Amor à moda antiga

28 Capítulo 26.1


Notas iniciais
Opa, faz tempo né? Desculpem por isso. Ando passando por uns problemas, mas nada que não se resolva com paciência e espera. Obrigada por não desistirem de mim. Quantos aos comentários que eu não respondi, sorry, eu só hoje! Perdão. Para a tristeza hoje seria capítulo duplo, mas não vai ser, porque para a felicidade de vocês eu tenho uma boa notícia! Mas vai estar lá no fim do capítulo. De toda forma, o capítulo de hoje é mais light. Eu espero que sinceramente ele esclareça a vida de vcs, mas não se preocupem: se não acontecer nessa parte, acontece na próxima! Não vos preocupeis!

Naruto disse que me levaria para casa e que eu tivesse paciência, pois assim que o expediente dele se encerrasse, ele me ajudaria. Assim foi por mais duas horas. Aproveitei esse meio tempo para vasculhar minhas coisas em busca de informações sobre minha vida, ou pelo menos que pudesse me dar pistas sobre o que me acontecera. Busquei em meu computador de escritório. Além de tudo o que eu sabia sobre mim mesmo, havia um informe que indicava o meu afastamento dos Gatos da Noite por motivos pessoais. O que isso poderia significar?

Busquei informações sobre Naruto. O acesso estava criptografado. Um tipo de decodificação praticamente impossível de eu quebrar.

–Até isso não mudou nesse mundo... Não consigo saber nada sobre esse cara! Tsk! – saí da poltrona e caminhei para os armários abaixo da estante. Trancados e não havia nada em meus bolsos que pudesse me ajudar a abrir. Fui as suas gavetas ver se eu encontrava as chaves, mas só havia papeis e uma arma. – É possível uma coisa dessas? Eu sou muito desconfiado! Nem eu tenho acesso as minhas próprias coisas!

Ouvi passos do lado de fora e voltei a me sentar na cadeira em frente a minha mesa.

–Procurando alguma coisa, Scarface? – a voz dele me fez piscar lentamente os olhos. Naruto se aproximou e se apoiou no sofá. – Toma.

Ele me jogou um molho de chaves.

Peguei-o no ar e fitei-o. Naruto está com um semblante tranquilo. Sentou-se no sofá e fez um gesto para que eu seguisse em frente com meu intento. Fui para os armários e abri-os com cuidado. Vazios. Abri as gavetas. Vazias. Moveis vazios. Para que servem? Enfeite?

–Digite no teclado 17890723. – ele falou calmamente. Eu fui até lá e digitei. Apareceu uma tela em branco com a palavra loading. Esperei. Apareceu a pasta “Meu computador” já aberta e os discos C e D estavam vazios. Nenhuma outra opção para clicar. Nada. Vazio. – Achou o que queria? – ele se levantou e enfiou as mãos nos bolsos.

–Não sei ainda. – comentei – Não tenho certeza do que eu estava procurando.

–Parafraseando um gato que eu gosto muito... – eu? Talvez não. Ele fez pose de declamação – Para quem não sabe o que procura, qualquer coisa achada vale! – Naruto me fitou esperando alguma reação, mas tudo o que fiz foi me levantar e ir para perto dele.

–Por que esse computador está vazio?

Naruto moveu lentamente as mãos e sorriu.

–Depois que você pediu “férias” – ele fez aspas com os dedos – Eu trancafiei todos os seus dados no meu computador para que ninguém fuçasse as suas coisas. Por hora, só eu tenho acesso aos seus arquivos pessoais, e até eu ter certeza que você está bem.

Franzi o cenho. O que ele quisera disser com aquelas palavras? Naruto ficou quieto, de braços cruzados, olhos fechados e as orelhas captando os sons do mundo.

–Vamos embora. Estou cansado. – ordenei e ele assentiu e se levantou de lá.

Naruto parecia muito animado com alguma coisa, como se acabasse de descobrir que passara num teste muito difícil. Um comportamento quase adolescente. Naruto saiu do escritório dando adeus a todos, sorrindo como se acabasse de ganhar um milhão de dólares, e por fim descemos até o estacionamento.

–Enfim, liberdade! – ele riu jogando os braços para o alto – Hoje é sexta. O que quer dizer... – ele fez a dancinha do “Gentleman” já do lado de fora com uma cara cômica demais para ser sexy – Que é hoje que eu só volto domingo! – Naruto riu sozinho até não poder mais e caminhou cambaleante até o carro.

