Amor De Pai
25 Novas vidas
Notas iniciais
[Edward]
— Edward! — gritou Alice enquanto Jasper fazia menção de pegar Nessie do meu colo, instintivamente recuei para protegê-la, lembrando do que tinha acontecido anos atrás no aniversário catastrófico de Bella. Eu sabia que ele sempre tratava uma grande batalha quando esses acidentes aconteciam. O seu autocontrole não era excepcional, ele poderia machucar minha filha.
Involuntariamente, um rosnado reverberou em minha garganta. Uma fúria intensa tomou conta de mim assim como naquele dia em que aquela criança empurrou Nessie.
Jasper não deixou-se intimidar e rapidamente senti meus músculos tensos, relaxando. Continuei a olhar para ela, estava desnorteado. Eu mal podia acreditar que minha pequena híbrida estava ferida. Não. Não. Não. Eu jamais cheguei a pensar nessa hipótese. Aquilo era assustador.
Tentei acordá-la chamando seu nome, mas nenhum sinal. Verifiquei seus sinais vitais, o batimento cardíaco estável, a temperatura quente, sua respiração estava branda, era como se ela estivesse dormindo. Ela se mexeu um pouco, gemendo baixinho, mas seus olhos continuavam fechados, provavelmente sentindo alguma coisa. Aquele fato me deixou ainda mais transtornado.
— Edward, nos dê Nessie, agora! Ela vai ficar bem. Bella precisa que você esteja com ela! — Alice tentou mais uma vez ao mesmo tempo em que ouvimos um grito ecoando pela sala durante o silêncio crucial. Era um som estridente e coberto de aflição.
Desviei os olhos para o alto da escada onde meu amor se encontrava, pela primeira vez voltando aos sentidos. Percebi que havia uma estranha agitação em sua barriga escondida debaixo de sua roupa e que à medida que os movimentos aconteciam, ela se remexia, certamente incomodando. Bella. Bebê. Em segundos alternei o olhar entre Jasper e Alice, e finalmente cedendo a entreguei em seus braços.
“Iremos cuidar dela. Não se preocupe.” Jazz tentou me tranquilizar, avançando para a biblioteca para cuidar de seus ferimentos. Eu realmente fiquei dividido. Eu queria ajudar ambas. Elas precisavam de mim, mas tinha plena consciência que Renesmee não se perdoaria caso algo acontecesse com sua mãe e eu não conseguisse salvá-la.
Mais uma vez. Era nossa chance de permanecermos juntos pela eternidade.
Antes que eu pudesse alcançar Bella, Lara e Esme a levavam desacordada para o escritório, onde nós havíamos feito todos os preparativos. Enquanto avançava atrás delas, pedi que Emmett contatasse Carlisle o mais rápido possível para que voltasse e nos auxiliasse.
— Edward. Sei que está acontecendo muita coisa ao mesmo tempo, mas preciso que foque. Tudo pode acontecer a partir de agora. — Lara gritou enquanto repousava Bella sobre a maca e meu corpo inteiro respondeu àquilo ficando tenso novamente, mas em alerta.
— Edward! A secretária do hospital informou que Carlisle está em uma cirurgia que demorará horas para terminar — relatou Emmett com uma expressão nada contente.
— Certo! Fique com Renesmee, Emm, e qualquer coisa que possa acontecer, você sabe o que fazer. — eu disse firme e ele assentiu.
Eu ainda estava muito preocupado com ela.
Os movimentos se intensificaram e ouvi algo se rompendo dentro de Bella. O bebê estava quebrando osso por osso, costela por costela e por pouco não rasgou a pele que o abrigava, por ser muito resistente. Seus olhos abriram no mesmo instante e novamente ela gritou. Em um piscar de olhos eu me encontrava ao seu lado, segurando sua mão.
— Edward… Renesmee.... — gemeu fracamente.
— Ela está bem, meu amor… Nossa filha está bem. — tentei convencer a nós dois com minhas próprias palavras. Mas ela parecia tão fora de si com tamanha dor que não conseguiu assimilar.
Outro grito. Seus olhos rolaram talvez tentando me encontrar, pareciam um pouco em desfoque, como se ela não enxergasse nada.
— Bella! Bella! Fique comigo!
Eu sabia que jamais poderia mensurar toda a dor que ela estava sentindo naquele momento e mais uma vez eu quis estar em seu lugar. Estávamos nos preparando, tínhamos feito tantas estratégias, formulado como amenizar sua agonia, como salvaríamos Bella antes que fosse tarde demais, mas tudo aconteceu de súbito.
