Amo te odiar
2 O primeiro dia
Notas iniciais
O despertador tocou às 6 horas da manhã, Malu levantou de imediato, mesmo que sua vontade fosse de ficar na cama e dormir mais algumas horas. Ela lavou o rosto, a água fria era um ótimo despertador, fazendo-a soltar um ‘ui!’, quando o líquido frio tocou seu rosto. Penteou o seu cabelo, Malu adorava os seus cachinhos pretos e cuidava deles com todo o carinho. A roupa foi bem fácil, ela já tinha uma ideia em mente, foi até o seu guarda roupa, pegou uma regatinha lilás e um macacão jeans branco.
— Maria Luíza, já acordou? – Perguntou a mãe a chamando da sala.
— Sim mãe, estou acabando de me vestir. – Disse Maria Luíza. — Já estou descendo.
Ela calçou o tênis e desceu as escadas. Ao ver a filha, Ângela lhe fez um elogio.
— Malu, você está linda filha. Hm, acho que vai arrasar uns corações.
— Que isso mãe! – A bochecha de Malu ruborizou. — É só uma roupa como qualquer outra.
— Está bem então. Aqui está o seu café com leite, tome enquanto eu preparo o carro.
Enquanto a mãe preparava o carro, Malu aproveitou para dar mais uma conferida em seu material, cadernos estavam ok, bolsinha de lápis ok, carteira com dinheiro estava na mochila, um último gole no leite e direto para o banheiro escovar os dentes e passar um batom clarinho, pois, segundo ela “nada como um batom para realçar o sorriso de uma garota” principalmente de uma garota prestes a fazer 14 anos.
— Pronta, Malu? – Perguntou a mãe esperando em pé na porta.
— Pronta, mamãe. Já podemos ir. – Respondeu Malu com toda a segurança do mundo.
...
Ao chegar em frente à escola, Ângela parou o carro.
— Então, Malu. Aproveite seu primeiro dia de aula, converse, interaja com os outros alunos, seja uma boa menina. – Disse Ângela.
— Está bem, mãe. Beijos, até a tarde. – Disse Malu dando um beijo no rosto da mãe e abrindo a porta do carro.
Assim que a mãe foi embora, Malu ajeitou a mochila nas costas, respirou fundo e entrou no colégio. De longe avistou uma garota de cabelos pretos lisos e óculos acenando sorridente para ela, era Cecília. Assim que se encontraram, as duas se abraçaram.
— Malu, eu tô tão feliz de te ver por aqui. – Disse Cecília.
— Eu também Cecília, pelo menos não irei ficar tão sozinha em uma escola nova. – Disse Malu.
As duas conversavam, atualizavam as fofocas, riam, Cecília contava com empolgação como as eram as coisas no colégio novo, ela era uma garota bem extrovertida, com o seu jeito divertido conquistou a amizade de muitos alunos. Malu olhava para Cecília e pensava “queria ser assim também, mais solta, mais divertida”. Ela é muito tímida e custa a fazer amizades, mas, quando faz, a amizade tornasse verdadeira e para sempre. Cecília notou que uma menina loirinha de óculos se aproximava.
— Oi, Fernanda! – Acenou Cecília.
— Oi, Cecília, não vai me apresentar a sua amiga? – Perguntou Fernanda.
— Desculpe, sou meio esquecida. Fernanda, essa é a Maria Luíza.
— Oi, Maria Luíza, prazer em te conhecer.
— Oi Fernanda, também é um prazer conhecer você. Para não ficar formal demais me chamando só de Maria Luíza, você pode me chamar de Malu, isso claro se você quiser, fique à vontade para me chamar por qualquer nome. – Disse Malu.
— Tudo bem, Malu. Também acho melhor te chamar pelo apelido, Malu é um nome bem legal.
— Eu já tenho um apelido, mesmo a Fernanda continuando me chamando de Cecília, a Melissa me chama de Ceci. Por falar na Melissa, onde ela está? – Perguntou Cecília.
— Ela deve ter ido ao banheiro retocar o gloss. Melissa é bem vaidosa. – Respondeu Fernanda.