A loucura continua a mesma.

Não, esse Naruto é bem mais louco do que o que eu estava acostumado.

Entramos em seu carro. Aliás, aquele carro era o meu. Até mesmo na cor. Fitei o trajeto inteiro. Nada daquilo me era estranho, até as pessoas não eram estranhas, mas ter Naruto como meu chofer, meu assistente, meu guarda-pessoal, enfim, meu quebra-galho e não como minha esposa, é muito estranho.

Mas que droga... Por que eu não me lembro de quando foi que tudo mudou?

Enfim chegamos a tal casa mencionada por ele. Reconheci-a de imediato. Era casa onde Naruto morava com Boruto. Mas não fora dela que eu saíra para ir até a delegacia.

Aquela outra casa não deveria ser propriamente minha. Se eu não estava enganado, eu estava na mansão da minha família.

A casa de Naruto ficava num condomínio residencial tranquilo e cheio de espaços verdes e de playgrounds. Naruto me disse que por enquanto eu não voltaria para a minha casa, me avisou que enquanto as investigações estivessem acontecendo, eu não poderia retornar, de modo que eu ficaria em sua casa por um tempo. Talvez uma semana ou menos. Apenas concordei silenciosamente. Enquanto eu não entendesse o que estava acontecendo, é mais prudente eu ficar na companhia de quem não vá me causar problemas.

Naruto é chave para eu entender o que se passara comigo. Por hora, não vou contradizê-lo.

Chegamos a tal casa, era a sétima contando da entrada do condomínio. Ele estacionou e foi recebido pelos latidos do cachorro do vizinho. Naruto retirou do porta-malas uma mochila e então foi para a porta. Entramos diretamente na sala e eu vi que era um lugar agradável e bem organizado, por sinal. Havia fotos distribuídas pelos móveis. Eu me apressei para vê-las, para saber o que elas me diriam do meu passado.

Havia fotos nossas da infância até a fase adulta. Fotos de Naruto sozinho, fotos dele comigo, – muitas fotos de nós dois sozinhos – fotos de Naruto com sua família, fotos dele com o esquadrão, fotos dos parentes de Naruto.

Fitei um armário abaixo da televisão. Havia mais arquivos nele. Olhei o que estava escrito nas laterais: uns eram álbuns de fotos, da família dele, de nós dois e de casos registrados para mim, outros eram coleções que ele fazia de notícias de jornal e havia um último que era só de cartas. Peguei esse para dar uma olhada e havia os dizeres, na capa, “Nunca enviadas”.

Senti uma mão em meu ombro e me sobressaltei. Era Naruto e ele me fitava com carinho. Com alguma diversão, era verdade, mas havia carinho em seus olhos.

–Desculpe, Sasuke, mas isso é um pouco... – ele ficou tão vermelho que eu estranhei, Naruto pigarreou e tomou o arquivo das minhas mãos – Eu sempre disse que não tenho segredos com você, que você tem autoridade para mexer nas minhas coisas sempre que quiser... – ele colocou o arquivo de volta no lugar – Mas essa é a única coisa que você não precisa saber.

–São cartas suas?

–Sim. – ele ainda estava vermelho quando se afastou de mim, retirando suas parafernálias militares, como o cinto e o colete que ele tivera que levar para casa, depois os coldres das armas que ficavam em suas pernas e então desabotoou sua camisa negra que ficava por cima do pulôver, havia mais armas escondidas ali.

Parecia um guerreiro se desfazendo se sua armadura.

–Por que não as enviou?

–Eu não podia. – ele se sentou no sofá, com vergonha de me olhar, retirou os pesados coturnos e eu pude ver a bainha de uma faca de caça, aquela com a ponta serrilhada, presa em uma de suas panturrilhas e escondida pelo calçado. – Nunca pude.

–E para quem eram todas essas cartas? – falei com curiosidade digna de um gato.

Fui até o sofá e me sentei ao lado dele. Ele estava muito envergonhado com alguma coisa. Fitei-o com um pouco mais de atenção. Com tanta confusão acontecendo num único dia, eu quase me esquecera do quanto Naruto fica lindo quando está corado, seja pela vergonha, seja pelo sexo. Parecia um jovem virginal perfeito para ser comido por mim. Movi sutilmente minhas orelhas. Eita pensamentos perigosos.

