Among Other Mirrors
4 Capítulo IV
Notas iniciais
Estela deitou naquele dia com a cabeça pesada, sentindo o peso de tantas memórias e emoções conflitantes. Estevão a abraçou de maneira protetora, como fizera por grande parte de sua vida. Era estranho, essa sensação de segurança que sentia nos braços dele. Estevão era, de fato, um homem horrível e cruel, mas enquanto Perseu representava amor e paixão ardente, Estevão simbolizava proteção e estabilidade. O abraço dele a envolvia de tal maneira que parecia torná-la imune a qualquer mal.
Ela se virou, ficando de frente para Estevão. Ele a olhou com um sorriso calmo e doce, quase desconhecido.
— Está bem? — perguntou ele, acariciando o rosto dela com ternura.
— Estou desconfortável — ela admitiu. Estevão prontamente arrumou os travesseiros dela, elevando sua cabeça, um gesto familiar dos finais de suas gestações.
— Está melhor? — ela assentiu. — Você sempre fica assim no final — ele murmurou, beijando-a delicadamente antes de se levantar da cama e caminhar até uma mesa de apoio. Por um segundo, Estela sorriu, pensando em como Estevão conhecia bem ela.
Enquanto ele enchia a taça com água, Estela o observava, perdida em pensamentos. Perseu era um amor intenso e avassalador, mas Estevão era um caminho conhecido, um refúgio onde ela sabia exatamente onde pisar. Conhecia cada defeito daquele homem, todas as faces que ele tinha. Ela o havia visto chorar, mas também o viu matar. Ele beijou o chão que ela pisava, mas também já a agrediu. Sentimentos complexos demais tomavam conta dela, um misto de amor, ódio e necessidade.
Estevão estendeu um copo com água para ela, que pegou com as duas mãos, oferecendo um sorriso fraco em agradecimento.
— Amanhã será o torneio pelo meu retorno — ele disse, deitando-se novamente ao lado dela.
— Espero que tudo saia bem — ela respondeu. Com um último beijo, Estela o viu fechar os olhos e adormecer, enquanto ela ficava desperta, mergulhada em suas emoções e na complexidade do relacionamento que compartilhavam.
A alvorada trouxe consigo uma mistura de excitação e apreensão. As ruas do reino estavam decoradas com bandeiras vibrantes e estandartes ostentando o brasão da realeza. Os preparativos para o torneio haviam começado desde aquela fatídica manhã que Mandrik o encontrou na praia. Mais uma vez ela concluiu o quanto odiava o mar. Estela observava a movimentação do camarote real, seus pensamentos um turbilhão de emoções conflitantes, ela estava sozinha ali, pensando que deveria ter aceitado acompanhar os filhos aos dragões.
Estevão desfilava pelas ruas montado em seu cavalo negro, Estela nunca entendeu porque os cavalos de Estevão sempre eram negros. O povo se aglomerava, lotando as ruas estreitas, acenando e gritando aclamações, sem acreditar que seu rei tão querido havia realmente voltado. Muitos acreditavam que seu retorno era um milagre, uma prova de que ele era um líder escolhido pelos deuses. Seus súditos o saudavam com fervor, alguns chorando de alegria, outros ajoelhando-se em reverência. Era como se a presença dele trouxesse uma sensação de esperança renovada.
Estevão entrou na arena montado em seu cavalo, sua armadura reluzindo sob o sol do meio-dia. Ele retirou o elmo, revelando seu rosto ao público. Um rugido de aplausos e gritos de aprovação encheu o ar. Estela, sentada no lugar de honra, sentiu uma pontada de orgulho e uma dor amarga ao mesmo tempo. Aquele era o homem que ela conhecia tão bem, um símbolo de proteção e crueldade entrelaçados. No camarote, ela se ajustou na almofada, sentindo o desconforto familiar que sempre vinha com o fim de suas gestações.
Os dragões sobrevoaram a arena, todos os dragões. O primeiro a pousar foi Eilon, que desceu de Ronar com sua habilidade singular. O dragão vermelho abriu suas asas, causando uma onda de vento em toda a platéia. Logo em seguida vieram Tyrax, Cora, Vieno e Aurys, de onde desceram Elisa, Elora, Ethan e Evan, respectivamente; na sequência os dragões subiram aos céus, acompanhando Jasper e Sinler, que circundavam a arena, fosse como um aviso ou como uma adereço.
