Notas iniciais
"Por um curto instante uma voz em seu interior se perguntou por que não parava com aquilo, mas desta vez, não queria. Desta vez deixaria os dados rolarem, depois pensaria nas conseqüências.

- Você é minha, Thereza. Sussurrou em seu ouvido. "

Mansão de férias da família Bolevuc, Las Vegas.

31/12/2007

Era a milésima vez que se perguntava o que estava fazendo ali. Por que não ia embora logo? Era tão simples, a chave já estava na ignição só precisava girá-la e sair. Já havia feito coisas muito mais difíceis do que aquilo.

Então por quê? Por que simplesmente não podia fazê-lo? Desde quando seu corpo não atendia seus comandos? Desde quando não era dono de si?

Bufou frustrado e lançou mais um olhar para a grande mansão do outro lado da rua, as luzes ainda estavam acesas. Olhou para o relógio digital: Dez e meia. Tessa havia entrado há exatos trinta minutos, mas afinal, o que poderia haver de tão complexo em roubar a chave do cofre daquele inútil?

Tentou não pensar na resposta, mas ela veio a sua mente de forma espontânea na forma das mesmas imagens abomináveis e repugnantes que havia tido que presenciar mais cedo na festa.

Mais cedo naquela noite...

- Já disse que vou fazer isso! – Tessa quase gritou atraindo a atenção das poucas pessoas naquele quanto do salão.

- Shh! – Ele repreendeu baixo, ainda não havia se esquecido dos dez guardas prontos para meter uma bala na cabeça de qualquer pessoa ao menor sinal de perigo. – Você quer nos matar?! – Sussurrou.

- Desculpe. – Disse abaixando o olhar.

Miguel suspirou.

- Escute, Tessa, nós já temos o nome do banco e onde fica. Tirar a chave dele é o menor problema, eu posso muito bem entrar no meio da noite e...

- Miguel, você não vai matar ninguém enquanto eu estiver aqui!

Revirou os olhos.

- Por que vocês, policiais, têm que complicar tudo. Tadeu Bolevuc vai viver por no máximo mais cinco anos, e ainda se entupindo de remédios. – Sorriu sarcástico. – Eu estaria fazendo um favor para ele.

- Não vou discutir isso com você. – Disse por fim se virando para encontrar Tadeu. – Quando sairmos daqui nos siga com o carro.

- O que?! Por que eu?!

Ela se voltou para Miguel.

- Não acha mesmo que vou largar meu carro em qualquer lugar, não é mesmo. E além do mais, não pretendo dormir na casa de ninguém hoje. – E então foi em direção ao bar do outro lado do salão.

Ele acompanhou com o olhar todos os seus movimentos, desde quando Tessa se sentou na cadeira até quando Tadeu Bolevuc se aproximou e passou a flertar descaradamente com ela, na frente de todos no cassino...

“Na sua frente!” Aquela voz de seu subconsciente o instigava cada vez mais a pegar a arma em seu blazer e tirar mais um inútil da Terra. E sinceramente, aquilo não parecia ser uma má idéia.

— Senhor, aceita uma bebida? – Perguntou o garçom ao seu lado, talvez pela terceira vez. Apenas naquele momento Miguel se permitiu afastar seus olhos de Tessa.

- O quê? – Rude demais.

- Uma bebida... Aceita? – O homem praticamente pôs a bandeja na frente de seu corpo na tentativa de se proteger de qualquer possível ataque.

Ele não dirigiu uma palavra, apenas pegou uma das taças delgadas e a levou à boca. Todo o champanhe caro que estava tomando quase fora parar no tapete persa do chão quando seus olhos se voltaram para o bar.

O que fazia a mão de Tadeu Bolevuc sobre a perna de Thereza?! E talvez mais importante que aquilo, por que ela estava deixando que isso acontecesse?! Desde quando ela deixava que qualquer pessoa fosse tão atrevido com ela?! E por que diabos ela estava sorrindo que nem uma idiota para aquele maldito bêbado apostador?!

