Amor De Infância
6 Capítulo Cinco - Estúpida Cólica!
Aquela seria a pior semana do mês, sem duvidas.
Sentia uma dor insuportável. Não sabia se essa era a sensação, mas podia comparar a uma mulher dando a luz. Tão intensa que seu útero parecia estar se deslocando. A pior semana do mês.
Mesmo com seus vinte e três anos não tinha um ciclo de menstruação regular, e na maioria das vezes era pega de surpresa com fortes cólicas. Sem nenhum prenuncio, sintomas.
– Você ficará o dia todo deitada ai? — Gina entrou em seu quarto sem bater na porta.
Hermione estava deitada de bruços na cama resmungando de tanta dor.
– Temos uma festa para ir amanha e você não me parece nada bem. — a ruiva demonstrou preocupação.
Claro, seu plano, até o momento perfeito, estava desandando.
– Não estou bem! — Hermione respondeu com a voz abafada pelo travesseiro. — Está doendo muito.
– Eu gostaria de fazer algo para ajudar.
– Você pode. — falou virando-se para a amiga. — Devolva o vestido para a loja, peça desculpas a Luna por mim e lhe entregue o presente, agradeceria muito!
– De jeito nenhum! Nem que a vaca tosa!
– Você vai claro que vai! E digamos que a culpa é sua, a sua médica disse que seria bom você tomar o anticoncepcional, para evitar essas crises, e ainda prevenir doenças futuras.
– Eu não tomo porque esqueço o horário...
– Qual a função de um lembrete no relógio querida? Mas de qualquer forma, você irá amanha, custe o que custar.
– Falando assim você parece até uma vidente! Boa sorte Ariel! — Hermione falou sem animo algum se referindo a fantasia que Gina usaria.
Para começar, aquela era uma festa a fantasia, onde todos tinham plena liberdade para escolher seus trajes, desde que fosse dentro do tema inicial proposto: Príncipes e Princesas da Disney. Apenas Luna pensaria em algo assim. Pois bem, Gina ficaria extremamente arrasada caso seu plano não desse certo. Ela sempre fazia o irmão de bobo — mais do que ele era — e o irritava, estava disposta a fazer algo que o deixa-se feliz, pelo menos uma vez na vida. E tinha plena certeza de que reencontrar Hermione faria Rony dar pulos de felicidade.
– Olha, eu vou ali na farmácia comprar um remédio para aliviar essa sua dor. Não gosto de te ver assim.
– Como quiser... — Hermione já tinha tentado, praticamente, todo tipo de receita caseira. Bolsa de água quente, centenas de chás diferentes, remédios — receitados — para cólica, e nada de ela ir embora.
Não devia ter se molhado na água fria aquele dia... Bem que sua mãe sempre lhe dizia: "Não molhe os pés na água fria, se não você fica com cólica!" Por que as mães sempre tem razão? Mas aquele dia estava quente demais, ela, Gina e Harry tiveram que pular no lago do parque.
– Até mais então! — despediu-se, deixando uma Hermione só cheia de dor.
A farmácia mais próxima do prédio ficava a sete quarteirões. Muito longe para alguém que fosse andando. Sorte a de Gina possuir um carro. Não era algo que se diga "Minha nossa, que carrão!", mas dava para o gasto. Andou pelas ruas escuras da cidade, até chegar em seu destino. Não seria tão fácil assim.
– Boa noite, em que posso ajudar? — logo ao entrar na loja, Gina foi recepcionada por um farmacêutico.
– Ah, olá! Ér, eu estou procurando um remédio para cólica. Para minha amiga, ela tem problemas com isso...
– E você teria uma receita médica?
– Bom... Não mas...
– Desculpe, apenas vendemos remédios com receita médica.
– Mas...
– Sem receita, sem remédio.
Gina reprimiu sua reprovação e saiu da loja. Ela não devia ficar chateada. A farmácia poderia ser responsabilizada caso vendesse remédio e a pessoa passasse mal. Ele estava certo. Não queria ser responsável pela possível morte de sua amiga.
Arrepiou-se com esse pensamento. Dirigindo pelas ruas percebeu o quão Londres podia ser atraente e chamativa de noite. Amava aquela cidade e não a trocaria por nada.