Lara espetou o braço dela com morfina, porém infelizmente não tínhamos tempo para que fizesse totalmente efeito. Assim que recebeu o medicamento, os movimentos na barriga cessaram por um tempo para depois voltarem com força total e deixar rastros arroxeados.
A vampira tomou a frente e assim que Esme rasgou a parte inferior do vestido de Bella, ela cortou a pele alva com o bisturi numa linha reta, porém ainda precisava de muitas camadas até chegar ao bebê. Ela tentou mais uma vez, sem êxito. “Estamos perdendo tempo! Não queria chegar a isso de novo…”. as palavras mentais de Lara.
Ela resistiu um pouco antes de permitir que eu lesse sua mente. Pois aparentemente aquele foi um dos golpes que incitou a morte de Bella.
Vi através de seus pensamentos como ela lidou com aquele empecilho no nascimento de Renesmee. “A lâmina não é afiada o bastante, você terá que fazer isso!”. Alarmou através de sua mente.
Bella apertou minha mão enquanto gritava mais uma vez.
Antes de sair de perto, beijei sua mão e me coloquei ao lado de Lara.
Relutante, mas veloz o suficiente cravei meus dentes para chegar até a criança enquanto gemidos e gritos saiam da boca de Bella. Me perdoe, me perdoe. Mais algumas mordidas urgentes e cuidadosas na pele de sua mãe para não machucá-lo, consegui vê-lo.
— Tire-o logo! — ouvi Bella gritando e tremendo compulsivamente.
Anthony. Se tratava de um lindo menininho.
Peguei seu corpinho quente e coberto de sangue e o enrolei na manta amarela que tinha alcançado segundos antes.
— É… Anthony. — ditei com orgulho e emocionado.
Seu coração palpitava um pouco rápido e seus olhos verdes me encararam, sua expressão assustada chegava a ser um pouco engraçada. Não o culpava, pela forma como tudo aconteceu…
— Está tudo bem, meu anjo, o papai está aqui.
Ele continuou me observando e novamente senti aquela emoção se alastrando pelo meu peito. Eu o amava incondicionalmente.
— Deixe-me vê-lo, Edward. — Bella pediu baixinho. Estava mais pálida ainda e muito fraca.
O deixei nos braços em forma de ninho da mãe e ela rapidamente depositou um beijo em seus cabelos ralos em tom acobreado, embora ainda estivesse sujo consegui detectar a cor.
— Você é tão lindo, Anthony. — falou devotamente com um sorriso.
O bebê tentou sugar algo e acabou deixando uma mordida no seio direito de Bella, que ofegou. Esme se ofereceu para pegar Anthony e prestar toda a assistência enquanto estávamos naquele momento crucial e eu permiti. Nos segundos seguintes observei toda a vida do meu amor se esvaindo.
— Não! Bella, aguente firme, por favor!
— Confio em você… — sua declaração não passou de um sussurro antes que seus olhos se fechassem e ela não reagisse mais.
Apanhei a seringa de metal que havia preparado há alguns dias e injetei diretamente em seu coração.
— Muito bem! — elogiou Lara, ela quem tinha me aconselhado a coletar meu veneno para qualquer emergência. — Para fazer com que o veneno se espalhe mais rápido, devemos morder cada parte do corpo dela. Você tem alguma objeção?
Sacudi a cabeça
"Certo, então...". pensou, deixando uma mordida no braço direito de Bella.
Imitei seu gesto e deixei mordidas por todos os lugares alcançáveis. Depois disso rezei com toda a força com que não houvesse mais problemas. Ela continuava imóvel, porém eu já havia passado por aquilo e poderia afirmar que ela estava passando por um inferno durante a transformação.
Era agoniante.
— Ela vai ficar bem. — declarou Lara, assim que tivemos certeza que não precisávamos mais continuar.
— Sim, eu estou confiante de que tudo dará certo. Obrigado, Lara.
Ela desviou os olhos de Bella para mim.
“Eu vou ficar aqui, você pode ir ver como está Nessie”, pensou.
— Certo. Obrigado.
Em poucos segundos cheguei à biblioteca. Minha filha repousava sobre a cama que havia sido providenciada por Alice, havia um curativo em sua têmpora direita e ela ainda permanecia de olhos fechados.
Jazz e Alice estavam ao seu lado, imóveis enquanto Emm permanecia próximo a porta.
— Pelo o que verificamos não ocorreu nada grave. — quem respondeu foi Alice assim que me avistou e arrumou as pontas da coberta sobre Nessie.
