Among Other Kingdoms - Terceira Temporada
5 Capítulo V
—Quem aquele garoto pensa que é? – Eilon entrou no quarto furioso, completamente irritado com a atitude do primo em sugerir um casamento com Elisa. – Nunca deixaria você casar com ele!
—Eu jamais me casaria com ele – Elisa sorriu se aproximando – Nem se ele construísse uma cidade de ouro, o que segundo tio William, é possível – ele estendeu a mão, a qual ela pegou – Já tem seu plano? – eles estavam com as testas encostadas, balançando suavemente de um lado para o outro.
—Ainda não...só confie em mim – Eilon completou mantendo os olhos fechados.
Na manhã seguinte Orion se juntou no grupo que voaria nos dragões, ficando boquiaberta com o tamanho do covil; sua tia estava muito bem vestida com trajes de montaria bem cortados, Elisa e Eilon chegaram de mãos dadas logo depois, aquilo realmente o incomodava, Eilon casaria com Evie, precisava ter o mínimo de respeito, no entanto, estavam perfeitamente vestidos para montar, por último chegaram Ethan e Elora, também de mãos dadas e usando trajes de montaria.
—Seu pai comentou que você gostaria de voar ontem, porém eu estive ocupada – Estela sorriu olhando para o sobrinho – Temos um dragão sem cavaleiro – um dragão roxo se aproximou, parecia feito para a rainha de Ruphira, ou seu herdeiro.
—Qual é o de Evie? – Orion perguntou olhando todas as feras, Ethan riu ruidosamente.
—Nossa irmã prefere aquele cavalo pombo a montar dragões – falou ajudando Elora subir na sela, que os guardas arrumaram antes deles chegarem – Não se preocupe, o cinza claro e o dourado são de Elia e Evan, mas eles não montam ainda – o primo explicou montado o próprio dragão, Vieno se sacudiu.
—Evie não monta dragões – Estela deu de ombros sorrindo, um sorriso de frustração.
Orion montou o dragão roxo, seguindo os primos quando eles saíram da caverna, era um lugar muito grande, teve plena certeza quando sua tia saiu montada no dragão verde, o animal era do tamanho de um navio, nenhum outro era tão grande. Eilon e Elisa voaram lado a lado todo o trajeto, assim como Ethan e Elora, Orion preferiu ficar perto de sua tia, não queria estragar os passeios de casais mais à frente. Ele contemplou Drakoj do alto até que Jaspe gritou, parecia um sinal para retornar, era esse movimento que ele fazia, indo na frente agora. Cinco dragões entraram no covil, Estela percebeu isso quando estava saindo.
—Onde estão Eilon e Elisa? – ela caminhou até a escadaria, não conseguia enxergar nada, era como se eles tivessem desaparecidos.
—Calma, mãe, eles voltam daqui a pouco – Ethan segurou a mão da mãe sorrindo, Orion olhou para o céu e também não obteve sucesso em ver os dois, ignorando isso logo na sequência.
Eles desceram a longa escadaria, Orion um degrau para trás, parando quando viu Evie ao longe, o pegasus trotava ao redor dela suavemente, pastando um pouquinho em cada canto, havia uma macieira por perto também.
—Vamos entrar, Evie – a garota bufou ao ouvir a voz da mãe, ela não precisava a obedecer, os irmãos haviam voado na companhia da mãe por um tempo considerável e ela havia acabado de chamar seu cavalo para passarem um tempo juntos, já que Gameon era sua única companhia.
—Eu acabei de chegar, posso ficar mais um pouco? – a menina perguntou.
—Pode – Estela queria a filha feliz, se Evie achava o pai insuportável do jeito que era, ela não poderia imaginar tudo que a mãe filtrava, Estevão poderia ser muito pior – Mas não se atrase para o almoço!
—Posso ficar com ela, tia? – Orion perguntou sorriu, Estela observou como o garoto conseguia unir William e Auterpe em perfeito equilíbrio.
—Claro – a rainha acariciou o rosto do menino – Lembre-se do compromisso à tarde!
—Tá bom! – Evie gritou em resposta enquanto acariciava Gameon.
Orion observou o trio entrar e sumir no corredor, só então foi até a prima, mantinha um sorriso no rosto, coisa que Evie não tinha, não quando o olhou.
—O que você quer? – foi praticamente um rosnado, Orion ergueu as mãos.
