Notas iniciais
♥~Enjoy~♥

Orion parou de repente sobre o mar, começou a olhar em volta, Evie parou do seu lado, o coração dela estava disparado, nunca saiu para tão longe da fortaleza, tão longe do castelo, do Reino, estavam no meio do mar.

—O que aconteceu?

—Saphiral sempre fica a Sudoeste, ou todos os Reinos que estão a sudoeste?

—Como assim?

—Eu vou ser sincero... Acho que estamos indo pro lado errado. – Ela o encarou confusa.

—Como assim você acha? Estamos no caminho certo ou não? – Já estava com medo, e se eles estavam perdidos, era melhor voltar.

—Eu nunca saí de Pardóx! – Ele estava nervoso, o que estava deixando Ruphi nervosa também. – Calma garota. – Ele afagou o pescoço dela.

—Orion, eu estou com medo. Não é uma boa ideia. – Ele se aproximou dela colocando a mão em seu ombro.

—Vai dar tudo certo, eu só preciso me achar. Eu vou te proteger.

Eles seguiram pelo mar, não vinham nenhum pedaço de terra A luz da lua estava bem fraca, isso dava mais medo, não tinham um bom foco de luz; Orion colocou a mão no pescoço, deixou seu colar no quarto que seu pai havia o trancado. Tudo seria resolvido. Mais afrente tinham apenas rochas, foi nelas que o garoto se achou, ele fez um sinal para que Evie se colocasse atrás dele, assim que ela o fez, ele citou algumas palavras e erguendo as duas mãos soltou um raio à sua frente, em meio ao clarão ele ouviu a membrana do outro lado abrir.

—É só me seguir, não precisa ficar com medo, você vai sentir um choque, porque é o outro lado. – Eles avançaram sobre a luz fina sentindo uma energia preencher seus corpos, Evie fechou os olhos.

Entretanto houve um desequilíbrio, os animais ficaram desestabilizados, Orion soltou um grito, ele nunca abria o portal sozinho, não tinha força o suficiente, então quando ele fez, não tinha espaço suficiente para Gameon e Ruphi atravessarem.
Eles podiam esperar o baque. Ambos foram arremessados, Ruphi machucou a pata e a calda, Gameon feriu a asa, Orion bateu a cabeça e Evie caiu em cima dele ferindo o braço. Caíram por cima da copa das árvores, o dragão aterrissou desajeitadamente no chão e o Pégasus despencou, eles ficaram em choque.

—Evie?! Está bem?

—Sim! – Ele deu um suspiro de alivio e desceu da árvore para ajudar a prima a descer, , não era a primeira vez que isso lhe acontecia, mas, foi a primeira vez que Gameon se machucou. Ela se aproximou dele. – Me desculpa grandão.

—Desculpe. – Orion falou. – Eu não consegui fazer uma abertura descente o suficiente. – Ela o abraçou.

—Estamos vivos, é o que importa. – Ele retribuiu o abraço. – Estamos em Saphiral? Uau, aqui é muito colorido... Lindo, agora eu sei porque você tá sempre feliz, aqui não tem uma atmosfera tão ruim. – Orion se afastou um pouco e olhou ao redor.

—Aih não. – Não era o amanhecer, era o anoitecer, não de onde ele queria. – Não, não, não... – Evie ainda estava encantada com o lugar, literalmente o lugar mais bonito que ela já viu, e ela já havia explorado muitos lugares. Os monumentos dourados brilhavam sobre a luz do sol, e apenas saiu do seu transe quando Orion segurou seu pulso com força.

—Sou eu! Orion! – Foi quando ela olhou ao redor, haviam pessoas apontando lançadas para os dois. – Herdeiro de Auterpe!

—Príncipe Orion? – Uma jovem abaixou a lança. – O que aconteceu? – Ele deu uma risada nervosa.

—É engraçado porque.

—Que barulho foi esse? – Orion fechou os olhos e Evie segurou em seu braço, foi um reflexo, ela sempre esperava o pior. – Orion?! – Ele abriu os olhos.

