Mansão Foster

11/12/2007

Na manhã seguinte, os peritos do FBI foram os primeiros a chegar ao local. Todos trabalhavam extremamente concentrados quando um porsche amarelo cantou os pneus pela rua.

Passos firme de botas que subindo as escadas eram ouvidos pelas pessoas de dentro do enorme quarto da senhora Foster.

- Essa não. – Falou o comandante da operação Gary Thompsom, um homem de quarenta e cinco anos, sem filhos, sem esposa.

E com apenas uma grande preocupação na vida.

Thereza Cook.

- Muito bem. Quero saber quem foi o incompetente que esqueceu de me avisar que tínhamos outro assassinato. – Ela entrou abrindo a porta sem a menor delicadeza, batendo no chão as botas de cano alto pretas típicas de aventureiro que tanto insistia em usar para trabalhar.

Thereza havia terminado o colegial com dezessete anos devido as suas ótimas notas, e logo em seguida, buscando mais animação para sua vida, resolvera entrar para a policia assim que sua família se mudara para Los Angeles.

Seus pais ficaram desesperados. Thereza os ignorava quando pediam para que fosse para Stanford com o irmão Oliver, e dedicou todo seu tempo a progredir na careira.

Ao fim de dois anos já era uma agente do FBI, e esperava ser promovida a agente especial.

Conheceu Gary Thompsom quando seus superiores os designaram como “parceiros”, entre aspas, pois Gary era um superior de Thereza e ele meio que a supervisionaria até que tivesse idade e experiência suficientes para poder seguir enfrente sozinha.

Ou seja, a supervisionaria até que fosse um pouco menos explosiva e um pouco mais madura para evitar por a própria vida em risco.

- Tessa...– Gary coçou a cabeça, sinal claro de nervosismo.

- Ora Gary, não me venha com esse “Tessa” – Imitou a voz do parceiro. -Aposto que foi você quem não me chamou. – Ela pôs as mãos na cintura fina e bateu o pé no chão.

- Era o aniversario da sua mãe!

- Ontem! – Gritou. E depois completou mais calma. – Era o aniversario da minha mãe. Hoje, por outro lado... – Tirou um papel dobrado do casaco preto que usava por cima de sua regata branca. -... Fui surpreendida por isto de manhã.

Gary pegou o papel e o analisou rapidamente.

- A mídia já sabe.

- Sim.

Suspirou e levou Tessa pelo braço até o lado de fora do quarto.

- Tudo bem, eu devia ter te contado. Mas você anda tão obcecada por esses assassinatos ultimamente que eu fiquei preocupado e achei melhor não te avisar.

- É um daqueles assassinatos sem rastro? – Tessa perguntou ignorando o comentário de seu supervisor. Seus olhos verdes brilhavam pela adrenalina que começava a correr em suas veias.

Os últimos casos que pegava sempre vinham sem nenhuma pista. Ela tinha certeza de que se tratava de um matador profissional. Mas o resto do FBI envolvido acreditava que estavam lidando com um serial killer psicótico.

Então sempre que alguma nova vitima aparecia, era mais uma chance de encontrar provas para confirmar sua teoria, aquilo tudo não era obra de uma mente com problemas, era obra de alguém cujo cérebro estava sempre um passo adiante, alguém inteligente e letal.

- Sim, até agora não encontramos nada. Você acha que são a mesma pessoa?

- Eu não acho. – Sorriu – Eu tenho certeza, Gary.

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Sede da Família Bolevuc.

11/12/2007

A risada escandalosa de um dos grandes lideres da máfia norte americana ecoou no seu luxuoso escritório da cobertura de um dos prédios do centro da cidade de Chicago.

- Perfeito Miguel. – Disse girando a cadeira de couro para encarar o jovem sentado em uma das poltronas de frente a grande mesa de vidro. — Simplesmente, perfeito.- Jogou o jornal em cima da mesa.

Miguel encarava seu chefe sem dizer uma palavra.