—Companhia – ele se manteve parado – Posso? – apontou para um espaço no chão ao lado dela, Eveline deu de ombros, ele sentou, instantes depois ouviram um barulho de algo voando rápido, os dois olharam para cima, vendo Ronar e Tyrax fugindo um do outro – Eles gostam bastante um do outro.
—Os dragões? – ela estava fazendo uma trança na crina do pegasus, estava meio torta e desencontrada – Quanto maior o vínculo entre os cavaleiros, maior o vínculo dos dragões – disse isso com nojo.
—Faz sentido, eles estão sempre juntos, parecem demônios – Evie deixou uma risada escapar, desmanchou o penteado do animal, detestava ser tão ruim nisso.
—Eilon deve estar querendo servir de jantar para Ronar – ela mantinha um sorriso no rosto, gostava dessa ideia. Evie tentava lembrar quando o ódio entre ela e seu irmão cresceu, suas memórias estavam repletas de momentos com William, quase nunca com seu pai, exceto em evento importantes, quando ela e Elisa sentavam no colo da mãe, pelo menos até elas serem grandes o suficiente para ficarem de pé junto ao rei e a rainha; lembrava do quanto Eilon protegia Elisa no início, sempre dizendo que precisava ser responsável pela caçula e então veio Ethan e o tratamento com a outra não mudou. Vez e outra ele a convidava para algo, como ir aos torneios com o pai, ir em eventos da cidade, mas Eveline sentia que o convite não era completamente verdadeiro, bem como sabia que quando chegasse ao evento todos iriam elogiar a irmã e esquecer dela.
—Por que vai casar com você? – Orion a observou, Evie parecia perdida; assentiu. – Eu comentei algo sobre casamento com Elisa e ele pareceu bem nervoso – outra risada veio da princesa.
—Você pode guardar outro segredo? – Evie estreitou os olhos, Orion assentiu – Eles se beijam, não como o papai beija a mamãe em festas, mas sim, encostam a boca um no outro – muitas vezes ela viu os dois fazendo isso, a primeira vez foi um ano antes, quando o sangue desceu para Elisa, ela entrou no quarto da irmã por algum motivo que não lembrava e encontrou os dois abraçados, beijando de forma delicada, lembrava do jeito que Eilon a olhou e a ameaçou depois.
—Mas ele agora é seu noivo, será seu marido e lhe deve respeito – Evie deu de ombros, não estava incomodada com isso, não se importava com os irmãos, ela seria livre.
O dragão vermelho de Eilon era como uma mancha de sangue no céu, dos filhotes era o maior, o príncipe sempre dizia que sua fera seria do tamanho de Jaspe, forte como ele. O dragão de Elisa era azul, um azul escuro, brilhoso, tinha o tamanho de Jaspe quando Estela o montou pela primeira vez, realmente os dragões dessa geração não cresceram tão rápido quanto os anteriores. O príncipe herdeiro olhou para a irmã, fazendo um sinal para que não seguissem sua mãe, a garota o obedeceu. Voaram lado a lado, acima das nuvens, onde pareciam que sobrevoavam algodão banhado em ouro; quando estavam distantes o suficiente começaram a descer. O destino foi uma das ilhas desertas ao redor de Drakoj.
—Não podemos demorar – Elisa avisou assim que desceu.
—Não vamos, só queria ficar longe daquele garoto – Eilon caminhou até uma árvore, sentando próximo a raiz, a irmã sentou ao lado dele, sendo prontamente acolhida num meio abraço, onde permaneceu até perceber que precisavam ir, voltando para o covil muito rapidamente, guardas já esperavam para retirar as selas dos dragões. Elisa entrelaçou os dedos na mão do irmão quando começaram a descer a escadaria – Será que nossos filhos também montarão dragões?
—Os seus montarão pombos com cascos – ela riu, mas o irmão não retribuiu.
—Não terei filhos com ela – torceu o nariz – Preciso falar com nosso pai sobre isso, antes que seja tarde demais.
—Não seria melhor esperar passar o baile? – eles entraram no jardim, observando Orion e Eveline conversando perto do pegasus – Talvez papai veja outra oportunidade para Evie – Eilon fez uma cara de nojo ao ver a irmã e o primo, ao menos era com Eveline e não com Elisa.
Mandrik repassava o necessário para Estevão, acertando os últimos detalhes do baile.
—Quem diria que há vinte estações éramos dois jovens loucos o suficiente para batalhar pela coroa? – Estevão sorriu para seu companheiro de batalha.
