Amor
1 One-Shot
Notas iniciais
Em uma noite sombria, o luar recém aparecia, beirando a perdição. Sinceramente, já não haviam mais coisas belas para tão respeitoso luar iluminar – nosso mundo se resumia a apenas lixo e pessoas de pensamentos fúteis. Era o que nossa sociedade queria e criava, simples assim. Descontente estou por ser consciente dessas coisas e não poder fazer nada...
A ignorância é uma benção, certamente. Para as pessoas que sucumbem a ela, o mundo não passa das mil e uma maravilhas. Vivem felizes sem um pingo de culpa pelo estado das coisas ao redor – e de si mesmas – pois simplesmente, em suas mentes, não há espaço para se preocupar com os outros. Apenas compram, cobiçam o poder comprar muito mais do poder criar, imaginar, pensar e principalmente, poder criticar. Mas esse era o desejo burguês, irrefutável, não é mesmo?
Caminhava no frio, tremendo pela pouca roupa que possuía. Apenas uma calça e camiseta pretas que inovavam muito juntas de meus olhos e cabelos pretos – sendo irônico, claro. Qualquer um que me visse na rua pensaria que sou apenas um rapaz normal, sem nada de especial. Muitos ao cogitarem isso logo mudariam seu rosto, seu cabelo, corpo e roupas, mas para mim a opinião alheia era fútil e descreditada. O que faria alguém ser mais bonito que outra pessoa? As roupas, a elegância, o perfume, mais um piercing...? Tudo isso não passa de produtos capitalistas, nada mais.
Toquei a campainha de uma pequena casa, esperando ele vir atender. Ó, que bobo eu sou... claro que ele não viria me atender. Após tanto tempo juntos, já deveria saber que ele sempre me aguardava na pequena floresta ao lado.
Entrei sem mais delongas, deparando-me em uma cena no mínimo especial. Quem eu tanto amava estava deitado ao chão com uma mão tapando seus olhos, sonolentos – estava quase adormecendo. Sorri sem ao menos me dar conta, aproximando meus lábios em passos vagarosos de encontro aos deles.
Mesmo em tal detestável mundo, ao olhar sua face, todos os meus temores e indignações desapareciam. É como se por um breve momento, o mundo estivesse certo, apenas para nós dois.
Toquei sua face ajeitando alguns fios loiros seus e seus olhos azuis encontraram os meus, em risos. Começou a acariciar meus cabelos, enquanto encaixávamos nossos corpos, em um beijo que desejava não ter fim.
Por favor, Deus, que minha única felicidade não seja um pecado...
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