Amor De Verão Nunca Foi Clichê
9 Tudo pela pizza.
Notas iniciais
Capítulo oito
POV Anthony Hoffman
Eu sou um cara competitivo. Desde pequeno fui o moleque que era o primeiro a ser escolhido pra qualquer coisa, jogava pelos times de todos os esportes possíveis e imagináveis, e tenho um móvel em casa só para guardar minhas medalhas e outro para os troféus. E por isso lá estava eu, eufórico, esperando o jogo começar ao lado de Sophie.
Não, eu não perguntei a ela se formaríamos um grupo. Não, eu não queria saber se ela estava de acordo ou não com aquilo. Depois de machucar meu pé no primeiro dia de acampamento e me tirar toda e qualquer chance que eu tinha de ser pai com aquela madeirada nas bolas, eu mesmo tirei todo o poder de escolha que tinha pensado em dar pra ela. "Deixa ela em paz, Anthony... Ela é legal", eles disseram. Uhum, diga isso pros filhos que eu não vou ter!
Estava ali, inquieto, olhando para toda aquela confusão de pessoas formando grupos, quando vi minha priminha parada ao lado de mais três crianças. As três estavam de mãos dadas, e minha Jude ali do lado, com aquela carinha que ela faz quando está prestes a chorar. Fui até ela e me abaixei ao seu lado, bem perto das três crianças.
– Jude Hoffman! Fala aí priminha, como você ta? – perguntei, animado, me esforçando para falar em voz alta do modo mais natural possível. Jude me deu um abraço rápido e eu pude ver que aquela vontade dela de chorar não estava mais tão presente – Vem fazer grupo comigo, beleza?! Vamos ganhar esse jogo – falei enquanto dava leves tapinhas em seu ombro pra ela se mover junto a mim até a Sophie, e ela foi com o maior sorriso no rosto. Olhei para as três crianças e na mesma hora elas desviaram os olhos de mim e da Jude. Bom... Assim que eu gosto. Sofram, crianças, sofram por não ter minha prima no trio de vocês.
– Prepare-se pra fazer alguns desafios. – falei para Sophie quando a alcançamos, abrindo um sorriso divertido.
– Desafios? – perguntou, confusa, deixando uma marquinha de
preocupação aparecer em sua testa.
– É... Ou você pensou que os monitores vão te dar a cor de graça, sem pedir nada em troca? – zombei, abrindo um sorriso sem dentes.
Imaginei de verdade que Sophie fosse parar a brincadeira e falar "não sou obrigada, com licença", saindo emburrada logo depois do monitor passar o primeiro desafio. Porém, impressionei-me ao ver que ela estava tão compenetrada no jogo quanto a Jude. Assim que meu pai tocou a buzina que anunciava o início do jogo, Jude e Sophie começaram a correr sem nem olhar para trás, e eu precisei até gritar para que elas desacelerassem o passo pra acompanhar o quase deficiente aqui. Quando chegamos no primeiro monitor, as duas escutaram atentamente cada palavra que ele dizia, e não hesitaram ao sair correndo para mergulhar a cabeça na água da piscina ali ao lado quando ele falou que só pessoas com cabelo molhado poderiam pegar sua cor.
Fui correndo/tropeçando/mancando atrás delas e quando as alcancei, Sophie já estava com os cabelos castanhos todos molhados e bagunçados, com as mãos em forma de concha cheias de água para jogar na minha cabeça. Eu podia apostar que ela tinha feito aquilo só pela diversão de me molhar quando eu menos esperava, mas tinha também aquele 1% de chance de ela estar com dó de eu ter que me abaixar com as muletas pra molhar meu cabelo. Eu preferi acreditar na minha segunda opção, porque minha mãe vive me dizendo pra ter pensamento positivo, então, né...
