Amor Demoníaco
10 Capítulo 10: Em braços diferentes.
Notas iniciais
Naquela noite certamente sonhei com Sebastian. Sonhei com nosso amor, sonhei com seus suaves toques e sua voz sussurrando coisas em meu ouvido. Eu realmente não queria acordar, mesmo sabendo que Sebastian estaria ali para suprir minhas necessidades. A serenidade do sonho não seria a mesma que encontraria na realidade.
- Sebastian, sonhei com você! Preciso de sua voz. –Disse eu me espreguiçando e esfregando os olhos. Previamente pude ver a luz do sol, que por sinal estava forte e fazia com que meus olhos doessem.
- Acho que não poderei realizar seu desejo. Mas, trouxe seu café! –Uma voz disse. É claro que a principio não percebi ao certo de quem era, mas, sabia que de meu amor não era. Quando meus ouvidos finalmente interpretaram aquela voz maligna eu pude perceber que não estava em minha cama.
- O que está acontecendo? –Perguntei fitando o local onde estava. Percebi que aquele lençol era como o de minha cama, que aquele quarto era como o meu. Tudo era quase tão igual como no meu quarto, exceto por uma coisa: O tom das peças de xadrez daquele quarto era mais claro do que as minhas reais peças.
- A noite passada foi tão favorecedora para você não é? Prazer intenso, caricias e satisfações de desejo. Os humanos costumam ter muita luxuria, não que isso seja abominação para nós demônios. Mas, aquelas mãos não eram minhas, então decidi aproveitar que seu mordomo estava fazendo os serviços, e te trouxe para cá, e você mesmo assim, não acordou.
- Por que faz isso Claude? Não entendeu que não te amo? Meu amor é inteiramente de Sebastian! –Exclamei. Ele falava com um ar de naturalidade. Me enojava vê-lo tomar goles de café e fitar meu corpo como se fosse uma bela torta recém preparada.
- É claro que é. Entregar um corpo como esse para um demônio comedor de almas, insensível e asqueroso como Michaelis só pode ser amor. E um dos mais patéticos que já vi. Mas, isso vai mudar é claro. –No momento que ele coloca a xícara de chá sobre a mesa, alguém bate a porta. Eu não esperava que alguém fosse tentar entrar ali, mas, estava apreensivo.
- Quem era? –Perguntei instintivamente.
- Acho que seu mordomo sentiu sua falta. Mandou por um de seus empregados esse, sei lá, acho que é um chá. Ele é ousado, e acha que entregarei...
- Deixe-me beber! –Pedi. Claro que não entendi o motivo de Sebastian me mandar um chá ao invés de me salvar, mas, a esse ponto aceitaria qualquer coisa que viesse de meu amado. Ele também havia clonado meus serviçais? Ou será que os capangas de Claude manipularam os meus serviçais para trazer esse chá até aqui?
Claude não hesitou em me dar o chá. Estava um pouco mais quente do que o de costume e o cheiro também não era familiar. Mas, talvez Sebastian estivesse tão preocupado com minha segurança que se esqueceu de preparar o melhor chá de todos. Mas, se havia sido feito por suas belas mãos, estava o suficiente.
Quando terminei eu me senti um pouco diferente, talvez mais, eufórico e minhas vistas ficaram turvas por alguns momentos.
Narração: Claude
Eu pude ver Ciel um tanto confuso. Meu plano estava saindo como eu realmente queria. Ciel achou que aquele chá havia sido preparado por Michaelis. Ah, o que o amor não faz não é?! É claro que eu havia preparado aquele chá. Agora eu serei o seu mordomo senhor conde Phamtonhive.
- Sebastian!? Está aqui mesmo? Onde está Claude? –Ciel colocou a xícara na cama e correu em minha direção. A essa altura, ele já me via com a imagem de Sebastian.
- Claro, eu o enganei e o trouxe de volta para a mansão meu querido. –Eu disse tomando o menor em meus braços. Pela primeira vez havia o abraçado. Como aquele corpinho encaixava completamente no meu exalando um calor aconchegante.
- E então, o que vamos fazer? Quero passear no jardim podemos? –Perguntou Ciel sorrindo e olhando para mim. Por um momento imaginei como ele estava me vendo. Obviamente eu sabia que era como Sebastian, mas, queria realmente saber como essa imagem era interpretada. Como o coração dele reagia, se sua respiração ofegava ou se qualquer outro sinal de êxtase surgia em seu corpo.
- Estava pensando em outra coisa... Bochan. –Eu dei uma pausa para me lembrar de como Sebastian chamava ele. Eu queria logo levá-lo para cama e tê-lo meu, finalmente meu.
- Acho que podemos fazer isso mais tarde meu amor. –Ele puxou meu queixo para um beijo. O toque aveludado de sua língua incendiou meu corpo e quase que explodi.
- Bom, então vamos. –Eu o tirei do beijo, com muito esforço, e desci.
Nós estávamos andando e uma coisa me veio em mente. Ciel era tão doce quanto eu imaginava. Isso poderia ser efeito da poção que eu havia lhe dado, mas, aquilo me surpreendeu mais ainda. Meu amor só aumentava cada vez mais.
