Amor E Auto-hipnose
14 Capítulo 14: Homem e homem
Notas iniciais
– Im...possí... me larga! ME LARGA!! — eu tento me debater para ele me soltar, eu já estou ficando desesperado. Vejo ele levantar o estilete (que merda, eu estou de bermuda, diminuiria o impacto) e começar a cortar minha perna. — AAAAH... me... SOLTA!! — consigo me virar, jogando o estilete para longe com a outra perna. Levanto-me e saio correndo. Vejo ele tentando se arrastar. Perto da entrada, coloco as duas mãos no rosto. — Que... filme de terror... — digo para mim mesmo, chorando. — É, é um filme de terror... — viro-me na mesma hora. — Quem?! — é o ascensorista. Ele está me olhando com uma cara de espanto e também de condenação. — O QUE VOCÊ PENSA QUE FEZ?? — ele começa a gritar, me puxando pela blusa. — Le..gítima defesa... — digo, baixo. — Não... aquilo não é legít- interrompo-o — Você viu toda essa cena desde quando então?? — pergunto. — Desde que você subiu para esse andar... eu falei que estava calor naquela hora pois você estava suando demais. — ele diz. — Então se me viu desde aquela hora até agora viu que quem começou a briga não fui eu! — exclamo. — Não me importa... eu vou falar isso para a polícia, querendo ou não, você matou uma pessoa! — ele me larga, coloca a mão no bolso e tira um celular. — Hã?! Espera!! Você sabe que eu não o matei porque eu quis!! Por favor, não tem nada que eu possa fazer?!
Que merda que eu falei nessa hora. Esqueci da cena do elevador. Ele dá um sorriso malicioso e guarda o celular no bolso novamente.
– Hm... que bom que tocou no assunto. — ele segue chegando perto de mim. Eu fico aflito, e minha BPM (batida por minuto) aumenta. Ele coloca os lábios perto da minha orelha. — Então faça o que eu mandar nessa noite que a polícia não saberá de nada. — ele começa a desabotoar o colete a passa a mão no meu pescoço. — Eu não sou gay... — eu não sei mais o que fazer. Se eu não permitir, eu ficarei ferrado com a polícia, pois eles podem interpretar meu homicídio fora dos limites da legítima defesa, ou o ascensorista pode dar outra versão, já que ele é testemunha ocular e o escritório não tem câmeras. — Então por hoje será... e espero que sempre seja... — ele escorrega as mãos pelas minhas costas e começa a apalpar minha bunda, e chega os lábios bem próximos dos meus.
Eu não quero passar por isso... Emily...
Ele está quase me beijando.
...
– Tá gostando...? — ele começa a levantar minha blusa.
Tenho que pensar em algo logo...
Ele segura meu queixo, me forçando a abrir a boca.
Já sei.
Encosto minha mão em seu tórax. — Espere. — empurro-o, ele me larga, finalmente. — Eu vou lhe dar meu celular. Me ligue exatamente daqui a 30 minutos. — é o meu plano. Espero que dê certo. — Hm... vai me chamar para um lugar mais isolado e quieto...? Além de tudo, menos macabro... porque isso aqui é um cenário de terror... — ele diz. — Quem sabe...? Qual é o seu nome? — pergunto. — Denis... — ele responde. — Poderia também me dar seu sobrenome? Eu acho que posso precisar lhe procurar nas redes sociais. — mais uma pergunta. — Hm... pelo visto gostou de mim, hahaha! Com toda essa força nessa luta contra o Oliver... achei que poderia ser mais um hétero. É gay também, he. Meu nome é Denis Ferreira. — ele responde. Ótimo. Pego um papel e uma caneta de uma pequena mesa do lado da porta do escritório, e anoto meu telefone. Entrego o papel a Denis. — Me ligue apenas em meia hora. — digo. — Ué, vai todo manchado de sangue? — Denis pergunta. Hã?? Esqueci que a blusa era clara... — Não se preocupa. Vem comigo. — sigo Denis, que sai do escritório e vai para um corredor. — Você tem sorte que apenas duas pessoas trabalham nesse andar, e que a outra já foi para sua casa, e também que ninguém para aqui. Cada andar tem um compartimento de lavanderia, eu vou ver se consigo uma blusa para você. — ele abre uma porta. Algumas roupas estão espalhadas. — Aqui é onde a camareira arruma alguns uniformes e roupas casuais em casos de hospedagem, pois aqui também há quartos para casos especiais. Toma essa blusa aqui. — ele me joga uma camiseta preta básica. Visto. — Obrigado. — agradeço. Esqueci de um detalhe importante. — O que você vai fazer em relação àquele escritório...? — pergunto. Ele me olha calmamente. — Eu vou deixar como está. Uma hora ou outra vão achar, e eu vou fingir saber de nada. — ele responde. — OK... — digo, ainda preocupado. — Eu vou lhe ligar, hein... — ele lambe os lábios. Sorrio — forçadamente e falsamente — e saio correndo. Pego o elevador e desço. Vou para o balcão. — Ah, é o garoto de antes. Em que posso lhe ser útil? — ela pergunta.
– Então... meu pai está querendo ter uma conversa com um ascensorista dessa empresa pois ele teve umas conversas e descobriu que ele tem habilidade com música, e meu pai queria falar com o diretor daqui em relação a isso, pois aqui também tem uma ala destinada a música, certo? — pergunto. — Sim, tem. — ela responde. — Então, meu pai pediu o telefone e endereço do Denis Ferreira, para poder ter contato. — digo. Ela me olha com uma expressão meio que de desconfiança. — Mas seu pai ainda está aqui, ele poderia muito bem pedir pessoalmente... — ela diz. — Ele disse que poderia muito bem vir aqui, mas saiu apressado pois disse que tinha que ir na casa de uma amiga. — digo. — Hm... não vou achar que você está tentando fazer algo. Você é o filho dele e só está tentando o ajudar, OK... só um minuto que vou ver no sistema. — ela tecla alguma coisa e espera aparecer algum resultado. Ela anota algo num papel e me entrega. O telefone e endereço de Denis Ferreira. — Obrigado! — agradeço. — Disponha, e volte sempre. — ela diz. Saio andando normalmente. Finalmente consegui o ponto crucial do meu plano. Ainda bem que está ventando, pois estou suando com duas blusas. Continuo seguindo de volta para casa.
Notas finais
30 minutos depois.
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