Notas iniciais
♥~Enjoy~♥

A fortaleza estava um caos, Sunny estava histérica, Carlo tentava controlar sua esposa, o jantar de longe seria tranquilo. Quando Estela chegou chorando, apenas irritou mais ainda Estevão, porque seu irmão também estava em prantos.

—Auterpe vai me matar! – William segurava os cabelos com as mãos. Auterpe mataria ele duas vezes, uma vez por perder Orion e outra por Evie. O quarto do filho estava trancado, não tinha como ele ter pulado da sacada, seria uma queda muito alta, por onde aquele menino saiu? – Onde aquele garotou foi? – Estevão respirou fundo e pegou uma taça de vinho para se acalmar.

Foi quando Navi apareceu, ele seguiu sozinho pelo leste atrás de algum rastro, que indicasse o caminho que eles tinham seguido; mas, não tinha nenhuma pista, se Perseu descobrisse e criasse outro rasgo entre os dois lados? E Auterpe? Pelos deuses ele nem conseguia pensar. Os dois juntos deveriam ser assustadores. Atravessar para o outro lado não era uma opção, Orion não era tão poderoso, no máximo, seus corpos seriam estilhaçados. (...) Sem rastros, nem nada, repelidos. E isso o apavorou, nem podia pensar nisso. Quando chegou encontrou todos aos prantos, ele estava esperando por notícias piores, corpos achados, mutilados, o pânico tomou seu corpo. Principalmente quando Estela se soltou dos braços de Estevão e foi a seu encontro.

—Achou algum deles?

—Achou meu filho? – Sunny berrou, Navi a olhou, outra pessoa tinha desaparecido? Ele fechou os olhos e negou. Antes da choradeira voltar ele levantou a mão para que todos se acalmassem.

—Não adianta ficarmos procurando desesperadamente sem termos noção se eles realmente saíram daqui.

—Eu procurei meu filho por todo castelo! – Sunny começou a chorar novamente.

—Mãe, ele pode estar em um bordel. – Mike falou firme. Na qual ela negava. Ela olhou constrangida para Estevão. – E ele tem uma noiva! Não faria isso. – Navi juntou as mãos.

—Onde eles foram vistos pela última vez? – Houve um silêncio no local. Todos estavam repassando o dia anterior em suas mentes.

—Jonan saiu durante o jantar! – Mike falou primeiro. – Começou a citar sobre o primo dela.

—Ele poderia ter ido atrás dos dois então? – Navi perguntou, Elisa sabia que não, Jonan estava atrás dela, Evie era mais forte que ela, era feroz.

—Orion estava trancado no quarto. – William falou, não tinha conhecimento que seu filho podia atravessar quartos atrás do espelho.

—E ele evaporou? – Eilon perguntou. – Ele já te machucou tio William, ele pode ter saído, não sei, voado?! – Quando percebeu que iria começar outra briga Mandrik interveio.

—E onde estava Eveline?

—Não a vimos. – Elora falou. – Durante a tarde toda, ela não passou pelas janelas. – Navi colocou a mão na boca por uns segundos. Haviam duas possibilidades, Jonan ter matado os dois e fugido, porque ninguém estava procurando especificamente o garoto. A outra era dos dois terem encurralado o jovem e mandado ele para outro lugar.

—Rainha Estela, desculpe me perguntar... – Ele disse com calma. – Deragona é muito longe daqui?

—Porque está perguntado isso? – Estevão perguntou.

—Eu vejo muitas possibilidades...

—Ninguém saberia chegar em Deragona. – Estela falou entre soluços. – É muito longe, muito além do mar.

—Está dizendo que Jonan levou os dois pra lá? – Carlo perguntou porque sua esposa não tinha mais folego para falar.

—É outra possibilidade.

—E tem quantas possibilidades? – William perguntou assustado.

—Muitas... – O clima pesou. – Entretanto, eu vejo a possibilidade de Deragona ser uma alternativa.

—Para quem? – Eilon perguntou, aquela alternativa nunca passaria pela mente de Eveline; muito menos para Jonan e Orion.

—Para as nossas respostas.

—E nós vamos atrás deles agora? – William perguntou angustiado.

—Não, estamos cansados, famintos, irritados, não estamos pensando direito, a gente espera.

—Como assim a gente espera?