Sim, ele era um maldito bêbado apostador, por que Miguel com certeza o mataria agora.

Levou a mão livre até a arma escondida sob o blazer pensando se deixaria aquele desgraçado sofrer ou se o mataria de uma vez por todas. Para uma única pessoa ele já havia gerado problemas demais.

Por sorte (ou não), a sua visão periférica foi capaz de captar os olhos suspeitos de um dos seguranças sobre ele, antes mesmo que pudesse tirar a colt e aponta-la para seu alvo. Respirou fundo, um tanto decepcionado, tinha que admitir, e soltou o cabo da arma.

Terminou com o que restava da bebida num gole.

- Senhor Albert? Alô? – Miguel pensou que não se tratasse dele até sentir o cutucão nas costas, se virou para trás. A imagem de um dos senhores que estava na mesa de pôquer de antes fez com que se lembrasse do nome falso que havia criado.

- Ah, me desculpe. Como vai senhor...? – Franziu o cenho. Droga, qual era o nome do homem?

- Harper! – Exclamou se fingindo de ofendido antes de soltar uma gargalhada alta que fez com que sua barriga gigante subisse e descesse. – O que foi? Andou bebendo demais?

Deu um sorriso amarelo.

- É... Foi isso,sim. – Mentiu.

- Tem que se cuidar ein. Saiba que beber demais pode atrapalhar os negócios. – Falou sério. – Se bem que a mesma regra não se aplica às mulheres, veja lá nosso jovem amigo. – Indicou com a cabeça para quem se referia.

Miguel se virou para ver de quem estavam falando, e teve certeza de que se não saísse de lá acabaria matando Tadeu Bolevuc com as próprias mãos, não, o torturaria primeiro e depois o faria implorar pela morte. Aquilo sim soava melhor.

E faria tudo aquilo apenas para fazê-lo se arrepender do momento em que cogitou a idéia de enfiar sua língua nojenta na boca de Thereza. O faria lastimar por isso.

- Ei, você está bem? – De novo aquele cutucão irritante, o que aquele velho gordo pensava?? Ele não era surdo.

- Eu estou ótimo! – De novo, rude demais.

O senhor Harper deu um passo para trás.

- Tudo bem, rapaz. – Levantou as palmas das mãos em sinal de paz. – Mas realmente, não precisa ter ciúmes de uma mulher, existem muitas outras...

Miguel parou de ouvi-lo. Afinal, aquele homem de quase oitenta anos, acima do peso, mulherengo, divorciado de três mulheres e com só Deus sabe quantos dólares em dividas, havia feito algo de prestativo naquela noite.

Ciúmes... Sozinho, Miguel nunca chegaria a essa conclusão. Como poderia estar com ciúmes? Aquilo era tão incoerente, já havia lido livros sobre isso, visto filmes sobre isso, mas em todos os casos, sempre havia algum sentimento envolvido e...

NÃO! Definitivamente não podia estar apaixonado por Tessa!

Quer dizer... Isso era... Era, contra as leis da natureza, isso ia contra suas próprias leis. Nunca havia sentido nada por ninguém. Como agora...? Não, realmente devia estar ficando maluco, era isso, não devia ficar tirando conclusões precipitadas. Tinha que sair de lá agora.

Sem dar a menor satisfação, entregou a taça para o velho que não parou nem por um momento de tagarelar, e saiu em direção à porta.

***

E agora estava com raiva, de Tadeu Bolevuc por estar, à uma hora dessas, aos beijos com Tessa. Com raiva da própria Tessa por permitir aquilo. E com raiva de si mesmo, devia fazer alguma coisa ao invés de ficar como um idiota esperando que ela tivesse a boa vontade de terminar seu encontro e trazer a chave que precisavam.

Mas com toda certeza, nunca, jamais, em hipótese alguma, iria admitir que estava com ciúmes.