—Oi mãe... – Evie olhou para a mulher e ficou impressionada, ela parecia com sua mãe, cabelos brancos, olhos verdes, se passariam por irmãs sem problema, com a diferença de que usava roxo e mostrava muito a pele, principalmente as pernas. A Rainha puxou Orion para um longo abraço, em uma genuína preocupação, seu coração doeu, á quanto tempo ela não era abraçada assim?

—Como você chegou aqui? (...) – Ela examinou seu corpo. – Aquele bêbado te machucou? Alguém te feriu? – Ele negou. – Cadê o seu pai?

—Está em Calasir. – Ela não entendeu.

—E o que você está fazendo aqui? Você não queria ficar com seu pai? – Mil coisas começaram a passar pela cabeça dela e nenhuma era boa.

—Eu precisava trazer ela. – Evie foi puxada, Auterpe olhou desacreditada. – Calasir não era um lugar bom pra ela. – A garota começou a ficar nervosa e se ela a expulsasse?

—Orion, isso foi um sequestro! – Foi quando ela ouviu o dragão rugir de dor, ela entrou em pânico. – Você roubou o dragão daquele crápula? Trouxe a filha dele? E não avisou seu pai? E está sem seu colar? Orion.

—Eu posso explicar. – Ela respirou fundo.

—Sala das taças! Agora! Guerreiros, escoltem ele até lá. Orion se virou segurando na mão de Evie com calma, o cenário não era bom, mas, ele estava como sempre, confiante.

—Vai ficar tudo bem, você está segura agora. – Assim que ele saiu, Auterpe se aproximou dela.

—Meu bem, Orion te machucou? Ele te forçou a vir pra cá? – Evie negou meio tímida. – Como vocês chegaram aqui?

—Orion abriu o portal e. – Auterpe soltou um resmungo e fez o mesmo gesto que Orion fez, ela precisava fechar o portal, e pelo jeito fácil que ele foi fechado, seu filho não sabia abrir direito, ele nunca o fazia sozinho, eles poderiam ter morrido. Auterpe não se atentou a olhar bem para a menina, começou a pensar nas possibilidades. – Ele vai ficar de castigo?

—Claro que ele vai! – Ela deu um sorriso de raiva, sua mãe dava sorrisos meigos, ela tinha muito mais atitude, e era elegante. – Ele te trouxe pra cá, trouxe um dragão filhote, e fugiu com você! – Evie prendeu a respiração enquanto Auterpe analisava os animais feridos sem focar direito nela, estava preocupada com outra coisa. – Eu preciso de Curandeiros para o Pégasus e Anciões para o dragão! – Ela berrou, sua mãe nunca elevava a voz, era como vê outra versão dela. – Coloque a Princesa em um quarto seguro, por favor! – Auterpe tirou os cabelos do rosto da menina e deu um sorriso. – Vai ficar tudo bem, não se preocupe.

—Orion queria me trazer pra Saphiral, mas errou o caminho. – Auterpe acariciou o rosto dela e deu um sorriso doce.

—Ele não se perdeu, apenas voltou pra onde nasceu, ele não iria conseguir chegar em Saphiral, porque ele é de Ruphira. – Céus, Ruphira era majestosa! Duas moças se apresentaram para segurar a bolsa dela com roupas e a outra segurou suavemente em seu ombro. – Pode confiar nelas, nós vamos resolver isso. – Auterpe recebeu um aceno da garota, então entrou no castelo voltando para sala de reuniões.

—Está tudo bem? – Um Governante perguntou.

—Sim. O que decidimos?

—Observaremos, temos proteção, e como Orion passará um ano fora, será o melhor momento para entrar em ação e manter Pardóx segura de outros ataques, concorda? – Era Perseu quem falou.

—Correto... – Ela disse nervosa.

-Encerramos a reunião. – Lennus falou, que momento infeliz para Orion dar as caras. Quando todos se levantaram para sair, Auterpe puxou o irmão.

—O que há de errado? Parece perturbada.

—Eu estou. – Ele caminhou junto dela até a sala das taças. Onde Orion estava deitado no chão, a sala era repleta de vidros, não havia espelhos, um castigo. – Olha só quem voltou! – Ela apontou para o menino que ergueu o pescoço.

