Amo te odiar

27 Um jantar para casais


Notas iniciais
Olá! Confiram o que acontece em uma ideia de Marcelo. Boa leitura!!!

Um jantar para casais. Essa é a ideia de Marcelo, ele queria reunir os pais, os pais de Malu, seu irmão e sua namorada. Um pequeno detalhe: Marcelo não sabe cozinhar, o máximo que sabe fazer são pratos simples, apenas para ele se alimentar; mas que não serviria para um jantar. Então, teve a ideia de pedir algo em um restaurante. Com seu celular, ele pesquisou e encontrou um, pegou o contato e mandou uma mensagem, explicando o prato que queria e como queria. O atendente do restaurante, que conversava com Marcelo, recebeu o pedido com muita atenção e disse que o prato seria entregue no horário combinado.

Malu mandou uma mensagem para o namorado, perguntando se estava tudo bem com o jantar. Marcelo respondeu que sim, tudo sobre controle e que estava a esperando à noite.

...

Às 18:30, a campainha tocou. Marcelo abriu a porta e teve uma surpresa ao ver o entregador, um rapaz de pele cor de ébano claro, olhos verdes e cabelos loiro escuro, usava boné e uniforme com o emblema do restaurante.

— Não acredito! — Disse o entregador boquiaberto e rindo. — Marcelão?

— João? — Perguntou Marcelo, espantado.

— Cara! Quanto tempo! — João abraçou Marcelo fortemente.

— Quanto tempo mesmo. E aí, o que anda fazendo?

— Eu vim trazer o jantar que pediu, eu sou o dono do restaurante. Não é muito comum o dono fazer as entregas, mas eu gosto de fazer, quero ter contato com os clientes. Se ficam satisfeitos, eles podem recomendar para outras pessoas, assim, o meu restaurante ganha mais clientes. — João levantou a sacola. — Onde posso deixar a encomenda?

— Na cozinha. — Respondeu Marcelo. — Pode entrar, eu te mostro o caminho.

João pediu licença, entrou e foi no caminho indicado por Marcelo, depois, deixou a encomenda sobre a bancada.

— Marcelo, você mora em um belo apartamento. — Disse João, admirado, até retirou o boné que usava. — Devo pensar que tem uma bela carreira.

— Bom, eu sou advogado, tenho meu próprio escritório de advocacia, é uma sociedade entre mim e o Diego. lembra do Diego?

— Lembro. Nós tínhamos outros amigos, mas erámos um trio inseparável.

— Que é dono de restaurante, já sei. Mas e a vida pessoal?

— Está tudo bem. Lembra que eu ficava dando cantadas nas garotas lá na escola?

— Lembro. — Marcelo até falou rindo.

— Então, essa fase já passou. Eu agora estou noivo, vou casar no final do ano. Sou apaixonado pela Brenda, a minha noiva amada. E você deve ser o solteiro mais cobiçado de Belo Horizonte, advogado, bem de vida, estiloso, as mulheres devem cair aos seus pés, continuando a fama de arrasador de corações.

— Se enganou. — Disse Marcelo, rindo. — Isso que disse pode ter acontecido lá trás, agora sou um homem comprometido, estou namorando desde o ano passado. — Marcelo mostrou a aliança prateada no dedo anelar direito.

— Meus parabéns! E quem é a felizarda?

— A Maria Luíza, quer dizer, a Malu.

— Malu? Que estudou com a gente?

— Ela mesma.

— Eu sabia. — João começou a rir de felicidade. — Eu sabia que um dia cês iam ficar juntos. Quando vi vocês dois juntos pela primeira vez, eu tinha a certeza de que eram feitos um para o outro.

— E ficamos. Demorou um tempo, mas nos reencontramos e estamos vivendo esse amor. Aliás é para celebrar esse amor que organizei esse jantar, convidei ela, os pais dela, os meus pais, o meu irmão e a namorada dele.

— Vão jantar agora?