Estevão ergueu a mão, acalmando a multidão. Seu olhar encontrou o de Estela, e ele lhe deu um sorriso que era tanto carinhoso quanto possessivo. Ele caminhou até uma mesa de apoio, pegou uma taça de vinho e brindou à sua própria volta. A multidão explodiu em aplausos novamente.
— Hoje celebramos o retorno do meu pai, o rei! — Eilon proclamou, sua voz ecoando pela arena. Ele tirou com solenidade a coroa de sua cabeça e depositou na cabeça do pai, que o abraçou sorrindo e beijando o topo da cabeça do garoto com carinho, para quem estava próximo das arquibancadas era possível ouvir as mulheres falando o quão bom pai o rei era.
O torneio começou com a justa, cavaleiros competindo por honra e glória. Estela observava cada lance com atenção, mas seu coração estava longe. Seus pensamentos voltavam a Perseu, ao amor intenso que compartilhavam, contrastando com a relação complexa que tinha com Estevão. Ela conhecia cada defeito e cada virtude daquele homem, tinha visto suas lágrimas e sua fúria. A segurança que ele oferecia era inegável, mas o custo dessa proteção era alto.
Estevão e as crianças subiram ao camarote, Estela sorriu para todos, beijando os filhos na testa antes de ser beijada pelo marido.
— Está tudo bem? — perguntou Estevão, a voz suave enquanto acariciava o rosto dela.
— Sim, só um pouco cansada — ela respondeu, oferecendo um sorriso que não alcançava os olhos. Ela acariciou a barriga, sentindo uma dor distante se formando.
Os cavaleiros se enfrentavam, escudos se partindo e lanças se quebrando em uma exibição de força e destreza. A multidão vibrava com cada golpe, enquanto Estevão observava tudo com um olhar satisfeito. Ele estava feliz, não apenas por seu retorno milagroso, mas pela forma como mantinha o controle sobre seu reino e sua rainha.
Estela se levantou, apoiando-se levemente na barriga já visivelmente arredondada. Estevão a ajudou a descer as escadas do camarote, segurando sua mão com firmeza. Enquanto caminhavam juntos pela arena, o povo os aplaudia, vendo neles a personificação de um reino renascido.
— Está tudo bem? — perguntou Estevão, a voz suave enquanto acariciava o rosto dela.
— Sim, só um pouco cansada — ela respondeu, oferecendo um sorriso que não alcançava os olhos.
Estela olhou para Estevão, vendo nele tanto o salvador quanto o carrasco. Ela sabia que os desafios ainda não haviam terminado, e que o futuro traria provas ainda mais difíceis. Mas, por aquele momento, no brilho do sol e sob os aplausos do povo, ela se permitiu acreditar que talvez, apenas talvez, eles pudessem encontrar um caminho juntos.
As crianças se apinharam no guarda corpo do camarote, observando com atenção cada combate, Evan reclamou sobre não conseguir enxergar e então Eilon providenciou um banco para ele. Estevão sorriu para Estela, um sorriso que demonstrava satisfação pela família que construiu com ela.
Quando Estevão se juntou aos filhos, Estela sentiu uma pontada aguda em seu ventre. Ela tentou disfarçar a dor, ajustando-se na cadeira e mantendo um sorriso forçado. A dor, porém, só aumentava, tornando-se mais intensa e regular. Ela sabia o que aquilo significava: o parto estava começando e não sabia se era algo bom.
Aflita, ela tentou manter a calma, disfarçando sua crescente agonia. O torneio estava no auge, e Estevão estava distraído com a competição. Ela não queria chamar atenção para si mesma, não agora, com tantas coisas em jogo.
— Vossa graça está bem? — perguntou uma dama de companhia, notando o suor que começava a perlar na testa dela.
— Sim, o bebê está agitado — mentiu Estela, forçando um sorriso. — Vou descansar um pouco.
Ela se levantou lentamente, cada movimento calculado para esconder a dor. Com passos lentos, ela se dirigiu para a saída do camarote, tentando manter a dignidade. Estevão estava distraído, ocupado com os cavaleiros, e não percebeu sua saída imediata.
