto da calça disse:

- Belinha. Vamos lá minha linda.

Alçamos voo. Belinha foi muito rápida. O céu negro acima de nos ficava cada vez mais claro, parecia uma eternidade, eu poderia até dizer que estávamos no subterrâneo, porem era impossível. Quando chegamos ao mundo “real” as pessoas começaram a nos olhar de um modo estranho. Ergueram suas mãos a cabeça, tentando ver melhor o que estava acontecendo.

- Elas não vêem a Belinha?

- Não. A névoa meio que embaça a visão deles e muda o seu conceito, eles provavelmente viram um grande helicóptero saindo do chão e decolando. É tipo uma magia. – Disse ele rindo.

- Isso é estranho. – Disse eu olhando para Ferdinando. Ele olhou para mim e deu um pequeno sorriso que logo em seguida desapareceu. Ele olhava ao horizonte e cheirou o ar ao seu redor. Sua expressão ficou seria, ele segurou a sua antena mais forte e olhou com o lado dos olhos para mim.

- Xeiga pegue sua espada. Vamos precisar dela.

- O que? Porque? – Disse eu olhando para ele.

- Monstros, ou um monstro muito forte.

Eu tirei minha espada da bainha que havia aparecido logo após eu terminar de usá-la antes. Ela parecia brilhar mais ainda no claro. No horizonte vi um vulto negro segurando uma espada gigantesca. Ele se aproximava cada vez mais. E ficava cada vez mais assustador.

- O que? Um robô? – Perguntei.

- É. Ele esta atrás de você. É um dos brinquedinhos deles. Feliz aniversario, porem com um muito presente muito do mau.

- Aquilo? Um brinquedo, ainda mais um presente? De quem?

- É um brinquedo sim, e pequeno ainda.

Quando ele chegou a aproximadamente a uns 20 metros da gente Belinha mergulhou para o chão e o robô nos seguiu. Ele agitou a sua espada gigante e por pouco não cortou uma das asas de Belinha. Eles continuaram voando por ai, como se estivessem brincando de pega-pega. Belinha pareceu ficar irritada, ela com certeza não queria perder sua asa, ela se virou para o robô e cuspiu... fogo, fogo verde, fogo ácido. Ela acertou em cheio o robô que começou a tremer e derreter. Ele soltou sua espada que logo desapareceu. O corpo dele também se foi em segundos. E eu e o Ferdinando ficamos nos olhando boquiabertos.

- O que foi isso? E, tem certeza de que esse monstro era realmente forte?– Perguntei.

- Ahn, eu realmente não sei, eu só sei que a Belinha foi demais, ela é com toda certeza a melhor barata do mundo.

Eu dei um pequeno sorriso e guardei novamente a espada.

Continuamos voando por uns trinta minutos e eu peguei no sono. Quando acordei estava cercada de pessoas, olhei para os lados e vi um cavalo, não era um homem cavalo vindo em minha direção, ao seu lado estava postado um homem de aproximadamente uns 26 anos com uma espada que parecia ter uma grande historia. Belinha estava ao fundo, sendo acalmada por Ferdiando, eu entendia que ela não podia mais estar viva, e os outros pelo jeito também entendiam. Ela estava cercada de sátiros que pareciam estar fazendo uma espécie de ritual antigo, estavam todos com xícaras de café e isso eu também não entendia. Os dois homens já estavam ao meu lado quando voltei a atenção para eles, estavam conversando. Eu não entendia o que eles falavam e minha visão ainda estava meio tremula. Tentei descansar um pouco e é claro que concegui, eu estava morta de cançasso, quando abri os olhos novamente o homem que estava com a espada estava sorrindo ao lado de uma bela moça loira de olhos cinzentos, ela tinha seus cabelos presos e eu deduzira que eram namorados. Eles se olhavam e riam diversas vezes. Quando minha audição ficou um pouco melhor pude entender.

- Viu só. – O ouvi falando. – Não sou só eu que babo enquanto durmo.

Notas finais
Demorei pois é, mas ta ai.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!