Amo te odiar

22 Um amor que vai além da adolescência


Notas iniciais
Olá! Depois de muito tempo sumida ( tive até que voltar a logar na minha conta,kkkk) voltei. E trazendo um capítulo muito especial. Demorei, mas finalmente terminei de escrever. Boa leitura!!

Mensagens trocadas, sorrisos do outro lado da tela, fotos curtidas e comentadas. A amizade entre Marcelo e Malu começou assim, ou melhor, recomeçou, depois de tantos anos longe um do outro, eles se reconectaram. Tem dias que Malu se pega pensando em Marcelo e solta alguns suspiros, o mesmo acontece com ele. Sempre que podem, se encontram nos finais de semana, se divertem, dão risadas como bons amigos, algumas fotos são tiradas, Marcelo passa alguns minutos as admirando e tendo alguns pensamentos românticos, como gosta de estar ao lado dela, como Malu o faz se sentir bem, o diverte, o faz feliz, como gostaria de a ter como namorada. Ele arregalou os olhos. Um novo pensamento, um pensamento que alegrou o seu coração, o amor tomou conta de Marcelo novamente e ele só pensa em Malu e quer tê-la por perto.

Entre tantos papéis, processos e outras funções de seu trabalho, Marcelo encontrou um intervalo e mandou uma mensagem para ela marcando um encontro, Malu só respondeu quando anoiteceu, pediu desculpas pela demora em responder, pois, estava bem atarefada na redação e não teve tempo de responder à mensagem, e disse que aceitava o encontro, apenas mudou o horário. A resposta de Malu fez o coração de Marcelo dar pulos de alegria, ele se despediu dela e após deixar o celular em algum canto da mesa, se decidiu: iria se declarar, já começava a planejar como iria fazer. Mas aí bateu a insegurança, e se ela não correspondesse o amor dele? E se ela ficar brava e nunca mais falar com ele? E se...claro que Marcelo estava com medo de se machucar, mas ele resolveu seguir o conselho do pai, enfrentar as inseguranças, os medos e se declarar. Marcelo quer ser feliz com um novo amor e vai buscar isso.

...

O relógio marcava 18 horas. Marcelo se arrumava, a tradicional calça jeans, camisa polo branca com listras grossas azuis na manga e tênis. Enquanto ajeitava a gola da camisa, penteava os cabelos e se perfumava, ele ensaiava como iria se declarar.

— Malu, os nossos reencontros eram um sinal do amor. Tínhamos que nos reencontrar, reiniciar a nossa amizade...meleca! Tá formal demais. Que tal assim: Malu a nossa amizade se tornou algo maior. Adoro ser seu amigo, mas... também não está bom, ela vai pensar que não quero a amizade dela. — Marcelo atirou o pente na bancada da pia do banheiro, caindo diretamente no pote, encaixe perfeito. Foi então que as palavras certas surgiram na mente de Marcelo. Ele se empolgou, terminou de se arrumar e partiu para encontrar Malu.

...

No carro, Marcelo revisava o plano. Primeiro: o jantar no restaurante e conversar sobre qualquer assunto. Segundo: Ir até uma praça, se declarar, com as palavras que estão em sua cabeça e dar um beijo apaixonado sob o céu estrelado. Será a noite perfeita. Marcelo parou em frente ao prédio onde Malu mora e mandou uma mensagem para ela, dizendo que a estava aguardando.

...

No apartamento, Malu terminava de se arrumar, o celular dela vibrou e Mariana disse:

— Malu! O Marcelo acaba de te mandar mensagem, deve ter chegado. Tá pronta?

— Nossa! Não imaginei que ele chegaria tão rápido. — Disse Malu, espantada.

— Amiga, homens sempre se arrumam primeiro do que nós, mulheres. É quase que um mistério descobrir como eles se arrumam em segundos e ficam ainda mais lindos.

