Amor Cigano
16 Ele é meu!
Notas iniciais
Uma semana havia se passado após a loucura que havia sido o festival e desde então, Felicity encontrava-se no paraíso. Quer dizer, ao menos ela se sentia no paraíso, mesmo que no fundo, ela soubesse que só de pensar isso, estava pecando horrivelmente.
Suas sessões de amassos com Oliver, com certeza não eram obra de Deus.
O homem parecia ter mãos mágicas, e olha que sequer havia chegado perto de sua calcinha. Bem, só um pouquinho. Infelizmente, Felicity estava com a impressão que o ex-playboy ainda estava tentando se segurar ao seu redor.
Lentamente, ele cedia alguns pedaços dele e de maneira sutil, recolhia os outros pedaços para longe. Sinceramente, Felicity jamais imaginou que entrar num não-relacionamento com outra pessoa, exigisse tanta paciência e resolução.
Pra ela, conseguir ultrapassar todas as barreiras de Oliver, havia se tornado a batalha de sua vida.
Ainda tinha muito material por sob a fachada de "Oliver Queen, ex CEO, ex playboy, herdeiro, irmão, amigo e prodígio das negociações ".
Já Oliver por outro lado, tentava não focar tanto nas artimanhas de Felicity tentar penetrar sua couraça (Sim, ele tinha notado. E sim, ele estava ciente que ELA quem gostaria de ser penetrada cedo ou tarde, mas em outro lugar.), mas sim nas experiências trocadas entre eles. Ele gostava de pensar que se a relação entre ele e Felicity pudesse ser nomeada, seria chamada de namoro de colegial, onde tudo era muito novo e empolgante. Até mesmo existia um sorriso secreto entre os dois!
Oliver jamais imaginou que pudesse ser tão divertido ficar ao redor da garota, mas estivera redondamente enganado — e Tommy junto a Diggle, gostava de jogar isso na sua cara a cada oportunidade. Se existia um clube que torcesse para ele ficar com Felicity por tempo ilimitado, tinha a completa certeza que Tommy e Diggle eram membros.
Por outro lado, os habitantes da fazenda não demonstravam muita aprovação ou desaprovação com o novo enlace entre a pequena Srta. Smoak e o "turista rico". Eles simplesmente contemplavam, às vezes comentavam uma e outra coisa, e quando de bom humor, soltavam risadinhas. Oliver realmente não ligava para nada disso.
O que lhe preocupava mesmo era o silêncio do fazendeiro Barry Allen, por quem agora nutria um grande respeito. Tinha noção que o mesmo via e tratava Felicity, como uma irmã mais nova, portanto, seu silêncio sobre tudo que estava ocorrendo bem abaixo do seu nariz, era enervante.
Oliver nunca sabia quando o fazendeiro iria finalmente lhe dar um pontapé ou um ultimato para assumir um compromisso sério com Felicity.
Fosse qual fosse, as duas opções faziam Oliver estremecer. Levar um pontapé jamais seria bem vindo e ele assumir um compromisso quando já tinha data para ir embora, era impossível.
Talvez ele finalmente devesse começar a lembrar todos sobre isso...
Felicity's Pov
Eu sabia que era errado e uma garota criada por Henry Allen jamais faria isso, mas bem, eu ainda era filha de minha mãe. Portanto, não consegui resistir a ideia de observar Oliver tomando o seu banho por mais alguns minutinhos.
Afinal, a culpa não era minha por ele ter deixado a porta entreaberta, quando a casa principal estava aparentemente vazia. Agora, eu conseguia admitir 100% a culpa por não conseguir controlar meus impulsos pervertidos e acabar aqui, o espionando tomar uma ducha.
Como o imaginado, sua bunda é perfeita. Assim como todo o pacote. Foi inevitável eu não morder meus próprios lábios, enquanto juntava as pernas. Oh minha santinha das atrevidas, o que eu não daria para o Sr. Tesão m-
— Gostando do show, Felicity?
— Aha-
PUTA QUE PARIU!
Mortificada, sentindo o rosto em chamas, encarei Oliver que me enviava um sorriso maroto sobre os ombros. Meu primeiro instinto foi correr como se o próprio satanás estivesse na minha frente, no entanto, minhas pernas se recusaram em trabalhar.
Por isso, fiquei igual uma imbecil parada, olhando todas as gotículas possíveis, deslizarem sobre o corpo de Oliver...E que corpo!
— Você sabe, se quer que isso dure, pode tirar uma foto. — Ele ronronou virando e me dando a visão completa. Oh meu pai do céu. Seus olhos continuavam fixos nos meus. — Eu deixo.
Engasguei e demorou alguns bons minutos para eu recuperar o ar. Já Oliver, seguia inabalado, com o mesmo sorriso maroto desenhado no rosto. E com zero sinal de quem gostaria tampar suas preciosidades com alguma toalha — o que eu achava muito bom.
O homem sabia que era tudo aquilo e um pouco mais.
— Eu posso tocar também? — Perguntei, com a coragem recuperada e a falta de vergonha na cara, esquecida. Mamãe ficaria orgulhosa. — Sabe, só pra conferir a mercadoria?
Eu juro que após as minhas palavras a coisa enorme entre as pernas de Oliver, levantou voo. Eita, eita, eita! Era hoje mesmo que eu pagava o meu primeiro boquete!
Obrigado senh-quer dizer, Satanás! O senhor não tinha nada a ver com essa historinha pecaminosa.
— Pode tocar, só não pode arrancar pedaço.
Minha boca abriu um palmo.
— Eu não vou arrancar nada, eu jamais arrancaria o seu Junior! — Comecei a falar, verdadeiramente apavorada com essa ideia maluca. Tudo bem que eu tinha alguns parafusos soltos, mas arrancar pedaço de Oliver? E ainda mais daquela parte preciosa? Tá de sacanagem! — Eu juro p-
— Calma Felicity, eu só estava jogando com você. — Ele me interrompeu rindo — Eu sei que você jam-Ow!
Sr. Tensão não teve tempo de completar sua frase, já que eu literalmente voei em sua direção e agarrei seu pau como se fosse a última garrafa de água no deserto.
Oh, meu senh-Satanás, eu finalmente tinha um pau nas minhas mãos. E não um pau qualquer: o de Oliver Queen.
SIM!!!!!!!!!!!
— Que pouca vergonha é essa, Felicity?
— Mamãe dá um temp- Espera, mamãe?
NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!
Caí da cama com tudo, batendo minha testa no chão e provavelmente quebrando o meu nariz no processo. Como se a situação de mamãe me flagrar tendo um sonho erótico com o Sr. Tesão, não tivesse sido humilhante o suficiente.
— Felicity Megan Smoak, que história é essa de que você chutou Akio?
Hein?
Ainda no chão, atirei um olhar na direção de minha mãe sem entender nada. Com uma mão eu estava massageando minha testa e com a outra, ainda checando o meu nariz.
— Não faço ideia do que você tá falando. — Gemi ao tocar um ponto dolorido em meu nariz. Merda, ele iria ficar inchado.
Me lançando um olhar pra lá de feio — quer dizer, eu acho, já que continuava vendo estrelas após minha queda dolorosa -, mamãe cruzou os braços, parada ainda na porta do meu quarto.
— Akio espalhou por aí que você o chutou e nunca mais te perdoará.
Bufei.
— Eu não chutei esse pirralho. Ele tá inventando histórias só porque me viu com Oliver e—Ah, entendi!
Finalmente aquela paixonite infantil que Akio sentia por mim iria tomar proporções épicas, se os boatos que ele estava espalhando por aí dizia alguma coisa. Eu só esperava que Thea, Oliver ou Diggle não pensassem que eu fosse alguma aliciadora de crianças ou alguma outra aberração que existia por aí mundo afora.
— Felicity, eu realmente espero que você não tenha chutado essa pobre criança, não te criei assim.