Depois do passeio eu levei Ciel a uma confeitaria. Ele escolheu o bolo de sua preferência e como sempre um chá. Até parece que eu o espiava não é?! Bom, é quase isso. Eu o levei lá para que ele não percebesse a diferença da comida, afinal, não cozinho como aquele maldito do Michaelis. Bom estava dando certo. Eu precisava parecer com Michaelis, o quanto melhor, pois se alguma memória de Ciel voltasse, o efeito da poção seria quebrado.
O tempo passou mais rápido do que eu imaginava. A tarde correu como num piscar de olhos. Depois de comer nós fomos andar e depois disso voltamos para minha mansão.
- Bom, acho que agora posso lhe satisfazer. –Disse Ciel tirando seu casaco e me jogando na cama. –Pode fazer isso não é? Sabe que aqui eu sou o passivo.
- Yes, your hignness. –Disse eu.
- Como? –Ciel estranhou- Por que disse isso?
- Ah, porque decidi mudar...
- Não! Há algo de errado. –Nesse momento o olho de Ciel brilhou.
- Calma, bochan! Sou eu, Sebastian.
- Não, não é!
Narração: Ciel.
Naquele momento algo aconteceu, senti meu olho brilhar. Quando escutei aquele “Yes, your hignness” logo cai em si. Não sei o que havia acontecido e como eu havia chegado ao ponto de quase me deitar com Claude, mas, sabia que não aconteceria.
- Sebastian, venha me salvar! É uma ordem. –Quando disse aquilo, pude escutar a campainha. Nesse momento, Claude tampou minha boca e pressionava meu pescoço. Eu não conseguia respirar.
- Acho que não tem um mordomo nessa casa. Nem mesmo as campainhas atenderam. –Sebastian disse aquelas palavras e lançou suas facas em nossa direção. Era incrível aquele movimento. Como sempre nenhuma delas me atingiu. Era incrível.
- Bochan, saia daqui! E fique lá em cima. –Disse meu mordomo. Ele havia prendido Claude entre as facas e estava furioso. Eu decidi obedecer e fui para fora esperar por ele.
Narração: Sebastian.
- E então, quando vai parar de tentar ficar com meu bochan? –Disse eu jogando Claude na parede. Eu estava farto de todas aquelas coisas que ele fazia com meu bochan. Não sabia a que ponto ele havia chegado, mas queria torturá-lo.
- Ele vale o sacrifício. Diga-me Sebastian, se isso tudo, não é somente a vontade de devorar aquela alma? –Perguntou ele. Eu fiquei em silencio, mas, sabia que não era só aquilo. Meus sentimentos por Ciel eram algo fora do meu alcance de compreensão, mas, eu sabia que não era só interesse.
- Claro que não idiota –Eu enfiei uma faca na barriga de Claude. Ele gemeu de dor, mas, eu só conseguia sentir prazer naquilo- Eu realmente o amo, diferente de você que seria capaz de machucá-lo para sentir o gosto daquela alma. –Eu o prendi na parede com duas facas em seus pulsos. Eu estava tão furioso que poderia comer centenas de almas e não estaria satisfeito.
Eu comecei a furá-lo com toda minha força, as facas foram ficando rubras de sangue e eu não queria parar, não iria parar...
- Sebastian Pare! –Gritou da porta. Bochan estava desesperado e parecia que iria chorar. Não queria vê-lo chorar, não queria que ele presenciasse aquilo, mas, não tinha conseguido me segurar.
- Me desculpe bochan!
- Eu sei que está com raiva, sei que é difícil, mas, por favor, não faça isso! –Ele começou a chorar.
- Não... Chore! –Eu soltei as facas e fui em direção ao meu bochan. Suas lágrimas molharam meus ombros e minhas mãos ensanguentadas mancharam o casaco de bochan. Eu não queria mais saber de nada, só queria vê-lo parar de chorar.
Eu peguei-o no colo e o tirei dali, sem me importar com Claude ou com o que fosse.
Narração Ciel:
Eu não sabia ao certo o motivo do meu choro, mas, mesmo assim sabia que seria amparado por meu amado Sebastian. Sabia que ele cuidaria sempre de mim e que eu nunca iria me separar dele.
Quando chegamos a minha mansão ele me deu banho, fez a comida que mais gosto e preparou uma bela sobremesa. Ele estava cuidando de mim como nunca havia feito antes. Aquilo estava me deixando muito mais calmo e também me ajudava a esquecer de tudo.
- Está bom assim bochan? –Ele perguntou ajeitando meu travesseiro e em seguida me cobrindo.
- Está ótimo... Amor! –Disse eu. Não sabia, mas, senti uma necessidade de chamá-lo daquela forma.
- Então pode dormir em paz, pois, nessa noite, não desgrudarei de você! –E foi com essas palavras que adormeci, sabendo que quando eu acordasse seria realmente Sebastian que encontraria. Mas, tudo ainda não estava terminado, Claude ainda pensava em passar minha alma para o “boneco” e eu e Sebastian ainda precisávamos pensar em um método para evitar. Mas é claro, aquilo não me preocupava no momento.
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