— Não, será mais tarde. É que eu queria algo diferente para o jantar, pois, eu não sei cozinhar direito.

— Devo dizer que fez uma escolha excelente de prato e ele é fácil de esquentar. — João recolou o boné, o ajeitou, se despediu de Marcelo com um abraço. — Foi bom te reencontrar, Marcelo. E espero que goste da comida.

— Também foi bom te reencontrar, João. Parabéns pelo noivado, você e a Brenda serão muito felizes. Pode deixar, assim que o jantar acabar, eu mando uma mensagem, dizendo que achei do prato.

...

Os pais de Marcelo chegaram primeiro. Carla deu um abraço apertado no filho e disse que trouxe alguns croquetes de frango e queijo para o jantar.

— Mamãe! — Exclamou Marcelo. — Agradeço pelos croquetes, mas já tenho o que servir no jantar, não precisava se preocupar. — Marcelo levou os croquetes para a cozinha e os deixou em cima da bancada.

— Eu falei com a sua mãe que ela não precisava se preocupar, que você já tinha tudo sob controle. Mas conhece ela, não é? Teimosa. — Nathan revirou os olhos e riu. — Insistiu em fazer os croquetes, fez e trouxe.

— Engraçadinhos. — Carla riu de forma irônica. — Eu sei que o Marcelo já tem tudo sob controle para o jantar, os croquetes serão para degustarmos antes do jantar, enquanto conversamos.

— Ah, entendi. — Disse Marcelo, arqueando as sobrancelhas. — E o Fernando? Por que não veio com vocês?

— Ele vem depois. Aliás, deve estar quase chegando, só foi buscar a Tati. — Respondeu Nathan.

Alguns minutos depois, a campainha tocou.

— Oh, deve ser ele. — Disse Nathan.

Marcelo abriu a porta e cumprimentou Fernando com um abraço, fez o mesmo com Tati. Em seguida, os três entraram no apartamento.

— Boa noite, sogro! — Tati abraçou o pai do seu namorado.

— Boa noite, Tati! — Respondeu Nathan.

— Boa noite, sogra! — Tati cumprimentou Carla, que colocava o pote com os croquetes no forno elétrico para aquecer.

— Boa noite, Tati! — Respondeu Carla, indo em direção de Tati para a abraçar.

— Então, Marcelo. Onde está a minha cunhada? — Perguntou Fernando.

— A Malu chegará depois, ela virá junto com os pais dela. — Respondeu Marcelo.

— Você e seu sogro se dão bem, Marcelo? — Fernando deu uma leve cutucada no irmão.

— Fernando! Isso é pergunta que se faça? — Esbravejou Carla.

— Desculpa, mãe. É que o Marcelo me disse que estava com receio de conhecer o sogro dele, tava até com medo. — Fernando recebeu um tapa no ombro de Marcelo. — Aliás, ocê num contô como foi o jantar na casa dos pais da Maria Luíza.

— Acabei me esquecendo de falar, me desculpem. — Disse Marcelo. — Mas só para o Fernando parar de gracinha, eu vou dizer. Foi tudo muito bem, a dona Ângela me recebeu muito bem. E o senhor Lucas, confesso que de início tive medo de o conhecer, mas depois percebi que ele é uma boa pessoa, e era só paranoia minha. O jantar foi excelente e correu tudo bem.

— Não liga não, Marcelo. Fernando fez essa gracinha com você, mas quando foi a vez dele de conhecer os meus pais, ele ficou tremendo de medo, até gaguejou. — Disse Tati, provocando o namorado.

— Tati, eu fiz pior. Eu fui falar e inverti a ordem de tudo o que eu ia dizer, ficou parecendo que eu estava mais interessado na casa deles, do que na Malu.

Marcelo interrompeu a conversa para atender o interfone que tocou, era o porteiro avisando que Malu chegou com mais duas pessoas, e que já estavam subindo. Pouco tempo depois, a campainha tocou, Marcelo abriu a porta e recebeu Malu com um beijo e depois, cumprimentou Ângela e Lucas.