—Pois é, fomos loucos suficientes para isso – Mandrik girou a taça – Fazemos um bom governo – o conselheiro sorriu – Mesmo que você não tenha me ouvido quando disse para matar a rata.
—É, mas daí nunca teríamos os dragões, nem eu teria tantos filhos – Estevão bebericou o vinho observando Eilon e Elisa voando em direção ao covil.
—Mas me diga, por que casar Evie e Eilon quando Elisa seria muito mais fácil? – o cavaleiro achava os dois esquisitos, mas se era para casar irmão com irmão, que fosse com a mais dócil.
—Justamente por isso, eu mando Elisa para qualquer lugar e sei que ela irá se comportar, jamais teria a mesma tranquilidade mandando Eveline para Melon – Estevão sentou pensando em todos seus filhos, se tivesse uma garota a menos, não haveria problemas.
—Se você acha – Mandrik deu de ombros – Eu acho que será um estresse desnecessário casar Eilon com Evie tendo Elisa. – o conselheiro não tinha exatamente afinidade com nenhum dos filhos do amigo, mas precisava admitir que Elisa era mais fácil de controlar e claramente seria uma rainha melhor.
O almoço se aproximava quando uma carruagem parou em frente ao castelo, uma águia esculpida no topo do teto deixava claro qual condado era, Connor já era um senhor agora, seus cabelos totalmente brancos, rugas decorando o rosto, aquela altura ele já tinha sessenta e cinco estações; Joice também já estava com sessenta estações, os cabelos completamente grisalhos, ainda mantinha uma expressão dura no rosto. O conde e a condessa de Interlok desceram, foram recepcionados por Natu, que os guiou até a sala onde o rei conversava com a família.
—Vovô! – Evan gritou correndo em direção ao homem, que o abraçou, Joice parou os olhos sobre o menino de cabelo meio a meio.
—Mamãe, esse é Orion – William sorriu, mal terminou a frase e a mulher já abraçou o menino.
—Você é perfeito! – pousou as mãos nos ombros – Eu fico tão feliz em conhecer você. Pedi tanto para seu pai te trazer – beijou o rosto dele repetidas vezes – Que bom que pode vir. Tenho tanta coisa para descobrir. O que você mais gosta? – os próximos minutos foram de uma lista interminável de perguntas, Joice interrogou o garoto e só depois deixou Connor se aproximar e se apresentar.
Orion achou estranho que todos os primos cumprimentavam apenas o avô, sem se aproximar da avó, no máximo com um aceno, sem sorrisos, nem nada. Eles foram para a mesa assim que Grida avisou que estava tudo pronto, Connor estava em êxtase, enfim toda sua família estava reunida, todos os seus netos. Joice falava sem parar, parecia no paraíso, o único a quem ela se dirigia era Orion e algumas vezes para William.
—Por que vocês não respondem a vovó? – o garoto perguntou ao primo mais velho depois de muitas perguntas sobre o que ele fez desde que chegou – Fizemos muitas coisas juntos. – ela sorriu para ele.
—Porque Joice sempre fez questão de nos lembrar que os filhotes de quem ela chama de cadela não são netos dela – Eilon tinha ódio da avó pelo jeito que a condessa tratava sua mãe, Joice nunca mediu esforços para mostrar o quanto repudiava toda a “prole” que seu primogênito havia colocado dentro do castelo. Joice fuzilou o menino com os olhos.
—Você está sendo mal educado – a condessa controlou-se.
—Não vamos falar de boa educação, Joice – Eilon sorriu, Elisa encolheu-se na cadeira ao lado dele – Você nunca nos deixou esquecer o quanto não gosta de nossa mãe, a rainha – Estevão olhou do filho para a mãe, detestava pensar que o garoto tinha razão, Joice nunca deixou nem o próprio filho esquecer que ela o odiava.
—Garoto, eu sou avó, me respeite! – ela engoliu o grito. – Você me deve respeito, deveria me am...
—Chega, Joice – Estevão a cortou – Trate bem quem você quiser, mas não exija de meu filho algo que você nunca deu para nenhum deles. — a condessa olhou para o filho furiosa antes de voltar a comer. O rei varreu a mesa com os olhos – Onde está Eveline, Estela?
—Ela estava com Orion junto com Gameon – a mulher respondeu, por que a menina tinha que causar tanta confusão? Por que não poderia ser pontual?