— Muito obrigado pela assistência... — disse me aproximando de minha filha. — E Jazz, desculpe… — olhei brevemente para meu irmão.
Jasper sacudiu a cabeça.
"Não é necessário. Eu compreendo. Meu histórico não é o melhor…". Ele deu um sorriso de canto e tocou meu ombro.
De repente Nessie abriu os olhos e me encarou confusa.
— Papai?
A ajudei a se sentar, ela esboçou uma careta no processo.
— Hey, meu anjo, como você se sente?
Mesmo com a afirmação de Alice e Jazz, verifiquei se havia algo errado em seu corpo nas partes visíveis, como não compreendíamos realmente como sua espécie híbrida funcionava, não sabíamos quais as limitações quando se tratava de machucados desse nível. Ela se curaria rápido? A parte vampira evitaria que ela sofresse qualquer dano interno?
Pediria a Carlisle que a examinasse quando voltasse.
— Eu sinto um pouco de dor no meu corpinho, mas o que aconteceu, papai? Onde está a mamãe?
Contei o que aconteceu a ela de uma forma que não a assustasse ou preocupasse. Ou seja, emitindo quase que completamente a verdade.
— Isso é tudo minha culpa, desculpa, papai… — ela disse chorosa, escondendo o rosto com as mãozinhas.
— Hey, isso não é sua culpa, meu anjo… A mamãe vai ficar bem, certo? O bebê está bem também, o seu irmãozinho que você tanto ama.
Bastou mencionar a criança que seu choro logo se transformou em um sorriso luminoso.
— Irmãozinho? Então é um menino? — ela gritou extasiada.
Assenti correspondendo ao seu sorriso.
Ela gritou novamente, quicando sobre a cama, radiante. Porém, logo parou pois toda aquela agitação lhe trouxe dores. Pedi que Alice buscasse um analgésico infantil para ela.
— Não se esforce, meu anjo. Nós sabemos o quanto está feliz, mas tome cuidado, pois você está machucada.
Ela balançou a cabeça freneticamente.
— Onde ele está? Eu quero vê-lo! — pediu animada abrindo e fechando as mãozinhas.
No mesmo instante em que ela falou, Esme chegou com um embrulho azul em seus braços.
— Olha quem está aqui ansioso para conhecer a irmã mais velha!
Nessie abriu ainda mais o sorriso.
Esme me passou o bebê para que eu o levasse até a irmã. Quando a agradeci, minha mãe sorriu assentindo.
— Oi de novo, bebê. — toquei a ponta de seu nariz com o dedo e ele sorriu um pouco, mostrando os pequenos dentinhos.
Mal podia acreditar que novamente havia sido abençoado com outro filho. Meu coração queimava de tanto amor por aqueles dois pequenos.
Definitivamente eu não merecia tudo aquilo. Notei que nenhuma imagem foi manifestada desde que ele nasceu, aquelas crianças eram indiscutivelmente inteligentes e poderiam facilmente mostrar seus dons, mas acreditava que por Anthony ser tão novinho não conseguisse fazê-lo perfeitamente.
Sentei na cama ao lado de Renesmee e ela rapidamente se inclinou para vê-lo, alcançando sua mãozinha. Era nítido a sua felicidade.
— Oi, Thony. Eu sou a Renesmee, sua irmã mais velha. E eu vou cuidar de você para sempre. — ela disse como um arrulho, toda emocionada.
Em resposta o bebê sorriu, seguido de um bocejo. Arrancando a risada de todos os presentes.
— Aposto que daqui a um tempo ele vai ficar muito feliz ver que terá uma protetora. — eu disse e ela assentiu sorrindo.
— Ele tomou o leite que fiz antes, Edward. Você quer que eu o faça dormir? — Esme indagou enquanto Nessie tomava o remédio que Alice trouxe.
— Não é necessário, mãe. Muito obrigado. Nessie e eu vamos fazer não, é meu anjo?
Ela assentiu freneticamente.
Antes de seguir para o quarto do bebê, a levei até Bella para que se acalmasse um pouco. Ela acariciou o cabelo de sua mãe e deu um beijo, dizendo: "A senhora vai ficar bem, mamãe. Espero que não esteja sentindo muita dor…" enquanto Lara checava o novo bebê sonolento e dava as boas-vindas.
Graças a Lara e Emmett o escritório havia sido limpo.
Prometi a minha amada esposa que cuidaria de nossas crianças.