— Boa noite a todos. — Disse Malu, enquanto entrava. — Seu Nathan, dona Carla, esses são os meus pais, Ângela e Lucas.

— Olá, Carla. — Disse Ângela, a abraçando. — Olá, Nathan. — Ângela fez o mesmo. — É um prazer conhecer vocês. Este é o meu marido, Lucas.

— Tudo bem? — Lucas cumprimentou os dois com um aperto de mão.

— Está sim. — Respondeu Carla. — Se me lembro bem, nós vimos uma vez, Ângela, quando a Maria Luíza e o Marcelo estudavam juntos.

— Sim, eu lembro. — Disse Ângela. — Foi no mesmo dia em que a Malu me contou que havia dado o primeiro beijo.

— O Marcelo me contou também.

— Não me canso de dizer o quanto admiro a boa memória da Carla. — Nathan envolveu o ombro da esposa em um abraço.

— Ângela também tem uma boa memória. — Lucas fez um carinho no rosto da esposa. — Temos esposas maravilhosas.

Nathan e Lucas receberam um beijo carinhoso de Carla e Ângela. Os quatro conversavam amistosamente, enquanto eles falavam de diversos assuntos, inclusive sobre futebol, elas falavam sobre seus maridos, seus filhos e outros assuntos que interessam a uma mulher. Do outro lado, Malu, Marcelo, Fernando e Tati, também conversavam. Malu foi pegar mais um croquete de frango e percebeu em como os seus pais estavam se divertindo com os pais de Marcelo. Ela sorriu, se aproximou de Marcelo e disse:

— Nossos pais estão se divertindo juntos. — Disse Malu. — Foi uma excelente ideia esse jantar.

Marcelo viu a cena dos pais e Ângela rindo com o que Lucas contava, ele também ficou contente e recebeu um beijo no rosto de Malu.

— Mãe, os croquetes estavam deliciosos. Mas agora, vamos ao que realmente interessa, o jantar. — Disse Marcelo. — Vou colocar o prato para esquentar. Malu você me ajuda?

— Claro. — Respondeu Malu.

Ângela, Lucas, Fernando, Tati, Nathan e Carla se sentaram na nessa de jantar, enquanto Marcelo e Malu colocavam o prato para esquentar.

— Ah, Malu. Quase esqueço de te contar. — Começou Marcelo. — sabe que pedi esse prato em um restaurante.

— Sei. — Disse Malu.

— Pois é, cê num vai acreditar quem é o dono do restaurante.

— Quem?

— O João. Lembra dele?

— João? Que estudou com a gente?

— Ele mesmo. Até eu fiquei impressionado quando o vi. Ele é o dono do restaurante e ele mesmo trouxe o prato.

— Nossa! E ele como está?

— Muito bem. Além de dono de restaurante, ele está noivo e vai casar no final do ano. Mas o jeito brincalhão continua o mesmo.

— Tanto tempo que não ouço falar no João. — Disse Malu, impressionada. — Parece até destino, você pedir o jantar no mesmo restaurante de um antigo amigo seu.

— O João ficou muito feliz em saber que estamos namorando. Ele disse que sabia, desde o dia em que nos encontramos, que iriamos namorar. E te mandou um abraço.

— Quando o encontrar, mande um abraço meu para ele.

...

Enquanto jantavam, a conversa continuava.

— Esse frango ao molho pardo está uma delícia. — Disse Ângela. — Foi você quem fez, Marcelo?

— Dona Ângela, preciso ser sincero. Não possuo o talento para a cozinha, o máximo que fiz foi o arroz. Então, pedi o frango ao molho pardo em um restaurante. — Respondeu Marcelo. — E tive uma surpresa, o restaurante pertence a um antigo amigo meu da época de escola.

— Quem? — Perguntou Carla.

— O João. Lembra dele, mãe?

— Ah sim, me lembro. Ele era cheio das brincadeiras, mas era um bom garoto.