Semicerrei os olhos, por fim conseguindo enxergar o rosto de mamãe. Ela ostentava uma expressão traiçoeiramente gentil.
— É, você não me criou para chutar uma criança endemoniada e sim para surrá-la com um cassetete assim que possível. — Retruquei, recordando os seus lendários métodos de criação.
Notei quando uma veia saltou da sua testa.
— Não me lembro de nada disso e de qualquer forma, não é esse o assunto em pauta.
— Então é qual?
— É o assunto: Como eu tenho que sentar todos os dias com um garoto de oito anos para tentar me atualizar sobre a vida romântica da minha filha.
Oh droga, fiz uma careta, a gente deveria ter continuado com o assunto "Akio endemoniado". Era muito mais seguro.
Fazia algum tempinho que eu e mamãe havíamos entrado em acordo sobre ela não se meter no meu não-relacionamento com Oliver, já que eu sozinha tinha a estranha capacidade de estragar tudo, mas com ela junto, fazia qualquer desastre da história humana, se tornar uma piada.
De início ela não gostou muito da ideia, porém no final viu o apelo e decidiu jogar com a situação. Donna estava louca para ter Oliver Queen como genro, portanto, convencê-la a não se intrometer muito nos meus assuntos, foi relativamente fácil. O que eu deveria ter estranhado.
— Você prometeu que não se intrometeria! — Acusei, enfim me levantando.
Ela colocou as mãos na cintura.
— Não estou me intrometendo, apenas me mantendo atualizada.
O pior que não consegui encontrar nenhum argumento para refurtar o seu ponto, por isso, decidi manter o bico calado, enquanto esperava para ela explodir o seu drama no meu ouvido e depois vazar do meu quarto.
Ainda precisava planejar a minha abordagem de hoje com Oliver. O homem trocava amassos comigo praticamente todos os dias, mas ainda assim não parecia muito convencido a ficar em Lian Yu por tempo indefinido, fazendo-me duvidar cada vez mais da minha capacidade de derreter geleiras completamente.
Fazendo uma analogia bem pobre, começava a julgar Oliver o iceberg e eu o Titanic. Se eu não o derretesse rápido (e muito, muito, muito completamente), logo mais eu acabaria no fundo. No fundo do poço.
Como sou uma filha legal, continuei parada no mesmo lugar enquanto fingia ouvir mamãe falar, falar e falar...Até quando, por fim, ela falou algo que fez meu coração acelerar e minha audição parecer prestes a explodir.
— Oliver já te convidou para ir com ele na abertura do Verdant? Vai ser hoje a noite.
COMO. INFERNOS. EU. HAVIA. ME ESQUECIDO DISSO?!
Pior, POR QUE OLIVER AINDA NÃO HAVIA ME CONVIDADO PARA IR COM ELE?
Notando minha expressão de quem queria cagar e não podia, mamãe começou balançar a cabeça negativamente.
— Tá vendo? Eu disse que podia te ajudar, mas você não deixou! Agora você vai perder a chance!
Eu não iria perder chance nenhuma, pensei revoltada, começando a me recuperar. Se Oliver não havia me chamado AINDA para o acompanhar na inauguração da boate, eu teria que fazer ele me convidar na marra, difícil simples assim.
— Ele deve ter se esquecido. — Inventei o KO, tentando sair por cima e torcendo bem lá no fundinho que ele tivesse esquecido mesmo. — Aposto que vai me chamar até o final da tarde.
Até porque eu o farei fazer isso, quis acrescentar mas guardei meus planos maquiavélicos pra mim.
— Bem, faz um pouco de sentido ele esquecer de te convidar — Mamãe me olhou pensativa —, o homem nos últimos dias anda bem ocupado analisando as contas da fazenda, ao mesmo tempo que tenta ter algum controle de Tommy esbanjando na compra de coisas para a boate.
Franzi o cenho, incomodada em saber que mamãe estava por dentro dos assuntos de Oliver até demais da conta e também por lembrar que o meu garanhão nos últimos dias vinha enfrentando o maior problemão para controlar a questão financeira da fazenda.
A cada dia eu ficava com a impressão de que a fazenda só seria salva por um milagre, o que era desesperador.
— Onde está Barry? — Perguntei, mudando de assunto. E também porque queria saber se poderia ter a manhã livre para perseguir Oliver. Mamãe definitivamente tinha conseguido plantar a ervinha da treta na minha cabeça.
Ela piscou.
— Por que você acha que eu sei onde Barry está?
Fixei meus olhos nela.
— Você é a segunda maior fofoqueira que está viva nessa fazenda.
— Eu sou a segunda maior fofoqueira? — Me olhou toda ofendida — Como assim eu sou a segunda? Eu não deveria ser a primeira?! — No final ela já estava aos berros, soltando fogo pelas ventas.
Por que Donna ainda conseguia me impressionar a essa altura do campeonato?
Reprimi a risada. — Deveria, mas Curtis existe.
E Curtis adorava fazer as pessoas se lembrarem da sua existência. Fazia dois dias que o maluco gritava por aí que tinha desistido do Oncinha Piolhento e agora seu mais novo alvo era Slade (mais conhecido como Slade-Loki, ao menos por mim), ignorando completamente o perigo de sua nova empreitada.
Slade, obviamente, começou a dar corda pro Curtis se enforcar. Quanto mais o maluco soltava uma cantada pra cima dele, mais Slade abria um sorriso suspeito e dava uma piscadela para ninguém em particular (Mas Curtis jurava que era pra ele e fingia desmaio toda vez que isso acontecia).
— Tinha me esquecido dessa praga. — Mamãe suspirou tristemente, até que de repente sua expressão ficou um pouco mais animada — Acho que Slade está planejando castigá-lo, aqueles sorrisos não podem ser outra coisa.
Assenti com a cabeça, de acordo.
— Slade definitivamente está prestes a aprontar pra cima de Curtis.
E eu que não iria me meter! Curtis podia ter se tornado um aliado (semi-útil), mas eu sabia minhas limitações e pretendia preservar meu pescoço. Não me arriscaria por Curtis quando tinha Slade metido na história.
O cara simplesmente era um pesadelo! Nem Rambo aguentaria a pressão de ter Slade Wilson como inimigo.
Tirando esses pensamentos da minha cabeça e resolvendo focar no que era mais importante na atual situação, vazei o mais rapidamente possível para fora do meu quarto, ignorando completamente os berros de mamãe. No momento, eu tinha um ex-playboy para perseguir. Barry definitivamente entenderia a razão da minha ausência no trabalho hoje.
(...)
O que era mais difícil? Encontrar Oliver ou a dignidade de Curtis? Essa pergunta esteve assombrando minha mente durante toda a manhã enquanto eu dava voltas e mais voltas ao redor da fazenda, em busca do meu Sr. Tesão.
No final, acabei descobrindo por intermédio de Rory — meu amado e fiel amigo Rory -, que Oliver havia dado uma saída rápida com Tommy, parecia que ambos tinham ido até a divisa leste da propriedade, o motivo ele não soube me dizer (infelizmente ele não era tão fofoqueiro quanto mamãe ou Curtis), mas ao menos conseguiu me dar uma localização para encontrá-lo.
Usando os meus dotes ninjas, fui em direção ao local que imaginava onde Tommy e Oliver estavam, andando nas pontinhas dos pés e tentando me camuflar com a vegetação, queria pegar ambos de surpresa. E de bônus, quem sabe colher alguma informação valiosa ao escutar alguma conversa? Curtis podia ser o fofoqueiro número um e Donna a número dois, mas quando tinha Oliver Queen envolvido no meio do assunto, poderiam me considerar a fofoqueira número menos um (se é que vocês me entendem).
Não demorei em avistar minhas vítimas paradas conversando distraidamente perto de algumas árvores, e não perdendo tempo, ativei meu modo espiã demais, caminhando sorrateiramente na direção deles. Sem nem pensar duas vezes, me agachei perto do primeiro arbusto que encontrei, torcendo para conseguir escutar alguma coisa interessante do papinho entre os safados reformados.
