Amor De Verão Nunca Foi Clichê
7 Sophie Holt é uma selvagem.
Notas iniciais
Capítulo seis:
POV Anthony Hoffman
“Eu vou matar a Sophie” foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça quando voltei para buscá-la no meio do mato e ela não estava mais lá. Quer dizer, sim, eu a deixei sozinha, mas quem é a pessoa retardada que sai andando no meio do mato sem saber pra onde está indo? É uma mula! Um orangotango! Eu queria dar um sustinho nela, só isso! Saí por dois minutinhos e a menina deu um jeito de desaparecer na mata.
“Eu vou me matar” foi a segunda coisa que pensei. Eu tinha acabado de causar um problemão. Tinha uma garota perdida no meio do mato – e essa garota era minha assistente, eu precisava dela! – por minha culpa. É claro que Sophie deu um jeito do meu plano genial de assustá-la dar errado, mas no fundinho a culpa era mesmo minha. Imagina se ela tivesse morrido? Atacada por um tigre, uma aranha, uma cobra, eu sei lá! Eu estava realmente fodido.
Saí correndo do jeito que consegui em direção à clareira em que o pessoal estava. Cheguei lá ofegante, e o pânico por ter feito uma merda daquelas não me ajudava muito a manter a respiração em um ritmo constante.
– Fodeu! – falei baixo no ouvido do Daniel – A Sophie ta perdida na mata. – falei, mordendo meu lábio inferior devido ao meu nervosismo.
– A Sophie ta o que? – ele gritou. E lá se foi minha tentativa de ser discreto.
– Eu queria assustar ela, deixei ela sozinha por dois minutinhos, mas a cabeça de abóbora saiu andando pelo mato e agora eu não sei onde ela está, e ela provavelmente não sabe também.
Daniel me encarou boquiaberto enquanto eu contava o que havia acontecido.
– Vou pegar as lanternas, divide os grupos. – falou rapidamente, e saiu correndo em direção ao acampamento.
– Galera! – gritei, tentando chamar a atenção de todos. – todo mundo aqui sabe andar pelo acampamento, certo? – perguntei, olhando para todo mundo. Vi alguns fazendo sinal positivo com a cabeça. – é o seguinte: a Sophie ta perdida. A gente tem que ir procurá-la. Quem não se sentir seguro pra caminhar por aqui e tiver medo de se perder, não precisa ir. Quem quiser, o Daniel foi pegar lanternas. Quem aí vai ajudar? – gritei com voz firme. Por dentro, eu estava me tremendo inteiro.
A maioria das pessoas levantou a mão. De modo geral, aqueles que iam para o acampamento há mais tempo conheciam melhor o terreno, então estavam mais seguros para procurar. Separei todo mundo em grupos de três e combinei um horário em que todos teriam que voltar para a clareira. Daniel chegou ofegante, carregando uma caixa de papelão, que ele jogou no chão devido ao cansaço. As pessoas pegaram suas lanternas e saíram em direções diferentes. Peguei uma lanterna para mim e fui na direção em que eu havia ido com Sophie, mas antes de entrar no meio das árvores ouvi a voz de Daniel me chamando.
– Anthony! Você ta de muleta, cara... Tem certeza que vai procurar? Eu vou, a Helena vai, ta todo mundo procurando. Você pode ficar aqui esperando. – falou com uma feição preocupada.
– Eu estava de muletas quando fiz a merda, agora vou resolver de muletas também. Eu sou a pessoa que mais conhece o terreno, preciso ir procurar.
– Quer que eu vá com você?
– Não precisa. Vai você e a Helena, e eu vou sozinho. – falei e virei as costas. Não podia perder mais um segundo ali.
Andei por ali por muito tempo. Ia em linha reta, depois fazia zigue-zagues, andava em círculos e todas as formas geométricas possíveis. Duas horas haviam se passado desde que comecei a procurá-la, e nenhum sinal da Sophie havia aparecido. Quando o horário que havíamos combinado chegou, voltei para a clareira. Eu queria ficar ali e procurar até não aguentar mais andar, mas precisava ver se alguém já a tinha achado. Com mais alguns minutos de caminhada, eu já estava na clareira novamente. Algumas pessoas conversavam freneticamente sobre a situação, outras estavam sozinhas com as mãos na cabeça, preocupadas, ou andando de um lado para o outro sem parar. Eu e Daniel fizemos a contagem, e todos já estavam ali novamente. Todos menos Sophie.
