Amor é Destino?

2 Dois. Um motivo para te ver


– Onde você estava, Carol? Eu já estava preocupada, minha filha! – Disse minha mãe, assim que cheguei em casa.

– Não sei porque... – respondi tranquilamente.

– Seu irmão me disse que não te viu a tarde inteira.

– É, eu fui na casa de uma amiga minha. – Menti e ela nem percebeu.

– Que bom. Mas nunca mais faça isso, quase morri do coração. – ela falou isso deitada no sofá, com uma tigela de pipocas na mão, assistindo um filme idiota. Com certeza, ela devia estar morrendo do coração... (e, como sempre, ela não me conhecia. Desde quando eu tinha amigas?)

Mas tá, isso não ia fazer diferença, eu já estava acostumada com essa \"preocupação\" dela. Fui pro meu quarto, deitei na cama e abracei o Fred (meu ursinho, que dorme comigo até hoje). Comecei a pensar no que tinha acontecido naquele dia, e fiquei feliz por conhecer alguém como o Pedro. Me bateu um sono enorme, e como eu só tinha tomado banho de manhã, não quis arriscar a dormir suja.

Levantei e fui pro banheiro. Liguei a água bem quentinha e entrei. Fiquei um tempo ali, pensando no Pedro (não, ele não saia da minha cabeça...). Refiz todo o meu dia, nos mínimos detalhes, até a hora que olhei pra ele. Foi aí que lembrei do meu Crepúsculo, e meu coração doeu. Esse era o meu livro preferido, e eu carregava ele pra todo lado...

– Já era. Ele deve ter largado lá... – falei comigo mesma. Entristeci até a alma, escovei os dentes e fui dormir.

No outro dia de manhã, levantei ás 6:3O pra ir pra escola. Cheguei lá, dei \'oi\' pra algumas pessoas e sentei, morrendo de sono. As aulas passaram mais devagar que qualquer coisa, eu já estava arrancando meus cabelos, quando o bendito sinal tocou.

O \"rebanho\" saiu em disparada, e eu quase fui arrastada por uns moleques idiotas... A saída do colégio estava a mesma: um carro enorme com um som altíssimo e irritante, um bando de gente dançando do lado dele, as meninas bestas da minha sala achando aquilo o máximo, etc.

Resolvi ir embora, não suportava mais aquele povo. Fui andando bem devagar, meu ônibus só chegaria dali a 1O minutos. De repente para um carro enorme do meu lado e dá a maior buzinada. Putz, eu já ia mandar pra pqp, mas quando olho, quem está lá?

– Entra aí, Carol! – gritou Pedro. Eu dei a volta e entrei, ainda gelada do susto.

– Cara, você me assustou! – Eu reclamei e ele soltou uma gargalhada.

– Desculpa minha linda, não foi a intenção! – é, eu morri com esse ‘minha linda’.

– Mas pareceu. – eu disse – Tá fazendo o que aqui?

– Vim te devolver uma coisa. – ele abriu o porta luvas e tirou de lá meu livro e a toalhinha que eu tava deitada.

– Meu liiiivrooo! – eu gritei. – Aaai, brigada Pedro! Quase morri achando que tinha perdido...

Ele riu e respondeu:

– Perdeu não! Eu peguei ele ontem, junto com você!

Eu ri junto com ele.

– E porque não me devolveu ontem?

– Porque eu precisava de uma desculpa pra te ver de novo! – acho que ele percebeu só depois que falou, daí consertou, vermelhíssimo: – Brincadeira, eu esqueci de te dar...

Cara, ele ficava ainda mais lindo, vermelho. Quase derreti e disse \'ainda bem\', mas como já disse, eu não sou simpática. :)

– Claro que é brincadeira... – eu dei um sorrisinho maroto, que fez ele sair do estado vermelhíssimo e passar pro vermelhérrimo (acho que essa palavra não existe, mas foda-se, adoro ela).

– E como foi a escola? – Ele perguntou parecendo interessado.

– Ué, chata como sempre...

– Eita, que ânimo. – Ele riu.

Eu ri, tava sem um pingo de ânimo mesmo... (ou melhor, até agora)

– E então, será que eu posso te levar pra casa de novo? – Pedro perguntou.

– Pode não, deve! – respondi. – Acabei de perder meu ônibus. – apontei pro ônibus indo embora.

– Nossa, hoje eu to com sorte! Melhor ir, antes que você mude de idéia...

Dessa vez foi a minha vez de ficar vermelha.

– Posso ligar o som? – mudei de assunto na cara maaais larga.

– Pode sim! – ele deve ter me agradecido mentalmente por isso.

Liguei o som e estava tocando \"Falling In Love\" do McFly, música que eu amoo mais que tudo! Acho que o Pedro também, porque nós dois começamos a cantar bem altão ( gritando mesmo).

– Oh, we could\'ve fallen in love, oh, we could\'ve fallen in love, yeah, we could\'ve fallen in love. Oh, we could\'ve fallen in love. – Cantamos juntos a música toda rindo e \'gritando\' a letra.

Ele me olhava de um jeito, às vezes até parecia que tava cantando pra mim.
Será? Nunca descobri...

A musica acabou e começou uma outra que eu não conhecia, e eu baixei um pouco o volume.

– Você gosta do McFly? – Pedro quis saber.

– Adooro! Principalmente essa música.

– Somos dois então! – ele sorriu pra mim (desconfio que até com um charme proposital).

– Pensei que só garotas gostassem de McFly. Você sabe o que eu quero dizer, né? Todos aqueles garotos lindos cantando e... – Parei no meio da frase porque já estava sonhando acordada.

– Ah, fala sério! Pra mim o que importa é a música e não quem canta. – Ele respondeu.

Pra minha, ou melhor, nossa infelicidade, chegamos na minha casa. Eu não sei se pensei direito, mas fui logo dizendo:

– Pedro, eu tenho um CD que você vai adorar, tem umas musicas perfeitas. Peraí que eu vou lá buscar. – antes que ele dissesse qualquer coisa, eu pulei do carro e corri pro meu quarto. Cheguei lá, peguei meu CD e corri feito doida pro carro de novo. Cheguei lá, abri a porta (mas não entrei), coloquei o CD no banco e dei um beijo no rosto dele, daí falei:

– Desta vez sou eu que preciso de uma desculpa pra te ver de novo! – dei o sorriso mais lindo que a minha \'beleza\' deixou. Ele ficou lá com a maior cara de bobo possível, enquanto eu entrei calmamente em casa (calmamente só por fora, porque por dentro meu estômago estava amassado).

Corri pro meu quarto, me joguei na cama e comecei a rir. Era uma risadinha meio nervosa, meu estômago estava gelado, e eu me sentia fatal demais por ter dito e feito aquilo...

Mas, pelo menos eu ia ver o Pedro de novo, que era tudo que eu queria. Fui tomar banho rindo até as orelhas e assim foi o dia todo (acho que essa alegria não desgrudou de mim nem dormindo, porque acordei feliz).

Essa alegria foi se acabando pouco a pouco, á medida que o sábado passava e o Pedro não chegava. No domingo essa alegria já estava menor que uma pulga, e eu passei praticamente o dia todo deitada no meu quarto, ouvindo \"Falling In Love\"...

É idiota, eu sei... mas agora eu tinha uma razão, um motivo, um alguém para cantar, afinal we could\'ve fallen in love.

Notas finais
"We could've fallen in love" significa: Nós poderíamos ter nos apaixonado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.