—Notícias ruins correrem rápido, se algo aconteceu com eles, vamos saber, e se eles foram para algum lugar especifico saberemos também. Rezemos aos deuses que eles estejam vivos. – Mandrik sorriu para Navi, seu companheiro era inteligente e até falava bonito quando queria. – Agora nos acalmamos, e descansamos; quanto mais nervosos ficarmos, não vamos nos concentrar.

—Navi tem razão. – Estevão falou. – Faço das palavras dele as minhas.

Mas, nem as palavras que saíram da boca de Navi eram tão otimistas, ele estava tão desesperado quanto Estela, Sunny e William, apenas eles estavam realmente desesperados.

*

Já era tarde quando eles chegaram em Saphiral, por isso não puderam dar uma olhada no Reino. Durante a refeição a noite, sabia que a mesa de jantar em Calasir era grande, entretanto, a de Saphiral também era grande, o que a deixou confusa, pelo que Orion comentou, eles não tinham mais ninguém da família. O que a surpreendeu em seguida foi quando outras pessoas apareceram no salão, não usavam uma roupa formal, era realmente um show de cores. Ela se inclinou para Orion.

—Quem são? – Ela não era de julgar vestimenta de ninguém, entretanto ela podia ver que ela e Orion eram os mais bem vestidos dali.

—Alguns são Guardiões, outros são Guerreiros, outros Mensageiros, aqueles iguais são os parentes do Navi, e aquelas são as Bruxas. – Ela ergueu uma sobrancelha. – Engraçado não é? Tio Estevão nunca aceitaria plebeus na mesa dele. – Ela concordou, e era verdade.

Nunca que um Mensageiro sentaria como igual perto da família real, mas, ali, aparentemente, eles eram a família do Rei Perseu, e só deixou mais claro quando eles começaram a falar do seu dia, riam, era um ambiente acolhedor, e Evie se sentiu uma inveja daquilo, eles não precisavam ser formais, apenas as mãos precisavam estar limpas, o resto? Não importava. Agora entendia porque Orion era tão despreocupado, via o lado bom das coisas, era um local de se espelhar mesmo.

Naquela manhã Eveline ainda estava se olhando no espelho, ele realmente era muito bom, educado, gentil e extremamente carinhoso, deixava um presente pra menina sem saber se ela iria voltar ou não. Como Orion mesmo disse, ele estava preso em uma ilusão, uma ilusão que durava anos. Qual seria o problema dela tomar o lugar da filha perdida daquele Rei? Ninguém viu a tal Artemisa, apenas o Rei Perseu, seria bom para ambos, ele sairia daquela ilusão e ela viveria em um lugar acolhedor. Divertido e descontraído. Pode ouvir batidas na sua porta e quando abriu era Orion, sempre sorrido a olhou de cima a baixo. Ela estava com um vestido rosa, o que deixava seus movimentos livres, o que era uma sensação muito boa.

—Dormiu bem? – Ela deu um sorriso, na qual ele pode julgar que foi o melhor sorriso que ela deu em sua vida.

—Sim. Tranquilo, realmente, o outro lado é. – Ela não conseguia dizer. – Não consigo expressar. – Orion sorriu.

—Isso é bom, excelente na verdade. – Evie fechou a porta do quarto.

—Eu não poderia ser Artemisa? – Orion a olhou surpreso. Estava preso em outro pensamento. Ele parou por uns instantes. – O que foi? Não seria uma boa ideia? Você mesmo disse que não sabem se ela está viva, morta, e o Rei Perseu disse que a mãe a levou, que ele não a impediu. – Ele coçou a nuca.

—Não sei não.

—Como assim você não sabe? Ele precisa de uma filha

—Você já tem um pai. – Ele a interrompeu. – Por mais cruel mal humorado que ele pode ser, ele ainda é seu pai. – Ela o olhou indignada.

—Então pra que você me trouxe pra cá, me conta uma lenda bem triste e não me apoia? – Seus ombros caíram.

—Não é que eu não te apoio, mas, não acho que seria divertido ser filha dele.

—Como não? Aqui é maravilhoso! Um sonho e.

—Ao mesmo tempo um pesadelo. – Ele a interrompeu novamente. – Lembra a história da criatura cruel que eu te contei? – Ela acenou. – O elo de sangue que você falou, realmente é poderoso e nos persegue todo dia. Você está segura aqui como Princesa de Calasir, mas, se você vira Princesa de Saphiral, você não está mais tão segura.

—Não pode ser pior que eu Calasir... – Ela disse enquanto eles caminhavam. Foi quando ele deu uma risada descontraída.