—Oi tio Perseu! – Ele se aproximou do garoto e o abraçou.

—Aquele idiota te machucou? O que pelos deuses você está fazendo aqui? – Perseu usava uma roupa azul clara, que mostrava seus braços.

—Chamou o tio e nem contou a fofoca. – Auterpe o olhou furiosa. – Ninguém me machucou, mas, eu precisei trazer a filha dele pra cá. Na verdade para Saphiral, mas... – Perseu fechou os olhos.

—Orion você é louco?

—Eu precisei proteger ela. Ninguém mais iria! – Ele disse nervoso.

—Estevão é louco, mas, não é irresponsável com os filhos. – Perseu supôs no que William falava.

—Eu não sei que Rei você conheceu, mas, ele é bem negligente, ele tem seus favoritos...– Perseu sabia disso. – Cadê a Evie?

—Quem? – Perseu ergueu uma sobrancelha. Não se recordava que William chamava Artemisa de Evie, na verdade, sua filha era pouco mencionada porque ele sabia que isso machucava Perseu, então as palavras de: “Ela está bem. ”, “Está crescendo saudável. ” Eram tudo.

—A filha do Rei Estevão! Ela deve estar assustada, na verdade, apavorada! Ela já estava nervosa.

—Claro, você tirou ela do Reino dela da casa dela! Vão sentir falta dela. – Auterpe começou a gritar com Orion que colocou as mãos nos ouvidos.

—Não! Eles não vão sentir falta dela! Eles machucaram ela! Ela é sobrinha favorita do meu pai! Eu não podia ficar sem fazer nada! Eu tinha que trazer ela pra Saphiral! Tio Perseu sempre ajuda as jovens que são...

—Evie? – Auterpe interrompeu o filho. – Evie de Eveline? – Orion tirou as mãos dos ouvidos. – É a primogênita? Que deveria casar com o irmão mais velho? – Orion concordou. – Ah pronto! Você vai irritar aquele Rei perturbado e.

—Calma Auterpe. – Perseu colocou as mãos sobre o ombro dela. – Orion, termine a frase.

—Ajuda jovens que... Como posso dizer sem parecer deselegante?

—Para de mimar ele Perseu, ele pegou essa mania de salvar todo mundo de você, ele sequestrou uma garota e voaram até aqui com um Pégasus e um Dragão filhote, eles poderiam ter morrido e.

—Não morreram. – O Rei virou o rosto da irmã para ele. – Eles estão vivos, independente dele querer salvar ou não.

—Perseu... – Auterpe estava furiosa, não era a filha dele que estava em perigo, era o filho dela, isso estava perturbando ela.

—Auterpe, para um pouco, respira uns instantes. Se acalme. Traga a garota aqui, eu quero conversar com os dois. – Auterpe iria dizer umas palavras bem feias para Perseu entretanto ele a surpreendeu. – Você mandou Wiliam proteger uma das filhas do Estevão, não foi? Se lembra disso? – Ela piscou por uns instantes, seu corpo adormeceu, seria ela? Olhou rápido demais para ter certeza.

—(...) Não pode ser.... – Perseu basicamente suplicou para ela ir buscar a garota com o olhar, Auterpe saiu correndo deixando Orion e Perseu sozinhos.

—O que não pode ser? – O Rei não queria cantar vitória antes de ter certeza.

—Sua mãe tem saído para lutar junto comigo. – Isso explicava as roupas. – Estamos tentando pegar uns assassinos; ela não está pensando direito, e isso está acontecendo a um tempo. – Ele abriu a boca.

—Eu não sabia que estava tão perigoso.

—Agora foca em mim, o que aconteceu em Calasir? – Orion prensou os lábios e olhou para o lado. – Eu não estou te julgando, quero entender você, o que vocês fizeram foi muito perigoso.