De repente uma garota negra, de cabelo castanho e várias tranças, saiu do banheiro. Andava em direção as garotas, Melissa, na verdade, desfilava pelo pátio do colégio. Malu a viu e logo pensou “deve ser metidinha, parece ter o nariz empinado, mas, vou tentar ser legal com ela. ”
— Fê, pensei que iria ao banheiro comigo. Fiquei mais de uma hora lá te esperando e você não apareceu, eu não ia ficar lá plantada esperando você aparecer e fui embora. – Melissa falava em quanto fazia uma pose. A fala dela só confirmou a primeira impressão de Malu, é metida.
Desculpa, Melissa. Eu ia te encontrar no banheiro, mas, acabei encontrando a Cecília e fomos conversando, acabei esquecendo. Ela estava me apresentando a Maria Luíza. – Se explicou Fernanda.
— Hm, tá! Oi, Ceci. – Melissa olhou Malu de cima a baixo. — E você deve ser a Maria Luíza, adorei a sua roupa.
— Sou sim, pode me chamar de Malu, é um prazer te conhecer Melissa. – Malu foi bem simpática com a garota. — Obrigada pelo elogio.
— Malu, que graça de apelido. É um prazer te conhecer e pode me chamar de Mel, a Ceci já está se acostumando a me chamar assim.
— Com certeza, Mel. – Respondeu Cecília com um sorriso. — A Malu pode parecer quietinha, mas, ela é bem legal e adora conversar.
A conversa entre as garotas fluía quando João chegou, é um garoto animado, conversa e brinca com todo mundo e tem uma certa queda por Melissa.
— Bom dia minha doce Melissa, dormiu bem? Sonhou comigo? – Perguntou João fazendo uma cara de apaixonado.
— Bom dia João, duas respostas: sim e não. – Disse Melissa com certo desdém. — Quando você vai se tocar que eu e você não teremos nada? Desgruda de mim chiclete.
— Um dia esse garoto de pele cor de ébano claro e olhos verdes aqui vai cansar de correr atrás de você e você vai perceber que está perdendo um pretendente e então... será tarde.
Fernanda, Cecília e Malu riam da cena, João notou a aluna nova e a cumprimentou com um galanteio.
— Olá bela dama, como a senhorita se chama? – Perguntou João ao beijar a mão de Malu.
— Maria Luíza. – Malu não conseguia segurar o riso. – É um prazer conhece-lo, João.
— Igualmente. Nossa, você é tão linda. Cuidado Melissa, você pode me perder pra ela.
— Obrigada pelo elogio.
— Ah tá! Grande coisa. Malu fica esperta por que esse daí, quando cisma com alguém, gruda e nunca mais solta. – Disse Melissa.
O sinal tocou, era hora de todos entrarem para o início das aulas. Malu acompanhou suas novas amigas até a sala, ela estava um pouco nervosa, finalmente seu ano letivo iria começar e esperava que tudo corresse, Fernanda a tranquilizou dizendo que tudo iria dá certo e que precisasse ela estaria pronta para ajudar, Malu sorriu aliviada, já conseguiu mais uma amiga. Na sala, Cecília lhe chamou para sentar perto dela e de Melissa e Fernanda, a garota se sentou e as suas novas amigas comemoraram. Antes da aula começar, a professora Célia, que lecionava matemática, apresentou Malu para a classe e lhe desejou boa sorte no ano letivo. Durante uma atividade, a sala foi dividida em grupos, Cecília, Fernanda, Malu e Melissa resolviam a atividade, se tivesse alguma dúvida em uma questão, uma ajudava a outra. Melissa revirava seu estojo a procura de algo.
— Mel, tá tudo bem? – Perguntou Cecília.
— Tá tudo bem Ceci, é que eu esqueci meu corretivo, olhei meu material quinhentas vezes e ainda esqueci o corretivo. – Disse Melissa com um suspiro.
— Pode usar o meu, Melissa, eu te empresto. – Malu ofereceu o seu material.
— Obrigada Malu, é muito gentil. – Melissa pegou o corretivo e retribuiu com um sorriso. Malu sorriu de volta, começava a fazer amizade com outras pessoas, está correndo tudo bem no seu primeiro dia.
...