— É que eles não passam o que nós passamos para se arrumar, Mari. Para eles é simples, é só banho, roupa, uma ajeitada no cabelo, perfume e pronto. Agora, nós não. Temos que escolher a roupa perfeita, arrumar o cabelo, se maquiar, escolher um sapato que combine com tudo, se perfumar, escolher os acessórios que combinem com a roupa...enfim, tudo para que fiquemos lindas. — Disse Malu ajeitando o seu vestido. — Como estou?

— Está linda, como sempre. — Disse Mariana. — Provavelmente, eu estarei dormido quando você voltar, mas estarei ansiosa para saber todos os detalhes amanhã de manhã.

— Será apenas um jantar, Mariana. Não vai acontecer mais nada, aliás, eu e Marcelo não temos muita intimidade para irmos além de uma amizade.

— Mas bem que você queria ir além, não é?

— Confesso que algumas vezes, penso em ir um pouco além com o Marcelo. — As bochechas de Malu ficaram vermelhas.

— Então, não vou mais te atrasar. Pode ir para o seu encontro e aproveite bastante.

— Quer me acompanhar até a portaria? Assim você conhece o Marcelo.

— Claro que sim.

...

Os dedos batendo de forma ritmada no volante demonstravam que Marcelo já estava um pouco impaciente com a demora de Malu, na verdade, ele estava bem ansioso para encontrá-la. Pensou em mandar uma mensagem para ela, mas não foi preciso, Malu apareceu saindo do prédio e Marcelo ficou encantado com ela, vestida com vestido vermelho com flores brancas e saia rodada, sandálias com detalhes brilhantes, maquiagem, o cabelo cacheado estava solto e se movimentava enquanto ela andava.

— Malu...que homem é esse. — Disse Mariana, impressionada ao ver Marcelo.

— Esse é o Marcelo. — Disse Malu, sorrindo. — Até mais tarde, Mari.

— É mais bonito que eu imaginava. Excelente encontro, Malu. Aproveite!

Malu entrou no carro de Marcelo, ela pediu desculpas pelo atraso, mas demorou para se arrumar e perdeu a noção do tempo conversando com Mariana.

— Está tudo bem, Maria Luíza e devo dizer que esse atraso valeu a pena, você está linda. — Disse Marcelo, sorrindo.

Malu agradeceu um pouco tímida, depois eles partiram para o restaurante.

...

A noite estava perfeita e tudo iria sair como Marcelo planejou, mas quando se trata de momentos românticos entre Marcelo e Malu, nada sai como o planejado. Quando estavam a caminho do restaurante, o carro começou a falhar, até parar.

— Não, você não vai fazer isso comigo, não é companheiro? — Perguntava Marcelo, enquanto tentava ligar o carro. — Maria Luíza, espere aqui, vou ver qual é o problema.

Marcelo saiu do carro, abriu a dianteira para ver o que tinha acontecido.

— Vamos ver, vamos ver. Qual é o seu problema. — Dizia Marcelo, com um ar de apreensivo.

No final das contas, o problema estava no motor, que havia perdido força.

— Meleca! Tinha que dar defeito justamente hoje? — Marcelo soltou um longo suspiro. — Mudança de planos. O Restaurante vai ter que esperar.

Ele fechou a dianteira e voltou para dentro do carro. Conversou com Malu, explicou o que estava acontecendo e que o encontro deles sofreu uma pequena alteração, pois, precisaria levar o carro até uma oficina. Mas não sabia, se teria uma por perto e principalmente, se estaria aberta.

— Passamos por uma a poucos minutos. — Disse Malu. — Estava aberta e não fica muito longe daqui.

— Ótimo! — Exclamou Marcelo. — Mas como vamos levar o carro até lá? O motor deu defeito e o carro morreu. Acho melhor eu ligar para um guincho e pedir para buscar. E eu pensando que essa noite seria tranquila.

—Vamos empurrando o carro até lá, uai.

— Empurrar?

— É. Como eu disse, a oficina não fica muito longe daqui, Dá para irmos empurrando o carro. Quando a gente chegar lá, ocê explica o que aconteceu. Calma, Marcelo. Dará tudo certo.

Malu fez um carinho no ombro dele. Marcelo, gostou do carinho recebido.