—Evie estava prometida para se casar com Eilon, o filho mais velho do tio Estevão. – O corpo de Perseu começou a ficar tenso, havia praticamente implorado pra Estela não deixar a filha dele se casar com o irmão. Prestou atenção no sobrinho. – Mas, ele fugiu e se casou com a outra irmã; sinceramente eu fiquei indignado, praticamente ele disse que ela não era boa o suficiente para ele e pelos deuses, aquela outra prima é tão doce quanto mel e eu odeio mel; ela é extremante delicada, extremamente submissa e. – O garoto respirou fundo. – Eu não achei justo porque ela seria rebaixada de Rainha pra Condessa.

—O que?

—Ela cuidaria de uma parte muito pequena do Reino. – Pausa. – Tio, eu juro que eu não quis fazer nada; eu queria ajudar ela a se destacar, mostrar que ela não precisava ficar com o mínimo e bem... – Orion abaixou o rosto. – Eu devia estar perto dela, senão aquilo não teria acontecido.

—Aquilo o que? – O estomago de Orion se revirou, ficou irritado, só de lembrar daquilo o deixava furioso.

—O Herdeiro do Trono não é digno da coroa. Ele estava casado com a outra irmã porque repudiava a antiga noiva; então, ele se forçou contra ela. O quarto dela cheirava a sangue, não era de ferimento ou de machucado, era sangue de sacrifício. Sem ela querer, sem ele se importar. – Perseu ficou paralisado por alguns segundos. Seu coração apertou. – Ninguém se importou, ninguém foi cuidar dela, só tinha eu, e eu tinha que trazer ela pra Saphiral. O senhor sempre foi tão bondoso para Mérope quando ela foi colocada à venda, tão legal com a Megara, Evie não tinha ninguém além de mim para ajudar e ser legal com ela.

Perseu o olhou por poucos segundos.

—Como não tinha ninguém para ela?

—Ela não é a filha preferida. Ela é diferente, ela é muito contra as regras. Ela sumiu um dia, e o tio Estevão bateu nela.

—Como é? – Perseu se levantou com tudo. – Como assim bateu nela? – Orion sabia que seu tio iria entender seu lado, aliás, como sua mãe dizia, ele queria salvar todo mundo que era indefeso demais.

—Tia Estela a chama de complicada porque ela prejudica a todos. – Seus olhos dançavam pela sala. Ás vezes era difícil encarar seu tio, principalmente quando notava que ele estava ficando irritado. – Mas, em questão ela apanhou porque ela disse umas palavras doidas pra tia Estela, e o tio Estevão desferiu a raiva nela e. – Perseu se retirou antes dele terminar de falar. Orion fechou a boca e se deitou no chão novamente; sabia que tudo ficaria bem.

—Olá querida... Me desculpe, eu estava em uma reunião... – Evie concordou, o importante foi que ela deu atenção à Ruphi e Gameon. – Posso conversar com você? – Ela concordou. – Com licença. – Ela se sentou ao lado dela. – Orion usou algum truque para te trazer para cá? – Ela negou. – Qual é o seu nome? Eu sou Auterpe Archi, Rainha de Ruphira.

—Eveline de Balaur, Princesa de Calasir. – Pelos deuses... Auterpe piscou e sua respiração parou por alguns segundos; ela se aproximou mais da garota; realmente, ela era a cara de Perseu, e ela não percebeu. Ela não notou, achou que era outra filha daquele beberão, William lhe contou que no total eles tinham sete filhos, podia ser qualquer uma delas, como ela iria saber? Agora ela estava imóvel, sua sobrinha estava ali, na sua frente. O que ela devia falar? Como deveria agir? Como Calasir não poderia ser seguro para ela? Pelos deuses, ela só se importou com Orion, esqueceu de que tinha uma sobrinha do outro lado que pediu para William proteger e cuidar, Artemisa. E agora ela estava na sua frente. – Orion está muito encrencado?

Ela saiu do seu transe e olhou para Artemisa, seu coração bateu tão forte, era um sentimento inexplicável, foi como quando viu Orion pela primeira vez, era um sentimento tão bom, seu irmão com certeza teria uma sensação semelhante senão melhor que a dela.