—Verdade. Calasir é sufocante. Mas, em questões de ataques, lá em Calasir vocês estão mais seguros que aqui, onde a qualquer momento você pode ser raptado, morto... – Ele parou porque a lista era longa. – Porque acha que você poderia ser Artemisa?

—Porque ninguém a viu. Apenas o Rei, e pelo que entendi muito brevemente, ou seja, ele nem faria ideia de como ela é hoje... Eu seria muito feliz aqui, eu daria uma boa Princesa, eu... – Orion cutucou a testa dela três vezes, ela não entendeu porque ele fez aquilo.

—Sei que sim. E sei que daria uma ótima Princesa de Saphiral, você é uma ótima prima, mas, eu não sei como o tio Perseu ficaria...

—Como assim? Ele não ficaria feliz? Ele pareceu feliz em ver você! – O garoto olhou pra cima e respirou fundo.

—Você quer se passar pela filha perdida do Rei Perseu, assim, sem mais nem menos apenas por causa de alguns detalhes iguais?

—Sim!? – Era bem óbvio pra ela. Orion começou a pensar nas possibilidades. Como seria ter ela além de prima do outro lado, mais prima dos dois lados. Pensou como seria se Perseu aceitasse que ela como filha. Se ele não ficaria estranho, se ele não pensaria a verdadeira filha, mas, talvez Evie fosse a quebra de ilusão que seu tio Perseu precisava para se manter vivo; e ao menos feliz. – Seria mais como uma filha adotiva. Assim, se a verdadeira Artemisa realmente voltar, ele poderia ser feliz duas vezes.

—Faz até que um sentido. – Foi quando eles chegaram a mesa de café da manhã haviam novos rostos ali que não estavam na noite anterior. – Mas, você não ficaria com ciúmes se aparecesse uma nova filha? – Ela olhou para a mesa, quase todas as cadeiras estavam ocupadas, e ela não sabia dizer se era porque não conhecia a todos, ou se o ambiente era agradável demais, se ainda estava em êxtase naquele lugar, mas, não pareceu se importar em ter tantas pessoas ao seu redor, não estava sufocante, não estava incomodo não estava sufocante, estava incrivelmente agradável. Até porque todos a cumprimentaram quando ela se sentou, por um momento sentiu pena do Rei, ele não tinha ninguém da sua própria família... E isso era triste

Foi quando os olhos de Perseu observaram cada lugar da mesa, ele não fazia como seu pai, ele contava, porque pelo visto ninguém além dele sentava no mesmo lugar, apenas Orion e Evie que estavam próximos dele. Seu pai naquele momento já estaria gritando por ela. Com certeza. Evie tinha que parar de ficar comparando um lugar com o outro, não tinha o que comparar, era atenção, era companheirismo, era gentiliza, sem muitas regras rígidas, a menos até o momento só observou duas regras rígidas, não entrar no quarto da Princesa perdida e estar de mãos limpas ao comer. Por quatro dias, foi divertido, eles entravam no quarto dos Guardiões, iam a praia, na qual a água era azul clara, eles faziam

Depois do café da manhã do quarto dia, e de todos se dispensarem para as atividades matinais, Perseu pediu para Deneb fechar toda a sala do trono, ele iria invocar uma reunião e não queria ser interrompido. A Conselheira entendeu e fechou todas as portas com calma, Perseu respirou fundo e tirou doze moedas dos bolsos junto com doze fios de ouro onde os queimou.

—Invoco uma reunião com os Olimpianos! Preciso resolver uma questão, preciso de conselhos! – Quando a fumaça subiu pelas janelas as divindades do Olimpo surgiram na frente dele, na ordem de chegada estavam: Atena, Hera, Poseidon, Ares, Deméter, Ártemis, Apolo, Hefesto, Afrodite e Hermes; Zeus não estava, e quando Hera percebeu que ele não estava soltou um som de frustração.

—Agradeço por terem vindo. – Perseu disse se mantendo em pé. – Agradeço por terem ouvido meu pedido.

—É muito incomum você chamar a todos nós. – Atena se mantinha firme com sua roupa de batalha, seu elmo e sua lança. – Fico chateada de você não te me chamado a sós.

—Estamos aqui pela Herdeira que retornou? – Afrodite deu um longo sorriso e seus cabelos dourados brilharam e quando ela se aproximou de Perseu para apertar as suas Atena a puxou pelos cabelos para ela voltar para trás. Onde os cabelos bateram no rosto de Hermes que os afastou com seu caduceu.