Sentei com Nessie em meu colo na cadeira de balanço para dar apoio enquanto seus bracinhos seguravam Anthony. Antes de ele fechar os olhos ela deixou um beijinho terno em sua testa e repetiu as mesmas palavras de antes, que cuidaria dele para sempre.
Era um tanto impossível me lembrar de que eu estava “morto” e “frio” estando perto daquelas duas pessoinhas que me aqueciam por dentro.
[...]
Três longos dias se passaram e aquele devia ser o fim da agonia de Bella. Eu me senti aliviado por finalmente estar acabando aquela tortura e meu amor ficar bem, para sempre ao meu lado.
Sua fisionomia estava diferente. Mais branca, forte e esplêndida. Foi desesperador num primeiro momento quando pensei que havia algo errado, pois ela não se movia e não respondia a nenhuma de minhas perguntas, porém Carlisle me tranquilizou e de fato ouvíamos o seu coração bater ruidosamente contra seu peito. Sempre que podia, pedia desculpas pela dor insana que ela estava sentindo correr por suas veias.
Pedi que Alice e Jasper ficassem com meus filhos distantes, tendo em vista que seria preciso verificar seu autocontrole antes de os expor e certamente que ela se alimentasse primeiro. Lara estava ao meu lado velando Bella, aguardávamos o momento em que ela acordaria.
E foi o que aconteceu no minuto seguinte.
Seus olhos abriram subitamente e me encararam com um sorriso. Quando dei por mim seus braços estavam em minha cintura, a cabeça descansando em meu peito, me remexi um pouco desconfortável com o aperto. Ela estava muito mais forte que eu.
[Bella]
Despertei com a convicção de que tudo aquilo que passei tinha valido a pena. É necessário alguns sacrifícios em nome do amor. A dor era passageira, a agonia terminaria, o que eu não admitiria era viver sem eles. Quem eu tanto amava.
Olhei confusa para Edward quando ele se moveu parecendo incomodado.
— Hum, cuidado, Bella, Ow.
Eu retirei meus braços bruscamente, cruzando-os atrás de mim assim que eu entendi. Eu era forte demais.
— Ops! — eu murmurei.
Ele deu o tipo de sorriso que teria feito meu coração parar se ele ainda estivesse batendo.
— Não entre em pânico, amor — ele disse, erguendo a mão para tocar meus lábios, abertos de horror. — Você só é um pouco mais forte que eu no momento.
Eu me encontrava maravilhada em como ele parecia diferente aos meus novos olhos. Seu cheiro era doce, delicioso, que eu nunca fui capaz de sentir quando humana. A temperatura quente, sua pele macia.
Eu fiz um esforço concentrado para me focar. Havia uma coisa que eu precisava dizer. A coisa mais importante. Eu não estava tão preocupada em ver meu reflexo. Muito cuidadosamente, tanto que o movimento era discernível, eu tirei os braços de trás das minhas costas e ergui a mão para tocar sua bochecha. Eu me recusei a me distrair com a cor perolada da minha mão ou a eletricidade que passou pelos meus dedos.
Eu olhei dentro de seus olhos e ouvi minha própria voz pela primeira vez.
— Eu te amo — eu disse, mas parecia que eu estava cantando. Minha voz tocou e tilintou como um sino.
Seu sorriso de resposta me deslumbrou ainda mais do que quando eu era humana. Agora eu podia vê-lo.
— Tal como eu amo você — ele respondeu.
Ele pegou meu rosto entre suas mãos e inclinou seu rosto para o meu – devagar o suficiente pra me lembrar de ser cuidadosa. Ele me beijou, suave como um sussurro, de repente mais forte, com mais vontade.
Alguém limpou a garganta. Emmett. Eu reconheci o som profundo imediatamente, gozador e aborrecido ao mesmo tempo. Lembrei que não estávamos sozinhos. Envergonhada, eu dei um meio passo pra trás em outro movimento instantâneo, Edward riu, radiante com alívio por tudo ter acabado – o medo, a dor, as incertezas, a espera, tudo isso estava atrás de nós agora.
Olhei para Lara, minha amiga e protetora e sorri em agradecimento. Acreditava que se não fosse por sua ajuda, talvez eu não estivesse mais aqui.
— Bella, como você está? — indagou Carlisle, ao lado de Esme e um pouco mais próximo da porta estava Emmett.
— Bem. Eu me sinto eu mesma. Não estava esperando por isso, na verdade.
Ele assentiu.
— Espero que possamos ter uma conversa com a sua experiência assim que possível, presumo que a sensação na sua garganta esteja incomodando.