—Está um pouco, mas, ele sempre foi assim... – Ela respirou fundo. – Eu sinto muito não ter prestado atenção em você quando vocês chegaram.

—Tudo bem. Geralmente ninguém presta atenção em mim. – Auterpe suspirou.

—Não minha querida... – Ela tocou no rosto dela. – Eu sempre penso no pior em relação ao Orion, primeiro, ele me aparece com você, isso não é um bom sinal... – Evie concordou abaixando a cabeça. – Vocês poderiam ter morrido. O que eu iria falar para sua mãe? – Evie deu de ombros, sua mãe nem se importaria. – O que eu falaria para o pai de Orion? Você acha que eu conseguiria olhar para o William sem sentir culpa? – Ela negou. – (...) Eu vi você quando nasceu. Eveline é um castigo de nome. Gosto do nome que William te chama. Evie. – A garota sorriu.

—Eu também gosto. – Ela ainda estava nervosa, entretanto se sentia mais segura.

—Me desculpe por ter sido tão nervosa quando nos vimos. Não queria te conhecer nessa situação... – Evie concordou. – Você confiou nem Orion sem se importar com as consequências? – Ela concordou.

—Me desculpa por termos sido tão irresponsáveis. Mas... – Ela não conseguia explicar o porquê simplesmente aceitou e foi com Orion, ela apenas não se sentia mais parte da família, todos estavam felizes sem ela, pareceu uma ideia aceitável, principalmente agora que Gameon e ela estavam seguros, foi quando ela começou a chorar.

Auterpe foi pega de surpresa e a abraçou com força, acariciou seus cabelos e apenas deu carinho, ela parecia tão aflita por carinho que preferiu fugir com um garoto que ela conhecia a pouco tempo. Depois de um longo tempo, Auterpe passou a mão em suas costas.

—Quer conversar com Orion? – A garota se levantou enxugando as lágrimas.

—Posso?

—Pode, eu te levo até ele. – Houve uma pausa. – Gostaria de trocar de roupa? – A garota ficou em dúvida. Porém negou. Auterpe colocou as duas mãos sobre os ombros dela e a levou até onde Orion estava. Ele deu um pulo quando a viu e a correu para abraçá-la.

—Como você está? – Ele perguntou.

—Nervosa. Mas, bem. – Ela respondeu com o corpo ainda em choque.

—Onde está seu tio?

—Ele saiu, não sei pra onde ele foi... – Auterpe ficou em silêncio por uns instantes. – Estamos encrencados? Eu sei que eu estou, mas, a Evie também está?

—William tem razão, vocês são uma boa companhia. – Eles sorriram. – Mas, não sou eu quem vai dar a punição para vocês. Vou atrás do meu irmão. – Ela saiu e Orion deu um sorriso. Evie o olhou sem entender, com certeza eles estavam encrencados e tudo o que ele conseguia fazer era sorrir?

—Meu tio Perseu é o Rei de Saphiral, aparentemente o Rei veio até nós!

—E isso é bom? – Ele concordou. – (...)

—O que foi? Não está se sentindo bem? Minha mãe te disse algo ruim? – Os olhos dela encheram de lágrimas.

—Não, ela foi muito gentil, ela foi legal, é que... Aqui é tão diferente, é um lugar tão... Fantástico, parece de uma história de dormir. – Ele riu.

—Quer dizer que Calasir é um conto de terror?

—Completamente. – Ela fez uma pausa. – Sua mãe quase não usa tantas roupas. – Ele ficou vermelho.

—Na verdade, não é a roupa que ela sempre usa. Posso supor que ela tem lutado. Mas, pelo tipo de roupa, eu posso dizer que ela estava em uma reunião importante. – Ele sorriu. – Pelo visto minha mãe conheceu seu pai, a primeira coisa que ela e meu tio perguntaram foi se ele me machucou.

—Isso não tem graça.

—Perdão. – Ele respirou fundo. – Agora está tudo bem. – Foi quando ele olhou nos olhos dela com atenção. – Seus olhos sempre foram azuis? Pra mim eles eram verdes escuros.

—O que? – Ela perguntou assustada. – Meus olhos são verdes! – Ele negou.