—Hey, calma aí. – Hermes falou.

—Se controle Afrodite. Estamos todos aqui, o que quer de nós Perseu? – Atena se aproximou dele.

—Não estamos todos aqui. – Hera observou irritada.

Foi quando a atmosfera mudou drasticamente.

—Oh, Hera querida, não faça isso, eu fico no lugar do meu irmão. – Foi quando Hades surgiu, fazendo todos os deuses o olharem com desaprovação. – Olá sogrinha, á quanto tempo... – Ele sorriu para Deméter que o ignorou. – Estamos falando sobre minha protegida? – Hermes se aproximou de Hades.

—Artemisa é minha protegida! Eu a vi primeiro! Eu cheguei primeiro!

—Mas, eu sou mais legal. – Hades sorriu.

—Não é sobre a Herdeira de Saphiral! – Perseu exclamou. Atena o encarou. – Tá. Não é de segredo algum que ela chegou ao anoitecer em Saphiral. – Ártemis concordou.

—Sim. Bem sutil que o primo dela a trouxe de volta. – Ela quis sorrir.

—Não estava na hora! – Apolo exclamou. – O que você pretende fazer com ela? – Perseu queria dizer que gostaria que ela ficasse, queria ensinar a ela a ser uma futura Princesa boa, entretanto, se lembrou do que ela lhe contou.

—Eu não sei. – Perseu ofegou. – Eu preciso que me digam o que eu posso fazer. Eu, ela. – Ele pressionou os lábios com força. – Era uma criança... – Ele falou aflito.

—Ártemis era um bebê quando ajudou eu a nascer. – Apolo disse sério.

—Sabe quem também era criança quando matou os Mestres? – Poseidon perguntou calmamente. O sangue de Perseu congelou.

—Responda, ela se sentiu mal? Sentiu remorso? – Hefesto começou a perguntar, mas, não deixava ele falar. – Consegui pedir uma desculpa genuína? Ela ao menos liga para outras pessoas além dela?

—Definitivamente foi uma pegadinha, foi uma brincadeira ruim, bem a cara de Hermes. – Apolo disse com repugnância, ainda se lembrava que seu irmão ainda bebê roubou suas vacas.

—Ela acha que tem capacidade para governar... – Ares falou colocando a espada sobre o ombro. – Não é assim, sem um plano bem feito, só porque ela é sua filha já vai coroar ela? Pensa mesmo que se colocar uma coroa dela com o coração machucado ela não iria retornar confrontar a todos e os matar?

—Não é que você tem razão? – Atena perguntou em tom de deboche para Ares, ele a encarou. – Porque em todo esse tempo que te conheço essa foi a única ideia boa que você teve.

—A família dela já é desestruturada. Irmãos que ela nem consegue agradar, sério que você acha que ela pensaria no bem estar dos outros? – Hera falou confiante, Ártemis revirou os olhos, esse nem era o problema principal.

—O problema principal é que ela foi maculada, corrompida! O que é inadmissível! – Ártemis berrou e Apolo segurou no ombro da irmã. Hades cruzou os braços e começou a acenar com a cabeça concordando.

—Um grande problema mesmo garotinha...

—Hades, calado, você não é um Olimpiano! – Hefesto berrou.

—Eu sou irmão de dois, cunhado e tio de quase todo mundo aqui. Eu tenho direito de opinar! – Ele disse com calma e sarcasmo que só ele conseguia. – Mas, pessoal, pessoal; estão sendo cruéis com o Rei Perseu, ele nem estava presente na criação da filha, a culpa é do outro lado.

—A culpa sempre é dos outros pra você Hades. – Deméter disse. – Afrodite levantou a mão. Atena revirou os olhos.

—Ares tem razão. Ela precisa se curar primeiro, ela precisa aprender com os erros.

—Posso transformar o desonroso que a maculou em um javali? – Ártemis disse em tom revoltado.

—(...) Não.

—Viu Perseu? – Atena se aproximou dele. – Você quer salvar a todos. Não pode arrancar as raízes daquela criatura da garota?

—Não sei se sou capaz.

—Você queria um conselho, estamos lhe dando um. – Apolo falou. – Ou melhor eu vou retomar minha palavra, ela não completou a linha do destino.

—Se ela não se opor contra o outro Rei, ela não pode ser Princesa. – Hermes disse em um tom sutil.