— Cara, a boate hoje a noite vai bombar! — Tommy falava super animado. Curiosa, abri discretamente uma fenda entre o arbusto para analisar as expressões faciais daqueles dois malandros.
Notei que Tommy continuava com metade da cabeça raspada desde o incidente com o chapéu de pó de mico. Quase ri alto e revelei minha posição, ao recordar disso.
— Bem, parece que sim. — Oliver encolheu os ombros, mas um sorrisinho preguiçoso despontava dos seus lábios. Merda, aquele homem conseguia ser obsceno só em respirar! — Mas não se empolgue tanto, imprevistos podem acontecer.
— Ah, Oliver, não amola! Não vem agourar nosso trabalho duro não!
Agora Sr. Tensão tava com um olhar ofendido.
— Não tô agourando nada, só tentando ser realista e te prepar-
— Blablablabla — Interrompeu Tommy, sem paciência. — Vem cá, onde tá a Felicity? Só ela pra fazer você parar com esses papos de milionário reprimido por pelo menos algumas horinhas.
Ok, é oficial: Eu amo Tommy Merlyn e o manteria como melhor amigo para sempre.
Com os ouvidos mais atentos que nunca, me debrucei um pouquinho mais, pra ouvir melhor. O assunto começava a ficar imensamente interessante...
— Tommy, não começa. — Meu garanhão amarrou a cara. — Eu não estou compartilhando nenhum detalhe sórdido sobre o que há entre eu e Felicity, com você!
Tommy fungou com incredulidade.
— Ei, você acabou me ofender? — Pausa — Ah, espera! Então existem detalhes sórdidos?
Infelizmente não, meu amigo. Quer dizer, umas sarradas não contam né?!
— Não me faça ir até Laurel e pedir aquele taco de baseball. — Oliver apertou os dentes. — Você sabe o prazer imenso que eu teria de lhe acertar com ele.
Tommy levantou os braços, exasperado. — Poxa, hoje em dia já não se pode falar mais nada sem ser ameaçado!
Revirei os olhos com aquele seu teatrinho barato. Se fosse pra ganhar a vida como ator, Tommy passaria fome, isso eu tinha certeza.
— Já te falaram hoje que você fica mais bonitinho de boca fechada?
— E já te falaram hoje que você fica mais tolerável ao lado de Felicity? — Tommy rebateu, colocando as mãos no quadril. — É sério, seu humor muda completamente.
É óbvio que após a sua declaração, um sorriso besta brotou dos meus lábios, já Oliver...Bem, a carranca se intensificou no seu rosto.
— Pare de trazer Felicity para essa conversa. — NÃO PARE!!! — E vamos tratar de negócios.
Poxa, Oliver definitivamente precisava da minha companhia urgentemente! Ao menos, comigo, a boca dele fazia coisas bem mais interessantes que falar sobre negócios.
— Tratar de negócios? — Dessa vez Tommy parecia genuinamente surpreso — Pensei que já estava tudo resolvido e acertado pra hoje a noite?
— Está tudo resolvido, mas eu ainda quero saber quem você arranjou pra fazer os panfletos da boate. Ficaram realmente bons.
Ah não!
Tommy soltou uma risadinha. — Tem certeza que você quer saber? A resposta pode te surpreender.
Detectando que eu iria me estrepar, comecei a me preparar para retirada, já ficando de quatro para engatinhar durante a minha fuga humilhante.
— Conta logo Tommy, a QC no futuro talvez precise do talento por trás desse panfleto.
— Tá bom, já que você tá pedindo com tanto jeitinho... — Merda Tommy Merlyn, não se atreva! — Curtis e Felicity estão por trás desse panfleto.
— Felicity e Curtis?! — A voz do meu garanhão soou surpresa e pudera né, acabava de descobrir um dos meus tantos talentos. — Mas a Felicity não sabe nem mexer num computador direito!
— Quem te disse isso? — Tommy gargalhava alto.
— Ela. — Oliver rosnou, o que fez meu desespero pra meter o pé logo dali crescer.
Mas para o meu total horror, comecei a sentir uma cãibra maldita em uma das pernas, prestes a arruinar qualquer fuga que eu tinha para salvar minha bunda. Sem alternativas, fiz a última coisa que queria: Saí detrás do arbusto e parei bem aos pés de Oliver da maneira mais abrupta (e humilhante, não vamos nos esquecer) possível.
Valeu, Deus!
— Ei, Oliver... — O saudei, soltando uma risadinha nervosa. Será que eu se fingisse que tava tudo ok, ele ignorava minha atual posição (caída a seus pés) e o fato de que acabei de sair detrás dum arbusto?
Silêncio nos rodeou, enquanto Tommy me olhava boquiaberto e Oliver estudava meu rosto como se eu fosse alguma espécime de criatura diferente. Quando pensei em abrir a boca pra falar algo mais interessante que "Ei, Oliver", o próprio foi mais rápido:
— Felicity, por que você sempre escolhe sair de arbustos?!
É, deixa pra lá sobre ele não notar por onde eu saí.
Gemi, desolada. Quantas vezes Oliver teria que me ver pagando mico?
— Se preocupa não Felicity, um dia você vai estar rindo de tudo isso com o seu terapeuta.¹ — Tommy me zoou sem pena, fazendo minha dignidade estrebuchar no chão junto comigo.
Um dia eu iria matá-lo por isso!
(...)
— Então, você esteve me enganando todo esse tempo sobre não saber mexer propriamente num computador.
Isso definitivamente não era uma pergunta, pensei nervosa, observando Oliver com cuidado. Seu rosto não entregava muito coisa, o que fazia minha preocupação multiplicar. Será que ele me detonaria? Será que agora minhas chances com ele estavam arruinadas de vez?
Estremeci apenas com esse pensamento. Não tinha nadado tanto quanto a icônica Dory para morrer afogada na praia, não mesmo.
Agora sozinha com Oliver — já que Tommy não perdeu tempo de sair fora, após notar que o caldo iria entornar pro lado dele -, ponderei todas as minhas opções. Eu podia mentir e dizer que Tommy havia se enganado, ou simplesmente admitir a verdade e esperar contornar a situação. Claro, isso se Oliver não decidisse me matar antes, afinal, estávamos sem testemunhas no momento.
— Sim. — Por fim, admiti. E esperei por sua reação.
E esperei...esperei...continuei esperando...até que Oliver piscou os olhos e caiu numa gargalhada tão escandalosa que me fez pular de susto.
ELE ESTAVA RINDO?
— Você não tá com raiva? — Perguntei, bem besta.
Ou eu estava drogada ou numa realidade alternativa, não era possível Oliver estar tendo ESSA reação diante minha travessurinha.
Ele agitou as mãos, após se recuperar da crise de risos.
— É claro que não estou com raiva, você foi bem esperta e provou que não deve ser subestimada. Felicity... — Ele mordeu o interior da bochecha, me fitando duma maneira totalmente, inteiramente, absurdamente, diferente. —...você é uma mulher notável.
Foi o suficiente para fazer o meu peito explodir e minhas mãos suarem. Era como se um caldeirão quente tivesse sido entornado sobre as minhas entranhas e aquecido tudo por dentro. Se esse homem ainda não estava apaixonado por mim e essa não foi uma declaração, eu só podia imaginar o que seria uma declaração de verdade vindo dele.
Pigarreei sem graça. — Er, obrigada?
Minha cara de otária deveria estar em plena exibição. Valeu mesmo, Deus!
— De nada, Felicity. — Retrucou, começando a avançar na minha direção mansamente.
Meu primeiro instinto foi correr, mas alguma voz interior sussurrava na minha mente para eu permanecer no mesmo lugar. E foi exatamente isso que fiz.