- Não vai dizer nada?

- Quero meu dinheiro Louis, tenho mais o que fazer.

- Ora Miguel, por que não se senta e conversa um pouco comigo, faz tanto tempo que não sentamos e conversamos.

Miguel revirou os olhos e se levantou.

- Meu dinheiro, agora! – Bateu a mão na mesa.

- Certo, certo. Não precisa se revoltar. – Louis pegou um envelope de sua gaveta e colocou sobre a mesa. – Ai esta o que combinamos. Sabe, era muito mais fácil falar com você quando você era um garotinho.

Ele pegou o envelope e colocou-o no bolso interno na jaqueta.

- Não me venha com discursos patéticos Louis, já matei sua prima como queria, agora aproveite bem dos lucros da empresa de cosméticos e me deixe em paz. – Se virou para ir embora.

Louis girou a cadeira para ficar de frente ara a enorme janela atrás de si. Avistou Miguel saindo do prédio e atravessando a rua indo em direção ao seu carro preto.

Louis Bolevuc era um ex soldado do exercito que atacou o Vietnã, e que após perder parte da perna, teve que seguir os negócios da família, a máfia.

E mesmo com seus quase sessenta anos, ainda era capaz de se lembrar perfeitamente do dia em que a historia do terrível Miguel chegou aos seus ouvidos, há oito anos atrás.

Miguel era o pior adolescente que já havia pisado o solo americano, delinqüente, fora expulso de vários reformatórios por bater, roubar, desrespeitar.

Assim que Louis colocou seus olhos nele, teve a certeza de que era aquilo que procurava. Aquele olhar frio e petrificante que congelava o pior dos inimigos não era visto em todo tipo de criança, pelo contrario, Louis nunca se lembrava de ter visto outra pessoa como Miguel em toda sua vida.

Não pensou duas vezes, o tirou do reformatório, lhe deu um lar, comida, água, conforto. E o treinou para ser aquilo que esperava que fosse, um assassino.

Louis nunca se enganava sobre algo, e daquela vez não havia sido diferente, Miguel se tornara sua arma letal. Seu caminho só de ida para o topo. Todas as outras famílias mafiosas temiam a fama de Miguel, e não empeitavam as decisões de Louis, a família Bolevuc era a mais respeitada.

Mas no fundo, Louis sabia que Miguel era uma faca de dois gumes, o garoto não era preso a família Bolevuc por nada, Louis entendia que Miguel só estava atendendo seus pedidos para compensar tudo o que havia feito por ele no passado. E também entendia que o dia em que Miguel se cansasse, iria embora, e Louis não poderia fazer nada para impedi-lo sem correr risco de morte.

Nada poderia segurar aquele garoto.

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Casa de Dona Carmem

11/12/2007

Após passar a manhã inteira procurando alguma pista do suposto assassino de Irina Foster. Tessa e a equipe de peritos do FBI tiveram que voltar para suas casas sem nenhuma novidade.

As câmeras haviam sido desativadas e por isso não gravaram nenhuma cena da morte da viúva, o única coisa fora do normal que havia daquela grande casa era uma bomba de gás e um dispositivo desarmador de câmeras e alarmes.

Nada naqueles dois míseros objetos revelava algo sobre o culpado.

- Manhê! Cheguei! – Tessa gritou quando abriu a porta dafrente da casa de sua mãe.

Gary aconselhara tirar um descanso enquanto ele mesmo fazia o relatório desse novo caso.

Dona Carmem gritou da cozinha revelando onde estava. A senhora de quarenta anos morava sozinha desde a morte do marido a dois anos atrás e agora a única coisa com que podia se preocupar era o bem estar dos dois filhos que tanto amava.

- Oi mãe, viu só. Eu disse que voltaria. – Thereza se aproximou da mãe e abraçou-a.