Estava apenas preocupado com ela, isso. Preocupado com ela e com a missão que tinham que cumprir, só isso. Não era nada pessoal.

Olhou para o relógio: Dez e quarenta.

Mordeu o lábio com força tentando se segurar no banco para não entrar naquela casa e matar Tadeu Bolevuc, sua arma no banco ao lado praticamente implorava para ser usada.

Dez e quarenta e um.

Droga, não podia simplesmente entrar assim e matar um homem na frente de Tessa, não precisava de mais um motivo para que ela o quisesse atrás das grades. Não, tinha que haver um jeito mais ético...

Dez e quarenta e dois.

Ou não, quer dizer, já havia matado tantos outros, era apenas mais um, e por uma causa nobre. Afinal, Tessa precisava da chave para pegar as provas contra Louis e assim poder salvar sua família de qualquer ameaça.

Dez e quarenta e três.

Pensando bem, ela já estava lá. Era esperta o bastante para não se deixar levar pela lábia de Don Juan barato de Tadeu Bolevuc. Sim, estava se preocupando à toa, estava sendo ridículo. Tessa era uma agente do FBI afinal de contas, não ia misturar coisas assim, não é?

Dez e quarenta e quatro.

Ah! Quem precisa de escrúpulos?! Pensou consigo mesmo e pegou a arma do banco.

No instante em que ia abrir a porta do carro, viu um vulto pulando o muro da casa, poucos minutos depois, Tessa apareceu com as sandálias penduradas no mesmo braço cuja mão segurava a bolsa preta.

Ela abriu a porta do carro e se sentou no banco do carona.

- E ai? – Perguntou ofegando, sorriu.

- E ai?? Como assim “ E ai??”. Você fica horas lá dentro com aquele bêbado e me vem com um simples “ E ai?!!”

Tessa arqueou as sobrancelhas, olhou para o relógio, ficou ainda mais confusa afinal, qual era o problema dele?

- Tem certeza que está bem?

Miguel bufou. Francamente.

- Esqueça. Por que demorou tanto? Não devia só pegar a chave?

- E foi o que eu fiz, mas Tadeu primeiro quis que eu jantasse com ele. E então quando fomos para o quarto e ele quis me beijar de novo eu pedi para que fizesse uma bebida, foi aí que eu coloquei o sonífero num lenço e... – Ela fez um gesto estranho como se quisesse disser que quase o matou sufocado, só podia ser isso. – Daí ele caiu no chão dormindo que nem uma pedra. – Riu sozinha como se achasse aquilo particularmente engraçado, Miguel não via graça nenhuma. – Enfim, o problema mesmo foi ter que por ele na cama para achar que não dormiu sozinho, sabe? – Ela deu uma piscada sugestiva.

Teve que sorrir para aquilo, realmente, se sentia um completo idiota agora.

- Aqui está a chave. – Mostrou o objeto pendurado por um cordão comprido. Ele fez menção para pega-la, mas Tessa o afastou. – Não, não. Eu fico com isso.

Ele franziu o cenho.

- E quando foi que decidimos isso?

- Eu decidi isso, já que fui eu quem se aventurou a buscar a chave, e que fui eu quem ganhou o distintivo de agente. – Guardou a chave no porta luvas no carro.

Miguel revirou os olhos e ligou o carro.

-Que seja.

Ficaram em silêncio por um período relativamente curto de tempo, passando rápido pelas ruas que ficavam cada vez mais iluminadas à medida que iam se aproximando do centro tumultuado da cidade.

- Ei, para onde estamos indo? – Tessa falou de repente.

- Como assim? Estamos indo para o Hotel pegar as coisas. Quando seu amiguinho acordar já teremos que estar bem longe daqui, de preferência a caminho da sua querida central do FBI.

- Mas, Miguel. Hoje é ano novo! – Choramingou.

- E daí? É um dia como qualquer outro.