Agi como um perfeito cordeiro prestes a ser abatido pelo lobo.
Numa batida sua boca se encontrou com a minha (Graças a Deus!), num beijo tão profundo que me fez perder o equilíbrio, felizmente, garanhão já estava preparado pra isso e estreitou minha cintura com o seu braço, me impedindo de cair — e assim, me fazendo derreter mais e mais contra seu corpo. Quando meus pés se firmaram, Oliver começou a descer sua mão em direção ao meu traseiro, colando seu corpo mais ainda contra o meu, fazendo-me consciente do seu comprimento avantajado.
Ai, nossa, o que eu precisaria fazer pra ver o pinto dele de novo?
Rindo, Oliver de repente separou seus lábios dos meus, descansando ambas as suas mãos agora no meu rosto. Não entendi nadinha e a minha cara de trouxa deve ter deixado isso claro.
— Felicity, eu não pretendo que você veja o meu pinto novamente, aquela outra vez bastou.
AIMEUDEUS, ALGUÉM ME MATA!
— Eu não acredito que falei isso em voz alta. — Gemi mortificada, tentando me soltar de Oliver e provavelmente ir cavar minha própria cova.
Puta merda, eu tinha mesmo que desnudar os meus pensamentos na frente de garanhão quando poderia muito bem ME desnudar pr-Ei espera!
— Ei, o que você quer dizer sobre não pretender me mostrar o seu júnior? — Perguntei, esperando ter ouvido errado.
Me encarando intensamente, Oliver levantou uma sobrancelha. — Quero dizer exatamente isso. — Pausa dramática. — Aliás, não chame Ele de júnior, é meio deprimente.
Deprimente mesmo era viver sabendo que por alguma razão eu não veria a Anaconda Queen mais uma vez.
— Eu fiz alguma coisa errada? — Quis saber, porque não era possível o Sr. Tesão ter decidido fazer isso comigo do nada...Ou melhor dizendo: NÃO FAZER.
— Não, Felicity você não fez nada de errado. — Respondeu lentamente, como se estivesse conversando com alguma criancinha, o que me deixou um pouquinho ofendida. — Você é perfeita.
Ok, deixa pra lá eu ficar ofendida com o tom professor-aluna. Derretida com o elogio de alto nível, sorri feito idiota pra ele.
— Ahn, quer dizer então que sou perfeita? — Agora extremamente confiante e 10x mais sem vergonha, comecei a subir e descer minhas mãos sobre os seus bíceps. Oh pai, obrigada por ter me dado de presente essa espécime de macho! — O problema é você? Que foi? Já tá tendo problemas na hora do sexo? Você é precoce? Não precisa ter vergon-
Sua risada acabou interrompendo meu discurso super fofo sobre ele não precisar ter medo de ser precoce comigo e obviamente isso me deixou fula da vida, fazendo-me mandar todas as minhas boas intenções para o espaço!
POR QUE ELE TÁ RINDO? E NA MINHA CARA?
Revoltada, bati o pé no chão para não chutar ele. — Oliver, isso não tem graça!
Levou vários minutos para Oliver finalmente calar a matraca e fechar a torneira (e estou me referindo aos olhos dele, já que o maldito chegou a chorar de tanto rir).
— Agora você pode me explicar o motivo da risada? — Pedi, com toda a dignidade possível (e digamos que foi bem pouca, já que dignidade não tenho desde que me juntei a Curtis).
— Só ri porque você estava totalmente errada em supor que não vou dormir com você por problemas sexuais. — Deu de ombros, como se o assunto não fosse grande coisa.
— E não vai dormir comigo por quê?!
Soltando um suspiro profundo, Oliver novamente se aproximou o suficiente de mim para colocar a mão sob o meu queixo e erguer o meu rosto para ele.
Olhando nos meus olhos, ele decidiu explicar sua razão:
— Felicity, eu não sou daqui. — Abri a boca, pronta para retrucar com um "Tá e daí?" mas o aperto da mão dele envolta do meu queixo, se tornou mais firme, me silenciando. Boa jogada. — Eu não vou cair na sua cama e depois ir embora, e esse é o problema: Eu preciso ir embora. — Completou.
Ah, não entendi nada. Será que Oliver simplesmente estava tentando ser respeitoso comigo? Ponderei por alguns segundos, até decidir que certamente era isso mesmo.
— Te entendi! Mas olha Oliver, é incrível como o inferno está cheio de boas intenções, porém não precisa fazer isso comigo não! — Disse de maneira um pouco afobada, doida pra colocar algum juízo na cabeça do garanhão. Ou tirar, dependendo do angulo.
Ele largou o meu queixo e me deu um olhar de cima abaixo. — O que exatamente você entendeu, Felicity?
Poxa, ele me faria falar isso em voz alta mesmo? Com um suspiro sôfrego, coloquei a boca no trombone:
— Que você não quer tirar a minha, hm, honra pra eu não ficar mal falada quando você for embora mais tarde.
Era fofo como ele pensava que ainda iria embora de Lian Yu, divaguei, ainda sustentando o seu olhar. Por um momento Oliver ficou apenas em silêncio, até abrir um sorriso de tirar o fôlego. Sério, pensei até que estava tendo um ataque.
— Aw Felicity, você é muito fofa por pensar isso. — Riu — Mas não poderia estar mais enganada.
Hein?!
— Espera, então o que você quis dizer?
De novo, ele se aproximou e ao invés de segurar meu queixo, sua mão deslizou pelo meu pescoço, me puxando e deixando-me cara a cara com seu rosto de Adônis. Seus olhos me queimavam.
— Felicity, eu vou embora porque preciso, tenho responsabilidades em Star City, mas... — Seus olhos, aqueles hipnotizantes e azuis olhos, trilham sobre mim. Agora eu estou me sentindo queimar. —...mas eu tenho a impressão que se eu parar na sua cama, não vou querer sair dela. Jamais.
MEU. DEUS.
Oliver Queen acabou de se declarar (de um jeito muito torto) pra mim?? CHEQUEM O MEU PULSO PORQUE ACHO QUE ESTOU MORRENDO!
Aparentemente satisfeito com a minha reação — ou não reação, já que continuei parada feito uma idiota, tentando processar a ideia de que Oliver Queen possivelmente estava tão enamorado por mim, que passar por minha cama, o faria querer ficar para sempre em Lian Yu -, Oliver me lançou um último sorriso indecentemente majestoso, antes de me dar as costas e ir embora.
Suponho que ele possa ter falado alguma coisa sobre "Te vejo mais tarde" ou quem sabe "Não fique tão chocada ou um raio poderá atingi-la logo", mas não consegui prestar atenção em absolutamente nada.
Só conseguia pensar em como faria aquele homem pousar na minha cama e nunca mais sair dela, se isso significava conseguir meu para sempre com ele.
Uma leveza se apossou do meu corpo quando percebi o que eu precisava fazer.
(...)
— Meu Deus Curtis, o que você tá vestindo?! — Olhei escandalizada Curtis parado bem na minha frente feito um farol no meio do mato. Ele tinha certeza que sairia assim aqui em Lian Yu?
A essa altura do campeonato era de se imaginar que eu já estivesse acostumada com as vestimentas malucas de Curtis, mas...O Aloprado conseguia se superar cada dia mais. Que infernos eram aquelas lantejoulas cobrindo apenas metade do peito dele?! E aquela calça verde berrante toda coladinha? Eu tava boquiaberta com todo aquele figurino.
O pior é que ele veio com um papo torto, algumas horas atrás, sobre nós nos vestirmos de forma semelhante. Eu, como uma alma inocente, julguei que de repente ele teria o bom senso de escolher um figurino de arrasar e me ajudaria com o meu.
Sempre era muito bom chamar a atenção de Oliver...MAS NÃO DESSA FORMA!