—E o mais importante, eu só dei uma passagem de volta pra ela. – Hades mencionou e Hermes fez uma careta.

—Você é muito inconveniente de ficar dando presentes para minha protegida.

—Foi você quem deu as encrencas de presente para ela! – Hades retrucou.

—Chega vocês dois! – Hera exclamou e cada um se afastou. Ela se virou para Perseu com um semblante sério. – Quer mais alguma ajuda? – Ele suspirou.

—Preciso do julgamento de Atena. – Atena lhe deu um sorriso analisou a expressão dele, como se o lesse, o ouvisse.

—Você tem minha autorização.

—Obrigada deusa Atena.

—Autorização de que? – Os outros perguntaram curiosos.

—Nossa reunião acabou.

Perseu fechou os olhou, qualquer anseio que ele tinha, se dissipou assim com os deuses que sumiram diante dele. Antes de qualquer coisa ele tinha que levar os dois de volta para Calasir, Pardóx ainda não estava segura. Também não era certo manter Artemisa ali, mesmo que seu coração doesse, pelos deuses, se ao menos Estela tivesse pensando, refletido bastante, quando William vinha ver Orion podia trazer Artemisa com ele, os dois eram apegados mesmo, ela teria conhecido o primo e a tia muito antes, ele poderia acompanhar o crescimento dela e Estela ainda a teria. Seu peito doeu. Eram para serem nove, como Estevão sendo ruim como os Titãs poderia ter tanta sorte e ele nenhuma? Foi quando ele se sentou em seu trono e debruçando-se começou a chorar, ele encontrou o amor e perdeu, ele teve uma filha que não viu crescer, ele não tinha quase nada para se apegar, além dos seus súditos, o que não diminuía a sua tristeza de modo algum; mas, aumentava a sua raiva, o que também não era bom. Eram muitos sentimentos acumulados, e ele agradeceu que Orion estava ali, não iria conseguir olhar a garota por muito tempo sem se sentir culpado por ter deixado ela ir. Como Ártemis mencionou, era inadmissível.

—Hoje temos coisas muito legais para fazer hoje. – Ela o observou com atenção. – Ir nas Aldeias, visitar os estábulos e vou mostrar o um lugar misterioso. – Ela fez uma expressão curiosa.

—Misterioso? – Eles começaram a andar pelo corredor.

—Lembra daquela história que eu te contei sobre a mulher que me tio construiu um jardim? – Ela concordou. – Eu descobri que não é exatamente apenas um jardim, é um esconderijo! Então eu me perguntei, porque ele faria um esconderijo?

—Talvez ela não fosse uma moça muito atraente, ou do nível dele. – O garoto negou.

—Meu tio não liga pra isso, apesar que ele poderia estar com uma inimiga do país. – Ele pensou um pouco. – O que seria bem possível, até porque seria inadmissível e por isso é um mistério.

Evie caminhou por meia Aldeia de Apolo, era a Aldeia mais próxima do castelo, por onde ela passava lhe cumprimentavam, e ela fazia de volta, estava nas nuvens, para os habitantes ela se parecia muito com a Rainha de cabelos brancos que apareceu a muitas luas atrás e foi sequestrada no lugar da Princesa Auterpe; eles se lembravam daquilo porque a partir daquela visita o Rei Perseu convidou algumas pessoas da confiança dele para se juntarem a ele nas refeições, isso incluía algumas pessoas mais conhecidas que foram morar lá, o Rei mantinha um sorriso no rosto, mas, era palpável, por dentro ele estava sofrendo, o porquê? Não sabiam dizer.
A Aldeia de Apolo era enorme, e no meio do caminho Orion se cansou de andar, ele não fazia o caminho a pé, ele tinha um animal para isso. Evie riu.

—Já está cansando?

—Não estamos nem no começo. – Ele se recompôs.

—Porque aqui é dividido em Aldeias? Não é mais fácil todo mundo junto?

—Claro que não, eles arrumam confusão muito fácil, pense aqui como se fosse os condados de Calasir, cada um com uma coisa a adicionar, com suas manias... É tipo as ruas que dividem os comerciantes, não é exclusivamente para dividir, é para ter um controle. – Ele estralou o corpo. – Não estamos longe dos estábulos, quer ver os animais de Saphiral?

—Os cavalos você diz. – Ela ergueu uma sobrancelha; apenas cavalos ficavam em estábulos, claro, Pégasus também.