Enfim, voltamos correndo até o monitor e o monitor passou um risco de tinta branca nas nossas bochechas e já saímos em busca de qualquer outro monitor, que logo mais apareceu no meio do mato, na área atrás dos dormitórios. Ele vestia um macacão verde escuro e seu rosto estava todo pintado de vários tons de verde, e ele estava encolhido entre alguns arbustos.
– Só pega minha cor se tiver um integrante do grupo vestindo trinta blusas. – ele disse sem nem olhar pra gente assim que chegamos mais perto.
Encaramo-nos rapidamente, e logo saímos correndo até o quarto de Sophie para pegar as camisetas. Peças de roupa pequenas antes, grandes depois. Portanto, roupas da Sophie antes, minhas depois. Vestimos Jude com todas as roupas de Sophie tinha e fomos até o meu quarto, completando o número de peças de roupa com minhas camisetas. Chegamos novamente no monitor da cor verde com a Jude parecendo um esquimó, e ele pintou nosso pescoço com sua tinta verde.
– Holt! – chamei, olhando para a cara dela e segurando o riso enquanto caminhávamos – é que tem... – comecei e apontei o dedo para o meu lábio, insinuando que tinha tinta nos dela.
Sophie me olhou confusa e passou a mão em seu lábio, um tanto incerta. Vi que ela ia começar a falar algo, mas tive que a interromper, já que tinha visto um dos monitores vestidos de preto não tão longe de nós. Eu juro que tentei interrompê-la do modo mais suave possível, mas digamos que não tenha dado muito certo, então já me preveni tapando a boca dela para que ela não começasse a gritar enquanto me jogava em cima dela em direção a algumas moitas.
– Shh! – pedi, ainda tapando sua boca e olhando em direção ao monitor. Ele estava vestido de preto, com a cara pintada dessa cor, olhando atento para todos os lados, esperando algum acampante aparecer para que ele pudesse acabar com um sonho de comer pizza no jantar passando sua tinta preta em cima das cores que esse já tivesse conseguido. – Fica quieta! Quero comer pizza no jantar! – pedi. Ela estava se debatendo debaixo de mim até eu mencionar a pizza, e então ficou quieta e colaborou.
Olhei para os lados procurando por Jude e a vi escondida atrás de uma árvore, encarando minha cena com Sophie e segurando o riso. Voltei meu olhar para a mau humorada que eu estava usando de colchão e tirei a mão de sua boca, levando meu dedo para seu lábio superior com o intuito de tirar a tinta que ali estava. Senti seu corpo rígido sob mim, e ela me encarou com os olhos arregalados, a respiração quente que de sua boca me tocando.
A paz não durou muito tempo, já que alguns segundos depois a morena me empurrou de cima dela com uma força que eu nem acreditei que aqueles bracinhos finos podiam ter, e os xingamentos começaram. Confesso que me perdi na terceira palavra que saiu da boca dela e comecei a pensar nos vários lugares em que eu podia encontrar outros monitores. Sinceramente, eu não tinha tempo o suficiente pra ficar ouvindo gente mal-agradecida reclamando. Tinha uma pizza em jogo naquele momento.
– E QUE VENHA A PIZZA! – Jude gritou quando voltamos a correr.
***
– Hoffman! – Ouvi a voz desagradável atrás de mim enquanto me deliciava em um pedaço de pizza de pepperoni. Respirei fundo e virei-me com minha melhor cara de tédio.
– Holt. – falei.
– Uma blusa sua ficou no meu quarto quando fomos tirar as roupas da Jude naquele desafio da cor verde. Depois passa lá pra pegar. – falou e se retirou.
– Da pra acreditar na ingratidão dessa menina? Ela tá comendo pizza graças a mim, devia estar me chamando de "querido" ou "garanhão" a esse ponto. – eu disse para Daniel, que estava sentado ao meu lado, com a boca cheia de comida, e nós rimos, com ele balançando a cabeça negativamente.
– Você cobra os apelidos carinhosos mais tarde. – ele brincou.
– Desde que eu não apanhe, já to bem. Aquela menina... ô garotinha violenta.
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