- Claro que não, seu chato. Temos que sair para nos divertir!!

Olhou de relance para Tessa, ela estava muito estranha. Estacionou o carro e se virou de frente para ela.

- O que foi? – Perguntou.

Ele segurou seu rosto firmemente com uma das mãos, enquanto usava a outra para segurar o celular a fim de iluminar o rosto dela.

- Ai, Miguel! Tire essa luz do meu rosto. – Disse tentando afasta-lo.

Afastou-se, e continuou a encarando.

- Perdeu alguma coisa? – Disse ela.

- Você tomou alguma coisa na casa do Bolevuc? – O tom era quase repreensivo.

Tessa revirou os olhos.

- Se tomei ou não, não interessa mais, Miguel! Você está muito chato hoje, estamos em Las Vegas no ano novo e você já quer ir embora. Parece um velho. – Fez bico.

Ele bufou.

- Você está completamente drogada, Tessa. – Disse atraindo sua atenção. – Devia ter alguma coisa na bebida. Suas pupilas estão dilatadas e você está agindo como uma adolescente infantil.

Foi fuzilado pelo seu olhar.

- Saia do meu carro. – Disse.

- Como? – Tudo bem, essa era novidade.

- Saia agora do meu carro! – Gritou.

Miguel saiu rápido, enquanto Tessa passava para o lado do motorista. Agora ele estava confuso. Mas isso só durou até que ela tentasse ligar o carro, conseguindo com que a máquina desse um forte empurrão para frente. Havia errado a marcha.

- Você ficou louca! – Entrou no banco do carona. – Não pode dirigir nesse estado, vai acabar se matando!

- Escuta, o carro é meu, e eu faço o que eu quiser. E o que eu quero agora é sair para me divertir.

Ele respirou fundo.

- Tudo bem, apenas me deixe dirigir e eu te levo para onde quiser ir.

(...)

Após gastar dólares e mais dólares em jogos de azar e cassinos, dançar nas mais diversas boates, assistir os mais extravagantes shows de drag queens, quase se casar com uma adolescente de dezesseis anos e cantar com Tessa uma música de O fantasma da Ópera de um jeito tão ridículo e desafinado que quase foram expulsos do bar de karaokê... Eles resolveram encerar a noite num boteco de esquina todo iluminado onde as pessoas já se preparavam para a virada do ano.

Obviamente tudo aquilo, nunca teria acontecido se Tessa não estivesse drogada, e se Miguel não houvesse ficado tão bêbado. Tessa às vezes podia ser uma má influencia.

- * gargalhadas altas* E então... Como se não fosse suficiente, aquele desgraçado volta e me “pede” – Fez aspas com os dedos – Para ajudá-lo num trabalho que eu nem sei quando vai ser ou do que vai ser!

Miguel continuou rindo junto com Tessa. Logo depois tomaram um gole da dose de vodka que tinham no copo.

- Pelo menos o seu não abandou a família para lutar a favor da sua pátria. – Bateu continência.

Miguel ficou sério de repente.

- Isso é sério?

Ela assentiu com a cabeça, e no instante seguinte voltaram a rir, como se não soubessem qual desgraça fosse mais engraçada.

- Eu proponho um brinde, Miguel!

- E a o que você quer brindar? – Sorriu.

- Hmn... – Pensou. – A nós, os filhos mais desafortunados do mundo. – Levantou o copo.

- A nós. – E bateu o copo no dela.

(...)

A volta para o hotel foi mais difícil. Embora o mesmo fosse, coincidentemente, próximo do boteco onde estavam nenhum dos dois conseguia caminhar direito. Miguel havia praticamente carregado todo o peso de Tessa que havia se apoiado no seu ombro.

Ela foi a primeira a abrir a porta, jogou a peruca bagunçada num canto junto com os sapatos. Miguel se atirou sobre a cama deixando que o cabelo sintético saísse sozinho, não saiba se conseguiria se movimentar de novo algum dia.

