Amor E Auto-hipnose
3 Capítulo 03: As partituras da vida
Notas iniciais
:D
E o filme é iniciado. Um documentário sobre o efeito do aquecimento global no mundo. Eu já tenho a minha opinião definida sobre esse tipo de assunto, então apenas fico lendo as partituras do Chaconne de Bach... — Psiu, é melhor parar de ficar lendo isso aí. — alguém diz. Me viro, é o Guilherme. Ele vive querendo me irritar. Se eu não me controlasse, já teria sido expulso. Logo depois de meia hora de filme, o professor pausa. — E então, por enquanto, já tem alguma opinião formada? — ele pergunta. — Que resumindo, se até agora o aquecimento global só aumenta e ninguém quer parar, em 2050 estaremos vendo um céu cinza? A culpa do que está acontecendo é toda do homem e ele apenas quer jogar o problema para debaixo do tapete. — digo. — OK, então continue desenvolvendo sua tese, Charles. Eu vou dar play no filme. — e pronto. O filme continua, vamos discutindo teses e opiniões. Apenas eu, o professor e Lilian que falam. Ela sempre gosta de discutir algo. Sabrina ficava calada... não sei a razão. Até Emily ficava. Parecia que não estava se importando muito com a aula, mas o resto da sala ficava conversando, tanto que o professor — de 5 em 5 minutos — mandava a turma calar a boca. Eu imagino o dia que ele soltar um palavrão. Aí vem pai e mãe querendo jogar processo em cima do professor pois está constrangendo o filhinho. E o filme acaba. Eu e Lilian recebemos 1 ponto na próxima prova pois fomos os únicos que falaram alguma coisa. A aula acaba. E volta aquele alvoroço, todo mundo correndo... E eu na calmaria de sempre. Pego minhas partituras — não poderia prestar atenção nelas se eu usar fone — e sigo em frente. Até que então alguém arranca os papeis de minhas mãos.
– Olha só, é o estranho da sala... sempre nas partituras. Vai fazer o quê agora? — os dois mais valentões da sala. Maurício e Carlos. — Cara. Não se cansou de ficar fazendo isso não? — pergunto. Por mais que eles sejam desse jeito, eu já fiz aulas de boxe, mas não sei se me garanto. O problema é que são dois contra um. — Ai, ai... vai falar que é bullying...? — Carlos pergunta. — Eu nem dirijo a palavra a vocês. Por favor, devolvam as partituras, eu as preciso para a minha aula de violino. — digo. Então um deles pega um dos papeis e começa a rasgar. Eu poderia fazer o que quisesse com os papeis, mas eu não sou louco, pois eram presentes do meu avô, que também tocava violino. Minha expressão de choque apenas os faz rir. — Parem com isso, vocês dois! — alguém chega. Meus olhos passam a brilhar. É Emily. Nunca pensei que ela fosse uma defensora. — Cala a boca, aê, ô vadia! — apos essas palavras vindas da boca de Maurício, é no mesmo lugar aonde eu dou um soco que o faz cair no chão, espalhando as partituras pelo ar. — DESGRAÇADO! NÃO É ASSIM QUE SE DEVE TRATAR UMA DAMA! — e sigo dando vários socos. — AQUELAS PARTITURAS SÃO PRESENTES DO MEU AVÔ!! TEM VALOR SENTIMENTAL! TEM IDEIA DO QUE VOCÊ FEZ?! — começo a gritar, e ele cospe no meu rosto. Carlos me puxa pelas costas e me joga contra o armário, e começa a me socar também. Vejo Emily correndo em direção a escada do 1° andar, que é aonde fica a sala da diretoria. — A vaca fugiu de medo. — Maurício diz. — Não... não foi medo. — e empurro Carlos contra o amigo dele. Pego as partituras do chão. Eles vêm atrás de mim.
– O QUE ESTÁ HAVENDO AQUI? — alguém grita. Os dois se viram e veem o diretor da escola, e, do lado, Emily, com um rosto de satisfação. Eles também sempre faziam-na ficar irritada. Os dois saem correndo. Eu vejo a folha rasgada, sento na escada e começo a chorar. O diretor e Emily chegam perto de mim. — Emily, pode ir, eu só quero falar com ele. Obrigado por me chamar. — ela diz um "de nada" e sai. Será que isso foi algum tipo de prova de amor? Afinal, ela me ama... — O que foi...? — o diretor pergunta. — Essas partituras foram presentes do meu avô quando eu tinha 6 anos de idade. Eu não tenho nada que eu cuide tanto, mas essas partituras são praticamente minha vida... de certa forma, claro. Meu avô sempre foi o exemplo que eu queria seguir na carreira de violino. — digo. — Não se preocupe, aqueles dois irão receber a devida punição. — não sei qual seria. — Uma suspensão de três dias que fariam os dois ficar com mais ódio e quererem me fazer coisas piores? — pergunto. — Vou repetir, não se preocupe, OK? — ele me ajuda a guardar as partituras na mochila, e eu sigo para o portão principal da escola, aonde encontro Sabrina. — O que foi isso no seu rosto?! — ela pergunta. Eu olho em volta. Aparentemente os dois valentões já foram. — Briga. Não se preocupe comigo. — digo calmamente. Sento do lado dela, e apenas fico calado, esperando minha mãe. Agora que eu estava afim de ouvir música, pego o fone de ouvido.
– Nossa, cara... você tá muito para baixo. — ela diz. — Eu já disse que foi apenas uma briga. — digo de uma forma normal, pois eu já estava ficando irritado. Procuro a música no MP4. Paper Plane, Kagamine Rin/Len... ótimo (a música tem mais de sete minutos)... e dou play. Logo após eu já estar escutando uma segunda música, minha mãe chega e me chama. Levanto-me e despeço-me de Sabrina. No meio do caminho me viro e digo: — Não se preocupe, não esquecerei das suas Madeleines. — ela sorri e continua lá esperando o carro que a leverá para casa. Entro no carro de minha mãe e ela dá partida.
Notas finais
Chuva para previsões.
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