Na hora do intervalo, o pátio se encheu novamente, muitos alunos compravam lanche na lanchonete do colégio, as grandes atrações de lá era a coxinha de frango, o pastel assado e claro, a tradicional iguaria da culinária mineira: o pão de queijo, esse era o queridinho dos alunos, acabava em segundos. Fernanda trazia uma bandeja com uma cestinha com quatro pães de queijo e quatro copos com suco, Cecília a chamava para se sentar na mesa com ela, Malu e Melissa.
— Malu você vai adorar o pão de queijo daqui, vem quentinho e derrete na boca. – Disse Fernanda ao se sentar à mesa.
Malu pegou um pão de queijo e deu uma pequena mordida.
— Hum, é gostoso, derrete na boca, muito bom mesmo. – Malu havia se esquecido que estava com a boca cheia, fazendo as outras meninas rirem quando ela percebeu a falha. — Me desculpem.
João se aproximou da mesa das meninas, Melissa, ao vê-lo, revirou os olhos.
— Ai João, já lhe disse para se desgrudar de mim. Será que não terei sossego nem para lanchar? – Perguntou Melissa.
— Não se preocupe Melissa, pode terminar o seu lanche. Eu vim conversar com a Maria Luíza. – Disse João de um jeito maroto.
— Comigo? – Malu ficou surpresa.
— É, quero saber mais sobre você.
— Vou te contar, aliás, pode me chamar de Malu.
— Ok, Malu. Fale-me sobre você.
Malu falou sobre ela, da escola de onde veio, de seus amigos, do que gosta de estudar, das impressões que teve da escola. Fernanda e João ouviam atentamente, Cecília estava contente em ver a amiga falando de forma tão descontraída com outras pessoas, já Melissa estava tomando suco, tentando disfarçar a surpresa e o incomodo com a fala de João, como assim ele não iria mexer com ela?
— Agora, Malu, uma pergunta mais pessoal: para que time você torce? – Perguntou João curioso.
— Eu torço para o Atlético Mineiro, sou fanática pelo galão da massa. Devo dizer que o futebol é uma das minhas paixões, amo assistir aos jogos. – Disse Malu.
— Então, somos rivais de clube, torço para o Cruzeiro, assim como o Marcelo, esse é um cruzeirense fanático.
— Marcelo?
— É o meu melhor amigo, ele é da nossa sala, mas, infelizmente não veio hoje. Marcelo é incrível, é esperto, inteligente, engraçado, joga bola muito bem, adoro aquele garoto.
— Cuidado com o jeito que fala João, pois, dá a entender que você sente algo a mais pelo Marcelo. – Provocou Melissa.
— Haha, engraçadinha. Marcelão é meu amigo e não tenho vergonha nenhuma de dizer que eu o adoro.
...
Depois de um bom banho, Malu decidiu encerrar a sua noite conversando com Mariana pelo chat.
— Oi, Mary!
— Oi, Malu. E aí? Como foi o primeiro dia de aula na escola nova?
— Foi tudo bem, adorei. Ah, A Cecília te mandou um abraço pra você.
— Manda outro pra ela. Chega de enrolação Maria Luíza, me conta, o pessoal de lá é chato?
— Não, são bem legais, já fiz algumas amizades por lá, tem uma menina lá, ela chama Melissa, no início achei metidinha demais, mas, depois ela me pareceu legal. A Fernanda também é legal, ela me ajudou com alguns exercícios. Aliás, menina, preciso te contar, o ritmo de ensino no Santa Mônica é puxado, cada questão cabulosa, ai não posso usar essa expressão, faz referência ao time rival, vou melhorar, é cada questão difícil, mas, nada que um pouco mais de estudo não resolva.
Mariana nem prestou atenção sobre a escola, ela só queria saber das tais novas amizades.
— Hm, essas meninas devem ser bem legais, deve ter até se esquecido do nosso grupinho.
Malu não conteve o riso.
— Sua boba, eu jamais vou esquecer o nosso grupinho por mais amizades que eu faça e você sempre será a minha amiga, nunca vou me esquecer de você.
— Acredito em você, tá perdoada. Você também será sempre a minha amiga, mesmo que esteja um pouco longe. Podíamos combinar de juntar o nosso grupinho, na minha casa ou na sua.
— Isso vai ser ótimo, esse final de semana minha mãe vai tá em casa e combino certinho com ela. Um beijo e até a próxima.
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