Tessa continuou seu caminho até o banheiro. Ligou a torneira, lavou o rosto, mas ainda se sentia meio alheia a tudo, não tinha certeza de quanto havia bebido aquela noite.

Assim que levantou o rosto para o espelho conseguiu vê-lo, ali parado a poucos centímetros dela, com um olhar que parecia alheio a tudo, desfocalizado, mas ao mesmo tempo, estranhamente fixo ao seu. Tão penetrante que não podia simplesmente se desviar dele.

- O que...?

- Shh. – Murmurou contra seu ouvido, retirando os fios loiros emaranhados de seu pescoço apenas para beijar toda a superfície que se estendia da sua clavícula ao lóbulo da orelha.

Seus braços fortes a traziam cada vez mais perto para o corpo dele, impedindo que fizesse qualquer movimento, impossibilitando qualquer tipo de fuga daquele abraço de ferro. Suas mãos distribuíam caricias travessas pelo seu corpo que hora a faziam estremecer, hora a faziam gemer baixo como se quisesse que apenas Miguel escutasse.

Por um curto instante uma voz em seu interior se perguntou por que não parava com aquilo, mas desta vez, não queria. Desta vez deixaria os dados rolarem, depois pensaria nas conseqüências.

- Você é minha, Thereza. – Sussurrou em seu ouvido.

- Eu sou.

No instante seguinte ela estava de frente para Miguel. Seus lábios foram de encontro aos dela terminando num beijo luxurioso e cheio de desejo. Podiam sentir o leve sabor do álcool que ainda havia em suas línguas.

Tessa se separou o suficiente para poder respirar quando seus pulmões começaram a reclamar pelo ar que não vinha. Não conseguia deixar de olhar para Miguel, com aqueles olhos tão azuis que contrastavam perfeitamente com seus cabelos escuros. Uma beleza sinistra e sutil.

Era um homem sem coração na pior das hipóteses, ou um indefeso na melhor.

Levou a mão até o rosto dele, viu como seus olhos se arregalaram com aquele contato tão humano, tão diferente para ele. Tessa sorriu internamente, preferia acreditar na segunda opção.

Um novo tipo de sentimento pareceu correr por suas veias quando Thereza encostou os lábios levemente nos seus. Era cálido, vivo, fazia com que seu coração perdesse o ritmo da batida e com que as palmas de suas mãos transpirassem.

Abriu os olhos lentamente assim que percebeu a ausência daquele estranho contato. Tessa o encarava com aqueles enormes olhos cheios de vida, brilhantes. Olhos de alguém que ele nunca teria direito de chamar de seu, mas que, no auge de sua loucura ébria, chamava.

Queria sentir aquele calor de novo, aquele sentimento estranho que apenas ela o fazia sentir. Queria a felicidade de se sentir vivo que apenas ela conseguia passar.

E foi daquele jeito puramente egoísta, que Miguel trouxe a boca de Tessa novamente para a sua. Para ter o coração batendo forte contra o peito que seus braços interesseiros a tiraram do chão levando em direção ao quarto, deitou-a sobre a cama.

Foi procurando aquele curioso calor que seus dedos se perderam dentro do vestido dela, sem parar por nenhum momento de beijá-la. Se estivesse sóbrio poderia notar como os beijos dela tinham um efeito muito maior para ele agora, poderia até mesmo ficar assustado pela necessidade de tê-la perto de si, odiava ser dependente de alguém...

Mas não agora.

Todos não costumam dizer que o presente é uma dádiva? Então pelo menos dessa vez iria se aproveitar dele.

Notas finais
Terminei mais um*--*. Desculpa por fica tanto tempo sem posta, povo. Eu realmente me sinto culpada por isso. E não tenho desculpas, poderia dizer que foi por culpa da escola, mas dessa vez seria mentira por que eu nem tava em época de provas.

Sorry.

BY: Luciss