Desejei beijar o seu pescoço, Naruto pegou todas suas coisas antes que pudesse fazê-lo e subiu um lance de escadas, desaparecendo de minhas vistas. Não ouvi mais seus passos, silencioso demais. Como uma sombra.

Estiquei-me sobre o sofá e esperei quieto, mergulhado em meus pensamentos. Senti minha cabeça latejar pesadamente. Droga, o que estava acontecendo? Devia ser o efeito das drogas que injetaram em mim, mas quem faria isso? Meus olhos percorreram a casa e pousaram sobre uma mesinha de centro diante das minhas pernas. Um porta-retratos com capacidade para três fotos me chamou dentre tantos. Um das fotos era a de Naruto com uma menininha de cabelos vermelhos.

Ele dissera que não tinha filhos por causa do “trabalho” que tinha, mas aquela menininha se parecia muito com ele. A outra era dele com um menino nos ombros de mesma idade da menina, provavelmente era gêmeo dela. A terceira foto era de Naruto com os dois. Ali estava o homem paternal por quem eu me apaixonara. Quantos filhos eu poderia ter com ele? Se dependesse da minha fome, vários, com certeza.

Agucei minha audição e percebi o som de água corrente pela casa. Naruto deveria estar tomando banho. Será que ele é do mesmo jeito nu ou será que eu alucinei isso também? A água deslizando lentamente pelas curvas de seu corpo, acariciando aquele corpo tão... Sacudi minha cabeça com força.

–Calma, Sasuke, não é hora para esse tipo de pensamento. – murmurei para mim mesmo. – Como ele mesmo disse... “Vamos com calma com o andor, que o santo é de barro!” – falei imitando sua voz. Acabei rindo dessa brincadeira.

Ouvi barulhos pela casa, objetos metálicos caindo. Endireitei minha postura e fitei uma entrada oposta a da porta. Duas crianças passaram correndo por ali com panelas na cabeça. Dei de ombros. Eram apenas crianças. Espera. Pisquei. Panelas? Fitei-os e vi que os objetos estavam quase cobrindo todo o rosto deles. É impressão, ou todos os Uzumakis do planeta tem um senso distorcido de sanidade?

Um menino magrelo com parte dos cabelos nos olhos e uma menina usando óculos e cabelo muito bagunçado, um perseguindo o outro portando, além das panelas, colheres de pau, numa estranha luta de espadas – ou colheres. Ambos eram ruivos.

Atrás deles apareceu um homem de cabelo escuro muito parecido com Naruto, mas não tinha o porte físico e as cicatrizes. Mas tinha os olhos azuis dele. Era um cara de aspecto normal. Era o mesmo da foto na carteira de Naruto.

–Menma? – falei e ele impediu que um abajur caísse. Ele me fitou de supetão.

–Senhor Uchiha?! – havia real admiração em seu rosto. – O que faz aqui, senhor? – a típica preocupação que as pessoas demonstram ao se verem na presença de pessoas importantes ou ricas – Droga... Os meus modos! – Menma se curvou na minha frente – Meus sentimentos pela perda do seu esposo, senhor Uchiha, eu espero que tenha forças para seguir adiante.

–Hn. – apenas abanei de leve a cabeça.

As crianças continuaram correndo para lá e para cá, como animais ensandecidos em fuga, batendo as colheres de pau em tudo que alcançavam. Eram dois lobos, porém Menma era claramente um cachorro. Deve ser por isso que não consegue controlar as próprias crias.

Menma correu para um cômodo ao lado da sala e levou as mãos à cabeça.

–Essa não! – ele murmurou desesperado – Vocês bagunçaram a cozinha do tio de vocês!

Pressinto tretas.

Notas finais
Você disse TRETA? Apois Pausa para o merchandising. Negada, não vai ter filler - ainda - nem capítulo duplo - ainda - pq eu me envolvi numa empreitada louca em parceria com uma das leitoras assíduas de Amor à Moda Antiga. Poisé, para a ALEGRIA do senhor e da senhora, mais uma fic, não propriamente minha, pois estou nessa de co-autora. Chama-se "Não me desbote" e está na vibe de universos não esperados. Passem por lá e vejam se vale a pena. A propósito é SasuNaru, mas não é a que eu mencionei no capítulo passado. De boa?