– E agora? – ele me perguntou, com os braços cruzados. – Temos que avisar seu pai. Chamar os bombeiros, a polícia, sei lá!
– Eu não sei! Não sei, Daniel! Eu estou fodido! E a Sophie também. Matei uma garota, meu Deus. Minha vida acabou, a vida dos familiares dela acabou, a vida dos meus pais acabou, ta tudo fodido! E agora? Vou entrar em um seminário pra virar padr...
– Anthony...
– Eu sei, eu sei que não tem nada a ver comigo ser padre, mas...
– Anthony! – repetiu mais severamente, olhando para algo atrás de mim.
Virei-me lentamente, e vi ali um fantasm... A Sophie. Sua calça estava suja de barro e seus olhos, inchados. Ela me olhava com raiva. E eu só estava muito feliz em vê-la. Não ia precisar de seminário de padre! Amém! Ela abaixou e pegou um pedaço de madeira que estava no chão e veio em minha direção. Eu fui na direção dela, já prevendo que ela ia tentar me acertar com aquela tora. Na hora em que ela levantou o pedaço de madeira pesado para me acertar, me adiantei e segurei o punho dela, abraçando-a logo em seguida.
– Eu realmente não queria ser padre! Que bom que você tá viva! – falei, de olhos fechados, ainda abraçando o corpo pequeno e duro dela. Duro porque ela não estava se mexendo, e acho que não estava respirando também.
– Seu filho da mãe! O que pensa que está fazendo? Me abraçando? Depois de tentar me matar! Ousadia demais a sua, você não acha não? Como foi me deixar sozinha no meio do mato? Você é um psicopata! – gritou tudo isso na velocidade da luz, e quando acabou ainda pisou forte no meu pé machucado. Gemi de dor, mas por pouco tempo. Logo eu já estava gargalhando. Ela estava viva! Eu não escondi por um segundo o sorriso em meu rosto por vê-la ali, inteirinha. Minha felicidade durou pouco. Lembrei que ela tinha grande parte da culpa de ter se perdido, e fiquei sério, de olhos cerrados e braços cruzados.
– Espera um pouco aí, dona... É culpa sua que se perdeu! Eu te deixei sozinha por dois minutos e você saiu andando! Que tipo de pessoa retardada sai andando no meio do mato quando não faz ideia de onde está?
– Culpa minha? – gritou. Ela estava com a cara vermelha de raiva, pelo que eu podia ver na luz baixa da fogueira. Todos em volta observavam a novela. – Já pensou que se você não tivesse saído por nenhum minuto, isso não teria acontecido? Hein?
– Já, na verdade. Nas duas horas que fiquei te procurando no meio do mato, tive bastante tempo pra refletir sobre isso. – falei, dando ênfase nas “duas horas”. – Duas longas horas andando sozinho, de muletas, no meio do mato pra te procurar porque você não tem nenhum senso de sobrevivência e saiu andando em um lugar que você não conhecia.
Sophie parecia estar perplexa demais para falar alguma coisa. E com raiva demais. E a tora ainda estava na sua mão. Bom, não por muito tempo, porque menos de dois segundos depois eu já estava jogado no chão com a mão nas minhas bolas. Ela havia acertado o pedaço de madeira nas minhas bolas. MINHAS BOLAS! Meus futuros filhos! Sophie Holt é uma selvagem. Helena chegou correndo para abraçá-la, e ignorou meu pobre corpo jogado no chão. Pegou Sophie pela mão e saiu dali. Provavelmente estava a levando para o dormitório. Daniel se aproximou de mim e estendeu sua mão para me ajudar.
– Cara... Se eu tinha esperanças de vocês se acertarem, agora não sobrou mais nada. E ainda é o primeiro dia. – falou, comprimindo os lábios. Eu bufei e levantei.
Me acertar com Sophie Holt nunca foi uma opção mesmo.
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