Levou quase dez minutos para encontrar outra farmácia que estivesse aberta. Teve mais sorte nesta. A moça lhe receitou uma caixa com sete comprimidos, dizendo que todos deveria ser tomados na mesma hora para evitar as cólicas, e que já bastava um hoje, o dia seguinte seria sem dor, mas caso ela esquece de tomar tudo voltaria.
Perfeito, pensou Gina. Nenhuma cólica ia atrapalhar seus planos!
...
Gina é louca, Gina é maluca, Pensava Hermione.
Como alguém poderia se preocupar tanto com uma festa. Afinal, era só uma festa! E ela apostava que Luna nem se importaria de ela não ir. Bobagem...
– Alguém em casa? – falando em Gina...
A dor que Hermione sentia era tão intensa que mal conseguiu responder.
– Comprei remedinho! Precisa tomar com água, então eu te trouxe esse copo! – ela pôs o como na mesa de cabeceira, olhou no relógio e continuou. – São vinte duas horas e quatro minutos. Você precisa tomá-lo de novo amanha, para surtir um efeito durante toda a semana.
– Certo, você quem manda. – reunindo forças de lugar algum, Hermione sentou-se na cama, pegou o copo e o comprimido. Os tomou e encarou o teto, pensando. – Gina, que obsessão é essa para que eu vá nessa festa?
– Obsessão? Claro que não. – respondeu um pouco nervosa. — Só quero que você se divirta, saia de casa. Você vive presa aqui! Mas então... – continuou sem deixar Hermione dizer algo. – Você deveria dormir. Amanha será um dia longo.
– Certo, certo. Boa noite, e obrigada! – Hermione virou-se de costas para a ruiva, e cobriu-se, com o cobertor, até o pescoço. – Apague a luz quando sair, por favor. – reprimindo um bocejo, logo adormeceu.
Gina aproveitou a “ausência” da amiga, para tentar conversar com o irmão.
– Alô? – uma voz sonolenta atendeu.
– Estava dormindo, é?
– Acho que sim, sei lá...
– Hum... Então, amanha, você vai né?
– Talvez...
– Como assim talvez? Você me prometeu!
– Se eu prometi quer dizer que vou, não falho com minha palavra, e você sabe.
– Certo Roniquinho. – ela sabia que ele não suportava este apelido. — Nos veremos amanha, e é bom, para sua saúde, que compareça!
– Tá, desculpe, mas posso voltar a dormir?
– Boa noite. Até amanha.
– Tá, ok...
Gina desligou o telefone rolando os olhos. “A gente tenta fazer algo legal para as pessoas e é assim que elas retribuem!” pensou.
...
No dia seguinte, Hermione acordou com a disposição de cem cavalos. Levantou-se cantarolando. Fez sua higiene pessoal e foi para a cozinha.
– Bom dia ruiva! – cumprimentou. – O dia está belo, né? – perguntou sentando-se a mesa.
– Quem é você e o que fez com a Hermione de ontem?
– Ela deve estar trancada a sete chaves no meu armário!
– Então, o remédio fez efeito, pelo visto.
– Sim, estou bem melhor hoje, e animada com o que acontecerá mais tarde. Não sei por que, mas sinto que algo especial vai acontecer! – falou sorrindo para o além.
E como ela tinha razão, algo aconteceria...
– Mas então, eu marquei a cabelereira para nós. Duas da tarde quero você pronta para ficar pronta! – soltou uma leve gargalhada.
Durante o resto do dia, as duas ficaram conversando sobre coisas banais até que chegasse a hora marcada no salão.
Precisaram de aproximadamente quatro horas para estar com “o penteado e a maquiagem perfeita!”, como tinha dito Gina.
Quando voltaram para casa, já era hora de se vestirem e saírem. Gina ainda mandou uma mensagem ao irmão, perguntando se ele já estava pronto. O mesmo respondeu que estava prestes a sair de casa.
Depois de vários anos, será que Rony e Hermione seriam capazes de se reconhecerem? Ou melhor, eles chegariam a descobrir quem realmente eram?
Algo especial aconteceria...
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