Estela mal conseguiu alcançar um corredor mais isolado antes de dobrar de dor, uma contração forte a atingindo. Ela mordeu o lábio para não gritar, apoiando-se na parede. Uma criada correu em sua direção, alarmada.
— Minha senhora, você precisa de ajuda? — perguntou a jovem, olhos arregalados de preocupação.
— Sim, chame Liandra, peça para me encontrar no quarto — sussurrou Estela, tentando manter a voz firme.
A criada correu, e Estela ficou sozinha por um momento, lutando contra a dor crescente. Seus pensamentos eram um caos, misturando-se entre a necessidade de proteger seu segredo e a iminência do parto. Se Estevão descobrisse a verdade, não sabia o que poderia acontecer.
Ela rastejou para seu quarto, os pés mais pesados a cada passo, a dor crescendo de maneira insuportável. Estela sentiu um líquido fervente descer por sua perna, a queimando e fazendo pular para se afastar da dor. Com a porta fechada, ela se permitiu gritar, mesmo que baixo. Liandra e Kaila entraram, havia pânico no rosto delas.
— Estela, o que aconteceu? — Liandra se aproximou, percebendo que Estela era mais como uma irmã do que sua rainha.
— O bebê vai nascer — ela comunicou com uma careta de dor.
— Vou chamar Linor — Kaila foi segurada por Estela antes que pudesse fazer algo.
— Não — outra contração a assolou, arrancando um gemido longo de dor —, faremos isso sozinhas.
— Estela… — a voz de Liandra era como uma advertência.
— Por favor —- havia súplica nos olhos da rainha, o que fez a criada assentir e aceitar o pedido.
Aquele seria o primeiro parto que Estevão não estaria presente.
Enquanto o torneio continuava, Estela se entregava à batalha mais pessoal e intensa de sua vida. Cada contração a aproximava mais do momento da verdade, e ela só podia rezar para que conseguisse esconder seu segredo por tempo suficiente. A segurança do bebê e a delicada posição política de seu reino dependiam disso.
Na arena, Estevão notou a ausência de Estela. Preocupado, ele se afastou um pouco dos espectadores e perguntou a uma criada onde ela estava.
— A rainha está descansando, senhor. Ela se sentiu indisposta — respondeu a criada, fazendo uma reverência.
Ele assentiu, mas uma sombra de preocupação passou por seu rosto. Voltou sua atenção ao torneio, afagando os cabelos de Elisa, mas uma parte de sua mente estava focada em Estela, e ele prometeu a si mesmo verificar pessoalmente o bem-estar dela assim que pudesse.
Estela estava deitada na cama, seu corpo tremendo de dor e medo. As contrações vinham em ondas implacáveis, e ela sentia cada uma delas como um trovão em seu ventre. Ao seu redor, Liandra e Kaila, tentando manter a calma enquanto ajudavam no parto. Estela, porém, mal conseguia ouvir as palavras de encorajamento. Seu pânico crescia a cada momento, o temor de que o bebê nascesse com características de Pardóx, revelando a verdade de seu pai, mesmo que Perseu tivesse dito que iria buscar Sísifo, ela não sabia se acreditava, Perseu não fez nada por Artemisa, em nenhum momento ele fez menção de ficar com a filha, ele queria ela e Artemisa, mas não apenas Artemisa, então, provavelmente, não iria querer apenas Sísifo.
Cada grito abafado e cada gemido de dor eram acompanhados por orações silenciosas. Ela temia que o cabelo do bebê, se prateado como o de Artemisa, denunciasse a traição. Seus pensamentos estavam presos em um ciclo de medo e esperança desesperada, enquanto lutava contra a inevitabilidade do parto.
Finalmente, com um último grito de dor, o bebê nasceu. Liandra o pegou cuidadosamente, envolveu-o em um pano e olhou para Estela com uma expressão indescritível. Lentamente, ela trouxe o bebê para mais perto, revelando a pequena cabeça com fios prateados reluzindo à luz das velas. Estela sentiu um aperto no peito, seu maior medo se tornando realidade. O bebê tinha os mesmos cabelos de Artemisa.
— Liandra, precisamos fazer algo… — ela disse, erguendo o tronco.
— O que faremos? — Liandra se aproximou, preocupada, conhecia Estevão, sabia o que ele seria capaz de fazer ao ver um bastardo.