—Estão azuis. Azuis como os do tio Perseu. – Ele deu uma risada. – Interessante, deve ter sido o choque entre os Reinos, ficou legal.

—Obrigada. – Ela passou a mão nos cabelos. – Quando você pode sair daqui?

—Quando minha mãe deixar.

—Você obedece ela de verdade. Porque? – Orion começou a arrumar os cabelos dela estava fazendo uma trança. – Não tem vontade de fugir?

—Claro que não. Eu não sei porque, mas, gosto quando ela é rígida comigo. – Ela ergueu a sobrancelha. – É estranho, mas, eu gosto, é nosso jeito. Ela fica irritada, então, está tudo bem.

—E agora? O que faremos? – Ele a olhou de cima a baixo.

—Porque não trocou de roupa?

—Desculpa, eu estava bem nervosa, e sinceramente, eu só conheço você aqui.

—Faz sentido. – Ele deitou no chão e a fez deitar também. – Se você respirar fundo, e se contentar dá a impressão que o vidro se torna água, é relaxante. – Evie olhou para ele sem entender. – Não se preocupe, você está segura agora, vai ficar tudo bem. – Ela ainda se sentia estranha. – Isso cura a alma, confia em mim.

Auterpe caminhou por cada canto do castelo, cada corredor e quarto atrás de Perseu, odiava como ele era bom em se esconder, odiava quando ele sumia na sua existência e a deixava só, quando ela olhou por todos os cantos, saiu do castelo e viu ele jogando suas rajadas de fogo pela planície. Auterpe correu até ele o puxando pelos braços e o jogando no chão com força, á quanto tempo não fazia isso com ele?

—Tá destruindo meu Reino porquê? – Ela colocou as mãos no peito dele que deu um longo suspiro. – O que aconteceu? – Ela ainda fazia força para ele não se levantar. Perseu nunca usou força contra sua irmã, apenas virou o rosto. – Não vai me contar?

—Artemisa está aqui... – Ele disse sem segurar as lágrimas que escorriam de seus olhos. – E ela está aqui.

—E não está feliz? Ela voltou... Ela está aqui e.

—Mas, não pelo motivo certo. – Auterpe tirou o peso de Perseu e ele ficou de joelhos. – Aquele crápula embriagado desprezível bateu nela. – Auterpe ficou imóvel; em choque na verdade. – Ele tocou na minha filha. – E sabe o porquê Orion a trouxe pra cá?

—Porque ela apanhou dele?

—O gêmeo dela se forçou contra ela. – Auterpe perdeu a postura e se sentou desajeitadamente. Perseu começou a chorar. – Orion disse que ninguém foi ajuda-la, que ninguém se importou com ela, era para eu estar com ela, era pra ela estar comigo, Estela poderia ter dado ela como morta, ela ficaria conosco... – Ele se encolheu. Auterpe colocou as mãos sobre seus ombros. – Auterpe, eu não sou pai dela.

—Porque está dizendo isso?

—Porque pai não é quem faz, pai é quem cria. – Ela o abraçou com força. – Eu não tenho um vínculo especial com ela, eu sonhei tanto em tê-la e nunca pude ir visita-la, nunca fiz um esforço.

—E o que você iria fazer ao chegar em Calasir? Pedir licença pra Estevão e pegar a criança nos seus braços e nina-la? Para que aquele maluco matasse ela? Tanto ela quanto a Estela?

—Ele não a mataria. – Perseu tirou a coroa da cabeça e passou a mão sobre os cabelos. – Ele precisa daqueles dragões. – Ela segurou nas mãos dele.

—Mais mataria Artemisa. – O coração de Perseu se apertou e ele começou a chorar.

—Porque nós somos gêmeos amaldiçoados? Porque não podemos ser felizes por nenhum momento de nossas vidas? – Auterpe suspirou.

—Você pode ter um momento feliz na sua vida agora. – Ela colocou a coroa na cabeça dele, como fazia tantas vezes, quando eram pequenos e só tinham um ao outro para cuidarem de si mesmos. – Faça sua filha não chorar, e não se preocupar.