Se eu chegasse na boate vestida daquele jeito e ainda ao lado de Curtis, provavelmente metade da população de Lian Yu teria um derrame e a reputação de Oliver, estando do meu lado, iria para lama. E o meu Garanhão precisava que tudo desse certo nessa noite.
E eu também.
— Não deveria ser EU dizendo isso pra você, barbie chernobyl?
O CURTIS ME CHAMOU DO QUE?
Já me preparando para dar o meu ataque de pantera, larguei o pente que usava para domar meus cachos indisciplinados e dei dois passos em direção a Curtis, que continuava parado na minha porta feito um poste neon usando todas aquelas cores berrantes.
— Ei, não tô vendo nada de errado na roupa que vocês estão vestindo! — Thea se intrometeu no assunto, provavelmente percebendo que eu estava prestes a cometer um homicídio.
Reparei que assim como eu, ela vestia uma saia, uma blusa básica e botas-não-tão-básicas-assim. O que estava nos seus pés deveria custar dois rins no mercado negro, concluí um pouco encabulada, notando as minhas botas ao invés. Como o habitual, vestia minhas botas de cowboys que já estavam desgastadas pelo tempo.
No final, ser básica e previsível, seria o melhor, julguei, dando uma última olhada no look de Curtis.
— Tem como vocês pararem de discutir? Quero chegar ainda hoje na boate. — Ouvi Sara resmungar sentada na janela do meu quarto, olhando algum ponto qualquer lá fora.
Milagrosamente, hoje contaríamos com a presença ilustre de Sara e ausência de Nyssa, que disse estar indisposta para curtir uma noite na gandaia — o que não era muito impressionante. O impressionante mesmo era ter de ver Sara saindo por aí sem Nyssa.
Estava tão acostumada a vê-las juntas, que não conseguia mais imaginá-las separadas. Apostava que Sara também não, se seu humor soturno indicava algo.
— Ih, não pode ficar sem a sombra dela que fica mau humorada! — Curtis não se aguentou.
Obviamente a sombra referente era Nyssa e ele só estava falando isso em voz alta, porque a mesma não se encontrava...Todo mundo sabia como Curtis faltava borrar as calças na presença da cigana. Se bem que até eu, dependendo do dia, sujava a calcinha perto de Nyssa.
A mulher simplesmente sabia como intimidar apenas com um olhar.
— Você jura que vai se meter comigo justamente hoje, Curtis? — Sara questionou o maluco, fazendo o clima no quarto ficar dez vezes mais tenso.
Poxa, era hoje que a safada afundava a cara de Curtis no esterco e isso eu queria ver de camarote!
— Mulher, se meter com você é a última coisa que eu penso em fazer! — A olhou todo ofendido — Agora se meter com Slade... — Fez cara de safado.
Curtis e sua nova obsessão com Slade simplesmente o levaria até a cova muito mais rápido que o imaginado, mas não sem antes projetar um estrago sobre Lian Yu.
Grunhi, frustrada. — Curtis, fique longe de Slade.
Ele piscou.
— Que foi barbie cherno, agora você tá preocupada comigo?
Rá! Eu estava preocupada mesmo COMIGO. E talvez com ALGUMAS pessoas de Lian Yu, obviamente Rene não estava incluído nessa lista — por mim ele se ferraria após todos esses anos de perturbação interrupta.
— Slade não é confiável.
— Exatamente meu tipo de macho.
Ok, eu desisto. Que o aloprado morra!
— Que tal a gente deixar essa discussão para outra noite? — Thea começou a se encaminhar impaciente em direção a porta. — Precisamos chegar ainda hoje na boate.
Grunhindo sua insatisfação mas sem alternativas, Curtis seguiu o nosso comboio. Rory já nos esperava no alpendre da varanda, uma vez que Barry havia o estabelecido como o nosso guarda-costas/babá, na ausência de alguma outra pessoa responsável. Sei lá, Barry acreditava que eu, Thea, Rene, Sara e Curtis juntos numa boate, acabaria em desastre. O que era um pensamento ridículo.
Quer dizer, a única pessoa péssima do nosso grupo era Curtis com suas ideias idiotas, mas não era como se eu fosse seguir alguma delas...Hoje...Eu acho. Ok, deixa pra lá.
— Caraca, nem pro bofe gostoso ter mandado uma carruagem para sua cavala! — Depois de apenas dez minutos de caminhada, ouvi Curtis resmungar. Obviamente o imbecil estava se referindo a Oliver e a minha pessoa.
O olhando de rabo de olho, debati internamente se o jogava em algum canavial ou seguia em frente ignorando completamente meus instintos assassinos.
—...Eu devo ter pego um jet ski na travessia do mar vermelho pra andar tanto assim².
Ok, os instintos assassinos venceriam. Cedo ou tarde eu acabaria localizando um canavial e depenaria Curtis se ele seguisse com a boca aberta.
— Curtis, você quer calar a boca pra eu não precisar costurar ela? — Sara sibilou de repente, arrancando um gritinho surpreso de Curtis, que claramente não estava preparado para uma ameaça assim tão cedo.
Pela primeira vez na noite, Curtis foi sensato e correu para o lado de Rory, em busca de proteção. Só não sabia ele que Rory não prestaria de proteção nem para sí mesmo, quem dirá para o mancomunado.
— Nossa, tô quase desejando que a maldita cigana estivesse por aqui... — Ouvimos ele resmungar baixinho, agarrado ao braço de Rory —...só ela pra conseguir lidar com o humor da fura olho.
Discretamente, Thea segurou a mão de Sara — que com certeza já estava pensando em afundar o punho de vez na cara do encrenqueiro -, impedindo da mesma em cometer AQUELE GRANDE FAVOR A HUMANIDADE. Não falei nada, apenas continuei andando e imaginando por qual motivo Sara parecia tão fula da vida.
Será que ela e Nyssa já estavam sofrendo com problemas no paraíso? Esperava que não, precisava Sara bem longe do meu Garanhão. E também queria que Nyssa fosse feliz.
Toda e qualquer pessoa merecia ser feliz, mas Nyssa? Ela merecia o mundo após ter passado por uma infância de merda com um pai de merda. Só em pensar em Ra's Al Ghul, eu sentia o estomago revirar. O pilantra era da pior espécie e durante anos foi um cara bastante temido pelos moradores de Lian Yu, mas tudo isso mudou quando chegou a notícia, anos atrás, que ele havia sido detido em uma grande cidade — fazia algum tempo que ele tinha julgado Lian Yu pequena demais para os seus delitos. Foi a melhor coisa que aconteceu a Nyssa em anos.
E eu suspeitava que Sara acabaria sendo o seu segundo grande acontecimento em anos.
(...)
— ESFINGE DAS GAYS, OS BOFES LACRARAM!!!!
Odiava admitir isso, mas Curtis estava certo.
A boate criada dentro de ARGUS era incrível, coisa de outro mundo! Não fazia a menor ideia de como Oliver e Tommy haviam conseguido preservar a essência do local e ao mesmo tempo criar uma atmosfera nova. Tudo parecia muito diferente ao mesmo tempo que familiar. Parecia até que Tommy e Oliver praticaram mágica no lugar...
Como o combinado, a boate tomava apenas uma parte do estabelecimento, não prejudicando de todo o amado bar de Slade, que no momento, Floyd estava ocupado trabalhando. Mas o impressionante mesmo da visão, era a ruiva ao seu lado. Carrie trabalhava lado a lado do barman, completamente alheia aos olhares que ele lhe enviava sempre que possível. Segundo Tommy, Carrie cuidaria dos drinks das boates, enquanto Floyd ficaria com as bebidas do bar.
Ainda existia espaço para os clientes mais antigos e discretos ficarem e apreciarem sua pinga, enquanto também existia um ambiente todo customizado para os mais jovens se curtirem. De alguma forma, Tommy e Oliver conseguiram fazer duas gerações coexistirem num ambiente pequeno e limitado.
