Notas iniciais
Desculpem a demora, mas é que depois que as aulas voltaram eu não tive tempo de mais nada a não ser estudar. Sorry >.< Boa Leitura

A casa que eu deveria entrar era de arquitetura colonial, o que dificultava em partes, pois o chão era de madeira e fazia muito barulho além da casa ter corredores muito extensos, o lado bom era que esse tipo de casa tinha poucas câmeras.

Eu entrei pela porta dos fundos e fui seguindo até chegar à entrada onde subi as escadas e coloquei meus óculos de visão noturna, que eu havia ganho como pagamento uma vez, dei uma olhada por todo os segundo andar e não havia nada de anormal, então fui até o cofre que ficava em um quarto no fim do corredor, era o quarto de hóspedes, para chamar menos atenção

Quando cheguei ao cofre percebi porque meu adiantamento havia sido tão alto, o cofre era de ultima geração, 4 dígitos com alarme e trava automática depois de sete tentativa, eu suspirei sentando no chão e tirando um pó para ver se achava digitais no painel, com sucesso os quatro números eram 6914, mas podiam ser combinados de vários jeitos o que me deixava sem muitas opções se não tentar. Após fazer seis tentativas resolvi não arriscar e fui para casa.

No dia seguinte eu encontrei Tomás novamente no ônibus pela manhã, ele estava ouvindo música então resolvi não puxar conversa. E comecei a rabiscar alguns códigos para tentar a noite. Mas até isso chamou a atenção do Tomás e ele tirou o fone e ficou me olhando.

– Código pra que?

– Um diário antigo – Menti mais calma do que realmente estava.

– Entendo, uma senha de quatro números, você já tentou um dia e mês?

– Já, mas nenhuma data importante bate.

– E um ano?

– Não, os números mais gastos montam poucos anos, mas eu vou tentar. Vamos ver: 1469; 1496; 1694; 1946; 1964.

– 1964 foi o ano do Golpe Militar pode ser isso? – Tomás já estava mais animado do que eu pra descobrir a senha.

– Não sei, o ano é válido, mas sei lá vou tentar quando chegar em casa.

Logo já descemos do ônibus e ficamos jogando papo fora até a Vanessa vir falar comigo e o Tomás ir falar com um garoto que eu acho que chama Lucas.

As aulas estavam chatas então eu dormi o primeiro período inteiro, e no intervalo o Tomás me passou uma mensagem para quando o sinal batesse a gente se encontrar atrás da quadra. E lá fui eu.

– Me diz. Você não acharia suspeito, nem ao meio estranho alguém ti chamar para vir atrás da quadra depois do intervalo? – Perguntou ele enquanto eu me aproximava.

– Se fosse outra pessoa sim, mas você não é normal, então eu vim e além do mais o dia está tedioso demais.

– Nossa então eu sou sua felicidade em um dia tedioso?

– Na verdade você é uma das minhas opções em um dia tedioso, só não perde para Vanessa porque ela não para de falar daquela bandinha que ela gosta.

– Entendo... Eu queria perguntar se é verdade a história do diário. – Ele se sentou embaixo de uma árvore.

– Sim... – Ele desconfiava de mim, eu estava bem lascada, mas não podia contar tudo para ele, não podia arriscar. – Mas porque a pergunta você não confia em mim – Eu tinha que parecer calma, ele só estava querendo me encher o saco.

– Pela nossa pouca convivência não posso falar que confiaria minha vida a você, mas estou curioso sobre esse diário.

– É um diário que minha mãe tinha guardado e deu para mim quando morreu.

– Interessante, não sabia que sua mãe havia morrido, não consta na sua fi...

– Mas o quê?? Não acredito que você viu minha ficha na polícia e eu pensando que tínhamos o mínimo de decência e até quem sabe amizade aqui, mas acho que sua razão para ficar perto de mim é porque quer ser o playboy que “ajuda” uma delinquente a ser melhor do que ela jamais foi!

– Nossa você é mesmo boa em dizer o que os outros estão planejando, mas olha só que pena você errou. Eu vi sua ficha porque fui arquivá-la ontem e acabei ficando curioso, foi um erro sim, mas eu não tenho segundas intenções para nossa amizade.

Aquilo não me convencia, nós mal nos conhecíamos e ele já fizera aquilo comigo, mas como diz minha avó “As verdadeiras amizades passam por cima de tudo”, e eu não estava tão disposta a sair brigando com todo mundo, isso chama muita atenção, mas também não ia perdoá-lo tão facilmente então eu resolvi sair dali.

– Ei espera, você não vai me dizer nada? – Ele perguntou segurando meu pulso.

– Eu preciso pensar é só, pode ser? – Eu me virei e nós acabamos ficando bem próximos.

– Eu acho que você não precisa da minha permissão para fazer nada que queira – Ele não fez questão de aumentar a distância entre nós. Pude ver que seus olhos eram de um verde bonito e podia sentia sua respiração. – Diga o que você espera que eu faça para recuperar sua confiança.

– Eu não sei... Preciso pensar em uma coisa bem horrível e humilhante para você – eu falei rindo e arranquei um sorriso dele, ele chegou mais perto e eu não recuei, talvez sabendo o que era errado por não nos conhecermos, e por termos acabado de brigar, mas seu cheiro, seus olhos me pegavam de um jeito que eu não tinha como me afastar. Mas o plano dele não deu certo porque um dos inspetores da escola passou perto de nós e mandou que voltássemos para sala.

No caminho de volta deixei que ele segurasse minha mão talvez numa forma de dizer que eu o desculpava...

Entramos na sala juntos, mas não de mãos dadas, eu não ia ser zoada na primeira semana de aula. Não nos falamos no resto da aula, e acabamos não voltando juntos no ônibus, o que me deu tempo para pensar o que era aquilo que eu estava me metendo.

Notas finais
E ai algum comentário??