Assim que ele mencionou, eu senti minha garganta arder, não, queimar. Como se estivesse desidratada. O desejo de tomar algo crescia a cada instante. Chegava a ser desesperador.
Aquilo fez aguçar meus sentidos, inconscientemente estava a procura de algo para matar a sede.
Porém, ao constatar a ausência de mais pessoas ali, voltei a encarar Edward um tanto apreensiva, me sentindo uma péssima mãe.
— Onde estão as crianças?
— Renesmee está bem, seus machucados estão cicatrizados e Carlisle realizou uma tomografia, não há nada de errado. Anthony está saudável, ele é muito esperto...
Sorri com aquilo. Meus bebês estavam bem. Fiquei mais tranquila. Era como se um peso saísse de cima dos meus ombros. Embora não precisasse respirar, eu o fiz.
— Você poderá vê-los quando se alimentar, não se preocupe.
Assenti.
— Pronta?
— Sim.
[...]
Edward me ensinou tudo que eu precisava saber. Era como se eu estivesse na escola de novo. Porém, com um professor extremamente deslumbrante e particular.
Ele me encarou com uma interrogação e eu meneei a cabeça um pouco rápido demais. Ele sorriu de lado e eu retribuí. Precisávamos manter silêncio absoluto.
A sensação de correr naquela velocidade era maravilhosa. Eu me sentia livre. Era diferente de quando eu estava nas costas de Edward logo quando descobri sobre sua natureza anos atrás. Eu tinha me esquecido de como era libertador.
Não podia culpar Renesmee por gostar tanto.
Minha garganta queimou novamente. Me trazendo a minha nova realidade e necessidade prioritária. Era incrível como eu não me sentia retraída ou nervosa, ser vampira me deixou poderosa.
Não demorou para encontrar a presa perfeita. Havia um bando de cervos passando não muito longe dali. Com todas as instruções de Edward, fui na direção do cheiro apetitoso minuciosamente, ao passo que ele me seguia.
Era quase como automático. O meu eu vampira sabia o que fazer, embora eu nunca tivesse caçado antes. Capturei dois de uma vez, bebendo seu sangue, enquanto Edward derrubou mais dois. O sabor era diferente de quando eu tomei no canudo, o gosto era fresco e descia pela minha garganta, me saciando.
Quando olhei para Edward sua figura estava impecável, a blusa branca e calça azul no lugar, o cabelo perfeito, em contraste comigo, meu vestido preto com algumas tiras soltas, meu cabelo provavelmente todo bagunçado.
Ele se aproximou de mim com o sorriso torto no rosto e limpou o canto da minha boca. Antes que eu revirasse os olhos para minha falta de prática, me lembrei que era necessário exatamente isso, prática.
Devia ter paciência comigo. Certamente não demoraria para pegar o jeito.
— Você não tem ideia em como está extremamente sexy assim, amor.
Eu ri.
— Isso é muito lisonjeiro de sua parte, senhor Cullen.
Ele beijou minha testa e depois a colou junto com a minha enquanto suas mãos seguravam meu rosto.
— Eu estou muito feliz que tudo acabou bem. — ele sussurrou, eu não conseguia ignorar como sua voz soava muito mais bonita agora.
Passei meus braços em sua cintura, delicadamente, para não machucá-lo de novo.
— Eu também estou, Edward. Obrigada por isso.
— Eu quem deveria agradecer, você me deu motivos infinitos para tal. Eu te amo para sempre.
— Eu também te amo, muito.
Nós nos beijamos apaixonadamente mais uma vez e dessa vez sem interrupções.
[...]
— Eu mal posso esperar para vê-los! — exclamei assim que chegamos no jardim.
Dois aromas se sobressaiam à medida que chegavámos mais perto da casa, diferente do cheiro dos Cullen e até mesmo de Edward. Doce, mas ao mesmo tempo floral.
Minha garganta coçou, mas era algo que eu podia controlar sem esforço algum. Talvez pela consciência de que eram meus filhos, em nenhuma hipótese eu poderia machucá-los. Ainda assim, encarei Edward antes de irromper a sala e fiz um apelo a ele:
— Fique por perto, por favor, caso eu faça alguma coisa...
— Estarei aqui, não se preocupe, tudo ficará bem. — ele pousou a mão em meu ombro e apertou de leve com um sorriso torto.
Não correspondi possivelmente por estar um pouco apreensiva. Mas eu me esqueci de toda tensão totalmente assim que meus olhos os encontraram.