—Não seria o bastante.

—Vai ser o suficiente. – Ela segurou no rosto do irmão com firmeza. – Você vai olhar nos olhos dela e dizer que ninguém nunca irá machucar ela, que ninguém é mais importante que ela, e se ela quiser chorar, você irá abraçar e cuidar dela.

—(...) Auterpe, eu não posso dizer isso, eu, sou um desconhecido. Pra ela. – Ela sorriu.

—Você sempre a quis proteger, sempre quis estar ao redor dela.

—Se eu puder eu irei proteger. Eu devia ter estado lá. Para cuidar dela.

—Ela está aqui agora, então, você vai cuidar dela. – Ele deu um sorriso fraco. – Aliás, você tem que dar uma bronca em Orion.

—Porque? – Ele se levantou enxugando os olhos.

—Ele pode ter tido melhor das intenções, mas, ele a sequestrou e roubou o dragão daquele maluco. – Perseu concordou com ela.

Enquanto eles caminhavam em direção á sala das taças, ele pensava em modos de cumprimentar a garota, como ela deveria estar, pensava em quantas noites chorou até dormir porque sua filha estava longe dele, chorava quando olhava aquele quarto que ele fez pra ela, e em todo aniversário ele colocava um presente pra ela, ele tinha a noção que podia ser o momento dela voltar como futura Rainha de Saphiral ao seu lado. Mas, parou quando Auterpe girou a maçaneta, não. Ele não podia transformar ela em Princesa de Saphiral agora, tinham assassinos vorazes a solta, muito piores que outras pedras, ele estaria colocando ela em perigo, e não poderia se dar o luxo de tê-la e imediatamente perde-la. Ele prendeu a respiração quando ouviu as risadas de Orion misturadas com a da garota. Gargalhadas genuínas de felicidade.

—O que estão fazendo? – Perseu perguntou dando um sorriso controlado, ele não podia chorar, ambos se sentaram rapidamente e Evie ficou paralisada. O Rei tinha os cabelos brancos também. Ele sentiu seu coração saltitar. Sua filha era extremamente linda, seus olhos estavam azuis, o feitiço de Navi se quebrou quando ela atravessou a membrana entre os dois mundos. Ela não tinha o físico de Estela, ela tinha o corpo com as deusas e as musas.

—Oi tio Perseu. – Orion se levantou e ajudou Evie a se levantar, realmente parecia que os dois estavam boiando sobre o chão de vidro. – Essa é a Evie, minha prima favorita, Princesa de Calasir, a sobrinha favorita do meu pai. – Evie fez uma reverencia para ele meio desajeitada, Orion arrumou a postura dela.

—Muito prazer Rei Perseu. – Ele sentiu o coração parar. Já Evie sentiu uma calma no olhar dele, era um azul profundo como o céu, era como se os olhos dele contassem uma longa história.

—O prazer é todo meu Princesa Evie. – Ele se curvou e em seguida se aproximou dos dois os abraçando. – Vocês fizeram uma coisa muito perigosa vindo para cá sozinhos. E isso requer muita coragem, eu estou feliz que estejam bem e que você Orion a salvou. Isso requer muita coragem e vocês foram muito corajosos.

—Como é? – Auterpe gritou. – Não! Eles foram contra as regras e.

—Auterpe... – Perseu deu um sorriso para a irmã. – Eles estão bem, eles foram corajosos. – Ele esfregou os cabelos de Orion que deu uma risada e acariciou o rosto de Artemisa pela primeira vez em anos, ele queria tanto chorar e a abraçar.

—Você tem que parar de ser bonzinho com todo mundo! – Ela exclamou. Ele se virou pra ela. – Quero levar os dois para Saphiral. – Orion segurou no pulso da prima feliz, seu plano deu certo. – Lá é o lugar mais tranquilo para esses dois fujões.

—Orion está de castigo!

—Ele vai continuar de castigo lá. – O garoto resmungou.

—O que foi?

—Eu já tava de castigo em Calasir e. – Ele tampou a boca. Auterpe colocou a mão na cintura.