— Eu não sei… — admitiu baixinho, o pequeno era tão bonito quanto os outros foram, seus traços delicados sendo admirados por sua mãe.
Antes que pudesse pensar em algo, a porta do quarto se abriu abruptamente. Estevão entrou, seguido de Mandrik e Eilon. Estevão estava de bom humor, um sorriso de alívio e alegria em seu rosto, pronto para ser atualizado sobre o estado da rainha. Mas ao ver a expressão de Estela e o comportamento agitado das criadas, seu sorriso começou a desvanecer.
— O que está acontecendo aqui? — ele perguntou, sua voz carregada de suspeita.
Estela tentou falar, mas as palavras ficaram presas em sua garganta. Liandra, tremendo, entregou o bebê para Estevão. Quando ele viu os cabelos prateados do recém-nascido, sua expressão mudou drasticamente. O sorriso desapareceu por completo, substituído por uma mistura de choque e fúria.
— O que é isso? — ele rugiu, segurando o bebê com mãos que começaram a tremer de raiva. — Como pode isso ser meu filho?
Mandrik, ao lado dele, observava com olhos atentos, sua mente já trabalhando nas possíveis implicações que aquilo traria. Eilon,jovem mas perceptivo, olhava fixamente para o bebê, compreendendo a gravidade da situação, ele havia sim apoiado sua mãe até certa parte do casamento, mas era seu pai, não iria ir contra Estevão.
Estela tentou se levantar, mas a exaustão e o medo a mantiveram imóvel. Ela sabia que precisava falar, precisava explicar, mas como poderia? A sala parecia girar ao seu redor, cada olhar fixo nela, julgando-a.
— Estevão, por favor... — ela começou, sua voz fraca e trêmula. — Eu posso explicar...
— Explicar? — Estevão interrompeu, sua voz carregada de veneno. — Como você explica isso? Um bebê com cabelos prateados? Essa coisa não é meu filho! — o silêncio na sala era ensurdecedor, a tensão grudando nos presentes. Mandrik deu um passo à frente, colocando uma mão no ombro de Estevão, tentando acalmá-lo.
— Estevão, acalme-se — disse ele, sua voz baixa e calculada. — Estela estava casada com Perseu, seria plausível o filho ser dele.
Estevão olhou para Mandrik, depois para Eilon, que era seu exemplo de perfeição, e finalmente de volta para Estela. Ele parecia dividido entre a raiva e a necessidade de manter a compostura diante do filho, não iria querer que Eilon ficasse com a imagem mental dele socando sua própria esposa logo depois de um parto.
— Tire este bebê daqui — ordenou Estevão, entregando o recém-nascido para uma das criadas com um gesto brusco. — Eu não quero vê-lo. — Estela sentiu uma onda de desespero, lágrimas escorrendo por seu rosto.
— Estevão, por favor... — ela suplicou, mas ele a silenciou com um olhar furioso.
— Essa coisa é uma mancha em nossa família, Estela, você é minha esposa e… — sua frase foi cortada pelo som da porta sendo aberta. Artemisa encarou a cena, sua expressão era de fúria. — Princesa Artemisa? — Estevão a encarou, notando uma semelhança inegável no rosto da garota. — Eveline?
— Olá, Estevão — Artemisa falou em alto e bom som, entrando no quarto. — Os deuses me avisaram do nascimento do meu irmão, vim buscá-lo — Eilon olhou enojado para ela.
— Ela também é uma bastarda? Ela tem a idade de Eilon! Foi antes de eu morrer! — gritou Estevão. — Você me traiu com Perseu?! — Estela foi arrancada da cama, a roupa estava ensopada de sangue, assim como sua testa estava suada. Estevão apertou o braço dela com força suficiente que a fez ficar nas pontas dos pés, seu ventre doía, contraindo em busca de normalidade.
— Estevão… — a voz de Estela era uma súplica frágil.
— Sim, ela traiu — Artemisa respondeu dando mais alguns passos em direção a Liandra. — Mas você bem merecia — um sorriso de escárnio surgiu nos lábios da princesa. — Dê meu irmão, Liandra — Artemisa estendeu os braços para a criada, que olhou para Estela.
— Chame seu pai, Artemisa… — Estela pediu num fio de voz.