Fui atingida pela emoção em reencontrar meus bebês. Esperei bobamente as lágrimas caírem, até perceber que não tinha mais como isso acontecer. Isso era um mero detalhe, pois todo o amor que eu sentia permanecia igual, ou até triplicado.
Eu consegui. Sobrevivi por eles.
Renesmee olhou para o pai antes de fazer qualquer movimento e assim que ele assentiu, ela correu em minha direção com os bracinhos estendidos.
— Mamãe! — me lembrei do dia em que ela fez o mesmo no parque, quando minhas memórias tinham sido apagadas.
Um pouco antes de ela saltar eu a peguei sem nenhum esforço. Ela cheirou meu pescoço e estreitou mais o aperto ali. Tentei me lembrar de ser mais cuidadosa, eu estava muito forte agora.
— Que bom que você está bem, meu amor.
Sua cabeça voou para trás para me encarar. Ela parecia mais que espantada... encantada talvez?
— Mamãe? Sua voz está diferente! Mais bonita, não que antes ela não fosse. A senhora está muito mais linda também.
Eu ri.
— Obrigada, lindinha.
Ela sorriu, as bochechas brilhantes.
Ela me apertou de novo, e descansou a cabeça em meu ombro por um tempinho. Beijei seu cabelo ternamente, inalando seu perfume. Eu realmente era capaz de ficar perto deles sem colocá-los em risco. Fiquei tremendamente aliviada com essa constatação.
— Vem! Vamos lá com o Thony! — ela disse super animada, descendo do meu colo e pegando minha mão.
Assenti com um sorriso.
Ele estava no colo de Edward agora, vestindo um conjunto de bebê na cor marrom, contrastando seus olhos verdes de tirar o fôlego, os fios de seu cabelo da mesma tonalidade que o de Edward.
Sem pestanejar Edward me passou nosso filho, que me encarava de forma encantada enquanto Renesmee se agarrou ao seu pai, nos observando em expectativa.
Por um momento me senti culpada, nunca pude segurá-la assim quando ela nasceu. Meu coração ainda que não batesse mais, doeu.
Senti a mãozinha do bebê em meus braços tocar meu rosto. E abafou aquele sentimento esmagador de remorso que começava a me perturbar.
— Oi, meu amor. A mamãe está aqui.
Ele sorriu e pude ver embasbacada uma fileira de dentes branquinhos. Ainda que estivesse "acostumada", ainda ficava impressionada.
Depositei um beijo em sua testa, ao mesmo tempo em que cheirava seu aroma maravilhoso de bebê e ele agarrou meu dedo.
— Bella! Bem vinda de volta! — cantarolou Alice com uma câmera de última geração nas mãos. Ela parecia muito mais deslumbrante quanto me lembrava. — Antes de todos darmos abraços oficiais para a nova vampira do pedaço, quero uma foto da família mais linda!
— Alice… — tentei argumentar.
— Não me venha com "Alice" — ela me imitou e eu acabei rindo. — Apenas se juntem para que eu tire a foto e está tudo pronto! Viu? Que coisa difícil!
Ela revirou os olhos.
Edward e eu nós aproximamos com as crianças e sorrimos para a lente, assim que Alice deu por satisfeita após os inúmeros 'cliques', o restante da família realmente me deu as boas vindas.
A 'festa' improvisada se seguiu e eu agradeci a cada um pela sua participação, ainda mais a Lara por tudo. Enfatizei o fato de que sem ela nada daquilo seria possível.
Haviam me explicado que Charlie entrou em contato algumas vezes enquanto eu estava me transformando, porém informaram que eu estava bastante doente e tinha ficado no Brasil até que eu melhorasse. Ele não sabia que Edward e eu havíamos retornado da América do Sul.
Certamente me sentia muito culpada por estar fazendo aquilo com meu pai, mas eu tinha decidido retornar as ligações no dia seguinte para ao menos acalmá-lo um pouco. E dar uma desculpa para mantê-lo longe por enquanto.
O que me confortava é que ele tinha Sue.
Não queria ficar sem meu pai também. Já era bem difícil não ter contato com minha mãe.
Em determinado momento me virei para Edward, embasbacada por aquela atmosfera de paz e tranquilidade.
— Agora estaremos juntos para sempre. Você não tem como voltar atrás.
— Nunca! — ele declarou.
Demos um beijo rápido e sorrimos um para o outro.
Olhei para cada um presente ali, demorando em meus filhos e em Edward.
Agora era para sempre.
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