—Cheguei! – Evie entrou aos tropeços para dentro da sala, sua roupa estava enlameada, assim como seus cabelos, as únicas partes limpas eram o rosto e as mãos, ela correu até Connor e o beijou no rosto – Desculpe a sujeira, eu cai de Gameon em uma poça de lama – ela encolheu os ombros, Elisa a olhava com repúdio, assim como Eilon e o pai, que se controlou para não causar mais desavenças durante a refeição.
A conversa seguiu até chegar no pegasus de Evie, o que pareceu desconfortável para ela, Orion percebeu.
—Em Pardox tem uma crença envolvendo os pegasus – Joice parecia fascinada com o que o garoto ia contar – Um filhote de pegasus pode levar seu domador até a mãe dele, uma vez com a mãe, você volta para sua família, como se a reunisse. Normalmente são presentes para pessoas que podem se perder. Imagino que seja uma cortesia pela aliança, não que tio Perseu tenha dado com medo de perder Evie – Estela olhou ligeiramente para William, uma olhada rápida, mas com significado. O silêncio reinou por minutos.
—Eu deveria ter cortado as asas daquele bicho e feito travesseiros! – Estevão disse ao entrar no quarto, Estela vinha logo atrás.
—Calma, meu amor – Estela deu dois passos em direção ao marido, que virou bruscamente – Isso não levaria a nada.
—Levaria sim! Eveline não consegue nem chegar limpa ao almoço! – ela se encolheu com o grito – Depois que ela casar, acredito que as coisas irão melhorar.
—Por que casar ela e Eilon? Elisa seria uma companheira melhor para ele – Estela queria dizer que Elisa seria feliz ao lado do marido, não ficaria presa num relacionamento falido, sendo infeliz dia após dia.
—Porque Eveline precisa de rédeas curtas, sendo esposa de Eilon ela seria...
—Infeliz – Estevão a fuzilou com os olhos.
—Infeliz? Ela seria rainha! – ele a segurou pelo braço, a puxando para perto – Ou vai dizer que é infeliz sendo rainha?
—A coroa não vai trazer felicidade ou obediência à ela – Estela respondeu – Pelo contrário, só tornará tudo pior!
—Chega, Estela! Não estou aberto a discussões – ele a jogou contra o sofá, ela o olhou, há anos não tinha explosões assim, Estevão a tratava tão bem depois de Eilon.
—Claro – a voz dela estava suave – Como preferir, querido – ele a olhou, um arrependimento bateu no mesmo instante, o fazendo sentar ao lado dela e a abraçando, beijando a esposa no mesmo momento.
—Desculpe – sussurrou – Eu só quero o melhor para todos. – ela assentiu suavemente.
Os irmãos mais velhos estavam reunidos no quarto de Eilon, obviamente sem a presença de Eveline, Ethan estava deitado na cama olhando para o teto, Elora estava sentada preguiçosamente na poltrona, assim como Elisa estava deitada no chaise. O príncipe herdeiro olhava para o mar, estava pensativo, precisava achar um jeito de fugir do casamento com Eveline, ele se recusava a entrar na igreja com aquela garota, mas não podia fazer isso agora, não na semana da comemoração da tomada de Drakoj; ele vinha pensando em algumas possibilidades, a mais radical era montar Jaspe e fazê-lo consumir Eveline e aquele pombo com cascos, porque uma vez que sua mãe fosse a cavaleira do dragão, ele não atentaria contra o sangue dela; outra que também era loucura seria montar Ronar e Tyrax e voar para Deragona, eles não sabiam onde ficava Deragona exatamente, mas acreditava que os dragões saberiam voltar para casa, o problema seria ficar em uma ilha deserta. Tinha opções mais simples, no entanto poderiam ser menos eficazes, como, por exemplo, pedir ao seu pai para reconsiderar.
—Eles estão brigando – Ethan comentou ao ouvir a discussão que vinha do quarto dos pais.
—Por culpa de quem? – Elora endireitou a cabeça, as discussões dos pais tinham sempre as mesmas pautas.
Orion caminhava pelo corredor, enfim tinha se livrado da avó, seus passos eram suaves, inaudíveis. Ele ouviu um barulho alto vindo do quarto de Eveline e então bateu na porta, a garota abriu tentando esconder o fundo do quarto. Estava uma bagunça.
—Está tudo bem? – o garoto perguntou.
—Sim, está – a menina olhou para o corredor – Entre – Orion obedeceu, a pilha de retalhos do vestido havia sumido, as roupas sujas ocupavam aquele canto agora, uma sacola estava aberta na cama.