- Eu sei, minha filha. Mas acho esse seu trabalho tão perigoso. Você não devia estar se metendo nessas coisas. – Afastou-se e olhou-a de cima a baixo. – Você é tão linda, e tão jovem. Não devia desperdiçar a vida esse jeito.

Tessa revirou os olhos, já tinha ouvido esse discurso antes.

- Não se preocupe comigo Dona Carmem, esses bandidos ai das ruas não podem comigo. – Sorriu. – Eu sou dura na queda... Diferente de Oliver que nasceu para ficar atrás de uma mesa de escritório.

- EIIII!!!! – Uma voz gritou da sala.

Tessa sorriu para a mãe que lhe jogava uma careta de desaprovação. Correu para a sala.

- Oliver? Você ainda estava aqui? – Brincou. – Desculpe, achei que já tivesse ido embora.

Oliver era mais velho por apenas três minutos e estava cursando medicina em Stanford.

Ele e Tessa eram muito parecidos fisicamente, embora seus olhos fossem castanhos como os da mãe, e os dela verdes como os do pai.

Alem disso, também eram o oposto um do outro quando se tratava de personalidade. Oliver era calmo, não gostava de expressar suas emoções. Preferia pensar antes de agir e ter tudo planejado para evitar erros. Gostava de ceder pra evitar discussões inúteis e conhecia e respeitava seus próprios limites.

Já Thereza, desde pequena mostrava indícios de sua personalidade forte e compulsiva. Agia por puro instinto, sem pensar nas conseqüências. E ainda tinha um gênio difícil de lidar, não gostava de ser subestimada, era impetuosa, teimosa. E ao mesmo tempo conseguia ser amável e dócil com quem lhe quisesse bem.

E eram tão unidos que qualquer um duvidava que ambos fossem tão diferentes.

- Para sua informação. E não nasci para ficar atrás de numa mesa de escritório. As mesmas vidas que você salva nas ruas, eu vou salvar na mesa de cirurgia. – Falou calmamente antes de se virar para o video game.

- Uhhh. Falou o senhor cirurgião. E posso saber o que está jogando?

- Gran turismo. – Disse sem se virar para a irmã.

- Não acha que já está meio grandinho para jogar jogo de corrida, Oliver? – Tessa se sentou ao lado do irmão no sofá pegou o outro controle.

- Quem perder lava a louça do jantar. – Apostou o jovem ignorando o comentário da irmã.

- Se prepare para molhar as mãozinhas, então.

Encostada no batente da porta a cozinha, Dona Carmem assistia seus filhos se divertindo como seu ainda fossem duas pequenas crianças.

Uma súbita nostalgia invadiu seu coração ao se lembrar da época em que moravam os quatro em Los Angeles, da época em que seu marido ainda estava com eles. Lágrimas caíram pela sua face ao pensar que poderia perder seus filhos a qualquer momento, eles moravam tão longe dela.

Oliver ainda estava seguro em um apartamento na Califórnia próximo a universidade, mas Thereza, sua filha nem tinha uma casa!

Ganhava bem e não podia se dar ao luxo de se fixar em algum lugar, pois sempre estava correndo atrás desses misteriosos assassinatos.

E Oliver também poderia acabar sendo alvo de algum perigo devido a profissão de Thereza,não podia? Seu coração de mãe lhe dizia que sim.

Os gêmeos, percebendo o choro de Dona Carmem, correram até ela e a levaram até a cadeira da cozinha para que se sentasse.

- Mãe o que aconteceu?! – Perguntaram juntos.

A viúva sorriu para os dois buscando tentar acalma-los e os abraçou.

- Nada, eu estou bem. Só fico feliz de ver que estamos juntos de novo. — Beijou o rosto dos filhos. – Me prometam que esta não será a ultima vez que estaremos juntos.

Os dois assentiram calmamente sorrindo perante tanto amor e descansaram a cabeça no colo da mãe.

Dona Carmem e seus filhos Oliver e Thereza passaram o resto do dia naquela casa sem saber o que os esperava.