— Ele encontrou o amor e vai casar.

— O João? Casar? Pelo que me lembro dele, não tinha jeito de quem, um dia, iria se casar. — Disse Fernando, enquanto dava uma garfada.

— Acredite, irmão. O João mudou, encontrou o amor e vai se casar. Foi ele mesmo quem me disse. — Respondeu Marcelo, com firmeza.

Nathan pediu a palavra.

— Marcelo e Fernando. Tenho um comunicado para fazer a vocês. — O tom de voz de Nathan, chamou a atenção dos filhos. — O meu aniversário de casamento com a mãe de vocês está chegando. E dessa vez, nós não vamos fazer uma festa.

— Como assim? — Disseram Marcelo e Fernando, juntos. Malu e Tati apenas observavam os namorados.

— Foi uma decisão nossa, esse ano não vamos querer festa. Estamos querendo fazer uma viagem, só eu e o pai de vocês. — Respondeu Carla.

— Ah, Marcelo. Então, deve acontecer aquele negócio que falei com você aquele dia. — Disse Fernando, com um leve sorrisinho.

— Do que estão falando? — Nathan quis saber.

Fernando e Marcelo ficaram mudos e vermelhos na hora. Para acabar com o silêncio constrangedor, o namorado de Malu disse:

— Que, se conhecemos bem, vocês vão viajar para Porto Seguro. É o lugar preferido de vocês. — Marcelo falou, ainda que estivesse sem jeito.

— E como sabem que queremos ir para lá, se estamos comunicando só agora a nossa decisão de ir viajar? — Perguntou Carla.

Marcelo cutucou Fernando, dizendo baixinho: “Você começou, você termina”.

— E realmente conhecemos bem vocês. — Disse Fernando. — Antes mesmo de terem a ideia, eu e Marcelo conversamos sobre viajarem para comemorar o aniversário de casamento de vocês. E também como o Marcelo falou, Porto Seguro é o lugar preferido de vocês.

— Hm, sei. — Disseram Nathan e Carla.

— Uma viagem foge da tradicional festa, é uma ótima ideia. — Disse Malu. — Mês que vem, meus pais vão comemorar o aniversário deles.

— É mesmo? E como planejam fazer isso? — Perguntou Carla.

— Ah, com uma comemoração simples entre a minha família e do Lucas. — Respondeu Ângela.

— A ideia é fazer uma comemoração simples. Pois, antes teríamos um baile, em que eu e Ângela valsaríamos. Mas ficou de lado, pois, — Lucas ajeitou os óculos e disse, de forma tímida. — Eu não sei dançar.

— E eu também não levo jeito para a dança. — Disse Ângela.

— Eu posso ensinar vocês. — Tati se manifestou. — Sou professora de dança e tenho meu próprio estúdio.

— É verdade, Tati é uma excelente professora. — Disse Fernando. — Eu mesmo era um pé de chumbo, não sabia dar um passo direito, só ficava mexendo de um lado para o outro. Conheci a Tati e ela me ensinou e também foi assim que me apaixonei por ela.

— Oh, Nando. Você é um fofo. — Tati deu um beijo no namorado. — Então, Ângela e Lucas quando quiserem, podem falar comigo para marcamos as aulas. Fernando pode passar o meu contato para vocês ou a Malu pode me passar os seus.

— Eu te passo os contatos, Tati. — Disse Malu. — Assim que eles resolverem, eu te passo.

— Agradeço pela ajuda. — Disse Lucas.

...

O jantar terminou, todos acharam a comida deliciosa, Marcelo disse que repassaria os elogios para o dono do restaurante (no caso, João). Como Malu disse, foi uma excelente ideia o jantar, conversaram, riram, os pais interagiram, se deram bem e degustaram de uma comida deliciosa. A noite perfeita para aqueles que, agora, são parte de uma só família.


Notas finais
Posso dizer, é depois de cinco anos, Amo te Odiar está, finalmente, acabando. Faltam poucos capítulos para terminar.