—O que está fazendo? – o primo sentou no banco que ficava nos pés da cama.
—Eu tenho que explorar uma caverna, hoje a lua estará perfeita para isso – a menina parecia animada.
—E o baile do seu pai? – Evie murchou, suspirou e se recompôs.
—Ele não se importa comigo, não fará diferença – sorriu.
Orion ficou ali até seu pai o achar e pedir para ele se vestir, foi o momento de fuga para Evie, que desceu pela escadaria escondida no fim do corredor, correndo até o estábulo, contornando os guardas e se esgueirando até o bosque. Naquela noite ela não usaria vestidos apertados.
Elisa terminava de abotoar a roupa de Eilon, alisando o paletó delicadamente, colocou sobre os cabelos brancos dele a coroa que há muito tempo ganhara do rei de Saphiral, era maior que sua coroa do cotidiano, era especialmente para bailes. Ele caminhou até um armário, de onde tirou uma caixa, a irmã olhava com atenção, Eilon tirou a tampa e puxou o adorno de dentro, era uma tiara, mais alta que a usada por Eveline como princesa herdeira, os arabescos eram salpicadas de diamantes e em gotas maiores, eram esmeraldas que decoravam, a do centro era a maior.
—É linda – ela sorriu enquanto ele colocava sobre sua cabeça – Onde conseguiu?
—Mandei fazer – Eilon sorriu e então a girou, a saia do vestido balançou levemente, seu vestido lembrava muito o de sua mãe quando seu pai a escolheu como rainha anos antes, a saia era rodada e toda de tule, o corpete era todo bordado com prata – Você está perfeita – ela sorriu e deu um passo para frente – A mais perfeita – eles selaram os lábios um no outro, a mão de Eilon subiu até a cabeça dela, pressionando levemente contra a sua própria, o beijo deixou de ser selinho quando Elisa deixou a língua dele invadir sua boca.
—Eu amo você – ela sorriu quando se separaram.
—Também amo você – ele acariciou o rosto dela – Darei um jeito de ficarmos juntos – Ethan abriu a porta nesse instante, olhou para os dois.
—Vamos, mamãe está esperando – avisou.
Os quatro foram juntos até o mezanino, Carl estava parado no topo da escadaria anunciando quem chegava, eles conseguiam ver os pais de lá, Estela e Estevão estavam sentados lado a lado, ocupando os tronos de rei e rainha, como Eilon esperava ocupar ao lado de Elisa; Carl arrumou os dois mais velhos, estavam de braços dados, assim como Ethan e Elora.
—Com vocês, suas altezas reais, o príncipe de Drakoj e herdeiro do trono de Calasir, príncipe Eilon e princesa Elisa – a primeira dupla começou descer enquanto o rosto de Estevão ficava enrugado de raiva, a outra dupla se colocou a descer – Suas altezas reais, príncipe Ethan e princesa Elora – os príncipes sorriam e acenavam enquanto desciam a escadaria, indo direto aos pais quando alcançaram o piso. Orion estava junto de seu pai, perto dos tronos.
—Posso estar errado, mas a última vez que contei tínhamos uma princesa a mais – Mandrik olhou para os quatro, que deram de ombros.
—Onde está a irmã de vocês?! – Estevão estreitou os olhos.
—Não a vi – Eilon respondeu.
—Deve estar com Gameon – Elisa respondeu enquanto acariciava o braço do irmão.
—Eu vou fazer travesseiros daquelas penas! – o rei rosnou.
—Meu tio precisa ter mais calma – Orion disse sorrindo – Ela deve estar terminando de se arrumar – o primo sabia que não, mas precisaria fingir que não sabia de nada.
A valsa foi aberta pelos soberanos, Estevão tentava engolir a raiva enquanto dançava com sua esposa, aquela menina estava cada vez mais irremediável, cada vez mais rebelde, precisava dar um jeito nela e logo. Eilon, já que estava sem sua “oficial”, dançou com sua irmã, Elisa olhava para ele completamente apaixonada, era uma menina e ele era um garoto apaixonante.
—Me leve para Dragoi – Elisa havia ido poucas vezes até a ilha onde seu pai construiu outro castelo e um belo templo, não ficava muito longe de Drakoj, mas o suficiente para ficarem em paz. Eilon olhou confuso para a menina – Me faça sua esposa – sussurrou.