Os dois saíram do carro e começaram a empurrar. Faziam um grande esforço e a todo momento, ele perguntava se ela estava bem e Malu respondia que sim.

Estavam quase chegando, quando de repente caiu uma forte chuva, Marcelo parou de empurrar e começou a se lamentar:

— Ah não! É sério, isso? Primeiro o carro quebra e agora chuva? Eu sou muito azarado. Era para ser a noite perfeita, estava tudo planejado. Eu iria me declarar, tudo iria ser maravilhoso. Mas como sempre o azar me ronda, nem no restaurante conseguimos chegar. Eu estou enxarcado e ainda te fiz ficar enxarcada, Malu. Me desculpe, você estava tão linda e agora, está assim por culpa minha. Deu tudo errado! — Marcelo chutou a roda do carro.

Malu olhava espantada para Marcelo, ele planejou uma noite romântica com ela, mas não deu certo. E o principal, ele iria se declarar para ela. Significa que a ama, mais do que isso, seria um amor correspondido, pois, ela também o ama. Ela se aproximou dele e perguntou:

— Você ia se declarar para mim?

— Sim. Eu ia dizer, olhando nos seus olhos que você trouxe o amor de volta para o meu coração, me fez acreditar novamente que é possível se apaixonar e ser feliz. Malu, eu quero te ter sempre perto de mim, estar do seu lado nos momentos tristes, difíceis e até nos alegres. Quero estar com você a cada segundo. Você é o encaixe perfeito da minha vida. Eu te amo. — Marcelo soltou um longo suspiro. — Iria te dizer tudo isso, mas nada saiu como o planejado.

Os pingos de chuvas escorriam pelo rosto de Malu, ela ficou emocionada com a declaração de Marcelo, escutou o que o seu coração queria ouvir.

— Não precisava de restaurante nenhum para se declarar, fazer mil planos. Só precisava deixar o seu coração falar. — Disse Malu sorrindo. — Tudo o que disse eu também quero viver com você. Tentei me enganar, esconder meus sentimentos, mas desde o instante em te reencontrei, o amor renasceu em mim, cresceu a cada dia, e quando me dei conta, já estava completamente apaixonada por você. Eu te amo, Marcelo.

Os dois se aproximaram ainda mais e, sob a chuva, se beijaram. Um beijo de amor, um beijo que ficou guardado por 13 anos finalmente aconteceu. Marcelo e Malu finalmente estavam juntos. E dessa vez, não ouve aparelhos se enroscando. Um amor que vai além da adolescência. Não aconteceu como Marcelo tinha planejado, foi muito melhor. Após o beijo, sorriram um para o outro.

— Eu acho que depois das declarações e desse beijo, é o melhor momento para te perguntar. — Marcelo respirou fundo. — Maria Luiza, você quer namorar comigo?

— Nunca pensei que ouviria essa pergunta, mas para a minha surpresa ela chegou. E a resposta está pronta a muito tempo: É sim. Eu aceito ser a sua namorada.

Marcelo e Malu se preparavam para mais um beijo, quando ouviram alguém gritar de longe:

— Ô, cês tão precisando de ajuda?

Os dois olharam para o homem, era o dono da oficina.

— Sim. — Disse Marcelo. — O meu carro deu defeito e não quer ligar. Já estávamos a caminho da sua oficina.

Nossinhora! Vou mandar um guincho pegar o carro docês e assim tiro ocês da chuva. Coitados! Não merecem ficar nessa chuva não, sô. Podem vir aqui, que o guincho já já recolhe o carro. Enquanto isso, cês fica aqui protegido da chuva.

Marcelo agradeceu. Ele e Malu foram para a oficina, enquanto o dono pedia para um dos seus colegas buscar o carro com o guincho. Ele mesmo ofereceu toalhas para Malu e Marcelo se secarem, eles ficaram muito agradecidos pelas toalhas e pelo abrigo.

— Tem uns lanches aqui, se ocês quiserem. É, desculpa perguntar — O dono da oficina coçou a cabeça. — Mas, ocês são namorados?