— Caramba, eles fizeram um trabalho e tanto aqui! — Thea olhava tudo boquiaberta. Até mesmo uma garota da cidade quanto ela, estava impressionada.
Sara estudava o lugar inteiro, sem esconder também o brilho de surpresa e satisfação no olhar.
— Oliver e Tommy realmente arrasaram. — Disse ela, para logo em seguida abrir um sorrisinho. — Falando neles...
Com um sorriso satisfeito – até mesmo um pouco orgulhoso –, Oliver caminhou até nós. Do seu lado estava Tommy com um sorrisão de comercial. E ainda com metade da cabeça raspada.
Foi impossível não sorrir de volta para os dois. Eles faziam uma dupla e tanto.
— Finalmente vocês chegaram!
Tommy nos saudou com um beijo na bochecha. Oliver fez o mesmo, com a diferença que enlaçou seu braço ao redor da minha cintura, me aproximando mais dele. Imediatamente senti o meu rosto esquentar, era incrível o quão envergonhada ainda conseguia me sentir quando Oliver fazia algum gesto um pouco mais íntimo comigo em público.
Precisava melhorar isso.
— E aqui vem suas bochechas avermelhadas... — Oliver piscou pra mim — Você fica uma gracinha assim.
MEU. DEUS. Deixa pra lá, não iria melhorar nada!
Com a certeza que o meu rosto começava a se tornar a cópia dum perfeito tomate maduro, soltei uma risadinha sem graça e tentei me desvencilhar de Oliver, querendo o puxar em direção a pista de dança, com a intenção de estabelecer uma grande distância entre nós e Curtis.
Quanto mais rápido nos livrasse da companhia do Aloprado, mais rápido encontraríamos paz. O problema era que Oliver não parecia estar de acordo com isso, uma vez que os seus pés estavam tão fincados no chão que nem um guindaste o moveria. E os seus braços não se moveram nenhum milímetro para longe de minha cintura.
Sem escolhas, desisti da ideia e resolvi seguir o fluxo. E quando digo seguir o fluxo, quero dizer: Me encostar nessa espécime de homão da porra e desfrutar do seu calor e presença.
Dane-se o constrangimento!
— Onde está Laurel? — Sara perguntou curiosa, olhando de um lado para o outro, atrás da irmã-advogada-do-diabo.
Sem olhar para trás, Tommy apontou por cima de seus ombros, para a pista de dança.
— Tá na pista dançando com a Nyssa.
Ué, Nyssa não tinha que estar em casa? Confusa e até um pouquinho alarmada — pois detectava treta no ar-, encarei Sara. E como todo mundo desse grupo era um bando de fofoqueiro, também a encaravam, esperando por alguma coisa.
— Ela tá aqui é? — Finalmente as palavras saíram da sua boca, de forma lenta. Sua expressão era indecifrável. — Hmm...
Hmm????
Provavelmente sabendo que algo de estranho tava acontecendo, Tommy olhou para Oliver, silenciosamente em busca de ajuda. Imediatamente senti a reação tensa que o corpo de Oliver teve, uma vez que os seus braços se flexionaram mais ainda ao meu redor.
Tomando uma decisão, abri a boca, pronta pra quebrar o clima tenso e resolver aquela parada, quando Curtis e aquela sua língua assassina, foram mais rápidas que eu:
— CARAMBA, A CORNEIA-PLAYBOY QUER PEGAR AS DUAS IRMÃS LANCE!
— Ei! — Tommy exclamou ofendido — O que você tá querendo insinuar com isso?
— Que você é corno, né bofe!
Cara, eu juro que tentei — embora com não muito afinco — não rir mas foi inevitável. A comicidade da situação exigia uma boa gargalhada. Eu, Thea, Rory, Oliver e Curtis ríamos de encher os olhos de lágrimas, enquanto Tommy e Sara saiam correndo em direção à pista de dança.
— Qual o motivo de tanta risada? — Roy apareceu de repente, do lado de Thea.
Ainda sem conseguir parar de rir, a Queen se apoiou em seu namorado e com a mão livre, apontou para Curtis.
— Ah, entendi. — Disse Roy, balançando a cabeça. E ele realmente parecia entender — o que ofendeu Curtis e o fez parar de rir.
— O que é isso? O que você entende? — O aloprado colocou as mãos na cintura, super indignado. — Eu sou alguma piada por acaso? Olha que eu dou na sua cara hetero bombadinho!
É claro que eu ri mais ainda.
Como se detectando problema a vista, Oliver começou a me puxar pra pista de dança justamente quando Roy e Curtis começaram a se engalfinhar (com palavras!), me fazendo perder a discussão mais épica que veria em dias (provavelmente)!
— Poxa, vamos ficar aqui mais um pouquinho! — Pedi, tentando imitar o meu Sr. Tesão mais cedo travando os pés no chão, contudo, Oliver como era muito mais forte que eu, nem sentiu meu esforço em tentar permanecer no mesmo lugar que a dupla do barraco.
Ao invés ele só soltou uma risadinha, ignorando meus esforços falhos em tentar assistir a treta ao vivo. Pelo canto dos olhos, notei Diggle parado bem na divisa entre o bar e a boate. Como sempre, ele estava com aquela postura de segurança mas uma risada tremulava em seus lábios.
Franzi o cenho.
— Por que Diggle está paradão olhando o pessoal e não aproveitando a noite?
Finalmente prestando atenção em algo que não fosse somente me arrastar para a pista, Oliver olhou por sobre os ombros, em direção ao amigo.
— Ah... — O Queen suspirou — Ele está apenas sendo paranoico. O liberei mais cedo para aproveitar a noite e tomar alguma cerveja, mas ele achou melhor ficar por aqui de tocaia para caso de algum engraçadinho tentar algo.
Se possível, o vinco entre minhas sobrancelhas se intensificaram.
— O que ele acha que vai acontecer aqui em Lian Yu? As pessoas se conhecem, Oliver!
Voltando a me encarar, Oliver com certeza percebeu minha cara de fula da vida com a ideia de Diggle sequer pensar que aqui em Lian Yu exista algum delinquente.
— Eu sei que as pessoas aqui se conhecem — Começou lentamente, com cuidado —, mas tente dizer isso para um ex militar que serviu no Afeganistão.
Resfoleguei. — Diggle serviu no Afeganistão?
— Sim, mas ele não gosta de falar sobre isso e com razão.
Concordei com a cabeça.
— Ele tem razão em manter silêncio, mas...Oliver, ele deveria estar aproveitando essa noite! Não é justo!
— Depois eu tento falar com ele, agora vamos aproveitar a nossa noite, por favor?
Por que eu senti um calorzinho estranho no peito quando Oliver disse isso?
Pior, por que ele estava agindo de maneira tão doce e acessível, como se estivéssemos prestes a nos separar?
Chutando esse sentimento pra lá, circulei meus braços ao redor do pescoço de Oliver e deixei que suas mãos descansassem bem em cima do meu TRASEIRO (Obrigada senhor!). Precisava focar em coisas mais importantes no momento, por exemplo: Como convenceria esse homem a parar na minha cama até o final dessa noite.
Missão Oliver Queen Para Sempre em Lian Yu, estava em andamento!
(...)
— Nossa, como você é enorme.
— Felicity.
— Que foi? Só to falando a verdade, você é grand-
— Puta que pariu ein, isso tá parecendo até um pornô!
Assustados e pegos em flagrante, eu e Oliver nos separamos num pulo.
De alguma forma, minha noite com Oliver estava indo muito bem, obrigada, até agora. No entanto, é claro que Curtis teve que estragar TUDO.
Recapitulando os eventos que culminaram a esse momento: Após eu e Oliver dançarmos na pista por um tempo, fomos até o bar e pedimos uma rodada de drinks. Obviamente ficamos animadinhos.