—Vários animais. – Ele puxou ela pelo pulso com calma e foram em direção ao estábulo.

De longe dava para notar que era imenso, tomava uma boa parte da clareira onde estava, dentro era amplo, parecia um templo, tinham cores alegres e várias fitas coloridas colocadas sobre as pilastras. Evie não viu nenhum Pégasus, viu animais diversos, combinações que ela nunca imaginou ver algum dia; Orion dizia que eram grifos, hipogrifos, quimeras, os animais que tinham ali eram igualmente fofos e únicos da sua maneira, principalmente os grifos. Tinha apenas uma pessoa alimentando os animais. Evie se virou para acariciar o hipogrifos que era a mistura de cavalo e com a cabeça e as asas de uma águia que se curvou para receber a caricia.

—Ah! O futuro Príncipe apareceu! – Uma garota de cabelos e olhos rosa claro estava perto das quimeras, ela deu um sorriso longo para Orion que abriu os braços, foi o movimento mais rápido que Evie conseguiu acompanhar pois em segundos eles estavam no chão, ela deu um passo para trás, ela ficou de boca aberta, Orion tinha uma namorada!

—Sim, eu apareci. – Ele sorriu enquanto ela ajudava ele a se levantar. – Doeu Galateia. – Ela observou Evie de cima a baixo, enquanto Orion deu um beijo na bochecha dela.

—Se o Rei Perseu ver, estamos encrencados. – Ele deu um passo pra trás. – Quem é? Sua irmã? – Não seria incomum em Pardóx crianças terem cabelos e olhos diferentes. – Ela é uma mistura da Rainha Auterpe e do Rei Perseu...

—Obrigada. – Evie disse em um sorriso, era uma confirmação dita que ela.

—Ela é minha prima. – Orion quebrou as expectativas dela. – Filha do irmão do meu pai. – Ele respondeu rápido, Evie revirou os olhos.

—Ela nasceu desse lado? Foi para o outro lado e voltou? – Ela acenou. – Por curiosidade, porque você nasceu desse lado?

—Visita diplomática. – Os olhos da pequena bruxa brilharam.

—Pelos deuses Orion, porque você não diz para o Rei Perseu que ela poderia ficar no lugar da filha perdida dele?

—Você contou a história pra ela também? – Evie perguntou erguendo uma sobrancelha.

—Princesa de Calasir, todos conhecemos essa história! Não é preciso Orion ficar fofocando por aí. – Ela apertou a bochecha do garoto que ficou vermelho e sem jeito. Ela achou engraçada a reação dele, nunca o viu ficar vermelho e se desconcentrado. – Seria tão bom, traria uma paz para o espírito dele. – Orion fez um bico.

—Foi o que eu falei pra ele! – Evie disse animada, e mais ainda porque outra pessoa concordou com ela. – Mas, ele não acha uma boa ideia. – Galateia o olhou sem entender.

—É sério que você não acha uma boa ideia? Só sua mãe pode ter filhos? Seu tio não pode ter? – Ela nem deixou ele falar. – Ninguém viu a criança, e a ideia dela se passar pela filha do Rei Perseu seria magnifico! Treina ela, ensina a ela o que ela tem que fazer para ser uma ótima filha para Perseu e uma ótima Princesa.

—Eu estou tentando fazer isso, mas, ela vale dez trabalhos de Hércules. – Os dois riram.

—Quem é Hércules?

—A gente tem conta a história. – Eles disseram juntos. Evie deu risada, era engraçado.

Enquanto eles caminhavam em direção ao jardim suspenso para conferirem o esconderijo que Orion encontrou Perseu interrompeu os três. Galateia deu um pulo e se afastou de Orion.

—Preciso conversar com vocês dois. – Ele olhou para Evie e Orion que acenaram positivamente. – Galateia quero que avise a Deneb para manter todos os arranjos prontos para refeição e para Mérope sobre as proteções.

—Sim Rei Perseu, com licença, Princesa, Orion. – O garoto deu um sorriso para a bruxa, entretanto olhou para o tio, foi quando ele segurou na mãe de Evie, ele entendia os protocolos dos arranjos.

—(...) – Perseu analisou os dois com calma, podia ver como Orion era protetor com Artemisa, assim como Auterpe era com ele, ele deu um suspiro profundo. – Convoquei os Olimpianos, tive uma reunião. – Ele podia ver a aflição no olhar da filha, foi quando ele se agachou na altura dos dois. – Por autorização de Atena, mesmo que eu quisesse manter vocês aqui, não está seguro e preciso devolve-los aos seus pais.