—(...) Leva ele daqui Perseu! Senão ele vai pro refúgio agora mesmo. – Auterpe tinha que manter o menino o mais longe o possível de Ruphira, um ano, por um ano, para segurança dele. Para o alivio dela, alivio de todos, e ninguém entrava em Saphiral.

—Não! – Ele se aproximou de Perseu, Evie achou a dinâmica dos três, engraçada, imaginou se quando seu tio William vinha visita-los tinha essa mesma dinâmica e sorriu imaginando. Perseu o colocou de frente pra mãe.

—Abraça ela e deseje um boa noite. Seja gentil.

—Eu te amo. – Ela cutucou a testa dele e deu um beijo em sua cabeça.

—Eu também. E se lembre Perseu, quarto sem espelhos.

Sua mãe sabe seu truque?

Foi ela que me ensinou...— Orion parou. – Vamos na Nêmesy?

—Sim. – Orion deu um pulo e começou a puxar Evie.

—Quem é Nêmesy?

—A dragão do meu tio. Ela é marinha, ela é linda! – A garota parou de repente. – E quanto á Ruphi é a Gameon? – Orion olhou para a mãe.

—Eles vão se recuperar, estamos cuidando deles, não se preocupe, seus animais estão sem segurança. – Ela acenou para a garota. – Ninguém vai machuca-los.

—(...) Obrigada Rainha.

—Me chame de tia Auterpe. – Ela deu um sorriso.

—Obrigada tia Auterpe. Boa noite. – E antes dela fazer uma reverência Orion a arrastou pelo corredor, estava animado para ela conhecer Saphiral e se encantar e com certeza se curar de todas as dores que ela sentia.
Auterpe observou os dois se afastarem, e olhou para o irmão que estava paralisado.

—Não estrague tudo dessa vez. – Perguntou cruzando os braços.

—Eu vou tentar.

—O que pretende fazer agora?

—(...) Um ano. Precisamos de um ano. – Ela concordou.

—Orion queria ir tanto com o pai, agora ele vai ficar com ele, de castigo e tudo mais. – Ela deu uma risada. – Estou orgulhosa que William o colocou de castigo, sinceramente, achei que ele seria aqueles pais que mimam ao máximo, ele era muito coruja com ele.

—Bom, é uma boa evolução, não é? – Ela concordou.

—Estou feliz que Orion estava lá.

—Eu também. – Perseu respondeu em um suspiro. – Será mesmo que ninguém iria dar por falta de Artemisa? – Auterpe respirou fundo.

—Conhecemos aquele maldito, dele eu só espero o pior. E você também. – Ele fechou os olhos por uns segundos. – No que está pensando?

—É uma pena ela estar tão grande, eu nunca pude ninar ela. – Auterpe o olhou confusa.

—Você tem o soro da juventude.

—Não seria errado?

—Faça a sua bebê dormir nos seus braços ao menos uma vez. Isso nunca seria errado. – Ele a abraçou e ela retribuiu.

—A tia Auterpe é bem legal não é? – Ela sorriu.

—Eu sou sim, papai Perseu.

Perseu se juntou à Artemisa e Orion, eles estavam próximos de Nêmesy que naquela noite tinha uma cor dourada, ele ajudou a filha a subir, e depois auxiliou Orion, no meio do caminho o sobrinho implorava para não colocar ele de castigo, Perseu deu um sorriso, disse que o castigo seria para os Guardiões, o que alegrou o garoto, Evie por sua vez estava em êxtase, se sentia tranquila, se sentia segura, parecia que estava em um sonho e não queria acordar dele nunca, agora entendia como Orion era tão otimista, aquele lugar animava o humor em níveis que ela nunca tinha experimentado, não a muito tempo.

Mas, também estava pensativa, será que seu tio sentiria falta dela? Como ele se sentiria ao perceber que Orion também não estava lá? Será que seu pai moveria exércitos atrás dela? Ou apenas atrás de Orion? Talvez por nenhum dos dois, talvez a vida fosse melhor sem ela mesmo. Não era isso que eles queriam?

Notas finais
~♥Beijos da Autora♥~