Logo, em algum ponto da noite, consegui o convencer a ir num canto para uns amassos. O ambiente já estava relativamente calmo, os moradores mais velhos já haviam se retirado, Barry estava se divertindo conversando com Floyd e Carrie, então...Não foi muito difícil convencer um Oliver animado a me dar uns amassos contra uma parede.
Difícil mesmo foi escapar de Curtis, uma vez que o Aloprado achou uma boa ideia me ter como aliada para executar o seu plano de conquista pra cima de Slade. Segundo ele, eu o devia um pequeno favorzinho.
Grunhindo de frustração, encarei o estraga prazer de plantão.
— Curtis, pela milésima vez: Esqueça Slade. — E fique longe de mim e do Sr. Molho-sua-calcinha-em-segundos, quis completar mas segurei a língua (por puro milagre).
Não sei se é pela bebida ou porque Oliver viu alguma coisa engraçada, mas tenho a absoluta certeza que eu o escutei soltar uma risadinha após minha fala.
De testa franzida, dediquei um rápido olhar mortal para Oliver. Qual é! Eu estava tentando nos livrar de Satanás e ele fica aqui rindo? Às vezes parece incompreensível pra mim porque deixo sua língua mergulhar na minha boca...Okay, mentira. É muito compreensível para mim e qualquer outra alma mortal o motivo de eu deixar Oliver Queen se afogar na minha boca.
— Sua mocréia maldita, quem disse que vim aqui falar de Slade? Já superei aquele enrustido!
Ata.
— Ei, eu tô falando sério! — Insistiu indignado e só ai reparei que falei o último pensamento em voz alta. — Você acha que sou igual você que fic-
— Opa! — O cortei — Vamos parando com a baixaria, antes que eu afunde sua cara com um soco.
Agora que estava num patamar excelente e caminhando para um muito-excelente com Oliver, não queria Curtis revirando meu passado recente que consistia na minha pessoa correndo atrás do Sr. Tesão, desavergonhadamente.
Uma garota precisa manter os caquinhos do seu orgulho intactos.
— Encoste neste lindo rostinho e você vai-
— Curtis, você veio até aqui nos perturbar gratuitamente ou tem algum recado? — Oliver foi o único a interromper o Aloprado dessa vez.
Infelizmente pelo o seu tom, ele estava achando tudo muito engraçado...
— Tommy quer falar contigo, ele está lá fora. — Respondeu de má vontade, demonstrando o quão detestável era pra ele a ideia de ser transformado no garoto de recados.
Soltando um suspiro sôfrego, Oliver localizou a saída do estabelecimento e começou a caminhar até lá. Mas como se tivesse esquecido alguma coisa — eu, provavelmente. duh. — ele deu dois passos pra trás e fez uma coisa surpreendente: Deu um tapa na minha bunda.
— Conversamos mais tarde. — Acrescentou, com um olhar quente.
Boquiaberta e incapaz de dizer qualquer coisa, e ainda sentindo a palmada de sua mão na minha bunda, só continuei o olhando.
— Nossa, que macho é esse... — Curtis quebrou o silêncio — Será que se eu cantar um tapinha não dói eu recebo um também? AÍ UM TAPINHA NÃO DÓI, UM TAPINHA NÃO DÓI, UM TAP-
Lancei um pedala robinho na cabeça daquele maluco pra parar de ladainha. E antes que fosse possível ele vir pra cima de mim, fui em direção oposta, pronta pra localizar minha gangue. Precisava com urgência fazer algumas perguntinhas a Nyssa. E todas eram pertinentes a essa noite em especial.
No meu pé e resmungando sem parar, Curtis me seguiu até o bar, onde ao invés de Floyd ou Carrie, estava Rene atrás do bar, preparando alguns drinks para Roy e Thea; Barry, Sara e Nyssa apenas observavam toda a interação.
A ausência de Rory, Diggle e Laurel, foi notada por mim rapidamente.
— Ué, pra onde foi o resto do pessoal? — Já cheguei perguntando e quase fazendo Rene derrubar uma garrafa todinha de vodka.
— Felicity, quando você vai chegar em algum lugar feito uma pessoa normal?! — Ele rosnou, soltando fogo pelas ventas.
Me fingi de surda pra não precisar dar uns supapos nele também.
— Diggle foi acompanhar Laurel até em casa e Rory decidiu ir junto. — Barry explicou, dando de ombros. — Acredito que Tommy foi encontrar Oliver lá fora, certo?
Um calor não tão incomum correu pelo meu pescoço após ouvir essa questão. Ok que minha nova "não-relação" com Oliver era totalmente aberta e exposta para todos, mas ainda era constrangedor pensar que Barry sabia muito bem por onde minha boca passava — ou gostaria de passar, se é que me entendem.
— Ahãm. — Foi o único som que consegui expulsar da minha garganta.
Sara soltou uma risadinha. — Que fofa, você ainda fica constrangida quando falamos de Oliver.
Hahahaha, me matem! Agora.
Limpei a garganta e decidi não deixar a peteca cair:
— Constrangida? Não tem ninguém constrangida aqui...
Definitivamente tinha. Tudo bem, eu deixei a peteca cair, afinal.
— É claro que não tem. — Curtis debochou, se intrometendo no assunto — Não tava rolando nenhum constrangimento lá naquela parede enquanto você e Oliver estavam se pegando como se o mundo fosse acabar.
Me. Matem. Simplesmente me matem.
— Curtis, segura a boca antes que Felicity entre em combustão. — Rene zoou.
Jesus, já conseguia sentir a minha NUCA esquentar.
— Eu? Segurar minha boca? — O Aloprado colocou uma mão afetada rente ao coração — Que tal você vir aqui e fazer isso por mim?
Ele não perdia um chance!
Feito uma bola de ping pong, comecei a dividir meus olhares entre Curtis e Rene, para ver como se sucederia esse embate MORTAl.
— Pensei que o seu novo alvo era Slade.
— Com ciúmes?
— De você? — Rene jogou a cabeça pra trás, rindo — Eu estou levemente bêbado, não pirado.
— Admita caipira, você daria um braço para ficar comigo.
Um sorriso perigoso se desenhou no rosto de Rene, uh-oh ele iria atacar.
— Curtis, eu daria um braço para me livrar de você.
Curtis 0 x Rene 10!
— Mentiroso! — O Aloprado bateu o pé, super ofendido. — Todo mundo aqui sabe que você é afim de mim.
Ai, meu Deus. Será que ele realmente acreditava nisso? Olhei de um lado para o outro, tentando adivinhar se eu era a única pensando que Curtis tava ficando literalmente loucão das ideias em sequer cogitar que Rene fingia detestá-lo.
Ainda bem que os olhares incrédulos que eu encontrei, refletiam o meu.
— Cara, seja o que for que você tomou essa noite, quero bem longe de mim. — Disse Rene, largando sua própria bebida. Ele parecia aterrorizado. — Slade tem sorte de ter vazado cedo, se eu soubesse que estaria tendo essa conversa, teria ido também.
Curtis inspirou fundo, com certeza se preparando para contra-atacar, mas...A risada de Barry quebrou qualquer linha de pensamento (absurda, sem dúvidas) que o Aloprado estava tomando.
— Ora, ora, quem diria? — Meu melhor amigo barra irmão postiço, batia palmas — Rene essa é a primeira vez em que você não está tentando resolver uma briga com os punhos!
Pensando bem, Barry estava certo. Era incomum Rene não reagir com os punhos.
— Veja só! Eles não crescem rápido? — Nyssa entrou no embalo da zoeira, toda alegre. Será que bebeu também?
— Sobre o que vocês estão falando?
Distraída, não ouvi quando Oliver chegou e muito menos estava esperando por sua mão na minha cintura. Seus pequenos gestos de carinho e atenção comigo eram tão naturais, que desencadeavam um mix de emoções que eu não conseguia nomear ainda.
— Sobre Rene. — Barry ofereceu, com um sorriso divertido.
Meu amigo estava tão feliz e solto, que jamais suspeitariam de todos os seus problemas com a fazenda.