—Não! – Orion disse incomodado. Evie abraçou ele com medo, enquanto chorava.

—Por favor Rei Perseu, não deixe eu voltar pra lá, por favor, meu pai vai me matar! – Ele acariciou as costas dela.

—Ele não vai te matar. Eu vou com vocês, eu vou ficar lá com vocês. – Evie o olhou surpresa. – Eu não poderia te deixar sozinha sem ter certeza de que você está segura. – Ela não sabia o que dizer. – Eu sei que está feliz aqui, mas, tenho certeza de que estão preocupados com vocês.

—Eu duvido um pouco. – Ela resmungou. Perseu acariciou seu rosto.

—Eu prometo, vai ficar bem. Orion também estará conosco, vai ficar tudo bem. – Ela concordou. – Peguem suas coisas, temos dois animais feridos para levar de volta.

—Vamos de barco? – Orion perguntou.

—Vamos no Atlas. – Antes de Evie dar as costas, Perseu assobiou e uma grande sombra pousou perto dele, um dragão, sim, ela viveu entre dragões, entretanto, ele era diferente, tinha seis patas, estava bem machucado, parecia zangado, mas, era dócil, ela observou por alguns instantes, até que Orion pediu pra ela se apressar.

Quando chegou no quarto, pegou as roupas que havia trago e as colocou de forma desajeitada, não trocou o vestido rosa, estava indo como a futura provavelmente ex filha do Rei de Calasir e futura filha do Rei de Saphiral. Enquanto arrumava os cabelos uma ventania invadiu o local. Ela se assustou quando viu um homem atlético segurando um caduceu a observava.

—Ah!

—Como você cresceu. – Ela ficou em silêncio observando. – A primogênita da Rainha do outro lado se tornou uma bela moça. – Ela deu uma risada sem graça.

—Eu não sou a primogênita, eu sou a segundogênita. – Ele negou.

—Eu sou Hermes. Quando você nasceu, eu apareci primeiro, eu te vi, mas, não te presenteei. – Ele entregou a ela um colar, nele havia um par de asas no centro. – O cara que segurou seu irmão sabe que você nasceu primeiro, o Conselheiro sabe, mas, eles são idiotas demais para admitir.

—Eu sou a primogênita? Você tem certeza? – ele deu uma risada.

—Claro, eu não mentiria. – Ele respirou fundo e em seguida entregou o presente que Hades havia entregado pra ela quando ela nasceu, uma miniatura do Cérbero. – E aliás, se imponha sobre seu direito de primogênita, você merece. – Ele deu um sorriso e sumiu. Evie guardou seus presentes na sua mochila.

Apenas por esse confronto ela estava a afim de ver o seu pai. E se imaginou o que seus irmãos iriam achar quando ela chegasse do lado de um Rei senão mais poderoso que seu pai? Talvez, se ela fosse prestativa Perseu a trouxesse de volta para Saphiral, ela tinha essa esperança, porque com certeza, ela era mais amada do que em Calasir.

Atlas tinha a cor preta com escamas em tom roxo, suas asas eram grandes, porém, estavam feridas e mesmo ferido, ele estava majestoso. O dragão não precisava de cela, não era como se ele fosse fazer uma acrobacia. Assim que os três subiram em cima dele, partiram para Ruphira, eles precisavam levar os animais de volta, Auterpe ajudou a colocar tanto Gameon e Ruphi em tipoias para que Atlas os levasse. A rainha instruiu Orion a pedir perdão pro pai e nem em seus piores pesadelos dizer que caíram em Ruphira. Já para Evie ela pediu pra menina manter a paciência, que aquilo não seria uma despedida, seria um “até breve”. Um breve que Evie não sabia quanto tempo duraria.
Perseu abriu o portal muito facilmente, seu coração começou a pesar em ter que devolver sua filha para o outro lado, mas, antes de tudo precisava conversa com Estela, Auterpe sempre dizia para ele não estragar tudo novamente, e apenas de pensar nisso sentia que poderia consumir o tal amado Reino luxuoso de Estevão em chamas. Quando atravessaram a membrana de volta os olhos de Evie voltaram ao seu verde escuro, porque era isso que os mortais precisavam ver, e claro, para não dar de cara o envolvimento dele com Estela, não era assim que ele queria fazer.