—Não, ainda não – ele acariciou seu rosto – Você ainda é muito nova – o sorriso murchou – Quando você completar a próxima estação, falamos disso – Eilon sabia que muitas meninas pobres casavam na idade que sua irmã tinha, mas Elisa não era uma menina pobre e treze anos era muito jovem para isso.
Enquanto a fortaleza estava em festa, Evie explorava a caverna mais e mais fundo, diziam que haviam pedras inestimáveis e de beleza inigualável, mas ninguém entrava ali. Ela iria explorar o máximo que conseguisse.
Quando a manhã começou já não era tão cedo, o desjejum estava servido, Orion sentou ao lado de seu pai, William sentia uma leve dor de cabeça, estava de ressaca, Mandrik parecia cansado, olheiras enormes, Navi estava revigorado, havia aproveitado a noite plenamente, tanto que Leodak nem havia levantado para os acompanhar; Joice estava feliz por ver seu neto, deixava isso bem claro; Estevão chegou em silêncio, cumprimentando baixinho a todos, Estela sentou em seu lugar logo depois dele abrir sua cadeira e beijar sua cabeça. Ethan e Elora chegaram junto com Elisa e Eilon.
—Cadê Eveline? – Estevão ergueu a cabeça, William mordeu o lábio nervoso.
—Estou aqui! – a menina havia acordado tarde, estava coberta de terra, suas calças duras de barro, como sempre chegou atrasada e correndo.
—Onde você estava que não estava no baile? – Estevão a encarou.
—Eu...bom... – ela olhou ao redor, Orion deu uma olhada de coragem para a prima – Eu não quis participar.
—Você não quis participar?! – Estevão gritou – Que porcaria de futura rainha não participa dos bailes?! – a menina sentiu a raiva subir em seu corpo, odiava quando seu pai gritava com ela – Como o povo pode acreditar que a rainha deles se importa se nem a uma festa participa?
—O povo precisa saber que me importo com eles – a voz aumentou – A vida não gira em torno de festas, ouro e pompa! – ela bateu a mão da mesa, fazendo as louças tremerem levemente – Como futura rainha, eu não desejo participar de festas onde preciso andar com roupas apertadas e penteados desconfortáveis.
—Como futura rainha é seu dever fazer isso! – Estevão olhava para ela como se fosse pular em seu pescoço. – Você recebe a mesma educação dos seus irmãos e é tão diferente! – ele bagunçou os cabelos irritado – Para ser rainha, precisa ser como sua mãe!
—E passar o auge da minha vida parindo filhos como uma vaca premiada? – a rainha olhou para a filha com os olhos cheios de lágrimas, doía ouvir alguém falando assim, uma coisa era sua sogra a chamar de cadela, outra era sua própria filha, a quem ela gerou e sofreu para parir, a comparar com uma vaca – Eu não serei como minha mãe, eu serei uma rainha de verdade, não uma reprodutora!
—Olhe como fala da nossa mãe! – Eilon gritou levantando – Você jamais será rainha! Não serve nem para ser princesa!
—Eu serei rainha quando você morrer e te matarei com minhas próprias mãos para deixar de ser esse garotinho mimado e egocêntrico – Evie gritou de volta.
—Chega! – Estevão bateu no tampo da mesa com força suficiente para as taças trepidarem com força, Elisa segurou a mão de Eilon com força enquanto fechava os olhos. Eveline encarou o pai, o que causou uma estranha onda de medo em Estevão, Evie tinha algo diferente, ele sabia, sempre soube, Eveline tinha raiva de ser sempre a errada, sempre a cobrada para ser perfeita.
A princesa saiu da mesma forma que entrou, correndo, Orion até fez menção de levantar, mas seu pai o impediu, William segurou a mão do filho e fez um sinal para que ficasse sentado, Estevão levantou abruptamente, largando os talheres de qualquer jeito no prato, Mandrik o seguiu cegamente pelo corredor, ao menos estava indo na direção contrária de Eveline; Joice olhava para a cena incrédula, jamais acreditou que alguém tão destemida nasceria daquela mosca tonta de rainha; Connor estava mudo, sem reação; Ethan olhava para a mesa com indiferença, mas irritado pela forma que ela falou da mãe deles; Elora estava encolhida na cadeira, detestava brigas; Eilon apertava a glabela enquanto Elisa apertava sua mão. William olhou para Estela, que estava com os olhos cheios de lágrimas, controlando-se para não chorar.
Tudo estava um caos.
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