Amor Demoníaco
3 Capítulo 2: Sebastian, meu mordomo protetor.
Aquele dia havia sido muito confuso, o que Sebastian fez em mim, a maneira que ele tocou meu corpo foi surpreendentemente marcante, e toda vez que eu deitava em minha cama, imaginava Sebastian ali, agarrado a mim e me acariciando como nunca.
Se passaram duas semanas daquele acontecido, e Sebastian não havia comentado nada. Só me olhava com ar de malicia, e dava para ver nitidamente que ele me desejava. Eu confesso que corava todas as vezes que eu ouvia ele chamar por mim. “Bochan” aquela palavra fazia meu rosto corar, e meu corpo desejar que ele me tomasse em seus braços. Mas, o que estou pensando? O que levaria um demônio como ele me querer? Eu realmente estou ficando louco.
Como de costume, a rainha nos enviava algumas cartas para solicitar nossa ajuda. Muitos me chamavam de cachorrinho da rainha, mas para mim não era isso que eu representava, para mim, cumprir o dever com a rainha era nada além de honra.
- Bochan, está tudo pronto para irmos. –Sebastian grita do lado de fora de meu escritório.
- Já estou descendo. Espere na carroça. –Disse eu. Na verdade eu só queria ganhar um tempo para que eu me recomposse. Como disse aquela palavra me deixava completamente pasmo, e se eu não esperasse um pouco, poderia pular no Sebastian e arrancar um beijo.
Eu desci as escadas e assim que os degraus acabaram, pude ver meus empregados esperando na porta para se despedirem de mim. Como se eu estivesse indo embora para sempre.
- Boa sorte Bochan! –Todos gritaram ao mesmo tempo e acenaram para mim, que já estava na carroça sentado ao lado de Sebastian. Para não deixa-los no vaco, eu acenei de volta. Questão de educação.
- Vamos! –Ordenei para o homem que comandava os cavalos.
Durante uma boa parte do caminho Sebastian e eu permanecemos em silencio. Não sei quanto aos pensamentos de meu mordomo, mas sabia que os meus permaneciam naquele esplêndido dia. Eu sei que já estava ficando paranoico, mas Sebastian estava muito perto, como naquele dia, eu não conseguia imaginar nada além daquilo.
- Bochan? –Chamou Sebastian. Confesso que me assustei com aquela palavra que surgiu tão subitamente.
- Diga. –Disse eu com a cabeça baixa.
- Está calado desde a mansão. Há algo que lhe aborrece?
Eu pensei no quanto ele estava sendo gentil. Naquele momento tive vontade de abraça-lo, mas é claro que eu não o faria.
- Sebastian, porque fez aquilo naquele dia? –Perguntei eu olhando fixamente nos olhos de meu mordomo.
- Bochan, foi apenas um desejo irrelevante. Peço desculpas, e se quiser me punir...
- Não! Está tudo bem. –Interrompi. Eu fiquei assustado com a palavra punir , não conseguia imaginar Sebastian sofrendo. Isso me dava um enorme aperto em meu peito.
Eu comecei a organizar meus pensamentos e perceber que para mim Sebastian era mais que um mordomo. Ele era meu amigo, companheiro e sempre me salvava de pessoas pervertidas. Que ironia, meu pensamento acaba de voltar naquele dia. Espera... Será que eu estou gostando de... Não, não pode ser. Eu não estou apaixonado por um demônio.
- Bochan, está bem? –Sebatian estendeu a mão e colocou-a em meu joelho.
- É-É claro que estou. –Disse eu meio embaralhado.
Depois disso ficamos em silencio. Não faltava muito até o local do acontecido.
Bom eu não contei o que estávamos indo fazer então aqui vai: A rainha solicitou que encontrássemos um homem que estava matando crianças e homens adultos, e seu objetivo era poder ficar com as esposas para poder violentá-las. O local era um vilarejo perto do grande relógio de Londres.
-Chegamos. –Exclamou o controlador dos cavalos.
- Vamos bochan, temos muito a fazer. –Disse Sebastian descendo da carroça e me ajudando a descer.
Apesar de esse homem estar foragido, a rainha suspeitava o lugar que ele estava escondido. Ela resolveu contar a mim e a Sebastian para que nós avaliássemos o lugar. Não sei porque mas a rainha não informara o motivo de não comunicar a policia sobre esse local.
- Sebastian, acho que é aquele casa que estava indicada na carta. –Disse apontando para uma velha choupana muito íngreme e um pouco distante de nosso posto.
- Fique aqui, eu irei verificar. –Disse Sebastian.
- Ei, o que acha que eu sou? Um pequeno cachorro indefeso. Sebastian eu vou.
- Não! É perigoso.
- Sebastian... –Subitamente ele cala minha boca com um beijo. Sebastian estava com suas mãos apoiadas em minhas costas, e apertava a mesma. Eu senti uma sensação quente invadir meu corpo.
- Baka! Porque fez isso? Nunca mais faça isso. –Disse eu passando a mão em minha boca.
- Isso é uma ordem? –Disse ele com ironia.
- É claro que... –Eu pensei bem, e resolvi não dar uma ordem, talvez eu sentisse falta de caricias... O que eu disse? –Vamos logo acabar com isso. –Disse distorcendo as coisas.