Marcelo e Malu olharam um para o outro sorrindo, então, ela respondeu:

— Sim, nós somos namorados.

Marcelo estava dando pulos de alegria por dentro, mas se conteve, apenas continuou sorrindo para Malu.

Depois de algum tempo, enquanto o carro de Marcelo era consertado, os dois estavam saboreando um crepe de frango e tomando um refrigerante, ao mesmo tempo que conversavam.

— Esse foi o melhor encontro romântico da minha vida. — Disse Malu.

— É sério? — Perguntou Marcelo, espantado.

— É. O passeio interrompido, sua preocupação comigo, a chuva, você se declarando de forma espontânea, o nosso beijo, as nossas conversas, esse lanche delicioso. Tudo maravilhoso.

— Eu havia planejado uma noite especial, um jantar em um restaurante, conversas, depois um passeio no parque e lá eu ia me declarar. Mas como percebeu, nada saiu como planejei. Estou impressionado que tenha achado o nosso “encontro desastrado” maravilhoso.

— Eu achei maravilhoso. Nosso romance é assim, Marcelo, imprevistos e trapalhadas o tornam mais especial, desde a nossa adolescência.

— Essa será uma história para contarmos para nossos filhos e netos.

— Filhos e netos? Acaba de me pedir em namoro e já está me pedindo em casamento, Marcelo?

— Não, não é isso, é que... Meleca. É que essa ideia surgiu na minha cabeça.

— Até que não é má ideia. Mas vamos com calma, primeiro vamos curtir o nosso namoro. E eu sempre achei você falando “meleca” uma graça.

Marcelo sorriu e deu mais um beijo em Malu.

Um mecânico chamou por Marcelo e disse que o carro estava consertado, o fazendo se sentir aliviado. Ele agradeceu a todos pela ajuda, pelo conserto, pelo abrigo e pelo lanche, enquanto, junto com Malu, entrava no carro. Agradeceu, principalmente, ao dono da oficina, que se chamava Felipe. Felipe ficou contente e desejou um bom resto de noite para Marcelo e Malu.

...

Ao chegar em frente ao prédio onde Malu mora, Marcelo se despediu dela com um beijo.

— Obrigada pela noite. Até o nosso próximo encontro, namorado. — Disse Malu, fazendo um carinho no rosto dele.

— Até o nosso próximo encontro, namorada. — Respondeu Marcelo. — Espero que o próximo seja mais tranquilo.

— Eu também.

Os dois riram. Malu saiu do carro e se despediu de Marcelo, mandando um beijo, sendo retribuído com outro.

...

Malu entrou em seu apartamento e se encostou na porta, sorridente e nas nuvens só pensando em Marcelo.

— Como foi o encontro Malu? — Perguntou Mariana. Ela havia se levantando para beber água, ainda estava com um pouco de sono, notava-se pelas repetidas vezes em que esfregou os olhos.

— Mari...Mari... Mari... Mari... — Dizia Malu, sorrindo, enquanto dava pequenos pulos de empolgação com Mariana. — Tive o melhor encontro da minha vida e o detalhe mais especial...o Marcelo me pediu em namoro e estamos namorando.

— ÉGUA! Já pode me contando todos os detalhes.

Malu começou a contar sobre a sua noite. Enquanto isso, ao chegar no seu apartamento, Marcelo se jogou na cama, sorrindo de felicidade e relembrando cada momento do encontro. Seguiu o conselho de seu pai, tentou e deu certo. Que bom que seguiu esse conselho. Está namorando, apaixonado, amando novamente e o principal, se sente feliz. Se lembrou que tem que agradecer ao seu pai depois. Não foi do jeito que ele planejou, mas foi perfeito do mesmo jeito. Agora, ele vai dormir com Malu em seus pensamentos e um sorriso incontido nos lábios.


Notas finais
Só para deixar claro, docês e ocês não estão escritos errados, é uma forma de falar aqui em Minas. Deixe um comentário dizendo o que achou do capítulo. Beijos ;*