— Não me diga que o nosso adorável Rene resolveu guardar os punhos e agir feito um adulto? — Tommy parou do nosso lado, exibindo um sorrisinho maroto. — Poxa, assim vou ficar decepcionado!
Se até Tommy estava zoando Rene, isso queria dizer que alguma coisa estava muito errada.
— Decepção e Rene andam juntos. — Curtis soltou o veneno, fulminando-o com o olhar.
Curtis 20 x Rene 10!
Eu, sabiamente, ri da situação. Era engraçado assistir uma discussão quando você não estava nela.
— Hahahaha, vocês são tão engraçados! — Rene fingiu rir — Já pensaram em abrir um espetáculo aqui ao invés de boate?
Ouch!
A risada do Sr. Tesão retumbou atrás de mim, fazendo minhas terminações nervosas — e minhas costas, é claro — vibrarem com o som. Deus, esse homem era um perigo para a sociedade.
— Ah, Rene, não comece a nos dar ideias...
Jesus, acho que minha calcinha apenas se desintegrou.
— Não tá na hora da gente ir embora? — Me manifestei, desesperada pra me tirar daquela miséria e rolar com Oliver sobre algum feno.
Barry apenas me olhou por um momento — parecendo me analisar, o que era assustador se formos considerar meus pensamentos pecaminosos. Não pense em sexo Felicity, não pense em sexo, não pense em sexo. —, até assentir com a cabeça e devolver seu copo para o balcão.
— Felicity tem razão, já está na hora de irmos embora.
SIMMMM!!!!
É claro que Curtis teve que reclamar sobre isso e até chegarmos na calçada — após Tommy e Oliver fecharem tudo -, Rene já tinha jogado aos ares sua resolução de não resolver nada aos tapas e tava ameaçando o Aloprado pela 9405459 vez numa semana.
— Acho que vocês comemoraram cedo demais. — Disse Roy divertido, apontando para Rene e Curtis que estavam prestes a se engalfinharem.
Thea riu. — O bom de sair com esses dois é que sempre tem um barraco ao vivo e de qualidade!
É, Curtis e Rene eram sinônimos de confusão...E a gente não tinha nadinha a ver com isso. Imagina.
— Ih, olha só, Diggle veio nos buscar! — Tommy exclamou felizão, olhando a caminhonete de Diggle estacionar bem na nossa frente.
Mas o chocante é que não foi bem Diggle quem saiu de dentro dela...
— AI PUTA QUE PARIU!
Ahãm, a exclamação de Curtis estava certa. Puta que pariu!
Dois homens totalmente encapuzados, vestindo roupas negras e empunhando uma arma cada um, saíram de dentro do veículo — enquanto não havia nenhum sinal de Diggle.
Oh, merda. Mil vezes merda!
— Porra, isso só pode ser sacanagem... — Ouvi a voz de Tommy e por puro instinto, procurei a mão de Oliver.
Eu sabia que não deveria esboçar reação alguma numa situação dessas, mas...Eu correria aos berros na primeira oportunidade. E levaria Oliver comigo.
— Santinhas dos briocos, eu sou inocente!!! — Curtis se jogou no chão, empinando aquela bunda dele. — Não me matem, por favor, sou jovem demais pra bater os saltinhos! Podem levar tudo, dinheiro, cartão, calça, brinco, o meu c-
— Curtis, cala a boca! — Interrompi o maluco, com medo dele levar um tiro bem no meio das fuças.
O Aloprado era insuportável, mas não merecia um tiro.
Os dois bandidos ainda mantinham as armas apontadas pra gente, contudo, apenas um se pronunciou:
— Ninguém precisa se machucar aqui, queremos só os irmãos Queen. — Falou com uma voz alterada por algum aparelho qualquer ele usava perto da garganta.
Engoli em seco. Puta merda, puta merda, puta merda. ISSO REALMENTE ESTAVA ACONTECENDO!
Senti Oliver apertar minha mão. Ou eu que estava apertando a dele? Nem sabia mais de nada. Tava borrando minha calcinha.
— Deixem minha irmã fora dessa. — Meu garanhão disse lentamente, como se estudasse o território. — Um Queen a mais, um Queen a menos, tanto faz. O nosso valor vai ser igual.
Vai nada.
Thea soltou um som de protesto, mas foi segurada por Roy que estava rígido feito uma tábua.
— Apreciamos a informação, mas não interessa, queremos vocês dois.
Puta que o pariu. O caldo iria entornar.
— E agora queremos o outro playboyzinho também. — O bandido número 2, finalmente quebrou o silêncio, apontando sua arma para Tommy, que riu nervosamente:
— Eu? Playboyzinho? Gente, eu sou pobre falido. Continuem querendo o Oliver, é ele o podre de rico.
Boquiaberta, encarei a cara de pau de Tommy. Como assim ele entregava o melhor amigo de bandeja?
— Traidor. — Oliver rosnou e Tommy, o maldito louco, riu. Simplesmente riu.
Que droga ele havia bebido hoje? Os drinks só poderiam estar batizados!
— Antes traidor que perder minhas bolas para Laurel. Ela me mata se eu for sequestrado.
Ok, ele não estava intoxicado coisa nenhuma.
— Vamos querer também o namoradinho da pequena Queen. — O bandido número 1 falou de repente, olhando Roy com interesse. Quer dizer, pelo menos era isso que os seus olhos denunciavam. Não conseguia ver a cara de nenhum por conta do capuz ridículo, inferno!
— Eu? — Roy ficou perplexo — Piorou! Eu sou pobre de verdade, nenhum pai milionário pra pagar resgate.
Curtis achou pouco estar de quatro, então começou a rir histericamente.
— Desse jeito tá mais fácil levar todo mundo né bofes? Se o pré-requisito é ser pobre mas ter um amigo milionário...
Ok, retiro o que eu disse. Curtis merecia levar um tiro pra calar a maldita boca — nada muito fatal, apenas um tirozinho no pé, quem sabe...
— Mh-hmmm, você nos deu uma ótima ideia. — Bandido número 1 retornou a falar, num tom totalmente malicioso e que enviava calafrios na minha espinha.
Puta merda!
— Que tal vocês apenas me pegarem? — Oliver voltou a insistir, como se fosse a porra dum super herói.
Senti vontade de o sacudir e perguntar se ele tava se achando Bruce Wayne, ele não era o maldito batman!
Bandido número 1 e 2, deram alguns passos para trás, mas ainda nos mirando aquelas armonas de fogo e começaram a discutir discretamente, possivelmente, o que infernos eles iriam fazer conosco. Internamente, eu comecei a rezar para que eles abortassem essa missão, mas como sou sortuda...
— Okay Queen, você vem com a gente e o resto fica pra trás. — Bandido 2 falou — E se alguém aqui tentar alguma gracinha, vai se arrepender.
Valeu Deus! Muito obrigada mesmo! (Sarcasmo, sarcasmo, sarcasmo)
Tendo alguma dificuldade em se livrar do meu aperto de morte da sua mão, Oliver conseguiu se afastar de mim, mas não sem antes me mandar um olhar de aviso — o homem estava literalmente correndo pra jaula do leão e não se dignava a sequer a ficar com medo! -, que eu achei ULTRAJANTE.
Como infernos eu não iria me preocupar com sua segurança numa situação dessas?!
Ignorando todos os alertas da minha mente e seguindo somente os meus instintos, fiz a coisa mais estúpida da minha vida....Oliver estava de costas, prestes a entrar na caminhonete roubada, quando reparei que a dupla de terroristas estava distraída demais observando Oliver entrar no veículo.
Sem nem pensar duas vezes, pulei nas costas de um dos bandidos, enquanto gritava feito uma hiena:
— OLIVER QUEEN É MEU!!!!!!!
Foi a partir daí que o verdadeiro pandemônio começou.
Fale com o autor