A viagem tomou um rumo de volta muito mais rápido do que a ida, porque além de Perseu conhecer o caminho, ele fez a rota mais rápida e menos estressante para Atlas, e menos angustiante para Perseu que estava se controlando para não agredir ninguém.
Estela, William, Sunny e Navi estavam acabados, era o quinto dia deles sem respostas, de angustias e completamente sem esperança.

—Mãe, não tem mais onde procurarmos. – Eilon disse já irritado, aquelas buscas eram em vão, ele já os deu como mortos nos três dias que sua mãe saiu sozinha, seus irmãos não acompanharam, assim como Estevão que fazia uma busca superficial. Mas, naquela manhã, depois do desjejum todos estavam prontos, contra a sua vontade para ir atrás dos fujões. – Seja lá o que eles fizeram, como Navi disse, eles podem estar mortos. – Evan ouviu Navi dizendo essa possibilidade para William e contou aos irmãos, o coração de Estela apertou e mais lágrimas começaram a cair.

—Não acredito que eles estejam mortos. Não, ainda não.

—Mamãe, você precisa de um sinal que essa possa ser a verdade? – Elisa perguntou segurando em sua mão, ela estava preocupada, mas, eles rodaram o reino todo, casa por casa, sem vestígios, sem pistas, e ninguém queria ir atrás de Deragona sem saber onde ficava.

—Mamãe....

Elora chamou quando viu o enorme dragão se aproximando do covil, na verdade ele pode ser visto de longe voando em direção ao covil, pois, antes de pousar quem estava no castelo começou a acompanhar o animal, ele parecia maior que Jaspe, mas, era porque ele tinha mais pernas, os dragões não reagiram, o que deixou as crianças com medo, eles não iriam proteger seus cavaleiros? Foi quando o coração de Estela parou por alguns segundos, quando o Rei de cabelos brancos desceu do animal antes dele atingir uma altura considerável, pois antes de pousar ele tinha que desamarrar os animais.

—Rainha Estela... – Ele fez uma reverência, ela estava em choque, não conseguia ver Orion e Evie, apenas os animais feridos, o que fez Elisa segurar forte na mão de Eilon, assim como Elora segurou a mão de Ethan. Basicamente era o sinal que Elisa comentou, e quando William chegou ao local junto com os outros caiu em desespero, apenas os animais sobreviveram. Perseu olhou para o lado, se mantinha sério. – William. (...) Rei Estevão. – Este chegou em seguida. – Acredito que esse dragão seja o seu, assim como o Pégasus que eu dei. – Ruphi andava devagar, quase se aguentava em pé e Gameon cambaleava. Todos prenderam a respiração por um tempo. Estela não conseguia olhar para ele, abaixou a cabeça, foi quando o dragão pousou e ele segurou na mão dos dois. – Junto com esses dois. – Todos estavam imóveis. Ele não segurava eles no ombro porque não era uma troca, nem pelo pescoço pois, não era uma ameaça, ele apenas queria devolver.

Antes que ele soltasse completamente a mão de Orion, William o agarrou e o apertou tão forte, ele não conseguia segurar as lágrimas de alivio, o filho estava bem, com arranhões no rosto, mas, estava bem, estava vivo. Já Evie ficou receosa em soltar a mão de Perseu que a segurava com força, ele mantinha o tom sério, Estevão então precisava mostrar que estava preocupado com a filha, mesmo que não estivesse tanto assim, os dias sem ela foram ótimos, tirando os choros, foi ótimo. Ele se aproximou da garota e esticou a mão, ela ficou imóvel e Perseu revirou os olhos discretamente. Mas, quando Estela a puxou para o abraço, Estevão se reuniu a elas. Perseu achou que fosse vomitar, o teatro do Rei era péssimo e patético.
Ele acariciou Atlas por um tempo enquanto observava as crianças de Estela, seu coração afundou no estomago. Eram iguais a mãe, eram uma família bonita, ele precisava admitir e mesmo que seu coração estivesse despedaçado, ele não queria chorar, não queria demonstrar fraqueza, ele era um Rei de cabelos brancos e olhos azuis, que deixou Elora curiosa, e ela se aproximou. Perseu abaixou-se na altura da menina.

—Você tem o cabelo igual o nosso... – Ele concordou.

—E vocês tem os olhos da sua mãe. – Aquela frase doeu de ser dita, porque seus sentimentos começaram a entrar em conflito.

Notas finais
~♥Beijos da Autora♥~