— Para quê, mamãe? — cuspiu as palavras. — Para lembrá-lo que ficará com o pai de seus filhotes ao invés de ficar com alguém que a ama e a respeita? — sorriu novamente. — Entregue Sísifo, Liandra — a voz saiu mais firme.
— Entregue essa coisa, Liandra — ordenou Estevão com a voz engrossada pela raiva, mantendo Estela em suas mãos. — Entregue essa porcaria antes que eu o mate! — Liandra obedeceu ao rei, entregando o menino para a irmã mais velha.
— Espero que esteja grávida na próxima lua, mamãe — Artemisa falou num sorriso. — Os deuses sabem que é o que faz de melhor nessa vida — levantou as sobrancelhas divertida.
— Suma daqui, Artemisa! — Eilon rugiu, incomodado com a presença dos bastardos.
— Claro, já estou indo — Artemisa sorriu e depositou um beijo na testa do bebê, Estela tinha o rosto molhado de lágrimas. — Temos um pai que nos ama independente do que somos — sussurrou um tanto alto. — Agradeço pela atenção — falou por fim, girando nos calcanhares e sumindo pelos corredores.
— Deixe-nos a sós — Estevão ordenou para os presentes, Eilon olhou para Mandrik.
— Pai, mamãe não deveria descansar? — perguntou, sua voz trêmula.
— Eu me acerto com sua mãe. Saíam todos! — gritou, Estela se encolheu, tentando se desvencilhar da mão de Estevão, sentia sangue escorrendo por sua perna, sentia-se suja. Mandrik arrastou Eilon para fora, junto de Liandra e Kaila. Mal a porta fechou e Estevão a jogou na cama. — Eu fiz tudo por você! Eu construí um castelo, construí uma cidade pra você! Tivemos seis filhos juntos e como você me retribui?! Me traindo!
— Estevão, por favor, Sísifo foi embora e… — Estela ergueu as mãos de forma trêmula para se proteger, seu corpo inteiro tremia. Um soco acertou seu estômago antes dele montar sobre ela e começar a desferir golpes repetitivos por seu corpo, que ainda doía pelo parto. — Para, por favor… — suplicou entre um golpe e outro. — Pense em nossos filhos…
— Como você pensou quando casou de novo?! — novamente ele a arrancou da cama, seu rosto sangrava, seus cabelos eram uma maçaroca branca, sua camisola estava igualmente ensopada de sangue. Suas pernas falharam quando ficou de pé, os pés mal tocando o chão. — Eu vou fazer algo que já devia ter feito — rosnou próximo do rosto dela enquanto a arrastava em direção a porta.
Estela se sentiu humilhada enquanto era puxada violentamente por um braço, Elora fez menção de ir ao socorro da mãe, mas foi agarrada por Ethan. Estela viu a decepção nos rostos de seus filhos, enquanto Liandra a olhava preocupada. Estevão a puxou até uma porta, a fazendo subir uma leva de degraus até chegar em outra porta, a qual ele abriu, a jogando para dentro na sequência.
— Estevão, por favor, o que você está fazendo?! — ela perguntou, ajoelhada no chão.
— Quando casamos eu disse o que te aconteceria se me traísse! — gritou apontando para ela. — Aquela bastardinha de merda está certa, você estará grávida na próxima lua e dali onze luas estará grávida de novo e assim será até que eu me canse de ter filhos!
— Estevão, não, por favor…
— E se não me der os filhos que quero, eu prometo que travarei guerra com Perseu, mas matarei aquelas crianças — ele falou com raiva nos olhos, Estela se encolheu contra a cama, sentindo frio. Estevão caminhou em direção a porta e a trancou, virando para ela com ódio. — Você teve o melhor de mim e não aproveitou — rosnou a enforcando, Estela começou a arranhar o pulso dele de maneira desesperada enquanto sentia o corpo do homem pesar sobre ela em direção ao colchão.
— Não, Estevão, não… — suplicou baixinho.
◇◇◇◇
E então Estela acordou, sentindo o ar invadir seus pulmões de maneira ardida. Ela sentou na cama, observando o quarto quase vazio, sentiu algo mexer em seu ventre, a fazendo olhar para a barriga de grávida, seu corpo tremia e sua respiração estava irregular.
— Você está bem? — Perseu surgiu na porta da sala de banho e então foi como se uma brisa de verão soprasse nela.
Estevão voltar não havia passado de um pesadelo.
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