Nós dois andamos até a casa. Sebastian avaliou dos lados, e até mesmo no teto. Como aquele mordomo era superprotetor. Às vezes esse jeito dele me cansava. Mas era o modo dele dizer que se preocupava comigo.
- Nada bochan. –Disse ele descendo do teto daquela choupana imunda.
- Então arrombe essa porta. É uma ordem.
- Yes, my lord. –Em um chute, Sebastian estraçalhou aquela porta e deixou-a em pedaços minúsculos.
A choupana estava toda bagunçada, pedaços de madeira no chão, paredes mofadas, a torneira de canto estava pingando e havia até manchas de sangue fresco naquele lugar. Com certeza era ali onde o matador fazia suas vitimas. Aquela visão era completamente horrível.
- Sebastian acho que aqui realmente... –Minhas palavras foram interrompidas pois, alguém tampou minha boca e me empurrou para fora.
- Bochan! –Sebastian se virou, e tentou me pegar, mas, o homem foi mais rápido. Eu sabia que era um homem, sua força e falta de delicadeza não deixava enganar.
- Que lindo garotinho rico. –Disse aquele homem- Este aqui servira para me satisfazer financeiramente.
- Mas o que você pensa que vai fazer comigo seu idiota? –Disse eu tirando a mão dele de minha boca.
- Vou vendê-lo como escravo.
- Mas eu sou o conde Phantomhive, não pode me vender –Eu comecei a pensar em Sebastian e logo disse- Sebastian, me salve agora, é uma ordem! –Meu olho com a marca brilhou, e de um telhado pude ouvir as palavras de Sebastian:
- Que homem idiota, não se pode tocar em meu bochan, sem minha permissão. –Ele saltou do telhado e lançou facas de prata em nossa direção. Aquele homem foi atingido por três facas na cabeça, e uma atingiu suas costas. Foi incrível que a faca das costas, parou no meio de minhas pernas, mas não as atingiu.
- Bochan, está bem? –Disse Sebastian me pegando no colo. O homem ficou se debatendo no chão e cuspindo sangue.
- Estou sim. Mas esse homem não pode morrer, a rainha exige que ele seja capturado vivo. –Disse me levantando apoiando-me em Sebastian.
- Ele não morrerá. Ele está cuspindo sangue, pois suas costas foram perfuradas em um ponto vital, causando hemorragia. Ele ficará bem bochan. –Disse Sebastian me virando e olhando para mim- Eu não suportaria perde-lo bochan. –Sebastian me abraça forte e ternamente.
- M-Mas, Sebastian, você gosta de mim... Não entendo suas ações. –Disse confuso.
- Claro! Você não é só mais uma alma humana para mim, é minha vida.
- Sebastian não diga besteiras –Disse eu me soltando dos braços de meu mordomo- Vamos pegue esse homem e vamos para a carroça levá-lo para a rainha.
- Entendido.
Sebastian pegou aquele homem ensanguentado e levou para a carroça. Enquanto ele se concentrava em cumprir minha ordem, eu pensava naquelas palavras ternas que saíram da boca de meu mordomo. Ele gosta de mim? Será possível? É errado dois homens? Um humano e um demônio junto? Essas perguntas estavam surgindo sem parar, e não havia nenhuma resposta pensável naquele momento.
Quando o dever foi cumprido, nós voltamos para a mansão. Já estava anoitecendo e eu ainda pensava naquelas palavras.
Quando chegamos à mansão, eu pedi a Sebastian para preparar meu banho quente, eu estava cansado e só queria um banho para relaxar e depois é claro tomar um bom chá.
- Bochan, seu banho esta pronto. –Disse Sebastian abrindo a porta de meu quarto.
Ele me levou até a banheira e tirou minha roupa. As mãos de Sebastian desabotoavam os botões com suavidade e uma paciência extrema. Eu até podia dormir com tanta calma.
Quando eu estava dentro da banheira, fechei meus olhos e finalmente meus pensamentos cessaram. Eu fiquei calmo e não pensava em Sebastian.
- Bochan, deseja uma massagem? –Disse Sebastian abrindo um sorriso imenso.
- Claro! –Afirmei.
As mãos de Sebastian deslizavam pelas minhas costas, fazendo eu me relaxar e ficar calmo. Os movimentos deixavam meus músculos menos tensos proporcionando uma sensação ótima. Quando tudo ia bem eu senti um objeto gelado sobre meu pescoço. Não era um objeto e sim um membro. Sebastian beijava meu pescoço calmamente e cheio de desejo.
- Pare com isso Sebastian. –Disse eu sem me mecher.
- Isso vai fazer com que o bochan fique melhor, acredite. –Disse ele beijando mais abaixo.
- P-Pare. –Eu já não conseguia dizer, pois, estava ao meu limite. Eu não queria que Sebastian parasse, mas subitamente ele parou.
- Desculpe, mas acho que o chá do bochan já está pronto. Devo me retirar. Com sua licença. –Ele se levantou e saiu do banheiro.
Eu fiquei frustrado, pois, eu queria que ele fosse alem daqueles beijos. Mas como um conde eu não podia levar aquilo adiante.
Depois que tomei o chá, estava cansado para esperar o jantar acordado então dormi. Dormi com o pensamento em Sebastian e naqueles beijos suaves que me fizeram delirar. Ah, Sebastian, meu mordomo e tanto.
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